“Seja quem for que soltou os nifflers no trem, espero que receba uma advertência do Ministério,” Millicent suspirou. “Eles devem ter sido muito maltratados. Não que o Ministério se importe, mas é bom sonhar. Sinceramente, se algo for ser feito, precisará ser por parte dos alunos. Aliás, você teria interesse em uma organização de proteção aos direitos dos elfos domésticos? Se você tiver um momento, posso te explicar mais sobre a ideia.”
–”O que você espera de um país onde tratam as criaturas mágicas como animais? Honestamente, eu não superei ainda nessa escola vocês “tratam” as criaturas mágicas ao invés de “estuda-las”. Em Beauxbatons a matéria chama-se Estudo das criaturas mágicas.”– Serena disse em um tom um pouco triste. Era uma das coisas que sentiria falta, mas estava tentando não pensar no passado. –”Ai meu Deus! Sim! Com certeza! Quero dizer, eu vivo no mundo mágico a mais de sete anos e até hoje eu não entendi como podem permitir uma escravidão tão óbvia assim! Tenho todo o tempo do mundo para você agora, lindíssima. Conte-me mais sobre a ideia.”–
“Bem, por mais que não seja má ideia trocar o nome, gosto do foco prático das aulas,” Millicent considerou, feliz por encontrar alguém que usasse em seu uniforme o brasão da Grifinória e tivesse algum interesse em debater de maneira educada. “Sinto que um foco teórico aqui deixaria a curiosidade mórbida dos alunos correr solta. Eles já não se importam muito com a crueldade contra os seres mágicos, afinal. Sabia que a Grã-Bretanha tem o maior índice de criaturas mágicas correndo risco de extinção?!” Perguntou, a indignação tomando conta de sua voz e postura. “É um desastre que poderia ter sido evitado há anos, mas ainda dá tempo. Só precisamos de uma campanha intensiva de conscientização. Sinto que a maioria dos alunos nem sabe como os dormitórios sempre amanhecem limpos,” suspirou e fez uma pequena pausa para respirar antes de voltar a falar. “Talvez a gente possa criar um movimento de liberação formado por alunos. Claro que precisa ser algo suave com os elfos, mas não pretendo pegar leve com a direção. Enfim, já falei o suficiente sobre humanos. Em relação aos elfos, pensei em começar com pequenas aulas durante a madrugada. Tive ótimos resultados na Residência Bulstrode quando tentei ensiná-los a ler e escrever em inglês. Isso dá a eles uma chance de expressar individualidade, sabe? Acho muito útil.”













