Vejo a vida passar num instante
SerĂĄ tempo o bastante que tenho pra viver?
NĂŁo sei, nĂŁo posso saber
Quem segura o dia de amanhĂŁ na mĂŁo?
NĂŁo hĂĄ quem possa acrescentar um milĂmetro a cada estação
EntĂŁo, serĂĄ tudo em vĂŁo? Banal? Sem razĂŁo?
Seria, sim, seria, se nĂŁo fosse o amor
O amor cuida com carinho
Respira o outro, cria o elo
O vĂnculo de todas as cores
Dizem que o amor Ă© amarelo
Ă certo na incerteza
Socorro no meio da correnteza
TĂŁo simples como um grĂŁo de areia
Confunde os poderosos a cada momento
Amor Ă© decisĂŁo, atitude
Muito mais que sentimento
Alento, fogueira, amanhecer
O amor perdoa o imperdoĂĄvel
Resgata a dignidade do ser
Ă espiritual
TĂŁo carnal quanto angelical
NĂŁo 'tĂĄ no dogma ou preso numa religiĂŁo
Ă tĂŁo antigo quanto a eternidade
Amor Ă© espiritualidade
Latente, potente, preto, poesia
Um ombro na noite quieta
Um colo pra começar o dia
Filho, abrace sua mĂŁe
Pai, perdoe seu filho
Paz é reparação
Fruto de paz
Paz nĂŁo se constrĂłi com tiro
Mas eu miro, de frente
A minha fragilidade
Eu não tenho a bolha da proteção
Queria eu guardar tudo que amo
No castelo da minha imaginação
Mas eu vejo a vida passar num instante
SerĂĄ tempo o bastante que tenho pra viver?
Eu nĂŁo sei, eu nĂŁo posso saber
Mas enquanto houver amor, eu mudarei o curso da vida
Farei um altar pra comunhĂŁo
Nele, eu serei um com o mundo até ver
O ponto da emancipação
Porque eu descobri o segredo que me faz humano
JĂĄ nĂŁo estĂĄ mais perdido o elo
O amor Ă© o segredo de tudo
E eu pinto tudo em amarelo



















