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20/04/26 - Alto Caparaó
quando você me vê
eu vejo acender
outra vez aquela chama...
como eu só fui me deleitar em preta gil agora? é claro que haveria um dedo da ana carolina por trás, tudo tem uma bagagem.
um passado.
você deve saber o quanto me ama.
meu último texto tem agora mais de um ano, então essa escrita é nova pra mim também
que escrevi por quatro anos a mesma dor vinda do mesmo amor.
não é o amor que machuca, é o que faríamos por ele que sim.
pra que se esconder?
agora que não mais disponho de tempo para reviver em detalhes um amor antigo, quem eu sou?
alguém que se bebe junto no quintal da zona da mata e que escuta um eu te amo sincero de quem me conheceu ontem.
meus afetos são certeiros, nunca sazonais.
eu soube como transformar a dor em chão firme pra caminhar enquanto me observava crescer. porra, é confuso demais.
o que uma mulher forjada no ferro e fogo faz com a paz? o que vem depois do cessar fogo? onde um espírito guerreiro baixa a guarda quando a guerra não é mais o palco principal?
eu interrogo meu espelho.
foi atrás de mim na guanabara, eu te procurando pela lapa, cara.
nós perdemos a viagem.
me ocorre a ironia: eu, que fiz tantos sinais de fogo pra você me ver, hoje só consigo me encontrar em mata fechada.
quem me tira do labirinto sou eu, e eu entrei por sua causa.
o que eu fiz com o que restou de você? tudo o que eu sou hoje.
e tudo o que eu sou hoje não te tolera mais. fica nesse passa não passa, o que falta é coragem.
todo mundo tem uma bagagem. eu bebia, já quebrei tudo na portaria do condomínio porque meu porteiro achou que meu namorado fosse santo e eu a louca, fumo maconha regularmente e trabalho num escritório de luxo que não caminha com minha essência.
que lugar vou te encontrar de novo?
passado forma quem a gente é, e há de se ter respeito pelo que ajudou no processo.
você está no meu passado, mas a verdade é que eu escolhi o que fazer com a dor que ficou.
sozinha.
então hoje, não sou mais a mesma. tô sensível demais, eu sei. mas me escolho ou me vejo ir embora.
eu fiquei comigo quando você escolheu ir.
então pede licença pra botar o pé no meu terreiro, bate cabeça pro meu orixá, reza pra nunca mais cruzar meu caminho
porque quando começou pra mim
também acabou pra você.
queria fazer parte de tudo
e estar em todos.
serei a primeira no mundo
a morrer de saudades.
só que o álbum AM do arctic monkeys já não faz tanto sentido porque os segredos que sou capaz de te contar agora eu também diria na manhã de amanhã e por que todas essas perguntas ainda seriam feitas se as respostas sempre foram tão óbvias
mas não se fazem mais álbuns como esse. álbuns que me fazem lembrar de todas as tentativas que não deram certo porque não deveriam
todas as coisas pelas quais eu deveria ser grata por terem sido dúvidas ao invés de certezas
ainda bem que você foi covarde
por deus
imagina se você tivesse tido a coragem de me amar assim
oh mas você vai acordar
lembrar de mim
e se dar conta
que o amor é sempre uma coisa boa
até quando acaba

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e então essa conta desconhecida me mandou uma mensagem perguntando por que eu parei de falar de amor e eu fiquei me perguntando quando
porque eu não parei
eu escrevi sobre o almoço com uma pessoa querida, sobre vôlei, sobre o flamengo e sobre como eu estava bem e tudo isso e todas essas coisas que são fundamentalmente amor, nas diversas formas que sou capaz de identificar, mas ela não foi capaz de ver
e isso não diz absolutamente nada sobre mim
talvez escrever sobre amor seja pra ela um reflexo da própria ausência, mas ei
eu nunca precisei me conectar com o leitor. bom, é sempre ótimo quando acontece, é sempre reconfortante saber que algumas coisas que eu digo batem e seguem batendo no peito de alguém, mas eu nunca precisei
continuo falando de amor
ainda que silencioso, calmo, sem rasgos
e desejo que um dia ela consiga entendê-lo
porque que coisa incrível é saber que há tipos de amor que não trazem riscos
você tinha essa coisa com corpos nudez e prédios muito altos e eu tentei me encaixar só que tínhamos 20 e poucos e era normal tentar pertencer. ainda é normal, mas eu prefiro criar um lugar e chamar de meu como se sempre tivesse existido, como se sempre quisesse contrui-lo. mentira. ambos sabemos que eu queria uma espécie de oportunidade de morar em você
fez um sol incrível no sábado e eu fui à praia e eu almocei com minhas amigas e eu fui ver o flamengo jogar e eu dormi feliz feliz feliz
não penso mais em acender velas pra me livrar da dor, pra me livrar da lembrança
oh, é tudo tão volátil
acendi um incenso de canela.
eu acho que você sabe me amar, sempre soube
mas seguiu distraído e o lugar onde eu poderia caber
não era seu. você estava perdido
eu não estou
mesmo que reste saudade, já não existe propósito
e então em um sábado qualquer você volta,
sua foto familiar junto ao nome que ainda hoje é o mais bonito que tive a chance de pronunciar ao lado de "meu"
— você,
o mesmo que há sete anos atrás me ensinou o poder de uma voz
das palavras e da poesia —
uma conversa distante se desenrola e no meio dela
como se fosse simples
tudo me remete a um tempo onde eu sofria o luto de dois amores perdidos para uma doença terrível
um tempo onde você tentava - inutilmente - me segurar perto
onde eu nem existia por completo.
mas ainda assim, um tempo que parecia a realização de algo que sempre pareceu nos pertencer
o amor
onde eu pude enfim te chamar de meu amor, meu.
meu deus,
quanto amor dividimos
é uma pena que tenha existido, ainda assim, tanta dor.
mas a ilusória sensação de que o tempo não passou sempre precede o baque do corte e não consigo mais segurar a pergunta que corre ansiosa pela minha língua,
sua resposta, vem rápida e certeira:
"na verdade, sim. há quase 6 meses."
e então meu mundo se parte em dois:
quem fui, com toda essa distância implantada pelo bem e covardia da minha própria sobrevivência
e quem sou hoje, depois de te ouvir dizer que seu coração agora pertence a outra pessoa.
a raiva, a dor, a felicidade
os textos,
as palavras que despencam
de novo e de novo
tudo que não posso te falar
teria sido mais fácil se eu, como ela, estivesse perto de você?
o resultado teria sido diferente se em todas aquelas brigas eu pudesse ter olhado para o seu rosto? beijado sua boca?
relembro sua voz
que tanto amei
dizendo: "você é o amor da minha vida"
e meu peito começa a acomodar um vazio etéreo
vejo suas fotos
te encontro lindo e radiante - como sempre imaginei que estivesse -
imagino ela do outro do celular, feliz, como ela poderia não estar?
imagino tudo que ela pode ter
você, como nunca pude, como nunca vou poder
um abraço, tão pouco - que constatação cruel - e eu nunca te abracei
e então numa - muito provável - tentativa egoísta de manter um único pedaço de mim inteiro,
eu percebo que nas fotos, apesar de deslumbrante, você não tem aquele olhar
aquele olhar que costumava me atravessar por inteira,
aquele olhar único que nunca encontrei em mais ninguém
não vou mais te responder
não tenho nada de verdadeiro para dizer
e a verdade tem gosto de barganha:
volte,
eu voaria hoje mesmo para perto de você
eu posso. agora eu posso.
mas eu te amo demais para arriscar ameaçar qualquer coisa bonita que exista na sua vida
me reviro na cama de madrugada
suas mensagens não lidas
a dor percorrendo todo o meu corpo
o máximo que consigo ter de você
agora eu sei como você se sentiu
tomo tudo de bom grado
é justo,
é um justo fim,
a perda da minha vida.
nos martirizamos por lembrar ou por achar que isso significa não ser capaz de esquecer?
pedi pro gpt fazer um desenho de uma foto que minha irmã tirou de mim num festival um dia desses e ficou muito parecido
então pensei que você me conheceu assim, vaidosa e despretenciosa
livre para a vida, para os homens, os acontecimentos, o futuro, eu sempre tive muita fome da vida que arde na pele
não esqueço seus olhos nos meus, o tempo parar no caos, você tinha que ver, será que tinha que ver?
na serra do cipó com meu namorado, tomamos uma cerveja sob a lua e percebemos como somos apaixonados, mas mais que tudo, como tantas outras circunstâncias colaboraram para que nosso amor vingasse
quais circunstâncias existiram entre eu e você?
as que eu inventei, romantizei e recontei tantas vezes?
aquele amor inesquecível que só eu não me deixava esquecer, e não há raiva nisso, qualquer luto é individual e exige seu próprio tempo
só que quando o meu acabou, eu já não sabia mais o que fazer com o resto que sobrou do que ainda resta sem amor
mas tenho saído, dançado, feito maquiagens, penteados, ouvido ebony (quanto tempo!) e resgatado muito de mim
eu tenho sido amada direito também, tantas vezes já confidenciei aqui o quanto não costumava ser
e sim, o J continua na cidade vizinha coexistindo a vida na minha, embora sejamos desconhecidos que se conheceram um dia agora
sem qualquer contato, laço ou prisão.
te entreguei pro acaso enquanto conversava com o céu e boiava na cachoeira
e essa promessa
eu não desfaço.

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fazer as pazes com o fato de que sempre vou esbarrar na sua existência
pontos que nos ligam existem bem antes do dia em que eu te disse oi
e sempre vão existir
fazer as pazes com o amor que dei e que foi perdido por hora
por que eu não quero amar ninguém novamente dessa forma
agora
por que talvez eu nunca queira
novamente
ou talvez só até que eu encontre maneiras de coexistir com a intensidade sem que ela acabe comigo
fazer as pazes,
comigo
com a pessoa que fui
a pessoa que te escolheu
apesar de tudo
por causa de tudo
ela não tinha como saber
que o quebrado não se conserta de fora
que o amor não sustenta dois pesos
e que a vontade, ah, a vontade
não é o bastante para fazer nada dar certo
a vida anda no único sentido que sempre andou
o sol, nasce e morre, só pra nascer e morrer de novo no dia seguinte
e eu continuo aqui, exatamente onde estava
quando te escrevi: então vá
e você foi
com alguns simples cliques no celular
o meu medo se parecendo com uma salvação
seus números como fantasmas
e a cor da vida despontando no fundo de tudo
já fazem dois meses que não ouço nada sobre você
cinco que não te vejo
sete meses que viver tem sido uma tarefa fácil
desconhecer algo nunca foi tão bom
e dói porque eu nunca quis que tivesse chegado nesse ponto
e dói porque eu tinha prometido que te ajudaria a decorar seu novo apartamento
mas você também prometeu, E
prometeu que nunca me trataria mal novamente
mas você tratou
de novo e de novo
e até hoje eu acordo de pesadelos onde busco desesperadamente entender a razão de tudo isso
mas eu sempre acordo
e lembro que não preciso entender tudo
só preciso deixar ir
e eu deixo
mais um pouco a cada dia
estou nesse novo apartamento há quase 5 meses e isso significa, dentre muitas coisas, que tô há mais de 6 sem te ver. agora que não dividimos mais o mesmo supermercado ou saídas do metrô, agora que não nos cruzamos na frente da agência do itaú da general roca ou na barão de mesquita, agora que eu não paro nos mesmos lugares em que você costumava parar para tomar café, agora que eu sei e sei e tô cansada de saber que não vou te ver, é que me dei conta: eu sempre soube viver sem você. não que eu quisesse saber, mas sempre soube. porque suas inúmeras partidas me ensinaram bem. porque seu medo de pisar em falso me orientou a ter passos firmes quando quero sair. porque o seu amor esquisito libertou o meu, ainda mais esquisito. porque te ver e doer por você ser só você me deu fome de ser só eu. é claro que a solidão por vezes esbarra e é claro que eu não escrevo mais com tanta frequência porque, no fim, era sempre pra você, era sempre sobre você e por vezes (e dessa vez) ainda é. sonhei contigo e me recordei que te amei tanto tanto tanto e esse tanto que eu nunca soube onde colocar. não era pesado, era largo. ocupava espaço. todas as esquinas da minha antiga rua até a sua. não as cruzo mais. não posso dizer que não te amo mais. a gente não pode mentir, não quando não tem mais medo. e eu não tenho. eu não tenho mais medo de ser algo sem você. não que eu já seja. nossa, você ainda é muita coisa e ocupa muito espaço. mas me contento com a lembrança. a sede, acredito, cessou.
Do amoroso esquecimento
Eu agora — que desfecho! Já nem penso mais em ti… Mas será que nunca deixo De lembrar que te esqueci?
Mario Quintana
e agora me pergunto que animal entre nós dois devorará primeiro o outro física e por fim espiritualmente?
bukowski.
me tocou tão profundamente que pude sentir no fundo da alma.

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você com esse jeito de quem parece carregar cidades no bolso mulheres cigarros balas de menta e partidas e eu jurei que não ia mais escrever sobre homens que partem
eu fiz essa promessa numa noite eram vinte pras duas eu tava voltando da lapa e pensei que não não não eu não vou mais falar sobre homens que vão embora
então você chega com esse peso que eu não sei direito do que é mas só sei que é de coisa que eu me prometi não contar e então você chega sorrindo de canto com os olhos fininhos dizendo que gosta demais de mim quando eu não tenho medo
e quando você sabe que não tenho? a gente nem se conhece tanto assim
você cheira a colônia pós barba e frutas cítricas e eu te contei que aos trinta anos eu não posso mais me apaixonar por alguém que só me quer agora
dane-se se você me quer agora
eu quero o que você quer de mim amanhã e depois e depois
eu disse ao victor que o meu maior defeito é ser inconsistente porque eu te disse que não estava pra brincadeira ou pra amar sem plano e uma garrafa de vinho depois amanheceu e eu saí da sua casa com a sandália na mão pra não te acordar
quer dizer eu fiz o que eu quis fazer mas eu queria que você quisesse mais de mim
então talvez não seja sobre não escrever sobre homens que vão embora e sim sobre eu ficando quando eu só deveria estabelecer meus limites e ir
de repente eu te olho e você carrega cidades e eu que tenho fome de mundo acabo não resistindo
porque você parece uma viagem
e eu sempre estou de malas prontas
inconsistente. apaixonada.
porque o que eu queria mesmo era ser carregada no bolso
por você
eu não te disse 'eu te amo' aleatoriamente, eu nunca amei ninguém aleatoriamente. eu não te ouvi ou te respondi só porque era mais fácil. relação humana alguma é fácil o bastante, mas se me afastei, se deixei de ouvir e de falar, cê deveria aceitar e respeitar que o nosso tempo acabou. como tudo nesse mundo acaba. eu já fui de despedidas elaboradas e cartas de adeus bem escritas.
não acredito que é necessário.
não acredito que você não entenda os meus sinais.
eu não quero mais estar na sua vida, mas vou te amar por um tempo.
porque toda e qualquer amizade querida merece esse tipo de dedicação.
talvez eu esteja mesmo te escrevendo uma carta de adeus
talvez eu ainda seja um pouco daquela outra mulher, mas algumas coisas mudaram, evidentemente
quem eu sou agora não tem mais você