Um micro conto da colectânea “Festa com Uma Pessoa Só” de Lao Ma.
Carta de suicídio
Queridos professores e colegas,
Quando lerem esta carta, eu já terei abandonado este mundo terrestre. Haverá mais um doutorado no paraíso.
Bem cedo, já na altura do secundário, surgiu-me a ideia de suicídio. Mas achei que, numa sociedade tão obcecada com curricula vitae, suicídio sem licenciatura universitária seria uma vergonha de perder face! Por isso aguentei, cerrando os dentes, e acabei por entrar na universidade. Deixei então o plano de despedir-me para sempre desta vida para depois da cerimónia de graduação.
Contudo, a realidade da vida é cruel. Após quatro anos apercebi-me de que diplomas de licenciatura são tantos como os pelos de um boi e um mero licenciado não tinha sequer qualificações suficientes para morrer. Tive de continuar a estudar arduamente, prescindi de oportunidades de emprego, estudei por mim durante dois anos e entrei sem percalços no mestrado. Quando estava na licenciatura, os meus pais tinham vendido ora legumes ora cereais ora sangue para pagar as preciosas propinas. Agora que me especializava no mestrado, eles venderam a única propriedade que tinham para viver, uma velha casa de três quartos.
Depois de me tornar mestre não saltei de nenhum edifício porque nessa altura, com o crescimento abrupto da educação na China, os diplomas de mestrado estavam em época de saldos. Não tive outra hipótese senão adiar mais uma vez o meu suicídio, prometendo a mim mesmo que obteria o grau de doutorado pelo respeito e dignidade do suicida. Agora, com o objectivo alcançado, posso finalmente ser digno do meu pai e do rim que havia “doado” dois anos antes para pagar as minhas despesas. Posso dizer com orgulho que sou um suicida altamente qualificado.
Não é fácil! Nestes tempos até o suicídio requer um doutoramento. A minha tese teve notas de mérito e o chapéu de graduação já foi usado ontem na cerimónia de entrega de diplomas. Posso partir com dignidade e de consciência tranquila.
Não se esqueçam de escrever na minha urna de cinzas ou na lápide a palavra “doutor”.
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Yu Hua é um dos grandes nomes da literatura chinesa contemporânea, com várias obras traduzidas por todo o mundo. As mais destacadas são Viver, livro adaptado posteriormente para o cinema, Crónicas de um Vendedor de Sangue e Irmãos. O ensaio China em Dez Palavras, censurado na China, é um livro essencial para a compreensão da China actual.
Muitas das suas obras têm como cenário a vida quotidiana no campo durante a Revolução Cultural, período que o próprio autor testemunhou quando criança. Yu Hua trabalhou como dentista alguns anos antes de começar a escrever em 1983. Uma das suas características estilísticas é a capacidade de criar personagens e situações complexas através de recursos linguísticos simples e acessíveis.
Em ascensão na literatura chinesa contemporânea, Sheng Keyi nasceu na província de Hubei fixando-se depois no sul durante a década de 90. Um dos seus romances mais famosos, Northern Girls, relata a história de uma rapariga do campo que imigra para a cidade onde terá de enfrentar a complexidade da sociedade chinesa.
Com um estilo de escrita denso mas acessível, os livros de Sheng Keyi têm oferecido uma perspectiva feminina da sociedade actual, muitas vezes imersa na dicotomia campo/cidade.
Mo Yan é talvez o nome chinês mais conhecido do mundo da literatura actual devido à recepção do Prémio Nobel da Literatura em 2012. Natural da província de Shandong, o autor criou vários romances e contos, entre eles Red Sorghum, Big Breasts & Wide Hips (traduzido em Portugal por “Peitos Grandes, Ancas Largas”) e o seu livro mais recente Frog.
Pode encontrar no nosso blog um excerto de um discurso de Mo Yan sobre o que considera ser boa literatura, na altura em que ganhou o Prémio Nobel.
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Li Yaotang, mais conhecido pelo seu pseudónimo Ba Jin, natural de Chengdu na província de Sichuan, é considerado um dos escritores mais importantes do século XX.
Influenciado desde cedo pelos trabalhos de Piotr Kropotkin, Bajin é conhecido fora da China principalmente pela sua ligação e simpatia ao movimento anarquista, tendo mantido durante toda a sua vida contacto através de cartas com Emma Goldman.
A sua obra mais relevante é o livro "A Família", uma peça autobiográfica, que seria seguido de "Primavera" e "Outono" formando uma trilogia clássica da literatura chinesa. Ba Jin escreveu também imensos contos e ensaios. Através do seu estilo simples e acessível, Ba Jin reconhecia que a arte servia um propósito revolucionário e deveria estar disponível a todos independentemente do seu nível de educação. O autor chegou a ser nomeado para Prémio Nobel da Literatura nos anos 70.
Apesar de criticado durante a Revolução Cultural, Ba Jin seria posteriormente nomeado Director da Associação de Escritores. Nesta altura defendeu uma maior abertura para diálogo sobre a Revolução Cultural e os seus traumas. Daqui deriva a coleccção de ensaios "Pensamentos Dispersos".
Ba Jin passou os seus últimos anos num hospital em Xangai e faleceu com 100 anos. Foi uma das últimas principais figuras do Movimento Quatro de Maio.
Um artigo no jornal The Guardian sobre a vida de Ba Jin: Obituary: Ba Jin
Muitas vezes referido como o pai da literatura moderna chinesa, Lu Xun destacou-se pela utilização inédita da linguagem vernacular em lugar do chinês clássico e das suas críticas ao carácter da sociedade tradicional, muitas vezes através da ironia e sarcasmo.
O escritor cresceu e passou a sua infância na cidade de Shaoxing, na província de Zhejiang, estudando depois no Japão medicina, área que abandonou anos mais tarde. Quando regressa à China em 1909, trabalhou como professor e tradutor e dedicou-se à literatura. Nesta altura escreveria algumas das suas obras mais conhecidas em formato de pequenos contos: A História de Ah Q e Diário de um Louco.
Associou-se a revistas e grupos reformistas e de esquerda, porém nunca se tornou militante do Partido Comunista. Lu Xun teve também um papel central no movimento anti-imperialista de Quatro de Maio em 1919. Faleceu de tuberculose em 1936 na cidade de Xangai.
Um dos poucos livros traduzidos para português directamente do chinês é da autoria de Lu Xun: colecção de contos "Ervas Silvestres" (LU, Xun. Sun Lin e Luís G. Cabral. Ervas Silvestres. Lisboa: Cotovia, 1997)
O Caso Xu Yuyu - jovem vítima de fraude morre de paragem cardíaca
23 de Agosto de 2016
No dia 19, Xu Yuyu, uma rapariga de 18 anos da cidade de Linyi [na província de Shandong] prestes a entrar para o ensino superior, recebeu um telefonema fraudulento e consequentemente perdeu 9900 rmb [cerca de 1300 euros], quantia destinada às propinas da universidade. Ao aperceber-se da situação, a estudante ficou muito abalada, acabando por sofrer uma paragem cardíaca e falecer no dia 21 de Agosto.
Após o exame Gaokao, em que foi aprovada com uma nota de 568, Xu Yuyu foi aceite pela Nanjing Post and Communications University. Na tarde de 19 de Agosto, cerca das 16h30, a estudante recebeu um telefonema de um desconhecido, alegando possuir a sua bolsa de estudo, no valor de 2600 rmb [350 euros]. No dia anterior, Xu Yuyu tinha recebido uma notificação da universidade, aceitando-a como recepiente dessa bolsa. "No dia 18, a minha filha recebeu um telefonema do departamento, disseram-lhe que já estava tudo tratado e o dinheiro estaria disponível dentro de alguns dias", afimou Li Ziyun, a mãe da estudante, justificando assim não terem desconfiado da veracidade do telefonema do dia seguinte.
Os impostores convenceram Xu Yuyu a efectuar o pagamento das propinas para que o suposto subsídio ficasse disponível e forneceram um número de conta bancária. Xu Yuyu ficou extremamente abalada após se aperceber da fraude e ainda nessa noite se dirigiu com o pai à polícia para apresentar queixa. No regresso a casa, Xu Yuyu sentiu-se mal e desmaiou. Apesar dos esforços na unidade hospitalar, a rapariga de 18 anos acabou por falecer.
De acordo com os dados recolhidos, Xu Yuyu não tinha problemas físicos e nunca tivera doenças graves. Xu Yuyu pertencia a uma família pobre, que dependia somente do rendimento do pai, e o valor das propinas equivalia a pelo menos 6 meses de poupanças num regime de gastos muito poupado.
O caso está agora a ser investigado pelas autoridades.
[Actualização no dia 28/08/2016: Nos dias que se seguiram, este caso recebeu grande atenção mediática nas redes sociais chinesas e de momento as autoridades dizem ter já capturado os seis principais suspeitos de fraude. Os dados pessoais de Xu Yuyu, incluindo o pedido de subsídio, terão sido divulgados na internet, uma prática frequente e utilizada por impostores. Tentativas de fraude por telefonema e na internet são muito comuns no país.]
Chegou mais uma vez a altura do Gaokao, o exame de acesso ao ensino superior na China: os alunos preparam-se para a batalha, os pais esperam ansiosos, as escolas estão atentas a todos os pormenores e as lojas aproveitam a ocasião para o negócio. Em mais de 10 anos, entre 2000 e 2016, observaram-se inúmeras mudanças na nossa sociedade mas o Gaokao não é uma delas, continuando ainda a ser o momento mais importante no percurso académico.
O Gaokao, como um exército de mil homens passando sobre uma frágil ponte de madeira, é para muitos a única forma de lutar pelos seus sonhos, por isso todos os anos conta não só com a participação dos finalistas desse ano como também de alunos que chumbaram em anos anteriores. Para os repetentes, o exame chega a ser ainda mais importante. Na imagem, a 5 de Junho de 2015 na vila de Maotaochang, perto de Liu'an na província de Anhui, os familiares despedem-se dos estudantes antes do autocarro partir em direcção ao local do exame. Nesse dia, os alunos que vão repetir o exame põem-se a caminho numa tentativa de finalmente sair da escola secundária. A maioria dos alunos na escola de Maotanchang vêm do campo ou obtiveram notas demasiado baixas no ano anterior. Após a falha no gaokao, os alunos e familiares juntam os derradeiros esforços nesta escola secundária, uma das escolas com taxas mais altas de sucesso na subida de notas.
Nesta altura de grande tensão é inevitável um intenso nervosismo, tanto para os alunos e como para os docentes. Assim, algumas escolas com melhores condições acabam por experimentar diferentes métodos de descontracção. No dia 25 de Maio de 2016, a escola n.º1 do distrito de Xuanhua na cidade de Zhangjiakou, em Hebei, disponibilizou antes do exame um Salão Anti-stress – uma instalação com uma “sala de desabafos”, uma sala com música ambiente, uma sala de jogos, um gabinete de apoio psicológico e um atelier de cerâmica. Para além disso, a escola disponibiliza ainda um professor de assistência psicológica em sessões privadas ou em grupo. Na imagem, duas alunas do 12.º ano relaxam em cadeiras de massagens.
Nos últimos anos, novas formas de aliviar o stress antes do exame são cada vez mais comuns. Para além de acompanhamento psicológico, há também muitos alunos que escolhem actividades físicas mais intensas para diminuir esta pressão. No dia 28 de Maio de 2010, a escola de línguas Yangzhou New Oriental em Pequim levou a cabo uma série de actividades para alunos do 12.º ano com o intuito de relaxarem com a vinda do exame. Numa destas actividades, os alunos da escola de línguas saltam sobre balões.
No dia 2 de Junho de 2016 em Wulong, na cidade Chongqing, dois mil alunos rebentaram com uma tonelada de melancias como técnica de relaxamento. No dia 20 de Maio, no distrito de Haicang em Xiamen, alunos rasgaram livros usados e exames... Estas formas mais radicais de aliviar o stress foram alvos de críticas por alguns, mas o vice-presidente do Instituto de Investigação 21st Century Education, Xiong Bingji, considera que não há necessidade de criticar demasiado estes métodos mais intensos (como rasgar livros, gritar, partir garrafas ou chorar) desde que estes sejam realmente efectivos no alívio emocional. Na imagem, com data de 28 de Maio de 2010, alunos do último ano da escola secundária n.º 1 em Shenyang, na província de Liaoning, aliviam o stress através de gritos.
Contudo, muitos alunos e pais não consideram suficientes estes novos métodos anti-stress, acabando por normalmente recorrer a rituais e rezas. No dia 6 de Junho de 2016, alguns alunos da escola n.º3 de Nanning, na província de Guangxi, colocaram cartazes com frases para levantar a moral dos alunos, como "Serás o melhor [nas universidades de] Qinghua e Beida" ou "Na Qinghua e Beida, alcançarás o sucesso". Outros alunos escrevem em pequenos papéis frases auspiciosas para colocar nas estátuas que se encontram ao longo do campus, como estátuas de "O Pensador", Confúcio ou Newton. É também aqui que queimam incenso ou oferecem maçãs e doces, tudo com a esperança de passar no exame e entrar na universidade ideal.
A escola de Maotanchang, em Anhui, já foi considerada pela comunicação social como "A maior fábrica de exames da Ásia" mas talvez também seja aqui o lugar em todo o mundo onde se queima incenso com mais intensidade. Dentro da escola existe uma árvore chamada "árvore divina" que todos os anos, principalmente durante o ano novo chinês, junta centenas de pessoas na pequena rua de 100 metros que a circunda. Na semana anterior ao exame, os familiares juntam-se em multidões para queimar incenso naquele local. Na imagem, familiares atiram rapidamente paus de incenso num fogo cada vez mais intenso nas proximidades da árvore sagrada, devido à impossibilidade de se aproximarem para um ritual mais demorado.
Nesta imagem de 6 de Junho de 2014, na escola n.º2 de Xinzhou em Wuhan, são mandados diversos foguetes precisamente às 8 horas e 8 minutos [o número oito é um número auspicioso]. Milhares de locais juntam-se à porta da escola aguardando a saída de mais de mil alunos rumo ao Gaokao, num total de 66 autocarros com escolta policial. Quando partem, familiares e locais queimam incenso ajoelhados, mandam foguetes e ressoam tambores.
Todos os anos na véspera do exame, decorrem cerimónias ou rituais por todas as escolas do país. Na imagem, a 3 de Junho de 2014, a escola n.º2 de Hengshui, na província de Hebei, dá a cada aluno do último ano duas notas novas de 5 yuan [cerca de 70 cêntimos] com números de série seguidos. O número 10, através da soma das duas notas, simboliza a perfeição, a totalidade. Os números de série sucessivos simbolizam um caminho com sucesso e sem problemas. A escola já realiza esta actividade há vários anos como uma forma de descontracção e de desejar boa sorte aos alunos.
Para além dos rituais, muitos pais decidem também comprar suplementos alimentares para lidar com a ansiedade, tanto dos familiares como dos filhos. No dia 5 de Junho de 2016, com a chegada do exame, o jornalista verificou que, em vários supermercados na cidade de Nanquim, as zonas de venda destes produtos encontravam-se em promoção, com muitas marcas já esgotadas.
Devido à sua importância, todos os anos o Gaokao torna-se um "desporto da população", sendo o acompanhamento ao exame uma das modalidades mais tradicionais. No dia 5 de Junho de 2012, na cidade de Yichang na província de Hubei, organizou-se pela 8ª vez um serviço gratuito de táxis para os alunos rumo ao exame. A empresa de táxis disponibilizou um total de 300 táxis, colocando sobre o veículo um símbolo de participação na iniciativa. Durante os dois dias de exame, os taxistas esperaram nas entradas de várias escolas da cidade para transportar cada estudante, prevendo uma chegada ao local de exame às 7h40 para garantir uma viagem calma e sem atrasos.
No processo de entrada nos locais onde decorrem os exames também existem vários serviços disponíveis para os alunos. Às 9 horas do dia 7 de Julho de 2000, em Pequim, 56 mil alunos já tinham entrado na sala. Na escola n.º 4 de Pequim, 666 alunos finalizaram o exame às 11h30, após duas horas e meia de exame. Entre eles, dois alunos exaustos recebem oxigénio e descansam um pouco.
No mês de Julho em 2001, em Nanquim, o ar-condicionado ainda não existia em muitas escolas e salas de aula. Durante o exame, com as altas temperaturas na região, a cidade disponibilizou 100 toneladas de gelo para colocar dentro das salas de aula, na tentativa de proporcionar um espaço mais agradável para os alunos realizarem o exame.
De forma a garantir ruas desimpedidas e espaços silenciosos juntos a locais de exame, todos os anos durante o exame há sempre mais policiamento. Em Xangai, a polícia colocou um sinal "Proibido Buzinar" junto à escola secundária Guangming. Nessa tarde, durante o Gaokao de 2007, os alunos realizavam o exame de inglês.
Todos os anos outra prática habitual é o processo de distribuição das salas de aula. No dia 4 de Junho de 2005, os alunos da escola Nankai no distrito de Shapingba, em Chongqing, preparam-se para o exame. Apesar dos alunos poderem, de acordo com as regras da escola, fazer as últimas revisões em casa ou ter tempo livre antes do exame, muitos preferem continuar na escola a fazer exercícios. Enquanto isso, funcionários da escola preparam os espaços para o exame. Na imagem, uma empregada limpa um dos espaços que será utilizado brevemente para o exame enquanto outros dispõem as cadeiras e mesas correctamente.
Ao longo dos anos, as regras das salas de exame tornam-se cada vez mais específicas e rigorosas. No dia 3 de Junho de 2016, na escola em Dongzhimen, em Pequim, os funcionários já colocaram na entrada de cada sala as informações do exame, como o número e o nome do espaço. Dentro da sala, estão dispostos cerca de 30 lugares, com uma distância de pelo menos 80 centímetros entre eles. Duas professoras organizam os autocolantes com os nomes e números de cada aluno para colar nas respectivas mesas. Finalmente, outra professora escreve no quadro a disciplina, a duração do exame e o número de testes distribuídos.
Num momento tão decisivo é muitas vezes comum o uso de cábulas por isso, de acordo com a emenda 9 do Direito Penal implementada no dia 1 de Novembro do ano passado, este tipo de acção passa agora a ser criminalizada, sendo que a sua penalização pode chegar a 7 anos de prisão. Este ano é o primeiro ano de Gaokao com o sistema de "cábulas-crime". Na imagem, a 7 de Junho de 2015, um aluno na cidade de Changchun é submetido a um exame de segurança minucioso, onde até o aparelho dentário está sujeito a inspecção.
Na tarde do dia 6 de Junho de 2016, na escola 47 de Zhengzhou, um aluno passa por uma inspecção de corpo inteiro. De modo a garantir uma entrada dos alunos sem problemas e sem barulho, os 654 locais de examinação em Henan abrem em simultâneo no dia anterior ao exame. Cada aluno pode visitar o local onde irá efectuar o exame, familiarizar-se com o espaço e experimentar o detector de metais com antecedência.
Depois da entrada dos alunos no exame, começa então a longa espera dos pais na rua, sendo este fenómeno já uma caraterística do Gaokao. A imagem é de 7 de Junho de 2007 à entrada da escola Changdu em Hunan, onde um pai boceja enquanto aguarda pelo filho.
No primeiro dia do Gaokao de 2006, a 7 de Junho, participaram em todo o país 9,5 milhões de alunos. Na imagem, uma mãe espera ansiosa junto ao portão da escola Minli em Xangai.
O agrupamento de pais durante os exames são uma oportunidade de negócio para alguns, visto que muitas empresas e lojas aproveitam estes momentos de espera para promover marcas ou produtos relacionados com exames. Na imagem, no dia 7 de Julho de 2000, uma mãe lê um inquérito da Netease sobre os participantes do gaokao enquanto espera.
No dia 8 de Junho de 2015, o segundo dia do Gaokao, aqueles que querem aproveitar a oportunidade de negócio juntam-se aos pais e professores que esperam fora das escolas. Providenciam serviços e produtos como bancos, leques, águas e até mesmo aguardente e massagens, na esperança de também conseguir uma "boleia" no Gaokao e ganhar uns trocos.
Este exame também influencia os hotéis nas zonas próximas, onde os estabelecimentos oferecem "Quartos Gaokao" e chegam a ter taxas de lotação de 95%, sendo que os quartos por hora são os mais populares. De acordo com dados de algumas agências turísticas, o ranking das cidades com maior taxa de reservas de "quartos gaokao" é o seguinte: Xangai, Pequim, Wuhan, Nanquim, Tianjin, Shijiazhuang, Chengdu, Suzhou, Qingdao e Hangzhou. Na imagem, a 6 de Junho de 2012, duas alunas conversam à entrada de um hotel com promoções em Xangai.
O Gaokao não é apenas um importante passo na entrada para a universidade, é também um desfecho de 12 anos de estudo. São poucas as razões para faltar ao exame e por isso todos os anos há muitos alunos que vão para o gaokao doentes. Na imagem, a 7 de Junho de 2015, um pai leva o filho com uma perna partida para o exame em Henan.
Depois do exame já não importa a ansiedade e nervosismo com que entraram. No momento em que saem do exame, os alunos normalmente mostram-se satisfeitos e contentes. Para eles, não só deixaram para trás os sacrifícios de preparação para o teste como um grande peso nas costas que até ali carregavam. No dia 8 de Junho de 2015, alunos saem sorridentes duma escola em Shenzhen, na província de Cantão, em direcção aos pais que os esperam à entrada.
No dia 8 de Junho de 2015, alguns professores juntam-se à entrada duma escola em Shenzhen com t-shirts que dizem "No cimo das nuvens avista-se a luz".
Mas o fim do Gaokao não significa o fim desta "campanha militar". Começa agora a espera dos resultados pelos alunos, a pesquisa de programa de voluntariado pelos pais, os planos de recrutamento de novos alunos pelas escolas, a partilha deste "bolo" do mercado educativo pelos empreendedores e até mesmo as recomendações de pacotes turísticos de acordo com as notas obtidas. O Gaokao continuará assim a adaptar-se às mudanças da sociedade. Na imagem, a 7 de Junho de 2015, alguns jovens seguram cartazes duma empresa em Jilin que oferece viagens a estudantes que obtenham excelentes notas no exame.
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Baidu reorganiza [o fórum on-line de mensagens] Tieba
Ontem o aviso sobre o fórum Tieba da empresa Baidu levantou muitas ondas e vários sub-fóruns sobre literatura foram fechados imediatamente, trazendo de novo a pirataria ao cerne da questão. No dia 19 de Maio, a empresa China Reading Limited apresentou um processo em tribunal contra a empresa Baidu devido a suspeitas de disseminação de várias obras literárias sem a autorização devida.
Céu limpo e ar puro
[Na foto] Ontem, por volta das 7 da tarde, o pôr-do-sol na cidade de Cantão. Nesse dia, Cantão desfrutou de céu limpo e ar puro, condições atmosféricas raras na região.
Huawei: não há planos de relocalização da sede da empresa em Shenzhen
As recentes notícias relativas à relocalização da sede da empresa Huawei, actualmente na cidade de Shenzhen, continuam a circular. No dia 23 de Maio, obtivemos a negação dos rumores da própria empresa, que afirma não haver futuros planos para a sede abandonar Shenzhen.
O China Construction Bank facilita empréstimos para casas em segunda mão em Cantão
Antiga data de construção do edifício ou curto limite para pagar o empréstimo são algumas das preocupações de muitos dos compradores de casas em segunda mão, principalmente os que tencionam comprar num distrito com boas escolas. Ontem, o China Construction Bank em Cantão explicou-nos as novas medidas para empréstimos imobiliários, entre elas o alargamento da soma do prazo de pagamento e anos após construção do edifício para 50 anos.
A nova edição de livros escolares de literatura continuará a abordar o Massacre de Nanjing
Como resposta aos rumores que circularam durante o dia de ontem sobre a remoção do tema Massacre de Nanjing dos livros de língua e literatura, a editora responsável emitiu um comunicado explicando que apenas substituiram o texto "O massacre de Nanjing" de Wen Shulin pelo excerto "Escapar da Morte" do livro "O Massacre de Nanjing" de Zhang Chunru.
Boa literatura deve permitir ao leitor rever-se nela
Mo Yan
A música como expressão artística é algo muito abstracto. No mundo da música há lamentação, há fervor, há indignação. Não necessita de tradução e é algo extremamente flexível com diversas interpretações: uma pessoa feliz ouve as notas musicais que a deixam feliz enquanto uma pessoa triste chora a ouvir uma música, mesmo que esta seja animada. A mesma música consegue produzir diferentes sentimentos em pessoas de diferentes idades, conhecimentos ou meios.
A literatura também deve possuir esta qualidade.
Boa literatura não deve ser clara e translúcida, não deve ter apenas uma resposta correcta. Boa literatura deve ser rica, complexa e até mesmo ambígua. Deve permitir ao leitor rever-se nela, ler-se nela. O mesmo livro deve oferecer a cada leitor diferentes sentimentos que acompanhem as várias mudanças, como o tempo ou suas experiências. Espero que os meus contos não sejam óbvios na primeira leitura, desejo sempre escrever contos o mais flexíveis e indistintos possíveis. No passado persegui sempre este estilo artistico mas até hoje ainda não o alcancei por completo.
De facto os comportamentos de uma pessoa também são assim, se uma pessoa não tem ninguém que comente ou critique o seu trabalho, será menos valorizada. A razão pela qual alguém é apontado por todos os lados e comentado por muitas pessoas, é a sua complexidade e dificuldade de o qualificar, é uma pessoa rica. Eu sou de certo modo uma pessoa assim e por isso tornei-me num bom "exemplo", as pessoas podem decifrar o meu trabalho de acordo com a forma de pensar de cada um, seja uma falsa distorção ou uma percepção correcta, todas as descodificações são interessantes e fazem-me ver inúmeros aspectos que eu próprio nunca reparei.
Há ainda outra questão que merece reflexão.
Actualmente, a ficção chinesa está a ser cada vez mais traduzida para outras línguas e isto toca numa questão - o ponto de partida de produção por parte do autor: o autor afinal está a escrever para quem? Para si mesmo ou para os leitores? Se escreve para os leitores, será para os leitores chineses ou estrangeiros? Necessitando de um tradutor, podemos dizer que o autor está a escrever para o tradutor?
Esta tendência de escrever para o tradutor é absolutamente indesejável. Apesar da literatura necessitar da tradução e do trabalho criativo do tradutor para se internacionalizar, como autor, o seu estilo criativo sairá prejudicado se tem em mente o tradutor durante a realização da obra, acabando por diminuir a dificuldade da própria obra para facilitar a tradução. Assim, quando se escreve, o autor pode pensar em qualquer pessoa mas nunca no tradutor; não se pode esquecer de ninguém mas deve esquecer-se do tradutor. Apenas assim conseguirá escrever ficção chinesa com estilo próprio.
Em relação ao prémio Nobel de Literatura, não se deve fazer grandes alaridos. Em Gaomi, Pequim ou na Suécia, quando soube que ganhei o prémio, estive sempre sereno e até mesmo com um pouco de remorsos. A realidade é que há excelentes autores na China e em todo o mundo com qualificações, até mesmo com melhores qualificações do que eu, para ganharem este prémio, não ganharam apenas porque ainda não chegou a altura. Deposito as minhas esperanças no futuro: espero que, num futuro próximo, autores chineses consigam mais uma vez marcar presença na Suécia e subir ao pódio para o prémio Nobel da Literatura.
Mo Yan, 24 de Janeiro de 2013
(excerto de uma apresentação do autor na Universidade Beijing Normal)
O texto original em chinês pode ser consultado aqui.
Extremistas de Hong Kong apelam à eliminação de livros em chinês simplificado, medida criticada pela sua essência de “queimar os livros e enterrar os intelectuais”
O movimento “guerra das bibliotecas de Hong Kong” apela aos cidadãos de modo a resistir contra a “educação de lavagem cerebral” do continente chinês.
Senhora de Wuhan não consegue falar o seu dialecto após vinda do cemitério no feriado, agora fala apenas cantonês
Não consegue exprimir uma palavra no seu dialecto de Wuhan e os seus familiares não a compreendem, questionam surpreendidos “Será maldição?”
Casal de académicos monta empresa para falsear resultados de exames de 884 candidatos para cursos de pós~graduação, compravam as respostas na internet
O gangue tinha 8 membros e o caso envolve mais de 10 milhões de RMB e 884 candidatos.
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A Grande Guerra entre o Homem e a Máquina
O nosso inimigo é o desconhecido ou nós próprios?
[Edição especial sobre um jogo de Go realizado este mês entre um dos melhores jogadores do mundo e o programa AlphaGo criado pela Google. O programa ganhou 4 das cinco rondas do desafio]
Pronunciação: tāng
Componentes: água 氵; sol 日 ; raios de sol 昜
Tipo de caracter: semantico-fonético
Forma simplificada: 汤
Significado: 1. água quente 2. sopa, molho 3. (nome de família)