SE VOCÊ PRECISAR DA NOSSA NOVA HABITANTE, TALVEZ ELA ESTEJA EM SEU CAIXÃO… Ela costumava se chamar EESHA, do conto DRACULA, e antes da névoa da maldição arrastá-la até Storybrooke, ela estava no REINO DE TENEBRIS, lá na FLORESTA ENCANTADA. Aqui na cidade você talvez a encontre se procurar por uma tal de SATYAVATI SULTANA que é PROPRIETÁRIA DA ÓPERA DE STORYBROOKE.
ANTES DE STORYBROOKE
Dizem que você só descobre quem é de verdade quando seu último sopro de vida está na garganta.
Eesha não tinha ideia de como tinha parado ali além dos fragmentos escassos da viagem com o capuz da cabeça. Os braços amarrados atrás das costas, cordas pesadas ferindo os pulsos e sufocando a garganta. Metade do caminho foi feito ao arraste, debatendo-se tal qual animal pronto para a morte inevitável. Os gritos preenchendo a noite preenchida com o crepitar ensurdecedor do fogo e morte. Tanta morte. Cheiro de plantação virando cinzas, o solo úmido de sangue de incontáveis vidas sem significado. Em algum momento a perna soltou das mãos inimigas e encontraram um joelho, o pano na cabeça expondo o rosto enquanto os joelhos tentavam equilibrar o corpo sem o auxílio das mãos. Ela gritou seus nomes, do marido e dos filhos, só para ser recebida com o eco vazio da família... Da sua linhagem chegando ao fim.
Eesha nunca teve luxos na vida. Suas roupas demonstravam o uso diário trabalhando com a família. Cozinhando, cuidando da sorte grande que tinha lhe acometido na vida. Tão bela, tão prendada. Os pais tinham orgulho daquela combinação da filha perfeita e não demoraram em dar-lhe ao mercado rico em troca de uma vida melhor. Amor. Sim, teve amor além da aparência. Houve festa simples e o conto de fadas. E foi aquela beleza ímpar. O poder sedutor daquele olhar escuro, em destaque nos panos que protegiam o rosto do calor brutal e sol escaldante. Aquele conjunto da obra que tinha sido poupada por aqueles soldados. Demônios de chifres e garras e presas. Porque só podiam ser de outra realidade, trazidos dos pecados encarnados em criaturas malignas, para tratar daquele jeito um povoado tão tranquilo.
Eesha tinha poeira e areia e terra sob as unhas quebradas, incrustado nos cabelos outrora bem cuidados. Sua roupa estava rasgada em diversos pontos e o rosto apresentava os sinais da violência. Marcas escuras, formatos de dedos e tapas e punhos, derramando-se pelo corpo e reproduzido o padrão como lágrimas que não deixava escorrer. Os lábios bem firmes um contra o outro, segurando o fogo que queimava mais alto do que aquele deixado para trás. Eles tentaram, diversas vezes, mas o espírito indomável da indiana era tão inacreditável quanto a existência dos agressores. Cansaço? Exaustão? Os olhos nem pregavam quando o dia raiava, não quando usava aquele tempo para quebrar a perna da cadeira atrás de si. Usava de alavanca para alcançar a arma, a lâmina rompendo o que prendia seus pulsos.
Eesha estava pronta para fugir, deixar tudo para trás e se perder no luto, mas ao passar ao lado das gaiolas... Ela viu em cada rosto estrangeiro o semblante dos filhos e do marido. Se viu naquelas mãos estendidas em súplica. A lâmina de fuga salvou sua vida três vezes. A primeira arrebentou as fechaduras e libertou os prisioneiros. A segunda abriu a garganta dos captores, alertados pela ausência da bela indiana foram os primeiros a associar a cacofonia com suas intenções. E a terceira foi sem querer. Dominada por brutamontes, levada ao general de aparência desprezível, a mulher fingiu subjugação. Caiu aos pés implorando pela vida, puxando as vestes pesadas e enfiando os dedos na pesada indumentária. E chutou o chão para erguer-se do solo, pegar a faca e encontrar outra brecha na carne macia exposta.
Eesha estava coberta de sangue seco do marido, dormente para sentimentos quando mais vermelho se juntou às manchas marrons. O que eram eles se não... responsáveis? Objetivos específicos antes de seguir sua jornada no além mundo? Contida, mais uma vez, a mão quebrada como garantia, a mulher usava os dentes para se defender. A mandíbula estalando no ar, sons guturais incompreensíveis de gelar o sangue. E foi assim, mais animal do que humana que o corpo paralisou com a presença. O ar ficando pesado, a noite ficando mais escura. A indiana ficou quieta de repente, analisando o que se aproximava e se surpreendendo com quem adentrava a clareia em polvorosa.
Eesha nunca tinha ouvido a história de Drácula e talvez tivesse um destino diferente se o conhecimento lhe fosse acessível. Talvez ela não tivesse tentado a mesma técnica para ludibriar, talvez ela tivesse deixado o cabo da lança em paz. Talvez não tivesse juntando a força e audácia restante para atravessar-lhe o peito ou continuado o ataque quando o homem demonstrara uma força descomunal ao reduzir o cabo a frangalhos. Talvez não tivesse a mão de aço congelante no pescoço ou a escolha injusta imposta a si. Talvez... Só talvez... Teria uma morte digna e o caminho sagrado garantidos, não a existência amaldiçoada de uma não viva pelo sangue escuro de um vampiro. Talvez ela não fosse livre pela primeira vez em toda sua vida.
Eesha... Eesha... Eesha... Quem era Eesha?
Satyavati nasceu três dias depois e não parou de renascer até o dia de hoje.
DENTRO DE STORYBROOKE
Satyavati não esqueceu sua história quando abriu os olhos na sala requintada na Ópera da pequena cidade amaldiçoada. Seu nome humano enfeitando a placa de metal sobre a mesa de madeira maciça. Seus dedos lembravam das lâminas e armas, da forma como eram usadas para matar. O corpo, uma arma por si só, ainda cantava bem oleado a cada passo dado sobre os saltos altos. Nada tinha mudado na missão ao lado de Dracula, como espiã e discreta finalizadora de empecilhos. A maldição não restringiu sua forma de pensar, não reduziu o espírito que a tinham colocado onde estava na corte do vampiro. Contudo, ah, aquele era um excelente disfarce. Encarregada de organizar as atrações da histórica estrutura, fazendo seus pequenos favores em outros setores, a vampira ganhava reconhecimento e admiração. Perdia o caráter assustador para melhor se misturar ao mar de comida. E crescia, exercitava o lado mais simpático e compassivo com quem não merecia grandes coisas. Há quem diga encontrar falsidade nos atos de Satyavati, mas existem também os defensores que com um passar de dedo derretem-se sobre a indiana. Defendendo-a com o fervor que outrora apresentara para salvar a própria vida.
CURIOSIDADES
A personalidade não se encaixa em lugar nenhum pois não tem uma específica, uma tão concreta quanto as sete maravilhas do mundo. O tempo corrói e esfarela, deixa tudo relativo e tão fluído que seria estupidez manter-se constante. O trabalho, a missão descoberta com o novo despertar, facilitou nesse aspecto mutante. Na criação do apelido de Camelão, o sussurrar do nome parecido com o sibilar das irmãs venenosas do deserto. Satyavati é adaptável, aparentemente maleável, puxando para a armadilha com a suavidade da areia movediça. Porém, há quem diga enxergar seu lado doce - se os resquícios de mãe amorosa e trabalhadora ainda pudesse ser vistos.
Não é estranho a encontrar olhando para o vazio, o cenho franzido com leveza enquanto mexe a taça do líquido âmbar e espesso. Nesses momentos a vampira tenta lembrar do passado, da vida antes da transformação por Drácula, mas... Cada vez que tenta fica mais difícil dar rostos aos nomes esquecidos, empurrados pelo vento fresco de Storybrooke.
Enquanto ainda era Eesha, todos daquele pequeno vilarejo conheciam seus dons peculiares de saber o que estava por vir. Não era aberto, escancarado, mas coisinhas minúsculas e quase inofensivas. Um sexto sentido apurado, intuição feminina na sua forma mais concentrada! A indiana não contestou, sorrindo enviesado sem concordar ou discordar das conjecturas impostas à si. Se soubessem dos sonhos, dos momentos fora de sintonia, da realidade daquela condição... Não teria a vida tão tranquila. E, bem, agradeceu aos céus de que tal dom fora carregado para a não vida.
Oferece consultorias exclusivas para quem conseguir marcar horário. Conversas informais na sala privativa da indiana. Quem sai desses encontros diz ser o melhor momento da vida, mesmo com a cabeça leve e o hematoma em lugares inusitados. A vampira sangra suas vítimas depois de colocá-las num transe, o idioma antigo induzindo a complacência e calma durante a sangria. Do lado de fora da sala, num dos corredores menos iluminados, o ‘vão’ faz o papel de cúmplice. A vítima tropeça, cai de todo jeito e a mancha convenientemente aparece sobre as provas da vampira.
PODERES
Níveis elevados de regeneração, força e agilidade. Visão noturna. Precognição subjetiva.
INSPIRAÇÕES
Mazikeen (Lucifer), Inej Ghafa (Grishaverse), Alice Cullen (Twilight), Severo Snape (Harry Potter)
TOKEN
A adaga do General assassinado, última morte por suas mãos antes do renascimento. A primeira, usada para os guardas, quebrou-se depois do segundo assassinato e permaneceu perdida até os dias de hoje.














