flashback
Daniel era a pior pessoa no universo inteiro para se expressar adequadamente, enquanto pensava que poderia tornar as coisas mais séries em um simples “eu gosto de você” ou “eu gosto de estar com você”, ele deixava que todos os seus sentimentos fossem expressados em uma letra e uma melodia, assim, se por acaso acontecesse o inevitável, ele poderia manter a letra e cantar como se fosse para outra pessoa. E, bem, quando ouviu o que ele dissera com toda aquela aproximação, o músico não conseguiu agir da maneira correta, deixou que os lábios se colassem aos dele brevemente e sussurrou. — Eu sei. - E após dar uma piscadela, o homem se afastou, acenando para que pudessem voltar para a festa, onde deveria continuar aquela música em um solo assustador, depois conversaria com a banda para continuar com a música, criar melodia e essas coisas. Daniel esperava que o outro entendesse, não era fácil sair da própria zona de conforto e preferia assim, Filippo cansaria um dia e precisaria estar pronto pra isso, mas como evitar o maldito sorriso nos lábios e imensa vontade de beija-lo, ligar o foda-se para o show que deveriam fazer e leva-lo para casa, passar a noite inteira com ele e pronto, destruir aquele muro que levantou envolto de seu coração e seguiria com isso, mas preferiu ignorar, de novo. — Vamos, temos um show pra fazer e uma noite pra curtir. Depois você me agradece pela música.
Aquelas íris claras roubavam o fôlego de Filippo sem precisarem fazer esforço algum. Bastava que o mais novo lhe encarasse daquela forma, com o sorriso nos lábios rosados que ele gostava tanto de tomar para si em beijos aquecidos, beijos lentos, beijos de toda a forma, para que o inglês sentisse suas pernas mais bambas. Se tinha chegado ali em Los Angeles em busca do amor de uma garota que ele acreditava estar perdidamente apaixonado, agora via que, talvez, não fosse isso que sentisse pela jovem que lhe enganou. Não. O que sentia por ela não chegava nem perto do que seu coração sentia por Daniel. E isso, apesar de lhe assustar, era delicioso. A dimensão do sentimento, tão grande e surreal, fazia com que o britânico não soubesse como nomear aquilo que assolava seu peito; sendo a primeira vez que via-se saltando de cabeça para ficar verdadeiramente vulnerável nas mãos de alguém, lhe faltava experiência para afirmar sobre o que sentia. Mas era bom. E por enquanto essa definição lhe saciava, apesar de querer mais. Mais de Daniel, mais da presença dele, mais segurança do que tinham. Mas assentindo então em concordância, Lip grudou o peito contra as costas do menor e inclinou a cabeça para beijar-lhe o ombro ao que as mãos abraçavam-lhe pelo quadril para que pudessem andar juntos, grudados. Não precisavam separar agora, certo? Caminhar de volta para a festa com o rosto escondido contra o ombro dele, confiando no mesmo para guiar seus passos, parecia estar completo. ' —— E você me deve uma dança. Uma não, muitas.' declarou de forma abafada, escondendo um risinho ali também. Era o seu jeito de dizer que queria passar o resto da noite ao lado dele. Ainda que não houvessem de fato vindo juntos, agora parecia uma idiotice deixá-lo se afastar. A noite seguiria e só seria realmente perfeita se o loiro estivesse por perto.













