Hum. É Carnaval. Lembro-me de quando descobri sobre o Carnaval; Eu estava em alguma série da escola. Primeira série, talvez, Ou quarta série, não sei; Mas lembro de mamãe escrevendo sobre isto para mim. Pois eu não sabia ali tecer opinião (ou, achava não ter opinião para tecer) Supunha não saber falar sobre o que meus olhos já não houvessem captado. Ainda não sabia dos outros sentidos, como o farejo e o senso expansivo. Talvez fosse eu muito desatenta... Mas bem reclusa e diversa também eras. Ah, a melancolia muitas vezes me pega Mas, desta vez, direi que é a esperança que me alegra E sempre, sempre e sempre, a melodia me pega. Convoca sua peça, Abraça-me e me atravessa Fazendo o chacoalhar da grande festa Apresentar o que tem para além das profundezas Do mar, da terra e das selvas. Ah! Eu até acho Carnaval maneiro Vovô até certa época se caracterizava Amava fazer graça. E bem verdade que o Carnaval é um grande espetáculo de máscaras Mas quem não precisa de sala Para improvisar e soltar suas valsas. Carnaval é festa pagã Máscaras revelam os tons Corpos escancaram os pecados Que todos seres têm em potência. Brasil, país de miscigenação, Um grito dos mais graves Antes, depois, agora, talvez mais tarde Liberdade.
— Karen Dias
















