JANGSAERAN. 23 anos. Sexto ano de treinamento. Mimetismo empático.
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@saerangmsa
JANGSAERAN. 23 anos. Sexto ano de treinamento. Mimetismo empático.

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gmsyuna:
☾ — A reação automática de Yuna foi levantar a sobrancelha direita, olhar bem nos olhos da mais velha e soltar risada soprada pela boca. Não queria fazer menos da situação dos outros, nunca desprezaria o sofrimento dos outros. Mas Jang Saeran era um caso especial. Do que adianta levar em conta sua situação se em nenhum momento a outra considerou a situação de Yuna, desde que se reencontraram em Gamsiin pelo menos. É como se anos de amizades tivessem sido destruídos naquele dia. Mas com os anos, aquele momento chegava a ser engraçado. A pessoa que não se deu o trabalho de contatar os antigos colegas de banda aparecendo assim.
– Eu não sei se você sabe, Saeran-yah, mas meu pai não tem nada a ver com isso. Isso funciona desse jeito porque… bem… eu quero. Meu poder não é o poder do meu pai. Ao contrário de algumas pessoas… não é mesmo? - O riso quase cínico surgiu aos poucos no lábio da mais nova. Sabia que estava pegando pesado, pesado e baixo. Mas a empatia entre elas, há muito foi perdida.
— O sorriso de Saeran foi esmaecendo lentamente até seu rosto estar de volta à expressão vazia. Era como se todas as palavras se acumulassem em sua garganta, e em seu punho cerrado. Ela conhecia seu próprio temperamento explosivo, por isso costumava estar sempre “semi-preparada” para lembrar a si mesma de que devia manter a calma. Havia um milhão de exercícios sobre o assunto perdidos em suas memórias. Qualquer um deles tinha que funcionar, ou era o que Saeran desejava quando fechou os olhos por um segundo e respirou fundo.
Um, dois, três, quatro segundos. Quando voltou a olhar para Yuna, Saeran tinha um sorriso gentil no rosto. Uma cortesia que não combinava com suas palavras, muito menos com o sangue que fervia da nuca até os punhos. Que se foda a respiração, ela resmungou mentalmente para si mesma antes de afastar o cabelo por cima do ombro e apoiar as duas mãos no joelho para que seus olhos ficassem da altura dos de Song Yuna.
“Bom, Yuna... querida. Sei que deve ser difícil pra você. Parece que todo o dinheiro que você tem ainda não é o bastante pra compensar seus pais terem te feito de ratinho de laboratório, né. Eu entendo! Você tá chateada e tal.” Saeran se interrompeu e corrigiu a postura, a risada suave destoava de tudo o que passava pela sua cabeça naquele momento. “Nah, acho que não tem como alguém mais entender como é a sensação de fazer boom nos amigos e depois agir como se nada tivesse acontecido. Essa é a sua especialidade.”
☾ — Sinceramente? Era cansativo. Não conseguir manter uma boa convivência com uma pessoa da qual, em algum momento, já fora tão próxima. E para piorar, ainda são colegas de quarto. Yuna tinha acabado de sair do treino, e, mesmo com o cansaço, não queria voltar para o quarto ainda. Então lá estava ela, com um violão, um cadernos de partituras. Quando começou a dedilhar os acordes, não tinha certeza o que iria tocar, com o passar dos segundos a música Why Why Why apenas veio a mente. Nunca tinha pensado em uma versão acústica, nem pretendia mudar nada da composição da ex-amiga, mas… para descontrair? Para extravasar, talvez? Já estava na metade da música quando finalmente percebeu a presença de @saerangms . Não iria partir para o lado apogético, muito menos ignorar a pessoa a sua frente. – O que foi? Achava que não ligava mais para a banda? No caso – Yuna levou alguns segundos para continuar a frase. Não era de seu fetio falar coisas realmente maldosas. – Você sabe que… você compôs a música, mas ela continua sendo da banda… né? – Se alguém ouvisse apenas seu tom de voz, talvez entendesse como uma conversa animada, mas não precisava saber do passado para ver o peso em suas palavras.
— Vinte e sete. A caneta de ponta fina arranhava o papel com empolgação enquanto os sapatos limpíssimos de Saeran faziam um som abafado na grama. Era a sua melhor pontuação da semana, depois de vários dias sem conseguir alcançar suas próprias metas. Mais do que tudo, ela gostaria de poder ligar para o pai e contar quanto estava se saindo bem. Com sorte — e precisa de bastante sorte, nesse caso — ela conseguiria ouvir algumas palavras de conforto, como quando era pequena. E depois, quem sabe, ter uma boa noite de sono sem esbarrar com ela. Animada com o próprio plano, Saeran enfiou o bloco de notas dentro do bolso do casaco. O crack-crack orvalhado da grama sob seus pés era reconfortante e gentil. E fez falta quando foi interrompido pelo som do violão. Não de imediato, é claro. A música não parecia estar vindo de longe, então não foi preciso fazer um grande esforço para reconhecê-la.
Aquela música era dolorosamente familiar e fez as mãos de Saeran gelarem na mesma hora. Sua rota mudou antes que ela percebesse, até estar parada com alguns metros de Yuna. Levou alguns segundos para que o furacão de pensamentos e emoções de Saeran se calassem — era para momentos assim que ela vinha trabalhando tanto sua mente, para não permitir que sua impulsividade tirasse o melhor dela. Foi a provocação de Yuna que a interrompeu bem no meio de sua discussão interna, a tentativa quase bem-sucedida de sair dali sem arrumar problema.
Toda a concentração de Saeran foi necessária para manter seu rosto neutro quando deu mais um passo na direção da Satana. — “Você sabe... pode ser um conceito difícil pra sua cabeça, mas nem tudo que existe é sua propriedade. Sei que pode soar um conceito meio absurdo...” — Saeran fez uma pausa e seu olhar se fixou no violão caro nas mãos de Yuna e o escárnio se fez destacado em sua breve risada soprada. — “-mas nem tudo vai funcionar direitinho pra você só porque o seu pai quer.”
can you die from lack of affection? Asking for myself
the bell jar // sylvia plath

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