❛ ― Do que está falando, docinho? Achei que gostava deste apelido, foi um momento muito marcante para ti já que, bem, seria o primeiro em que conseguiu o protagonismo.❜ tudo em sua voz indicava a sarcasmo, até mesmo a maneira como segurou os braços para detrás das costas e bateu os cílios grandes algumas vezes. Héstia era um pouco menor que Draco, mas isso não significava que tornava-se inferior a ele, por isso fazia questão de empinar o queixo e manter a postura impecável, fruto de todas as aulas de etiqueta postuladas por Alecto para transforma-la em uma dama, aulas estas que foram jogadas pelo ralo, não fosse para ajuda-la a protagonizar momentos como aquele. ❛ ― Veja bem, eu facilmente listaria seus defeitos de A à Z se fosse necessário, mas nunca pensei que conseguiria encontrar uma qualidade em você, tens uma mente bastante criativa, é surpreendente porque segundos atrás eu achava que não passava de um completo vazio.❜
❛ ― Queria poder valorar as suas palavras, Draquinho, mas acredite ou não, existem outros serventes das trevas que conseguem ser mais tolos que você, mas pelo mesmo motivo conseguiram um bom posto: tradições familiares.❜ odiava ser tão expressiva da forma costumava ser, pois tornava-se incontrolável as reações de seu corpo quando este era corrompido por ódio, transbordando em como proferia aquelas palavras entredentes perante o sorriso amarelo que desenhava o rosto da Carrow, ou como seus punhos cerravam atrás do corpo. ❛ ― Entretanto, creio que terá tempo o suficiente para provar a sua competência, pelo que foi dito hoje…❜
Um suspiro baixinho saiu de seus lábios, de desinteresse e tédio. Na maioria das vezes era assim que se sentia quando falava com um dos clones Carrow. Só havia veneno escorrendo delas em sua direção, e ele estava esperando o dia que por acaso uma delas precisasse de si. A sorte seria apenas delas caso esse dia chegasse, porque do mesmo jeito que a hostilidade vinha do lado delas, era o que receberiam de volta, se dependesse dele. ― O protagonismo era de vocês esse tempo todo, então? Desculpa, eu falo no plural, porque claramente o universo fez duas de você, porque uma não daria conta de nada sozinha.
Ela falou sobre a sua mente criativa, e ele revirou os olhos. Não se importava se ela achasse sua mente vazia ou não, na verdade. Ele havia visto e vivido coisas demais no ano anterior, para a opinião de uma aluna sequer importar. ― Legado nunca foi uma coisa ruim. Gerações passadas trabalham para que gerações futuras sejam melhores. Legado e mérito, porém, são coisas diferentes, coisa dois. Ele pensou ligeiramente sobre o apelido. Era era a mais nova, certo? ― Héstia, né? Desculpe, eu não me importo o suficiente para decorar a diferença. Mas enfim uma coisa que eu concordo com você, Carrow. Teremos tempo. Boa sorte. Coisa dois. Ele murmurou, lhe dando um tchauzinho com uma das mãos enquanto se virava e saía dali.