O Segundo "Eu Te Amo"
Um dia, sem querer, saiu o segundo "eu te amo" da minha vida. Depois de alguns anos a ouvir a sua voz, escutar suas histórias, observar seu jeito desengonçado de andar, acordar no meio da noite e sentir seu cheiro, sua respiração, sentir teu rosto com minhas mãos, mapear teus sinais, discordar das suas opiniÔes, amar teu riso.
Assim, um dia, sem querer, saiu um "eu te amo". Um "eu te amo" que meu corpo jĂĄ denunciava, mas que a boca evitava dizer. Um "eu te amo" que crescia, mas tentava se esconder, se fantasiar de paixĂŁo, ilusĂŁo ou encontros casuais sem conexĂŁo.
Um dia, com o coração cheio, a boca cuspiu o segundo "eu te amo" da minha vida. Era corajoso, foi corajoso colocar pra fora o sentimento. Me despir, deixar que me visse. Senti vergonha, fragilidade, vulnerabilidade. Nua, nua.
E entĂŁo, depois, vocĂȘ se foi. Silencioso. Silencioso.














