How did we end up pitted against each other?
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✴ —— Em seu período longe da Coreia, Melissa costumava adorar esse jogo, verdade ou desafio, porque eram nesses momentos em que ela sempre acabava descobrindo - ou fazendo - algo interessante. Houve, porém, um certo tipo de bloqueio na garota quando o mesmo jogo fora proposto entre os competidores da rocking. Ela não queria causar mais uma má impressão e quase se recusou a participar da brincadeira - mas a presença de uma pessoa em específico e três shots de uma bebida forte foram suficientes para fazê-la mudar de ideia - e até que a partida havia corrido sem maiores complicações. Talvez a pior coisa tivesse sido panfletar a Eclipse, mas ela não era competitiva o suficiente para se importar com aquele desafio.
Com o que Melissa se importava, na verdade, era algo difícil até de admitir para si mesma. Conforme os desafios iam acontecendo, era natural que a brincadeira ganhasse um teor… sexual. Mas isso, lá no fundo, a incomodou - e ela sabia muito bem o porquê. Podia dizer que estava quase… aliviada com o fato de que o que temia não chegou a acontecer - não precisou ver o ex-namorado com outra pessoa. De qualquer modo, passado esse pequeno desconforto, Melissa decidiu que não havia problemas em beber mais, agora que o jogo que potencialmente a faria expor a si mesma tinha acabado. Estava já em sua segunda cerveja quando avistou a figura do vocalista, um pouco afastado da piscina. Melissa, então, pegou mais uma garrafinha e, com a coragem que o álcool sempre lhe conferia, caminhou até @rr-yunjae. “Hey…” Ela cumprimentou, sentando-se ao lado do rapaz e lhe oferecendo a garrafa fechada. “Curtindo a festa?”
Você tem que dar seu celular para alguém e deixar eles fazerem uma ação que quiserem, seja mandar mensagem para alguém ou publicar alguma coisa no seu twitter, instagram, sei lá
truth or dare? — dare
✴ ——Melissa tinha uma vida dentro da internet e, portanto, uma reputação a zelar. Não podia confiar o seu celular, que era também um dos seus meios de trabalho, a qualquer um. Por isso, a pessoa mais indicada - em sua concepção - era… @rr-yunjae. Confiava que ele não faria uma besteira por estarem juntos na upcoming. Assim, Melissa se levantou e entregou o aparelho desbloqueado ao rapaz, antes de se sentar novamente para rodar a garrafa.
@rr-yunjae

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@rr-yunjae
——— o que se passava em sua mente? seria sábio dizer sobre tudo aquilo que o inundava ultimamente? não era tão difícil decifrar quando, na verdade, sempre seriam as mesmas coisas; aquele sentimento estranho de vazio que incomodava. não tinha realmente o porquê ser sincero com melissa nesse momento e por um lado, tornar o ambiente pesado quando haviam firmado uma conversa era a última coisa que gostaria de fazer agora. seria melhor manter tais pensamentos apenas nas músicas que escrevia e nas melodias criadas. se algum dia alguém quisesse compreendê-lo, poderia decifrá-lo através de suas estrofes “são apenas coisas demais para serem ditas agora e provavelmente você não ia gostar de saber” olhou-a de soslaio e suspirou contido, voltando-se ao caderno. apesar do longo tempo que tivera com ela em um passado não tão distante, yunjae nunca se abrira com facilidade—- pelo menos não antes dos seus sentimentos estarem em um pico sem volta ou alguma substância fizesse presente, levando-o a dizer mais coisas que achava que deveria.
calado, ele apenas ouviu a voz dela ecoando em sua cabeça, sem saber muito bem o que responder ou como diria algo. aquela situação era complicada a ponto de fazê-lo se perguntar que merda estava fazendo da vida. as coisas seriam mais fáceis se mantivesse afastado dela, mas havia se metido nisso e agora custaria para si simplesmente sair. tudo que remetia à melissa gerava uma luta interna no ko que o fazia querer sumir, era sua mente batendo de frente com o coração porque não gostar o suficiente conscientemente não fazia deixar de gostar, era idiotice pensar assim. yunjae apenas riu e concordou logo dizendo: “claro! eu sou um gênio da música, não poderia ser diferente” deu de ombros. óbvio que seu ego era inflado, mas às vezes era bom usar disso para camuflar outras coisas as quais ninguém mais tinha que saber a não ser ele mesmo. pelo menos nem precisava fazer esforço “já disse pra você: nós vamos ganhar essa competição. pode confiar em mim, pelo menos nisso, melly” fora automático chamá-la assim depois do ‘jae’, mas por um segundo quase trocou as palavras e se explicou. era só um apelido e não deveria levar tão a sério.
✴ —— É claro que ela não gostaria de saber… Compreender a mente de Yunjae sempre foi uma tarefa complicada que Melissa não havia concluído. A bem da verdade, ela não esperava, realmente, uma resposta sincera ou, até mesmo, elaborada do rapaz. Nesse sentido, mesmo quando os dois ainda estavam juntos, o mais velho não era a mais aberta das pessoas mas, se pensasse em tudo o que havia acontecido entre eles, a garota considerou aquelas palavras boas o suficiente. Ainda assim, um sorriso nostálgico apareceu nos lábios femininos. Até parecia que aquela mesma cena já tinha acontecido antes. “Imaginei.” A curta resposta veio num quase tom de derrota, mas Melissa preferiu não insistir na questão.
Ela não conseguiu conter o rolar de olhos com a resposta de Yunjae, e deixou-se rir alto. “Você não muda, né? Convencido, como sempre…!” Com isso, a mulher o empurrou com o cotovelo, mas sem aplicar muita força já que se tratava de uma brincadeira. As palavras seguintes do vocalista, porém, pareceram fazer seu coração pular uma batida e ela odiou a si mesma por isso. O apelido, que apenas ele tinha o costume de usar, resgatou alguma coisa dentro de Melissa, algo adormecido que ela não gostaria de nomear e nem pensar sobre. Essa era uma das primeiras vezes que conseguia conversar com Yunjae sem qualquer clima desconfortável e ela não seria a responsável por arruinar aquilo. “Pelo menos nisso, hm?” A voz feminina tinha um fundo amargo, e ela precisou segurar a própria língua para não acabar com o momento. Ao invés disso, completou: “A gente vai ganhar, sim. E vai ser foda.” Por fim, do bolso de sua jaqueta de couro, Melissa pegou seu maço de cigarros, tirou um dentre eles e a mão tatuada esticou-se em direção a Yunjae, silenciosamente oferecendo também um para ele. Mesmo que fosse um segredo de todo o resto, o mais velho já sabia que ela fumava, então não seria um problema. “Não sei se a gente pode fazer isso aqui, mas se não puder a gente… corre.” Um expressão confiante tomou conta das faces femininas, e olha piscou para o vocalista.
@rr-yunjae, @rr-melissa & @rr-yeri
flashback — things will never be same… right?!
Friday; June, 28.
Encarava a grande entrada da mansão com nostalgia no olhar. Vivera tantas memórias ali, a grande maioria ao lado da ex-melhor amiga que, dados os últimos acontecimentos e a forma que a amizade havia terminado, Yeri se recusava a pensar em seu nome. O que, de certa forma, era uma grande ironia, pois fora até a casa da avó por causa dela. Anos atrás, quando a amizade das duas seguia firme e forte, a notícia da mudança de Melissa para outro país as atingiu em cheio. Logo, a fim de terem uma razão para não se separarem, tiveram uma ideia: uma cápsula do tempo. Guardariam ali todas os motivos para que permanecessem juntas, mesmo que fisicamente distantes, até que Mel retornasse.
Que patético, pensava a Kim enquanto passava pelo portão branco e caminhava até a entrada da grande residência que trazia tons pastéis e janelas brancas, típica casa de avó. Ninguém poderia prever que ainda estariam, de fato, amigas no futuro e só duas crianças mimadas como eram poderiam imaginar tal coisa. Sequer se lembrava que haviam feito tal idiotice e estava em seu quarto há tanto tempo que já não lembrava a última vez que tinha comido alguma coisa, quando o celular tocara, chamando sua atenção. A avó encontrara a caixa perdida, datada para ser aberta muitos meses antes, com os nomes das duas garotas que, sabendo do comprometimento da idosa e do amor que sentia por ambas, pediram para que guardasse até o retorno de Melissa.
E foi só por amor a sua bondosa vó que Yeri aceitara o convite para ir até lá abrir a tal caixa. Ou, ao menos, era o que dizia a si mesma enquanto empurrava a porta, já aberta, trazendo um sorriso no rosto para receber um abraço apertado da idosa que tanto amava. Sorriso este que se desfez e os olhos se arregalaram ao constatar que não fora a única a receber o convite naquele fim de tarde. @rr-melissa estava sentada no sofá, as mãos unidas as de sua vó, rindo de alguma história contada pela Kim mais velha. Virou o rosto, encontrando a mesa de jantar repleta de todos os tipos de doces e alimentos, o típico lanche da tarde que a vó fazia quando crianças – até a torta holandesa que tanto amava estava ali posta. Engoliu em seco, voltando a encarar as duas a sua frente. “Não imaginei que você também viria.”
✴ —— Melissa pensou muito sobre aquela decisão. Ir até a mansão Kim novamente, encontrar com os fantasmas de seu passado e encarar o que um dia foi a amizade de sua vida parecia doloroso demais, mas, depois de muito pensar, ela percebeu que sua relação com Yeri tivera um começo, mas não um fim. Parecia que as coisas entre as duas ficaram suspensas no ar, paradas num tempo tão distante que a mulher sequer se lembrava de como era enxergar a outra como amiga. Talvez por isso, talvez pela parte de seu coração que ainda nutria bons sentimentos por Yeri, Liss decidiu que aquela ligação era como um sinal e, por fim, acabou pegando um táxi em direção à casa da matriarca da família Kim.
O caminho era conhecido e perceber que ainda tinha decorado o endereço da ex melhor amiga era uma surpresa desagradável. Melissa era mesmo uma idiota - quer dizer, Yeri a odiava e já havia deixado esse fato bem claro. O que, então, ela estava fazendo indo até a casa da mulher que nutria tanto desprezo pela sua pessoa? Quando o carro parou em frente à majestosa mansão, Liss respirou fundo antes de descer. Encarou a casa por alguns segundos antes dos passos lentos - até demais - a levarem até a porta do local. Ela tocou a campainha, com medo do que encontraria atrás dela.
Para sua sorte, a pessoa que a recebeu era ninguém menos que a própria avó de sua ex-melhor amiga. Melissa amava aquela senhorinha como se fosse sua família e não pôde conter o sorriso sincero que surgiu nos lábios pintados de vermelho. Ela abraçou a mulher, numa saudade que não pensava existir antes de entrar na residência. Com uma mesa cheia de comidas gostosas preparadas, era quase como se ela estivesse voltando no tempo, quase como se sua infância estivesse de volta em sua melhor fase. A ilusão, porém, foi quebrada ao ouvir a voz de Yeri, que carregava um claro descontentamento. Melissa fez o possível para não deixar seu sorriso morrer e, por impulso, soltou a mão da avó da garota. “Eu também não achei que viria… Mas se você preferir, eu posso ir embora.”
@rr-yunjae
——— sua inquietude dera lugar para o alívio que era ouvir aquelas palavras. ele não sabia se era falso ou não, mas acreditaria nela até que dissesse o contrário. moveu a cabeça, com um meio sorriso, concordando com a questão, sabendo bem o que era aquilo— - afinal, estava ali porque não era bom em dividir espaço com as pessoas. pelo menos não sem dar uma grande pausa para respirar sozinho e recarregar as energias “vamos dizer que eu estou aqui pelo mesmo motivo” disse, olhando-a se aproximar e ficar brevemente surpreso. era inevitável para ele não se sentir dessa maneira depois de passar tanto tempo sem trocar uma palavra com ela. a oportunidade de compartilhar com melissa uma nova história naquela banda havia trazido de volta uma coisa que achou ter perdido—– e que talvez nem quisesse achar de fato. a vida era um pouco irônica com yunjae às vezes e ele sabia disso. automaticamente olhou para o caderno ao ouvir a pergunta dela e sorriu em sua falha de esconder algo óbvio. claro que ela perceberia… “você acreditaria se eu dissesse que acabei de chegar? comecei a pôr um pouco para fora o que está rondando a minha cabeça ultimamente… eu espero conseguir montar alguma coisa com isso tudo. quem sabe nós podemos ter novas músicas daqui um tempo” encarou o objeto em mãos, abrindo-o com receio. não costumava mostrá-lo para ninguém, era complicado e uma bagunça total de palavras e frases desconexas que só ele saberia o sentido.
✴ —— Ela assentiu, silenciosamente, porque sabia que nesse quesito eles sempre foram um pouco parecidos - a necessidade de espaço e silêncio, além dos momentos de isolamento. Era algo que Melissa conseguia compreender bem. Ela apoiou um dos braços no joelho, para apoiar o rosto em sua mão, fitando o rapaz ao seu lado enquanto ele expunha seus motivos para estar ali. A voz masculina era tão naturalmente familiar que era difícil para ela manter as defesas que havia imposto a si mesma com relação a Yunjae. Mesmo sem querer, Melissa se pegava sorrindo como a adolescente que um dia fora. “Ah, é? E o que se passa na sua cabeça?” Veio a pergunta, num tom que transitava entre a curiosidade e a preocupação. Ainda que evitasse demonstrar, preocupava-se com Yunjae, principalmente naquela situação estressante que era o festival e a competição.
Seus olhos focaram, então, focaram no caderno recém aberto - com o cuidado de não tentar ser curiosa demais e ler qualquer coisa ali. Não queria invadir o espaço pessoal de Yunjae. “Eu tenho certeza que quando sair alguma coisa daí…” Apontou para o objeto. “Vai ser uma música incrível, como sempre…” A última parte saíra um pouquinho mais baixa, o tom tímido tingindo a sua voz, e ela desviou o olhar. “Quer dizer… Você é bom com essas coisas, Jae.” Sequer notou que havia utilizado o apelido há muito esquecido, e evitou encarar o rapaz novamente. Ele provavelmente pensaria que ela era uma idiota por se comportar daquele jeito depois de tê-lo ignorado por tanto, tanto tempo.
⟡ ɢʀᴀʙ ᴍᴇ ᴀ ᴅʀɪɴᴋ, ᴄʜᴇᴇʀs? — 🐱 @rr-melissa
Haviam poucas pessoas entre aquelas que estavam participando da competição que Taein conhecia de fato, na verdade praticamente ninguém além dos integrantes de sua banda e alguns que trocara ideia na festa de lançamento. Nesta noite porém, Taein estava carente de atenção e companhia, e principalmente de álcool em suas veias, queria sair para beber e se divertir a todo custo sem a intenção de perder a linha. Entre as pessoas que Taein conhecera na festa, estava Melissa uma menina tão tímida quanto ele, mas que tinha praticamente os mesmos interesses em bebidas, lembrou-se que haviam trocado o telefone naquele dia e começou a procurar por sua agenda telefônica do celular. Apesar do erro de digitação por conta do álcool e pelo pouco entendimento do garoto em línguas estrangeiras, MLESISA parecia ser a pessoa que procurava. Discou o numero que aparecia em sua tela e esperou que a garota atendesse, tudo bem que eles não tinham intimidade para Taein fazer uma ligação quase meia noite, mas quem sabe aquela não seria uma boa oportunidade para os dois criarem uma intimidade de fato? — Alô? — Perguntou quando a do outro lado da linha atendeu. — Sou eu o Taein da Deadline, está afim de pegar uns drinks no bar do hotel?
✴ —— O dia havia sido agitado. Melissa passou a manhã treinando e, à tarde, aproveitou para dar uma volta pela cidade - sair um pouco das paredes do hotel e ver rostos diferentes a faria bem, afinal de contas. Depois de suas compras, a mulher estava de volta ao seu quarto e se deu ao luxo de tomar um banho bastante quente e demorado - muito demorado. Apesar do cansaço físico, sua mente estava descansada e Liss ainda não pretendia dormir. Por isso, assim que se afundou nas cobertas confortáveis de sua cama, a guitarrista ligou seu notebook e procurou por qualquer anime para passar o tempo. Optou por assistir Another, pelo que seria a milhonésima vez, mas ao término do primeiro episódio, o toque de seu celular tomou sua atenção. Na tela, lia-se o contato Taetae e ela, honestamente, não fazia ideia de quem poderia ser aquela pessoa.
“Oi?” Respondeu, com curiosidade em sua voz. Quando a pessoa do outro lado da linha se identificou, flashes de memória da fatídica festa inundaram sua mente e ela sorriu, lembrando-se do recém conhecido tão tímido quanto ela, mas ainda muito simpático. Era um pouco estranho que ele optasse por ligar para ela... Mas a proposta não parecia ruim, de qualquer jeito. “Taein? Ah… Claro! Eu queria mesmo achar alguma coisa pra fazer.” Veio a resposta, animada. “Eu acabei de deitar, mas me arrumo rapidinho. Posso te encontrar daqui a dez minutos no saguão…?”

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——— sair da zona de conforto estava proporcionando para yunjae um grande número de pensamentos, que no fim, colaboravam para sua criatividade e inspiração musical. porém, estar em um local desconhecido e dividindo o quarto com alguém que não conhecia, deixava-o levemente desconfortável para seguir em frente e pôr o que pensava no papel—- ou fosse lá onde for. a ideia de procurar a escadaria do prédio viera do nada em sua cabeça, mas pareceu tão viável que em pouco tempo estava sentado em um dos degraus de emergência, com o lápis na mão e o caderno de anotações rente à perna. era seu bem precioso, uma das únicas coisas que guardava como se fosse sua própria vida, porque fora presente do falecido pai. yunjae se sentia confortável expressando o que sentia ali, como se estivesse atualizando o homem de tudo que estava se passando em seu âmago. escrevia algumas coisas quando ouviu passos e por um momento amaldiçoou quem quer que fosse por estar usando a droga das escadas justamente quando estava ali, mas quando ele viu o rosto de @rr-melissa o primeiro pensamento que tivera fora o de preocupação. por que ela estava ali? o ko fechou o caderno um tanto sem jeito, esperando que a garota não tivesse o notado ou não se lembrasse dele e para o que se tratava “de tantos lugares pra nos vermos, fomos logo escolher essas escadas velhas?” disse em tom calmo, os lábios brevemente curvados em um sorriso “como você está?” no fundo esperava que melissa estivesse apenas se aventurando e não fugindo dos próprios pensamentos, como ele.
✴ —— Os primeiros dias no hotel tiveram saldo positivo, Melissa pensava. Apesar do começo conturbado, ela poderia dizer que estava aproveitando a experiência, ainda que tivesse algumas ressalvas - e uma dessas ressalvas era, especificamente, a falta de um lugar para ficar sozinha e colocar os pensamentos em ordem. Não gostava de dividir quarto e também não gostava de ambientes muito cheios. Parecia, porém, que quanto mais ela procurava, menos encontrava lugares sossegados para finalmente curtir sua viagem. Mas depois de fumar um cigarro - escondida, é claro, porque as pessoas não poderiam saber desse seu guilty pleasure -, Melissa decidiu escapar para as escadas de incêndio. Era uma coisa que fazia com relativa frequência, mesmo no prédio onde morava, mas não esperava que fosse ser surpreendida com a presença de uma outra pessoa ali. Ao reconhecer Yunjae, porém, o sorriso que surgiu em seus lábios veio tão natural como se ela já esperasse - ou quisesse - encontrá-lo. “Olha só... Mais um clichê pra nossa conta.” Riu, ao dar de ombros. “Eu ‘tô bem… Só queria fugir um pouco de toda a agitação, sabe?” Melissa, então, tomou a liberdade de subir os degraus restantes para se sentar ao lado do rapaz. A princípio queria ficar sozinha, é verdade, mas mesmo que não admitisse para ninguém, ainda gostava muito da companhia dele. Ela reconheceu o pequeno caderno que ele segurava, e sua expressão se fez mais suave enquanto o fitava. Provavelmente, ele estaria criando alguma coisa e ela não podia negar que sempre havia apreciado as composições de Yunjae. “E você, muito ocupado?”
❛ ❪ 🐝 ━━ apesar de ter permanecido quieto por boa parte do tempo desde que chegara ao local marcado, quando os demais participantes daquela loucura coletiva começaram a chegar, junsu pareceu encarnar seu personagem. era melhor do que render-se à vontade de se trancar no banheiro do ônibus para chorar. ━━ chute qual será nossa primeira parada. se você acertar, penso em alguma recompensa atraente. valendo!
✴ —— Melissa também parecia estar em seu personagem - de influencer, com o celular na mão, contando para os seus milhares de seguidores como estava sendo toda a experiência de estar em uma banda de rock - quando a voz do amigo chamou sua atenção. O sorriso, alegre até demais, morreu no mesmo instante em que a câmera parou de filmar. Ela respirou fundo, como se estivesse livre de um fardo - bem, era assim que ela enxergava sua vida de instagrammer. No lugar da felicidade ensaiada, uma expressão genuinamente contente tomou seu rosto. “Eu não faço ideia… Seoul? Busan?” Ela ponderou, encarando o amigo. “Se eu acertar… Saiba que eu gosto de chocolate ao leite.”
@rr-yunjae
——— depois de tanto tempo esperando alguém da upcoming aparecer, não viu outro jeito a não ser sentar ali mesmo no chão e torcer para que todos chegassem logo. por um lado, se eles fossem eliminados, seria a primeira vez que a culpa de algo não seria inteiramente sua e comparando a seu passado turbulento, isso poderia ser considerado um avanço. estava mexendo em sua conta do instagram- — onde havia postado anteriormente e também vendo os posts de sihun, constatando que ele viria, finalmente- – quando ouviu a voz conhecida, chamando-lhe a atenção. yunjae então a olhou, absorvendo de seu sorriso por alguns longos segundos. era difícil não poder admitir nem para si mesmo o quanto a beleza e o jeito dela ainda lhe inspirava muito- — não entraria nesse nível supremo de babaquice, até porque não era novidade para ninguém a boa vista que tinha sobre ela desde o afastamento. mas era melhor daquele jeito porque evitaria machucá-la ainda mais, pensava “olha, eu fui o primeiro a chegar, mereço pelo menos o mínimo de moral” acabou sorrindo. agora prestando atenção, realmente parecia irônico demais ocupar este posto “é… cheguei bem” respondeu um pouco vago “mas e você? acho que foi uma noite meio intensa ontem” acabou recordando da situação, porém, preferiu não ser direto. yunjae afastou-se um pouco, como um convite silencioso para mel poder se sentar também; a espera poderia ser longa, afinal.
✴ —— “Hmm, é verdade.” A cabeça pendeu minimamente para o lado, como se Melissa o analisasse. Uma sobrancelha bem-feita, então, fora arqueada. “Acho que dessa vez você merece um voto de confiança.” Concluiu, e o tom suave da voz feminina deixava claro que ela só estava brincando. A mulher assentiu diante da curta resposta do rapaz e antes que pudesse aprofundar o assunto, a pergunta feito pelo mais velho a pegou ligeiramente de surpresa - não achava, de fato, que ele se importava o suficiente para se lembrar. Melissa desviou o olhar, como se considerasse se era uma boa ideia conversar sobre aquilo. Ela própria ainda não havia digerido toda a discussão com a Yeri - mas, talvez, falar com outra pessoa pudesse ajudar. Por isso, ao dar alguns poucos passos, a guitarrista encurtou a distância entre eles, com alguma dificuldade para levar suas duas enormes malas e a guitarra nas costas.
“Eu não diria exatamente ‘bem’”. Uma risada soprada escapou dos lábios rosados, enquanto Melissa ajeitava as bagagens uma sobre a outra, antes de se sentar ao lado de Yunjae - a uma certa distância, calculada demais para que parecesse natural. “Quer dizer… Eu não esperava que essa competição fosse me trazer tantos rostos conhecidos de volta…” A frase morreu no ar, seus olhos perdidos em algum ponto adiante, quase como se estivesse falando consigo mesma. Ainda que não fosse sua intenção deixar alguma indireta, ela tinha certeza que havia soado assim. “Mas agora eu ‘tô melhor. Animada com tudo o que vai rolar daqui pra frente, sabe, goste a Yeri ou não.” Ela sorriu, dessa vez mais sincera, e voltou sua atenção para o homem ao seu lado, fitando-o. Era estranho, e ao mesmo tempo reconfortante, conversar com ele daquela forma. “De qualquer forma, eu acho que a gente manda bem demais. A upcoming tem boas chances…”
A primeira coisa que Melissa reparou ao descer do táxi foi a bandana chamativa de @rr-yunjae. Ela reconheceria a peça de longe porque, bem, há algum tempo atrás considerava um dos maiores charmes do rapaz. Mas, naquele momento, só parecia uma trágica ironia do destino que a primeira pessoa que ela estava vendo ao encontrar o pessoal das outras bandas era justamente o ex-namorado. A mulher rolou os olhos. Não era como se não já tivesse se acostumado novamente com a presença dele - muitos ensaios e tudo mais -, mas não estava em seus planos conversar além do necessário… Principalmente depois das coisas que falara noite anterior. Ela seria, porém, minimamente educada. Pelo bem da upcoming - e somente por isso -, com um sorriso no rosto, Melissa aproximou-se do rapaz. “Olha só quem conseguiu chegar no horário…” Ela se utilizou da melhor expressão amigável, que acompanhava o tom de voz. “Chegou bem, ontem?”

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doyeon - picky picky @ sbs inkigayo ( 190602 )
❛ :+ ♡ ˙˖ ❝ ——— ( OPEN! ) “Será que você pode, tipo assim, calar a boca por dois segundos? Eu estou tentando entrar em estado de transe pra não ter que lidar com tanta gente num lugar só em plena manhã quando eu deveria estar tirando meu sono de beleza para me recuperar de uma ressaca filha da puta e ugh, você não é ninguém pra me julgar.” Já era a terceira vez que Ahreum tentava se manter plena e educada, tendo que tirar seu fone de ouvido e interromper sua música para ouvir o que quer que fosse que a outra pessoa estivesse falando que ela tinha certeza que não era mais importante do que Aerosmith. Não ousou tirar os óculos para ninguém naquela manhã, apenas bebericando o copo de café que torcia para que nunca acabasse ou teriam que enfrentar a ira de uma mulher que nunca acordava cedo.
✴ —— Ela riu abertamente com o temperamento da garota. Ainda que não fossem exatamente amigas de infância, Melissa conhecia Ahreum o suficiente para saber que a mais nova não era uma apreciadoras das manhãs e, por isso, compreendia o seu mau-humor. Assim, Liss não respondeu àquela grosseira, optando por simplesmente repetir o que havia falado da primeira vez. “Babe, chill. Eu só queria te avisar que sua bolsa ‘tá aberta… Tem coisa sua quase caindo, olha aí.” Apontou em direção ao zíper que dava uma abertura considerável para que os pertences da amiga se perdessem. “Mas é bom saber que pelo menos a noite de alguém foi boa.” Ela sorriu, sem humor. “Com essa ressaca toda, pelo menos você deve ter aproveitado.”