Arthas conhecia Will graças a Javier, um homem que o ajudara sem sequer perceber. Após passar um longo período fora da cidade, viajando e aprimorando suas habilidades em caçar as diversas criaturas que assombravam o mundo, ele encontrou refúgio entre os caçadores. Eles o acolheram, ensinaram-lhe os segredos da arte e o ensinaram a proteger-se. Ainda assim, não podia negar sua verdadeira natureza: um bruxo cuja magia fluía intensamente em suas veias. Por vezes, ele perdeu o controle, sua fúria era avassaladora, e seus olhos chegavam a adquirir a cor violeta, mostrando um poder oculto. A sede de vingança o impulsionava, levando-o a matar qualquer criatura que cruzasse seu caminho. No entanto, tudo começou a mudar quando conheceu Javier. O homem o ajudou a encontrar um pouco mais de calma, moldando-o para que pudesse controlar sua ira e impulsos sombrios. Apesar disso, Arthas sabia que aquela fúria nunca desapareceria completamente. Ela estava intrínseca em sua essência, sempre à espreita. Contudo, a vida o presenteou com mais do que uma figura paterna. Além de Javier, ele encontrou uma conexão especial com uma figura banshee. A aproximação entre os dois ocorreu de forma natural, apesar dos receios de Arthas. A garota era importante para Javier, e isso o fez sentir-se obrigado a se aproximar dela também.
Arthas ignorou completamente as palavras alheias e permitiu-se ser conduzido pela figura pequenina que o acompanhava, ainda que a condução fosse precária. No entanto, ao ouvir a sugestão dela de que retirasse a camisa, ele lançou um olhar confuso em sua direção. A princípio, o convite parecia desconcertante, mas, ao observar com atenção, reconheceu a inocência em sua sugestão. Por alguma razão, a armadilha celta que o pegara, além de sal e sangue, fora moldada com ferro, o que tornava a situação ainda mais problemática. A testa machucada era insignificante em comparação com a queimadura em sua pele, que ardia intensamente. Decidido a encontrar alívio para sua dor, o loiro prontamente atendeu à sugestão e removeu sua jaqueta, despojando-se em seguida da camiseta que trajava.
Ao expor a queimadura em sua pele, soltou um palavrão de frustração, amaldiçoando-se. Então, respirando profundamente, fechou os olhos e concentrou-se em um feitiço de cura. Procurou dentro de si uma magia silenciosa, daquelas que não exigiam palavras proferidas em voz alta. Com a mente focada e o poder da magia fluindo através de suas mãos, sentiu a energia percorrer sua pele, acalmando a ardência da queimadura. Aos poucos, a sensação de alívio tomou conta de seu corpo, e a pele antes em carne viva começou a se regenerar diante de seus olhos. O feitiço surtia efeito, restaurando a saúde de sua pele e aliviando a dor.
"Não." Disse ele, com autoridade em cada sílaba. "Não iremos ao encontro de Javier, e você não ficará sozinha, está me ouvindo? Está completamente louca?" A pergunta foi retórica, pois Arthas já tinha sua opinião formada sobre a personalidade da figura oposta, considerando-a um tanto imprudente. Ele recolocou cuidadosamente sua jaqueta de couro, ainda sentindo a ardência da queimadura em contato com o tecido. "Você vem comigo." Determinado, ele reafirmou sua decisão, não permitindo que ela seguisse por um caminho perigoso sozinha. Afinal, em um mundo repleto de perigos e segredos sombrios, não havia espaço para deixar alguém desamparado. @artmograine
❝ espera, você... você está se curando? ❞ incrédulos com o que acabava de testemunhar, a loira ficou observando com atenção o processo de cura alheio, permitindo-se brevemente, dedilhar as feridas recém cicatrizadas. ❝isso é incrível, você é incrível. ❞ estava, de fato, abismada; contudo não fez indagações acerca da habilidade alheia, talvez um dia no futuro ele estivesse pronto para se abrir com ela.. ❝ e... você poderia... é que está doendo pra caralho. ❞ fez menção ao machucado na têmpora esquerda, o sangue escorrendo por entre seu rosto. com os olhos atentos, viu-se fitando o corpo alheio, um rubor tingindo seu rosto de maneira espontânea até que virou o rosto.
❝ não? ❞ indagou atordoada. ❝ mas, art... ele é experiente. nós dois sozinhos. precisamos dele. ele vai saber nos orientar. ❞ parecia a decisão mais correta, embora a jovem Banshee temesse que algo de ruim pudesse acontecer com ele em virtude de sua aproximação. talvez ele estivesse certo, seria melhor seguir com ele, afinal confiava planeamento no mais velho. ❝ você está machucado, não é? não seria melhor deixar o ferimento respirar um pouco? está frio, eu posso te levar. vem, monta nas minhas costas. ❞ sabia que o peso alheio iria fazê-la desmoronar em questão de minutos, mas Will estava numa condição melhor que a dele. ❝vamos pra minha casa, o conselho nçao sabe sobre lá e tem alguns remédios. não que você precise, é claro. o conselho está fora de cogitação. ❞