“We try to hide our feelings but we forget our eyes speak.”
— Unknown

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@purelity
“We try to hide our feelings but we forget our eyes speak.”
— Unknown

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“Time always exposes what you mean to someone.”
— Unknown
dwxter:
— Huh… — começou quando teve a oportunidade, virando-se devagar para @purelity no banco que dividiam a menos de um metro de distância. — Não que eu tenha encarado demais, mas é que tem uma florzinha no seu cabelo. Geralmente dá até um charme, mas essa daí tem mania de ficar um pouco pegajosa depois que cai, sabe? Jogando a seiva fora. — pigarreou, um tanto sem graça pelo comentário completamente nerd, mas achando bom avisá-la antes que tivesse um problema. A lavagem de cabelo geralmente era dolorosa para retirar aquela seiva, ele sabia muitíssimo bem. — Acho que seria melhor tirar. Se você quiser, é claro. Sorry for bothering.
“Uma flor?” franziu as sobrancelhas confusa, não se recordava de ter passado perto de nenhuma arvore do tipo, mas talvez teria sido em algum arbusto da escola. “Uh... É daquelas que tem um mal cheiro?” perguntou enquanto passava os dedos pelo cabelo, tentando tirar a tal florzinha, sem muito sucesso em conseguir acha-la. Não conhecia muito bem aquele tipo de flor, mas se recordava bem do arbusto fétido que ficava no meio do caminho de sua casa para a escola. “Desculpa, mas você pode me ajudar a tirar? Não quero infectar suas mãos com esse cheiro mas não to conseguindo encontrar...” murmurou, levemente envergonhada por fazer aquele pedido, mas talvez fosse uma missão mais simples e mais fácil para alguém que tinha a visão dela.
arznds:
‘ é… eu fiquei por fora das fofocas na real. não é meu forte. era a pior pessoa para repassar informação em partes porque esquecia e em partes porque não prestava muita atenção nas fofocas. que rolavam no colégio. estava sempre por fora. ‘ porque o basquete perdeu. foi péssimo.
“Entendo... Eu também não costumo prestar muita atenção nessas coisas mas estou cansada de ficar por fora dos assuntos, ou não entender nada do que estão falando.” comentou com um meio sorriso, mas ainda desanimada. “Serio? Ah, eu aposto que não foi tão ruim assim, deve ter sido só... Sei lá, falta de sorte.”

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mattgallo:
“Você quer que eu seja sincero, ou te agrade?” perguntou com as sobrancelhas arqueadas, referindo-se a pergunta feita por último por Serena. “Sobre o evento…Ocean perdeu, nós vencemos. Eles continuam sendo um bando de otários que nem sabem trapacear direito.”
“Mas que pergunta! É claro que quero que você me agrade.” disse rindo e balançando a cabeça como se fosse mesmo algo obvio. “Ufa, ao menos não deixaram aquela gente ganhar... Espera, trapacear?” arqueou as sobrancelhas impressionada, não sabia que chegariam a tanto. “Então esse era o motivo da fúria dos alunos no corredor...”
kctherinz:
“Não é obrigatório participar, mas você é obrigada sim! Não apenas vai ir na reunião, como também vai dormir na minha casa um dia antes.” Anunciou para a prima em tom bem humorado. Era claro que estava brincando e não obrigaria @purelity a nada, mas seria muito significativo para Katherine que ela estivesse lá. “Estou brincando, mas eu queria muito você lá, Nena. Também vai ser difícil para mim compartilhar as coisas, mas acho que vai ser uma coisa boa, sabe? Estamos precisando nos unir.” E cada dia mais Katherine percebia tal urgência. “E tem coisa que só garota entende, não é?”
“Eu não perderia isso nunca!” sorriu, correspondendo a animação. “Ja sabe se vai muita gente? Você sabe que eu morro de vergonha de falar em 'publico’ né?” perguntou enquanto checava suas unhas. Embora pensasse que essa era uma ideia genial e que alem de unir mais as garotas do colégio ainda seria uma ótima oportunidade para se libertar de alguns medos e fazer novas amigas, ainda era tímida demais para fazer aquilo de uma maneira mais aberta. “E eu vou amar dormir lá, como na época de infância" recordou nostálgica. "Só não invente mais uma das suas loucuras”
archicw:
O atleta era a pessoa menos provável para fofocar sobre o que aconteceu (ou só contar os acontecimentos mais marcantes), porém não queria ser rude com a garota. Respirou fundo, começando a listar sem muito entusiasmo os ocorridos. — Nós vencemos; tentaram nos desclassificar mas foram descobertos… — E só. Eram os únicos pontos que importavam. Seu olhar voltou para ela, quase rindo. — Você quer que eu seja sincero ou minta?
“C’mon, seja legal, eu preciso de detalhes...” pediu novamente, utilizando a velha e impecável expressão do gatinho de botas para tentar convence-lo, não queria ficar por fora de mais conversas pelo corredor. “Quem descobriu? Eles foram desclassificados depois disso?” se concentrou nas perguntas mais importantes antes de franzir o cenho para resposta alheia. “Isso depende, você vai se sentir melhor se mentir dizendo que não sentiu a minha falta?” arqueou as sobrancelhas, mantendo um sorriso no rosto.
amaracd:
“ugh, tá bem!” mara murmurou, após rolar os olhos, se ajeitando no assento. “teve briga, teve trapaça, teve de tudo. nenhuma novidade quando se trata da armstrong, né?” deu de ombros. “nós ganhamos, mas por pouco já que aqueles filhos da puta da ocean ficaram com medinho de perderem feito e serem humilhados e resolveram criar um instagram fake como se fossem alunos da armstrong falando mal da ocean. foi foda! mas nem pra ser foda boa, foi só péssimo mesmo!” insistiu com clara irritação na voz ao lembrar. “mas acabaram descobrindo no final que foram eles e os imbecis acabaram punidos. foi pouco, pra ser sincera. eu teria dado uma boa surra pra eles aprenderem a não mexer com a gente.” a carter-dean tocou as unhas pontiagudas, soltando um riso ao ser questionada. “não, não senti sua falta, sugar, mas pode sonhar.” brincou de volta.
“Briga? Trapaça? Espera ai... Isso tudo em um só evento? E eu perdi? Ah não.” gemeu em descontentamento, mas logo viu que a coisa toda havia sido ainda mais séria do que só uma briguinha com um bom entretenimento. Seus olhos se arregalaram com a próxima frase, era muita informações. “Eu acho que entendi...” pelo menos a parte do instagram fake que foi criado pelos alunas da ocean, a outra parte ela não entendia tão bem assim. “E como descobriram?” perguntou curiosa, pensando que pela irritação na voz da garota as coisas provavelmente haviam ficado piores que o previsto. “E você não deu? Nem um soquinho sequer? Não posso acreditar.” riu mais uma vez antes de rolar os olhos “Eu duvido, aposto que passou horas comentando o quanto o lugar estava triste sem os meus pulinhos e palmas na torcida.”
arznds:
‘ acho que a maior parte das fofocas foi pras redes sociais. brincou. tirando os esportes não acompanhou muito toda confusão que se estabeleceu. ‘ só sei te dizer que ganhamos porque deu uma treta… mas se não tivesse dado a treta íamos ganhar igual. não graças ao meu time. continuava a se cobrar por aquela partida, mesmo que não fosse oficial.
“Ah, eu li alguma coisa sobre uma trapaça, e alguns estudantes enfurecidos, mas não consegui saber dos detalhes.” deu de ombros tentando prestar atenção no que ele lhe contava, ainda sem entender como um evento tão pacifico tinha tomado aquelas proporções. "Deu treta mesmo? Serio?” arregalou os olhos sem saber se ficava grata ou não, por ter se safado daquilo. “Ufa, que bom que ganhamos... Mas por que diz isso?” perguntou, franzindo o cenho.

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“É, eu não fui...” se lamentou, nem um pouco satisfeita. Queria ter participado das atividades para ajudar o colégio, mas agora só lhe restava colocar a pauta em dia ao invés de chorar pelo fim de semana perdido. “Eu tava me sentindo meio mal e precisei ficar em casa, mas como foi lá? Aconteceu muita coisa? Quem ganhou e quem perdeu? Eu preciso saber de tudo.” perguntou, empolgada por finalmente saber das novidades pois sentia-se excluída de grande parte das conversas por não saber nada sobre o evento. “Alias, não vai dizer que sentiu a minha falta?” brincou fazendo biquinho com os lábios.
pxrkxrsth:
“— Estou bem familiarizado com essa velha história. O sonho americano, como dizem não é? —” Por algum motivo seu tom carregava um tom de ironia; talvez pelo fato que era socialmente esperado que criticasse tal visão; combatesse a romantização do que era crescer e constituir uma família. Mas, por mais que não admitisse, sabia que era exatamente aquilo o que queria, o clichê, o confortável, o poder morar na mesmice de um subúrbio vendo seus filhos correr na grama enquanto tomava uma taça de vinho na varanda ao ver o sol se por. Limpou a garganta, vendo essa visão se solidificar um pouco mais na sua mente. “— Talvez eles até contem, mas acho que é tudo tão imutável e confortável que não acreditamos. Sempre ouvia minha mãe dizer que eu estava vivendo a melhor fase, que crescer não era tão legal quanto eu achava. Mas eu nunca consegui concordar com ela. Quer dizer, concordo agora. —” Um sorriso desanimado se seguiu, fazendo seus pensamentos tentarem descobrir como toda aquela conversa tinha começado. “— Guilty —” falou, abrindo um pouco mais o sorriso em resposta a fala dela. De fato, talvez tivesse fantasiado um pouco as possibilidades. Mas ainda assim culpava ela. Então sua própria fala a pegou desprevenida. Notou quando tentou disfarçar ao abaixar a cabeça, mas ele tinha reparado. Os cantos dos seus lábios continuaram erguidos ao presenciar a cena, deliciando-se com o que encontrava. Gostava quando suas palavras garantiam algum tipo de efeito, mesmo que mínimo. “— Então vamos deixar isso a cargo do tempo e ver quem, no fim, conquista quem. Devo dizer que sou um desafio. Não é qualquer pessoa que tem o prazer e tocar esses lábios aqui —” Gargalhou alto, sabendo que tudo não passava de uma brincadeira. Não era assim convencido, inclusive, detestava quem era. Sempre fora humilde em relação a si mesmo, apenas usando dos momentos de brincadeira para falar coisas como aquela. “— Mas falando sério agora, eu realmente aceito esse convite. Vai ser bom conhecer um pedaço da Califórnia que tanta gente fala a respeito. Imagino que minimamente bom deva ser. Nova York? —” perguntou, sem entender porque soara tão surpreso “— Isso é literalmente do outro lado do país. Poderia dizer que esse é o seu grande sonho? —”
Confirmou com a cabeça, observando-o falar. Quem dera ela um dia chegasse perto de conseguir viver o tão falado sonho americano, mas aquilo parecia estar tão longe do seu alcance que Serena se sentia tola até por pensar sobre, por sorte não era nada que alguns poemas em sua agenda não pudessem resolver. “Eu acho que isso é muito injusto e que deveríamos poder refutar essa ideia.” disse, soando mais convicta do que realmente estava. “Quer dizer, o que nos impede de sair pela rua gritando gostosuras ou travessuras? Ou de subir nas arvores vestidos de esqueleto? Isso é, tirando o fato de que seriamos considerados loucos...” a morena mal acreditava que tinha mesmo pensado naquela possibilidade, justo ela que costumava ser tão responsável, é obvio que uma aventura como aquela não daria certo. “Eu sabia.” sorriu vitoriosa, tombando a cabeça para o lado a fim de encara-lo nos olhos. “Espere ai, então você está dizendo que vai mesmo tentar me conquistar?” deu uma pausa proposital, sentindo um sorriso sutil tentar escapar, mas o impediu mordendo o lábio. No fim, ela sabia que não era aquilo que ele havia dito, mas não deixaria passar a oportunidade de dar o troco pelas provocações anteriores, mesmo certa de que aquela era só mais uma brincadeira, afinal, por qual outro motivo um garoto como ele gastaria seu tempo tentando conquistar uma garota como ela? “Você está me desconcentrando.” resmungou baixinho tentando soar séria, sem sucesso, acabou por gargalhar e jogar a presilha de cabelo para o canto em que ele estava. Não sabia bem o motivo mas gostava de ouvir sua risada, e vê-lo gargalhando de uma forma que parecia tão leve e relaxado acabou por contagia-la. “Então... No sábado? Ainda preciso conferir mas acho que não tenho treino na parte da tarde.” pensou em voz alta. “Ei, você pode me ajudar aqui?” o chamou para perto movendo o indicador, pedindo ajuda para completar um dos exercícios em que precisava forçar o seu limite. “Meu grande sonho é me tornar uma boa bailarina, na verdade uma perfeita. Mas isso só eles poderão dizer.” encolheu os ombros, não costumava dizer tanto de si para outras pessoas, ainda mais em uma situação pra lá de inusitada. “E você Peter Parker? Qual é o seu grande sonho?” brincou usando o apelidinho que acabara de inventar.
nguyendmx:
— Pensa que nós somos um sete bilhões de pessoas no fundo. Se cada um fizer sua parte, a gente consegue fazer uma grande diferença.” Por mais que soubesse que muitas pessoas não faziam grandes esforços para diminuir suas pegadas ecológicas, ainda assim Dimitria acreditava que pequenas ações poderiam mudar algumas coisas. No seu caso, por exemplo, era apenas uma pessoa dentro do veganismo, mas uma pessoa sempre fazia uma diferença, mesmo que pequena. “Eu não sei o nome, mas não tem problema. Quando eu ver de novo eu dou um jeito de retribuir.” Deu de ombros. Por mais que coisas assim fossem chatas, não era como se a Nguyen as deixasse baratas; costumava arrumar briga por aquelas coisas, e só não o fizera no momento exato porque sabia que estava ocupada fazendo algo mais importante. “Não me surpreendo muito, a grande parte do pessoal aqui é bem idiota.”
“Você tem razão, vou tentar pensar mais nisso na hora de fazer as boas ações.” sorriu para ela, concordando que de fato era um bom pensamento, agora só precisava ser colocado em pratica, o que era a parte mais difícil. “Eu queria ser corajosa como você, mas acho que o máximo que consigo fazer é correr e me esconder mesmo.” deu de ombros com uma risada, só o pensamento de se ver enfrentando alguém já era engraçado, visto que no ápice de sua raiva ela ainda iria se parecer com um chihuahua barulhento, mas que pouco morde. Admirava quem conseguia reagir de outra forma se não aquela, quem conseguia dar o troco ao invés de só soltar meia duzia de palavras afiadas e depois passar o dia temendo ter machucado alguém. “Acho que existem valentões em todas as escolas, eu sabia não seria muito diferente aqui.” deu de ombros fingindo não se importar muito, mas era fácil falar agora que já tinha limpado suas lágrimas em uma cabine do banheiro. “Mas até que tem uma parte do pessoal que é bem legal, quem diria, em pouco tempo já consegui fazer algumas amizades.”
Almost. It’s a big word for me. I feel it everywhere. Almost home. Almost happy. Almost changed. Almost, but not quite. not yet. Soon, maybe.
Joan Bauer (via bnmxfld)

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kctherinz:
Katherine estava deitada no chão da sala de dança, passando os olhos despreocupadamente pelo feed do instagram. Não havia nada de interessante, mas vez ou outra soltava uma risada alta com alguma besteira que faziam em vídeos. Virou a cabeça para o lado ao ouvir a voz da prima, pronta para dizer que não havia se importado com o atraso, mas aproveitou para a latinha de coca, voltando a sentar-se. “Você me conhece tão bem.” Sorriu para a loira, abrindo a embalagem, antes de fazer uma careta ao ver a barrinha. “Ou não tão bem assim.” Afinal, nunca que a morena perderia seu tempo comendo aquilo. Não servia nem para ocupar 1% de sua fome. “Você precisa começar a comer direito, Serena. Essa coisa vai te matar.” Apontou para a barriga. Mesmo que parecesse estar brincando, Katy estava mesmo preocupada com a loira. Já fazia um bom tempo que a observava se alimentar muito mal. “Eu não tenho novidades, Nena. Você já sabe que meu pai ta namorando, né? Só estou esperando ele contar para mim e para o Chris de uma vez. Mas o romance escondido deve estar bem divertido, porque ele ainda finge que nada está acontecendo como se fôssemos dois idiotas.”
Rolou os olhos rindo com a reação de Katy. “Eu juro que não é tão ruim quanto parece, é até gostosinho.” deu de ombros mordiscando a barrinha de cereais, fingindo por um momento não ter entendido a frase da outra e tentando desviar-se do assunto com uma brincadeira, como sempre fazia. “Uma barrinha de granola, coco e amendoim não tem a menor chance contra uma garota forte como eu.” brincou, erguendo o braço magricelo na tentativa de fingir que realmente havia alguma força ali. Serena ainda se sentia bem, em partes, ou pelo menos achava que estava bem o suficiente para não preocupar ninguém. “Que? Mr. Gardner namorando? Você só pode estar brincando!” exclamou, tentando conter a surpresa, de todas as novidades que imaginou Katherine contando aquela foi a mais inesperada. “E vocês estão bem com isso? Você e o Chris. Eu não acredito que ele não contou pra vocês...” pensou que deveria ser difícil para os primos terem que lidar com uma situação como aquela, precisar encaixar alguém novo na família sem nenhum tipo de aviso, mas torcia para que eles conseguissem lidar bem com a situação, talvez até se reaproximassem de alguma forma.
pxrkxrsth:
Assentiu, mantendo-se em silêncio por saber que qualquer coisa que falasse estragaria o momento. E as lembranças que agora sobrepujava eram daquelas que facilmente sumiriam se fosse feito qualquer tipo de esforço. Não queria que aquilo acontecesse. “— Seu pai é policial? Aparentemente temos uma coisa em comum. —” Comentou, lembrando-se brevemente da história que sua mãe uma vez tinha contado sobre como a vida deles era diferente poucos meses antes dele nascer. Seu pai era dono de uma das maiores empresas dos EUA, mas que faliu após a recessão americana no começo do século. Toda a reputação e história parece que deixou de existir em questão de semanas, como se eles nunca já tivessem estado no topo. Um emprego de policial e outro de bibliotecária seguiu seus rumos até os dias de hoje. “— Com nossos filhos, você diz? Não sei se é muito possível, ao menos não para a gente. Talvez para eles. Acho que crescer pressupõe perder um pouco da mágica de sair na rua, encontrar amigos e desafiar a vida. Não me leve a mal, daria qualquer coisa para viver isso de novo. Apenas algo me diz que nunca conseguirei. —” Quem o conhecia, também conhecia seus sentimentos. Não era exatamente aquele tipo de pessoa reservada que relutava em falar qualquer coisa que sentia. Tinha vulnerabilidades e não se envergonhava de compartilhá-las. Dentro da casca da comédia e brincadeira, existia um ser humano também. “— Seria muito fácil de acreditar que não estava se você próprio não tivesse falado essas palavras tão sugestivas. Bom saber como sua mente trabalha —” O riso que se seguiu era genuíno. “— Essa confissão que estou prestes a fazer provavelmente vai te fazer me odiar. Mas… —” fez um pouco de mistério. Então fechou os olhos antes de continuar “—… eu nunca fui no Pier de Santa Mônica antes. —” Abaixou a cabeça, como se tivesse sido uma grande e decepcionante revelação. Pura encenação. “— Mas já vi por fotos e sei que é lindo. Principalmente no pôr do sol. —” Pausou por um instante, tomando um pouco do ar fresco “— Eu chamo para sair um dia e você já planeja vários? Vocês, garotas, damos a mão e vocês querem o corpo todo. Meu corpo todo, no caso —” Brincou, soltando uma gargalhada alta. “— Eu não recusaria ver você dançando por nada. Para que é essa audição? —”
"Sim, é como a velha historia de amor contada no colegial, o atleta que sonha em ser policial e a rainha do baile, tem como ser mais clichê?” franziu o nariz em uma careta ao contar sobre a historia dos pais, mas tão logo sorriu sutilmente, era uma bela historia de amor, ou teria sido, se tivesse dado certo. Pouco se distraiu pensando que, se o pai dele também era policial, talvez os dois já tivessem se esbarrado em algum momento, poderiam até ser conhecidos. “Eu acho que você tem razão, se eu soubesse antes que os momentos de liberdade não voltariam eu teria aproveitado mais a infância, mas ninguém conta aos jovens sobre essa parte, não é?” riu baixinho sem muito humor. Como gostaria de ter abdicado dos inúmeros concursos de beleza que a mãe a obrigara a participar e se permitido apreciar um pouco mais das aventuras na tenra idade, mas agora que os anos haviam se passado já era tarde demais. Um sorriso brincou nos lábios cor de rosa ao escutar o timbre de voz masculino. “Agora é você quem está interpretando as coisas ao seu próprio modo, mas é bom sonhar Parker.” respondeu, flexionando a ponta dos pés e erguendo as pernas até se apoiarem na barra, para finalizar os alongamentos. “Serio? você nunca esteve lá? Eu realmente tenho muito a te mostrar.” repetiu, surpresa. “Eu sempre vou pra lá nas férias, desde criança. Conheço aquele lugar como a palma da minha mão.” ergueu os dígitos para ilustrar o que falava. O lugar era belíssimo pois continha o contraste da água azul e límpida com a areia branquinha ao redor, o pier que se tornava quase um observatório do céu perante a vista e o parque multicolorido. “Eu não...” pega de surpresa, quase gaguejou quando tentou se explicar e sem jeito, sentiu suas bochechas corarem, desviando os olhos e voltando seu rosto para a sapatilha a tempo de tentar evitar que o garoto a visse assim, ao menos até recuperar o seu tom habitual. “Céus... Olha como você é convencido!” balançou a cabeça negativamente, deixando que um sorriso leve escapasse dos lábios. “Eu estava falando de um só dia, tarde e noite, eu não conseguiria aguentar esse seu sorrisinho convencido por mais do que isso. E saiba que você vai precisar de muito mais do que esse corpinho pra me conquistar.” se virou para encara-lo, exibindo um sorriso no canto da boca. Aproveitou a pausa para mover a delicada silhueta até o centro da sala, flexionando novamente os pés mas se mantendo na ponta. “É uma audição pra uma academia de dança em Nova York, mas é muito difícil de entrar.” respondeu pouco antes de começar com os giros, um após o outro, movendo graciosamente os braços e pernas dentro do fluxo de movimento.