Demorou para processar quem o estava puxando, quase levantando sua outra mão para atacar, quando a voz familiar entrou no seu cérebro. Don’t listen to him, kid. They’re going to go after him and you’re going to be the one to blame when he gets hurt. Tentou ignorar a voz de Eli em sua mente, largando o outro cara, o ignorando por completo para encarar Eli. Ele estava bem. Tentava se focar no eco dessas palavras em seu cérebro, mas parecia um pouco impossível com a raiva que o consumia. Como sempre, abrir um pequeno buraco na barragem que segurava seu ódio, dava abertura para que Eli começasse puxar seus fios por de trás do pano, tentando reganhar controle o suficiente para satisfazer sua sede de sangue.
Afastou a mão de Riley, com seus próprios dedos trêmulos, numa tensão contida que era aparente. Não foi preciso mais que uns segundos para voltar ao normal, as chamas sumindo e o formato usual de seu rosto tomando conta, mas isso parecia não ser o suficiente para se acalmar. Quando deu por si já estava caminhando de volta para o idiota que tocara em Riley, se parando na metade do caminho percebendo exatamente o que estava acontecendo. C'mon, kid. Just let me have control. Just a few seconds and I’ll leave you alone for next few weeks. Era uma oferta tentadora, mas uma que ele sabia que não podia aceitar. Precisava de se focar em outra coisa, outra coisa que não fosse aquela estúpida voz, aquele espírito insuportável começando a lutar pelo controle de seus músculos, enquanto ele simplesmente não conseguia controlar o quanto babacamente puto ele estava por terem sequer tocado num fio de cabelo de Riley.
Riley. A resposta o atingiu como se fosse algo tão simples que ele não acreditava que não tinha pensado nisso. Usando o que restava de sua força de vontade, se virou de volta para ele o puxando pelo braço para cobrir os lábios alheios com os seus, despejando toda sua agressividade no jeito que o tocava, não lhe dando grande chance para fugir. Como sempre, beijá-lo era o suficiente para se deixar consumir pela presença dele, a voz de Eli se tornando nada mais que barulho de fundo, enquanto ele simplesmente se perdia nos lábios suaves do Drake, incapaz de se focar em qualquer outra coisa que não ele. Ele estava bem. Ele estava são e salvo e era tudo o que importava. ❝ — I’ll explain later. Come on. — ❞ Disse, se afastando com um sorriso algo apologético, já se virando para voltar por onde vieram, por muito que seus reflexos fossem agora um pouco mais lentos por estar na sua forma humana.
A preocupação tingiu-lhe as feições no mesmo instante em que os dedos trêmulos de Reyes encontraram seu pulso, sobrancelhas franzido-se por pensar que, talvez, só talvez, tivesse cometido um erro. E se uma coisa era certa sobre o jovem Drake é que ele detestava errar, especialmente se custava o bem estar dos amigos. Não demorou muito, contudo, para notar que o problema de Zak era a raiva mal contida e, bem ali, finalmente percebeu o quão ínfimo era o auxílio que realmente poderia dar ao outro vez que a principal batalha, aquela que Reyes trava todos os dias, era interna.
Lembrou-se de imediato sobre o pai lhe contando sobre Jason, sobre o período negro e tão conturbado de sua volta. Fora difícil, ele dissera, mas valera a pena pelo irmão que ganhara. Em Zak ele não via apenas um irmão, Deus, era na verdade bem além disso, o que já era potencialmente problemático, mas se tinha uma coisa que sabia é que se alguém vali a pena esse alguém era o homem à sua frente. O mesmo homem que se agachara e provara estarem seus pensamentos certos quando sozinho foi capaz de recuar e nunca, nunca sentira-se tão orgulhoso por tê-lo como melhor amigo. RIley pegou-se sorrindo antes que seu rosto ganhasse ares confusos com a aproximação repentina. “Wha-....!” Pedidos de explicação logo deixaram de ser necessários.
Isso porque a boca ocupou-se e prontamente correspondeu ao beijo, a língua que enlaçava-se à sua com vontade, seus dedos longos achando repousou contra à nuca alheia ao que o puxou ainda mais para perto - e graças a Deus os policiais e os jornalistas em Gotham eram lerdos, caso contrário as manchetes sobre o ocorrido nas docas seria no mínimo cômica. O jornal, é claro, era a última de suas preocupações, derramando-se no beijo e deixando o controle por completo nas mãos de Zak, nada decepcionado, embora ainda surpreso. Por tal razão, quando se afastaram, os olhos piscaram por detrás da máscara, respiração suavemente alterada ao que o sorriso ofertado e a sobrancelha arqueada mostravam o quão longe de desgostoso estava. “You know, you have to learn to apologize for actually bad things? Because that was a good one, dude, you don’t apologize for that.”
E passando a língua por sobre o inferior, Drake passou a apressar o passo para saírem dali, sequer precisando olhar uma segunda vez para saber que a maior parte das pessoas estava desacordada e a outra parte provavelmente impossibilitada de falar. Não lhe concernia, de qualquer maneira, não apenas por seu trabalho estar feito, mas porque a preocupação com o mais velho ainda existia, especialmente agora que andavam lado a lado em direção ao beco. “Você tá bem?” Questionou, voz suave, olhos ansiosos por captar o mínimo que fosse daquele rosto de traços os quais já decorara e redecorara; exercício nada custo em seu dia a dia.