Hoje a saudade me atravessou sem pedir licença.
Foi tão grande que precisei encostar meus lábios na sua foto,
como se o papel pudesse devolver o calor que eu conheço de cor.
Fiquei parada no tempo,
revisitando o desenho do teu sorriso,
a curva dos teus olhos,
o jeito que você me olhava como se eu fosse casa.
E no meio dessa lembrança que ainda pulsa,
me peguei perguntando em silêncio:
será que em algum momento eu também te atravesso assim?
Será que a minha ausência te visita de madrugada
e sussurra o meu nome no teu peito?
Porque aqui,
você ainda mora.










