Plumas (Sobre depressão)
Esses são dias aos quais meu corpo pesa Parece inabitável à minha alma Uma cortina embaça minha idéia de futuro Só penso em sobreviver ao agora E que seja sem sofrer tanto Lamentos, intransitivos 'in' direto Numa parede enxerga-se um quadro negro Nele desenhado meu rosto apático Outra hora havia ali um espelho Hoje o reflexo de pensamentos turvos Explicações fáticas Quanto à idéia do inabitável: Há sujeiras por toda a casa Roupas jogadas em lugares errados Debaixo do tapete tantos sentimentos Varridos e evitados antes da piora Narrativa insensata Dessa casa faço corpo Olhos confusos não brilham ao dia Nenhuma voz preferível Nada o tirará do duro estado quântico Apenas suas próprias energias Agora em repouso, sabe-se lá onde Epopéia em turbilhões obscuros A madrugada abraça a matéria orgânica Pesam os minutos sobre a musculatura imóvel Viu mais um dia ruir e nada aproveitar O cão negro já não se move como antes Cresce na mesma posição e permanece esperando o fim Em primeira e última pessoa Latidos destoam do instante de razão Há impulso irracional, esperado Ouço os passos de alguém subindo as escadas Rejeito a batida na porta Volte outra hora, em outra vida talvez E ajude a carregar minhas sobras já sem vida Prometa não chorar em minha última presença. (5 de dezembro, 2017) DiOgo
















