Mudanças sociais: síntese
As mudanças sociais desestabilizam uma sociedade de imediato, gerando resistência de certos grupos. Um exemplo de resistência a uma alteração social foi a Contrarreforma organizada pela Igreja Católica em resposta à Reforma Protestante. Tais metamorfoses podem alterar substancialmente os modos de organização do meio. As atitudes de mudança e/ou preservação podem ser classificadas como:
Conservadoras, sendo tradicionalistas e de direita.
Reacionárias, uma espécie de conservadorismo extremado, de extrema direita.
Reformista, mudança moderada de centro-esquerda.
Revolucionária, transformação profunda e imediata, de extrema esquerda.
Nas sociedades modernas – principalmente nas ocidentais – a capacidade de produzir e absorver mudanças sociais é preponderante. Cada mudança apresenta uma ruptura com a tradição. Tais rompimentos são acompanhados de valores herdados do passado.
Os ritmos das alterações sociais são desiguais em distintas sociedades. É possível perceber que em sociedades urbanas o processo ocorre mais rapidamente do que em sociedades isoladas. Tal progresso depende do contato social com outras sociedades, do desenvolvimento dos meios de comunicação e de processos políticos e sociais. Alguns fatores podem influenciar no andamento de transformações sociais, são eles:
Fatores geográficos, como o êxodo rural.
Fatores econômicos, como a disseminação do capitalismo.
Fatores sociais, como os que influenciaram a Revolução Francesa e a Revolução Russa.
Fatores culturais, como o surgimento de uma nova crença.
Forças endógenas, como manifestações culturais características de determinada região.
Forças exógenas, como a difusão cultural ocorrida devido à globalização.
Teorias de pensadores diversos
Augusto Comte: desde cedo rompeu com a tradição familiar, católica e monárquica, tornando-se republicano e adotando ideias liberais. O pensador acreditava que a mudança social estava situada na mente, na qualidade e na quantidade de conhecimentos sobre as sociedades. Com base nisso, afirmou que a humanidade percorre três estágios de evolução de conhecimento:
Primeiro estágio: teológico. A população atribuía a entidades e forças sobrenaturais as responsabilidades pelos acontecimentos. Tais entidades poderiam estar ligadas ao fetichismo, ao politeísmo ou ao monoteísmo.
Segundo estágio: metafísico. As entidades sobrenaturais são substituídas por ideias e causas abstratas e, portanto, racionais. Seria o momento da Filosofia.
Terceiro estágio: positivo. Corresponde à era da ciência e industrialização, na qual se invocam leis com base na observação empírica, na comparação e na experiência. Seria o momento da Sociologia.
Comte dividiu seu sistema em dois campos: o estático e o dinâmico, que estariam expressos nas palavras ordem e progresso. Toda mudança, isto é, o progresso, deveria estar condicionada pela manutenção da ordem. Nesse sentido, é possível comprovar que tinha tendências conservadoras já que defendia que alterações (progresso) eram admissíveis, porém sem a mudança profunda na situação vigente (ordem).
Karl Marx: o radicalismo de uma revolução para o pensador está no fato de ela ser realizada por quem é maioria na sociedade. Só uma classe capaz de representar os interesses de libertação par todos pode liberar uma transformação, pois esta é sempre o resultado dos conflitos entre as classes fundamentais da sociedade. No capitalismo, tais classes são a burguesia e o proletariado. E só o proletariado pode transformar essa sociedade.
Em seu livro As metamorfoses da questão social, o francês Robert Castel esclarece o porquê de a teoria marxista atribuir ao proletariado o poder revolucionário: “A constituição de uma força de contestação e de transformação social supõe a reunião de pelo menos três condições: uma organização estruturada em torno de uma condição comum, a posse de um projeto alternativo de sociedade, o sentimento de ser indispensável para o funcionamento da máquina social. Se a história social gravitou durante mais de um século em torno da questão operaria, é porque o movimento operário realizava a síntese dessas três condições: tinha seus militantes e seus aparelhos, era portador de um projeto de futuro, e era o principal produtor da riqueza social na sociedade industrial.”
Ainda para Marx, a transformação não parte do zero, os participantes da revolução utilizam da cultura e das tecnologias transmitidas pelas gerações anteriores para criar novas formas de organização produtiva e política. Para ele, a revolução somente teria sucesso a partir do uso da violência, a “parteira da história”, pois os que detinham o poder jamais abririam mão de seus privilégios de maneira pacífica.
Émile Durkheim: para o pensador, houve uma evolução da solidariedade mecânica para a orgânica por causa da crescente divisão do trabalho. Essa visão dicotômica e evolutiva pode ser resumida no quadro a seguir, elaborado pelo sociólogo Piotr Sztompka:
Max Weber: analisou a mudança social relacionada ao nascimento da sociedade capitalista e desenvolveu a ideia de que a ética protestante foi essencial para a existência do capitalismo já que propiciou maior acumulação de capital ao valorizar o trabalho e um modo de vida disciplinado, responsável e racional, sem gastos ostentatórios. Enfatizou o esforço individual dos capitalistas, que procuravam utilizar o cálculo racional para garantir a eficiência na produção de mercadorias, tendo por objetivo o ganho monetário. Os trabalhadores, por sua vez, passaram a ver o trabalho como um valor em si mesmo. Assim, além das condições econômicas, determinadas ideias e valores explicariam por que inicialmente o capitalismo se desenvolveu no Ocidente.
Weber também analisou a mudança social com base nos ideais de ação e dominação. Dessa perspectiva, as sociedades caracterizadas por ação afetiva e dominação tradicional passariam por outras combinações de tipos de ação e de dominação até chegarem a formas sociais com predomínio da ação racional vinculada a fins e dominação legal-burocrática. Haveria, então tendência a um aumento na racionalização das ações sociais e na burocratização da dominação. Para Weber, a burocratização crescente seria um entrave a qualquer processo de mudança social. Em uma sociedade administrada por diversos instrumentos controladores, a mudança estaria sempre limitada pela ação burocrática.
SZTOMPKA, Piotr. A sociologia da mudança social. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1998.
TOMAZI, Nelson Dacio. Sociologia para o Ensino Médio. São Paulo: Atual, 2014.
Nota máxima, Mudanças sociais. Disponível em: <http://notamaxima.com.br>. Acesso em: 14 de nov de 2015.