Trick or treat..?
Mais um Halloween, mais um ano Hyunwoo sendo o personagem mais amado e mais odiado desta atração que conseguia tomar o centro das atenções no mês de outubro inteiro, mas principalmente no fim de semana do dia favorito de Park.
Há cinco anos atrás, o coreano teve a ideia de usar seus conhecimentos administrativos adquiridos durante o período da faculdade, e o dinheiro infindável de seus pais, para construir uma atração que só daria algum lucro em uma única época do ano, mas que para a família Park era somente mais um lugar onde o primogênito poderia se divertir e colocar em prática a teoria aprendida no curso para que futuramente tivesse experiência suficiente para administrar a empresa que herdaria de seu pai.
Hyunwoo viu essa como a maior oportunidade para finalmente ter alguma liberdade para realizar seus desejos mais profundos e que não tinha contado nem para a pessoa que mais confiava, se é que confiava em alguém..
Mais uma noite havia chegado, a noite mais esperada, dia 31 de outubro, a noite mais movimentada de todo mês de outubro. Park estava no camarim se olhando no espelho, Hyunwoo sabia que era bonito e sabia muito bem como usar sua beleza a seu favor, com seu cabelo pintado do preto mais escuro que poderia encontrar, penteado para trás com perfeição, com a quantidade de gel perfeita para que mesmo depois de tantas vezes colocando e tirando a máscara do famoso Ghost Face, seus fios continuassem intactos.
Na mesa onde o coreano se apoiava, se encontravam alguns acessórios primordiais para a sua performance nessa noite: sua máscara, sangue falso e uma coleção até que vasta de facas a sua disposição, a qual ele fazia questão de nunca repetir em suas noites de assustador profissional. O Park sempre foi fascinado por laminas, não importando a cor, o tamanho, o material, gostava de todas elas e sabia a importância de cada uma delas e pra qual função cada uma delas era a melhor.
As laminas que estavam colocadas milimetricamente a 7 centímetros de distância uma da outra brilhavam com o reflexo da luz, denunciando a sua veracidade, uma faca de plástico não brilharia tanto. Hyunwoo passava a mão pela empunhadura de todas, pensando em qual seria o plano da noite: esfaquear..? Cortar..? Torturar..? Tudo que vinha a cabeça de Park parecia muito clichê e ele odiava clichês..
O coreano acabou por escolher a sua faca favorita.. a única que ele nunca iria se desfazer.. uma faca de aço carbono com cabo de ébano resinado, ele amava mais essa lamina do que podia amar sua própria vida..
Park Hyunwoo se olhou no espelho pela ultima vez, colocando sua tão famosa e temida máscara sobre seu rosto - Que comece a diversão..- disse com a voz abafada apontando a faca para o próprio reflexo no espelho, dando um sorriso por debaixo do pedaço de plástico que cobria seu rosto, logo virando de costas pronto pra sair da pequena sala e iniciar mais uma noite de diversão.. bom pra ele era..
@sattclites
Sunwoo definitivamente precisava de novos amigos. Como ele pôde se deixar arrastar até uma fila apertada — cheia de adolescentes eufóricos e fantasias no mínimo peculiares —, os holofotes e luzes coloridas o cegando e tendo seus tímpanos estourados por uma música de rock de gosto duvidoso? Coisas como Vamos, Woo! Vai ser legal! ou Não seja chato! Ninguém vai te machucar de verdade! ainda ecoavam em sua cabeça enquanto o trio esperava sua vez para entrar na tal mansão “mal-assombrada”. Pra ser completamente sincero, no fim das contas, ele que se meteu nessa confusão; Sunwoo assinou o bendito termo de responsabilidade, pagou pelo próprio ingresso e ainda buscou os amigos em suas respectivas casas até uma espécie de depósito no meio de um campo fora da cidade. E, não o leve a mal, ele já tinha ido à uma casa mal-assombrada antes, mas aquelas de parque de diversões! Não era nada como essa tal experiência de “entre em uma casa mal-assombrada com contato total!”; então essa parte de poder tocar e, principalmente, ser tocado realmente deixava ele inseguro.
Ele já estava com os braços cruzados a tempos e, Jiyoung, sempre falante, não pode deixar de notar que ele estava minimamente nervoso. Ei, Woo. É sério, cara, eles tipo, checam os antecedentes de todo mundo que trabalha aqui, relaxa!, o amigo tentou o animar, mas aquele tipo de argumento não era tão convencível na cabeça de Cho. Revirou os olhos minimamente, resmungando para si: “Só porque alguém não foi pego por assassinato, não significa que não seja um maluco e que nunca tenha cometido!”, balançou a cabeça, tentando forçar alguma expressão mais neutra, porém sem muito sucesso.
De repente o tempo começou a passar mais rápido e um cara com uma fantasia bizarra de zumbi já estava pedindo pelos ingressos do grupinho. E quando foi a vez de Sunwoo de dar seu ingresso, ele ouviu um grito tão alto de uma das pessoas do grupo à frete que ele literalmente congelou no lugar. Ele definitivamente não era a pessoa mais corajosa do mundo e, muito provavelmente, esse foi o motivo pelo qual seus amigos insistiram tanto para eles irem nesse tipo de atração no Halloween, então ele não pode deixar de xingar baixinho os próprios amigos quando os dois perceberam o quão assustado ele estava. Apesar das tatuagens e dos piercings e, principalmente, do rostinho mal-humorado, a verdade é que Cho Sunwoo era um covarde.
Jiyoung e Taehyun conversavam animadamente à sua frente, enquanto o moreno andava cautelosamente alguns passos atrás dos amigos. A primeira sala da mansão era tão escura que não dava pra enxergar nada além de teias e aranhas falsas, além das setas pintadas em tinta neon nas paredes sinalizando o caminho que eles deviam seguir. Instintivamente, agarrou na mão de Taehyun com certa força — porque se fizesse com Jiyoung, ele seria zoado pela eternidade! —, o amigo dando uma risadinha, mas entrelaçando seus dedos como forma de conforto. Eles seguem por um corredor estreito, a música que se ouvia na entrada parecia ainda mais alta por ali; as paredes zumbiam e faziam Sunwoo tremer de antecipação e ansiedade. Eu devia ter ficado no carro!, pensou, e, ao mesmo tempo que estava apavorado, tentava manter a pose de que estava tudo bem e não era tão aterrorizante assim — mesmo que seus amigos conseguissem ver perfeitamente através daquela fachada.
Ao entrarem na sala seguinte, apertou a mão do amigo como nunca — tinham muitas luzes, muitas pessoas e definitivamente muito sangue —, mas Taehyun não parecia muito incomodado enquanto conduzia os dois por aquele labirinto de manequins ensanguentados e outros adereços sangrentos, quando um dos atores vestido de lobisomem saiu de uma das portas em direção ao grupo à sua frente. Sunwoo vê o cara agarrar uma garota pelo braço e puxá-la contra ele, fingindo morder seu pescoço e aí foi que a ficha caiu: eles realmente podem nos tocar. Choi sentiu todo o seu corpo ser consumido pelo nervosismo naquele momento e é nesse momento que ele se distrai o suficiente para um outro ator vestido de palhaço puxar Taehyun e os dois se separarem.
“Isso não é bom, isso não é nada bom!”, se desesperou um pouco, as luzes o deixando cego por um momento enquanto ele tentava procurar seus amigos no meio da multidão. Uma mulher solta um grito estridente ao seu lado, suplicando por ajuda, enquanto um homem com uma máscara de Michael Myers a puxa pelos cabelos e a esfaqueia nas costas com uma faca claramente de plástico. É claro que é tudo falso, mas Sunwoo realmente espera que ele não seja o próximo. “Taehyun! Jiyoung!”, ele grita, tentando encontrar os amigos e, de repente, ele está sendo agarrado por algo no escuro, e ele jura ter ouvido um sussurro do tipo “Você quer brincar?”, antes dele gritar a plenos pulmões.
E, de repente, tudo ficou escuro.















