{PLOT SEMANAL I} Millions of girls float on that one quote | @Lorcan Scamander
O timbre frígido explícito em seus vocábulos tornou-se intangível quando a luz incidiu a sua córnea e os detalhes que emolduravam o rosto do louro tornaram-se visíveis. Era praticamente impossível ficar magoada com alguém como Lorcan, mas desde a expectativa gerenciada pelo contorno masculino, a sua própria essência limitava-se a olhá-lo com outros olhos a não ser como ilusório. A não ser que a culpa fosse atribuída apenas para si mesma, a conduta do lufano refletia exatamente aquilo que garotas como Penélope gostariam de ver em um adolescente, e, sobretudo, além do companheirismo explícito em sua conduta. Entretanto, naquele momento não estava devidamente preparada para abandonar a barreira construída com a finalidade de manter a distância mandatória. Pôde ouvir o timbre amigável adentrar os seus ouvidos, e novamente havia suspirado irritada com a insistência de vê-lo diante de si. - Eu estou ótima obrigada e você como vai? A propósito, eu estaria ainda melhor se você fizesse o favor de se retirar da minha frente. Porque caso contrário, terei que usufruir da má educação e passar por cima de você. E não seria adequado para uma moça como eu, assumir uma posição desse gênero, correto? – A pergunta fora meramente retórica, uma vez que não precisaria de uma resposta. O próprio silêncio deveria ser mantido em seus lábios, mas a parte sociável de Penélope sempre se manifestava perante aos amigos. – Olha eu realmente não quero ser fria com você, mas a sua insistência em permanecer na minha frente é em troco de? – arqueou as sobrancelhas finas. O próprio coração altruísta partia-se com a utilização da frieza com alguém que já havia constituído um bom sentimento em sua essência, porém, a única forma que conseguiria se referir perante o seu abismo de outrora seria a frieza.
Penélope não o culparia pelo charme natural impregnado em Lorcan, mas se caso este tivesse estabelecido que o beijo deles fosse um mero envolvimento momentâneo, certamente não o faria. O rumo com que as coisas tomaram após esse beijo havia estragado a relação amigável estabelecida entre ambos, pelo menos na concepção de Penélope. Era óbvio que o seu orgulho não permitiria que a culpa caísse sobre o seu espírito ilusório, e até que isso não acontecesse, poderia arranjar inúmeras justificativas. Havia de fato, se apaixonado por Lorcan Scamender, mas felizmente já havia superado essa questão e o espaço em seu coração – que em outrora fora preenchido por Lorcan, atualmente encontrava-se no abismo de sua essência, e certamente seria ocupado por alguém digno como Albus, não! Automaticamente a sua mente havia cogitado aquela possibilidade egocêntrica e egoísta, Albus Potter era o seu amigo e ficaria recebendo esse título, porque caso contrário à mesma situação se repetiria e naquele momento permanecer solitária na questão sentimental era excelente. – Eu sei que estou sendo arrogante com você, e eu sinceramente odeio fazer isso, mas acredite é para o seu próprio bem. - assumiu evitando olhá-lo nos olhos. Embora estivesse desconfortável por ter que permanecer no mesmo perímetro que o louro, estava sendo agradável desfrutar da essência extrovertida do próprio.
A feracidade no vocabulário utilizado pela garota o assustou. Aquilo era mesmo necessário? A resposta da loira desestruturou completamente sua teoria anterior. Não fazia sentido tratá-lo assim só por puro constrangimento. Era algo mais, algo que definitivamente estava acima da sua capacidade de compreensão no momento. Alguma vez ele havia feito algo de ruim à ela? Tratado ela de maneira inadequada? -Wow, eu é que te pergunto o porquê de estar agindo dessa forma. Eu fiz algo de errado? -o que quer que tenha acontecido entre os dois ele ao menos merecia entender a causa disso tudo. -Se eu tiver feito algo, me desculpa, ok? De forma alguma eu tive a intenção de magoá-la ou o que quer que tenha acontecido. Mas por favor, me diga ao menos o motivo das minhas desculpas. É o mínimo que eu mereço, certo? -fitou fixamente os olhos a sua frente.
Talvez a verdade estivesse diante de si e ele era muito cego para perceber, mas a questão era que ele finalmente havia confrontado a sobre o assunto e não recuaria facilmente. O que quer que tivesse feito, nada justificava suas ações para com ele. Céus! Por que garotas tinham que ser tão difíceis? Estava determinado a conseguir uma resposta para suas perguntas e não relevar como fez nas outras vezes.
Penélope era uma garota legal e ele costumava apreciar a companhia dela, até que ela se afastou repentinamente. Aquela situação não podia permanecer. Não faria bem para nenhum dos dois, principalmente para ele. -Para o meu bem? Não quero nem imaginar o que faria para o meu mal então. -a hora não era propícia para piadas, mas ele se importava? Não a ponto de refrear sua língua.
Agora não estava tão certo se queria ou conseguiria qualquer remota chance de reconstrução da amizade que antes compartilhavam, pois aparentemente a relação que dispunham no passado havia sido irremediavelmente destruída. Se sentia imponente e covarde. Tudo o que queria no momento era desvendar os motivos por trás daquilo.


















