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De fato, Vescovi jamais imaginou que aquela garota raivosa que o deixou para trás sem olhar em sua direção, algum dia voltaria para aquele lugar específico. Talvez para Illea onde ainda tinha família, mas quem sabe evitaria qualquer lugar que pudesse pensar que ele estaria, mas também ao mesmo tempo sabia que era um pensamento muito imaturo então deixou cair por terra. Sua expressão adquiriu um tom derrotado, assim como sua postura; os ombros caídos e o rosto ainda mais cansado do que estava anteriormente. Era difícil lidar com aquela situação, ainda mais uma hora daquelas. “Mesmo? Acho que eu não me importo nenhum pouco com isso.” a resposta saíra juntamente com um leve arquear de sobrancelhas da parte dele, enquanto a observava agora com mais atenção. Fisicamente havia mudado alguma coisa e agora era praticamente uma mulher feita, porém ainda tinha os mesmos olhos redondos, marrons e bonitos; os mesmos cabelos escuros e cumpridos dos quais ele se lembrava perfeitamente de adorar o aroma, especialmente quando acordava com os mesmos esparramados sobre seu peito. “Na verdade, não. Pensei que você jamais colocaria seus pés aqui de novo e olha só como estava enganado.” embora quisesse e tentasse responde-la com o mesmo tom hostil, Kayden não sabia se estava alcançando seu objetivo visto que, naquele momento tudo o que buscava era alguma paz e descanço para sua mente. “É isso o que você pensa? não me surpreende.” deu de ombros levemente, desviando o olhar para focar em qualquer coisa além dela. Encontrou uma janela imensa na parede ao lado, que para sorte estava com as cortinas abertas e assim Vescovi podia ver com clareza uma parte dos fundos do palácio. “Parece que o tempo fora só fez mal pra você, Miranda. Veja só. Ainda remoendo o passado… mas se quer saber, eu até te entendo por esse lado. Certas coisas são realmente difíceis de perdoar mesmo.”
Típico, era claro que ele não se importava, talvez nem mesmo ele tenha se importado de verdade com alguma coisa em relação a ela. O pensamento a fez lembrar-se de Henri e do quanto ele adorava dizer que ela era amargurada, talvez no fim o amigo tivesse razão. Bufou soltando o ar pelo nariz em resposta, não havia muito o que pudesse dizer sobre aquilo afinal. “Meu pai está doente”. Respondeu de forma curta, descruzando os braços e enfiando as mãos nos bolsos do sobretudo, estava cansada e definitivamente aquela conversa não os levaria a lugar algum. E você não quer que leve a algum lugar mesmo. Não devia qualquer satisfação a ele ou a ninguém, mas aquela era a verdade, voltou por causa do pai, se não fosse o caso não teria voltado. Voltar, fazer parte do conselho... nada daquilo estava em seus planos, mas agora já tinha decidido, não dava para ir embora e não viraria as costas, já tinha perdido muitas pessoas importantes ao longo da vida, a começar pela mãe e o irmão mais novo, não podia deixar o pai sozinho e doente, precisava estar ali. Não estava ali para surpreendê-lo, foi o que pensou antes de captar o movimento dos ombros dele, pareciam mais largos do que ela se lembrava. O olhar dele agora parecia focar num ponto atrás dela, o que a fez rir baixo e discretamente, aquilo também não era uma surpresa. E lá estava ele enfatizando seu nome. “Acho que você gosta mesmo de dizer meu nome”. Não havia simpatia em suas palavras, mas já não soava tão hostil como no início, lhe faltava energia para continuar irritada com o que quer que fosse, também não se daria ao trabalho de prolongar aquele assunto de passado. “Pode me mostrar a direção da cozinha? Eu tô cansada e só quero beber alguma coisa antes de dormir”. Tinha saído do quarto para tomar um chá, mas agora pretendia beber algo mais forte, despois de encontrar Vescovi, só mesmo álcool para acalmar os nervos.
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O mais enervante de tudo não era o fato de que todos pareciam tensos diante dos acontecimentos, mas o quão calmo ele se sentia. Talvez fosse apenas pelo fato que ele não tinha nenhuma proximidade emocional com o príncipe e a princesa, e por isso não se sentia abalado. Também não era exatamente países amigos e por menos que desejasse o sofrimento alheio, não conseguia se compadecer completamente. E, por isso, se sentia mais frustrado por não está no mesmo ânimo dos outros que tudo. Ao menos, ainda conseguia fazer piada da situação. “Se eu quisesse saber mais informações sobre o desaparecimento, você não seria a primeira pessoa que eu procuraria, Mi-mi,” disse quase ofendido que ela achava que ele estava atrás de informações. Na verdade, ele não se preocupava muito com o desaparecimento, por mais horrível que fosse a situação. Ele estava procurando uma distração e calhou de encontrá-la na forma da conselheira. “Sabe, não é assim que você deveria receber os seus amigos, mas eu vou relevar pela situação estressante. Agora, como foi o reencontro com o brutamontes que você chama de ex?”
Ergueu os olhos do papel surpresa quando reconheceu aquela voz, Henri era uma das poucas pessoas que ela realmente tolerava, ok, na verdade ela gostava da amizade que tinham, mesmo que não concordasse com a maior parte das coisas que ele dizia. “Não sei se fico feliz ou ofendida por causa disso”. Provocou no mesmo tom quase ofendido, tudo bem que ela não tinha chegado a tanto tempo para saber muito das coisas, o que justificaria que ele ou qualquer pessoa não a procurasse por mais informações. “Sabe que detesto esse apelido, não é?” Advertiu voltando o olhar para o relatório antes de simplesmente coloca-lo de volta na pilha de papéis. “Preferia não ter reencontrado” Curta e grossa como sempre. “Imagino que já o tenha conhecido e acho que não gostou tanto dele quanto não gosta muito dos monarcas daqui”. Cutucou levemente, jamais admitiria que estava curiosa sobre o que o francês tinha achado de Vescovi.
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“Nisso eu concordo muito com você. Estamos constantemente em posições bem frágeis então não é como se acordos não fossem desfeitos por egoismo o tempo inteiro mundo afora. Mas me dói acreditar que alguém possa ter armado a morte deles, entende? Nunca fui próxima do rei ou da rainha mas sempre foram pessoas de exemplo.” Além disso, sempre tinham a tratado tão bem que a mente de Olivia não conseguia aceitar o fato de que alguém pudesse os odiar a esse ponto. Eram um casal maravilhoso do ponto de vista dela, ainda que soubessem que erravam e não eram perfeitos. “Espero que seja por algum motivo real. Não quero que sigam nessas investigações desgastando o príncipe e a princesa e toda a população que estava voltando a viver normalmente sem lembrar todos os dias que nossos monarcas desapareceram.” Ela então franziu a testa para então semicerrar os olhos com a fala da outra, buscando em sua mente as informações que não lhe surgiram rápido como gostaria. “O guarda pessoal do príncipe não é o filho adotivo dos Vescovi? Como mesmo ele se chama? ….Kyle? Kayo? Kay… Kayden! De fato são amigos e se há algo, ele como parte da guarda pessoal de Sebastian deve saber.” Se fosse próxima do homem em questão poderia tentar se aproximar e perguntar, mas Olivia sentia-se um pouco deslocada até mesmo entre aqueles que possuíam o mesmo título que ela. “Será que há algo muito revelador? Uma pessoa poderia ser sentenciada agora? Quer dizer, um atentado é algo sério até mesmo com a vida de cidadãos comuns. Sinto que estou confabulando demais, me perdoe.”
“O ser humano é egoísta, são poucos o que se salvam, não seria a primeira vez na história da humanidade que alguém arma a morte de um líder, por isso não fico surpresa com isso. Mas entendo o que quer dizer, também os admirava e não me conforta pensar na crueldade que é armar a morte de alguém” Não queria parecer uma pessoa sem coração, mesmo que tivesse perdido o seu a um bom tempo, ainda havia humanidade em Miranda, ela só não gostava muito de demonstrar e nem por isso era uma pessoa ruim. “Penso que uma conclusão seja o que todos precisam, mesmo que já tenha se passado quase um ano, ninguém ficará em paz enquanto não houver uma resposta. Nem mesmo o príncipe e a princesa”. Murmurou sentindo-se triste com aquela situação, o pior era não poder fazer nada a respeito, ser alguém de ação tinha seus fardos, nem sempre era possível resolver os problemas de todos. “Kayden” O nome saiu de seus lábios antes mesmo da outra concluir suas tentativas, claro que a mulher arrependeu-se rapidamente de ter dito o nome dele, seria melhor que pensassem que não se conheciam, porquê ela não ia perguntar nada a ele de jeito nenhum. “Sim, deve mesmo saber”. Foi o que se limitou a dizer, não ia estender o assunto a respeito do guarda pessoal . “Talvez haja sim algo revelador, mas não acho que a sentença saia agora, tudo deverá ser feito com cautela, dependendo do que foi revelado na caixa preta, caso ela tenha sido mesmo descoberta, bom... com certeza não é algo para se revelar levianamente, estamos falando de líderes de um país”. Começava a achar que as próprias palavras soavam confusas. “Você bebe?” Perguntou de pronto, mudando quase que bruscamente o assunto.
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O alívio em poder ficar ali foi expresso através de um suspiro baixo e sorriso mais largo o qual chegou a enrugar os cantos dos olhos da selecionada. “Obrigada!” No mesmo segundo, tratou de puxar uma cadeira para a frente da mesa onde a professora trabalhava e começou a avaliar os papéis. No entanto, a advertência a interrompeu e curiosamente lançou um olhar sobre o ombro em direção a porta, sem compreender. “Por que? Ele é o diabo disfarçado?” Brincou, procurando descontrair o clima, logo voltando a atenção para a papelada, ainda que os ouvidos estivessem inteiramente atentos na mulher. “Não se preocupe, será uma honra poder ignorá-lo.” Murmurou, começando a formar uma pilha com alguns assuntos relacionados. Teagan estava querendo distância de qualquer tipo de problema, não seria problema algum fazer o que a professora lhe pediu.
“Exatamente isso, um homem insuportável que se acha o próprio rei irresistível”. Não conseguiu conter o desgosto na voz, respondendo enquanto pega outra folha e passa os olhos no que estava escrito. “Ainda não sei onde meu pai estava na cabeça quando armou esse noivado, posso te garantir que Adam Singer irá sair daqui com o rabo entre as pernas, porque nem que ele fosse o último homem do planeta, me casaria com ele. Ou com qualquer um na verdade”. Falar de sua vida pessoal não era algo feito com frequência e com qualquer um, mas na falta de amigos e tempo para dedicar aos poucos que tinha estava fazendo da mulher alguém ainda mais amargurada, o que justificava falar daquela maneira. “Não é porquê não gosto da ideia de casamento que precisa seguir meus passos, sim? Se é isso que quer, mantenha o foco no príncipe”. Completou dando-se conta que poderia estar sendo um péssimo exemplo para uma selecionada.

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“Acha que foi um atentado?” Olivia questionou em choque, sem saber como interpretar ao certo tal informação. Nunca teria ela pensado por esse lado. Seu enorme afeto por Lucy e Zachary, vossas majestades e governantes tão justos e queridos, não deixava que a jovem cogitasse que alguém poderia ter a intenção de lhes tirar a vida. “Mas e se eles estiverem querendo manter isso por baixo dos panos até que haja alguma prova de algo… Não sei, já estou soando confusa demais para o meu gosto. Só não consigo imaginar isso, mesmo depois de quase um ano ainda não consigo acreditar.” Não conseguia aceitar o fato de que pessoas tão importantes tinham desaparecido para sempre, que nunca achariam corpos para um funeral verdadeiro, algo digno como mereciam. “Pensa então que o príncipe ou a guarda mantem segredos? Quer dizer, não me chocaria. Desconfio que exista algo na caixa preta, e que eles a encontraram então por isso voltaram com as investigações.”
“Não acho que foi, mas que pode ter sido. Nosso país não era dos mais queridos no passado, o mundo político é feito de interesses, por vezes egoístas, então não descarto essa possibilidade”. Ela jamais poderia afirmar nada, também era uma grande fã da rainha e gosta muito dos monarcas illeanos, por mais que não concordasse com algumas coisas, era lamentável o que tinha acontecido com eles, só que já fazia algum tempo que Miranda não perdia tempo se lamentando, ela apenas entrava em ação e se enchia de coisas para fazer. “Os investigadores também devem ter suas teorias e linhas de investigação, então com certeza então mantendo certos detalhes ocultos pela falta de provas consistentes ou algo do tipo, seja lá o motivo, pode ter certeza que há uma razão”. Estava acostumada a agir de forma racional e não se deixar levar pelas emoções, muitos a viam como uma pessoa fria por causa disso, mas isso não a fazia alguém sem sentimentos, se fosse o caso não teria pelo menos uma pessoa no mundo que abalasse tanto a ponto de querer manter distância. “O príncipe com certeza, o guarda pessoal dele não sei, talvez sabia sim de alguma coisa, afinal são amigos e ele o acompanha para todos os lados, faria sentido que soubesse de algo. O príncipe deve ter decidido o que poderia ser revelado ou não e eu também estou apostando que tenham encontrado a caixa preta”.
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“Se deveria, não faz!” Olivia disse ao adentrar o lugar, colocando as mãos nos bolsos escondidos do vestido midi preto e suspirando enquanto dava seus passos até alcançar a colega de trabalho. Miranda Hastings não lhe era uma completa desconhecida uma vez que a menina tinha feito suas pesquisas e estudado sobre todas as linhagens do conselho desde muito nova. Entretanto, nunca tinha estado com a outra até o presente momento, e que momento turbulento. “Nem eu. Acho que seja lá o que eles estejam escondendo, porque acredito que nem tudo está dito ai, não vão revelar tão cedo.” E por isso ela foi levada a outro pensamento. “Acha que nossos pais sabem do que se trata? Se houver algo a mais. Não consigo acredita que pessoas tão importantes realmente sumiram sem deixar nenhum vestígio concreto de alguma coisa.”
Por um momento sentiu-se confusa, não sabia se estavam falando do relatório ou das notícias recentes a cerda do desaparecimento dos monarcas. Piscou um pouco franzindo o cenho antes de olhar diretamente para a mulher, reconhecia vagamente seus traços por causa das fotos que sua tia lhe mostrara, garantindo que Miranda ficasse por dentro de quem eram os conselheiros atuais e seus familiares. “Não, não vão. Dependendo do que estão escondendo poderia criar um alarde maior, sem contar que também poderia atrapalhar as investigações caso tenha sido algum tipo de atentado, que é o que desconfio, apesar de não ter um país em mente”. Declarou de modo analítico, levando em consideração tudo que aprendera sobre gestão de conflitos e outras coisas relacionadas à política como um todo. “Meu pai está doente, dificilmente saberia de algo, minha tia teria me dito se soubesse, então começo a achar que até mesmo os conselheiros não sabem de tudo o que está acontecendo ou pelo menos não todos”.
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Tudo o que Teagan fez foi assentir com a cabeça, mesmo que o gesto nem fosse registrado pela mulher que estava absorta nos papéis. Não havia ido até ali em busca de informações adicionais, mas na tentativa de conseguir ocupar um pouco a mente, realizar alguma atividade que preenchesse seu dia e não a deixasse pensando demais especialmente depois dos últimos eventos. “Tudo bem, senhorita Miranda. Vim oferecer ajuda, na verdade… Há alguma coisa que posso fazer? Posso organizar os papéis por assunto e tentar ajudar a encontrar algum sentido talvez. Juro que nenhuma informação sai daqui e se isso acontecer, você saberá que fui eu então…” Encolheu os ombros como se dissesse que não fazia sentido se arriscar daquela forma, não quando já havia se envolvido em tanta confusão e depois ofereceu um sorriso gentil na esperança de que não fosse expulsa dali.
A voz suave que lhe chegou aos ouvidos fez com que erguesse os olhos do papel e fitasse a jovem. Uma das selecionadas mais bonitas em sua opinião, apesar de não conhecê-la o suficiente para saber. “Acho que todos estamos buscando formas de ocupar a mente, não?” Haviam uma certa compaixão em seu olhar, por mais que suas palavras não soassem exatamente gentis, Miranda estava se esforçando para soar legal, quando estava irritada era sempre difícil tratar bem as pessoas, ainda que buscasse não ser grossa desnecessariamente. “Pode me ajudar a organizar os papéis por assunto, estava tentando colocar em ordem para que faça mais sentido ou terei chutar algumas bundas no conselho”. Tentou aliviar um pouco o clima, com um pequeno sorriso divertido. “Mesmo que certos assuntos serão de conhecimento apenas da elite, se ocupar e ver como funciona algumas coisas não fará mal”. Não que ela confiasse de fato na jovem, mas como ela apontou, se alguma informação vazar, a futura conselheira saberá exatamente de onde veio. “Se ver um loiro pomposo na porta ignore-o, não importa o que ele faça”. Advertiu rapidamente, o ser asqueroso vulgo o noivo que seu pai arrumou vivia rondando desde que chegara em Illéa e a Hastings não só não tinha a pretensão de se casar, como também não gostava nada dele.
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Mesmo na época em que era apenas um guarda real viajando de província em província por conta do trabalho, cansando-se física e mentalmente, Vescovi nunca havia chegado àquele tipo de alucinação. Não era possível que algumas noites mal dormidas seriam capazes de transformar a mente do homem daquela forma, foi o que pensou enquanto ainda fitava a figura dela não muito distante de si. Só então depois de alguns bons e longos minutos foi que aos poucos, o homem caiu em si para realidade. Não estava delirando ou vendo coisas; Miranda estava de fato ali, e ouvi-la mencionar seu sobrenome fez com que aquela tremenda surpresa se confirmasse. Kayden fechou os olhos brevemente, pois não queria demonstrar o quanto havia sido pego de surpresa e o quanto estava mexido com a presença da mulher ali, embora fosse exatamente a impressão que passava diante das suas expressões faciais e corporais. Ao mesmo tempo, uma sensação estranha começou a lhe corroer as entranhas e então ele sentiu… ira. O cenho franzido logo estava de volta, ao mesmo tempo em que dava um suspiro alto, observando a face da mulher depois de tantos anos de distancia. “Oi Miranda.” a respondeu, fazendo questão de agir opostamente ao que ela fizera, simplesmente por provocação ou raiva, ou qualquer outro sentimento do qual ele não conseguia nomear naquele momento. “De todas as pessoas que eu achava que veria de novo, você com certeza seria a última.”
Havia uma satisfação contida observar o quanto o homem parecia afetado, o fechar dos olhos, o suspirar pesado, o cenho franzido, por mais que não fosse admitir, tudo lhe era familiar, ela o conhecia muito bem, apesar de suspeitar que provavelmente ele haveria mudado ao menos um pouco. Relutante, seus olhos vagaram pela face alheia, os ombros largos e músculos pronunciados. Ele continua totalmente seu tipo. A observação em pensamento foi recebida com raiva, tratando imediatamente de afastar aquilo de sua cabeça. O coração acelerado também podia ser ignorado, certo? Ela gostava de enganar a si mesma, orgulhosa demais para admitir certas coisas. “Você não tem mais o direito de me chamar pelo nome”. As palavras lhe escaparam pelos lábios com ferocidade, um resmungo hostil que lembrava vagamente um rosnado. A postura de defesa adotada relaxou com um suspirar profundo, estava cansada para discutir e mesmo que não quisesse admitir, aqueles breves segundos já tinham lhe drenado o que restava de sua energia. “Que gracinha, você ao menos ainda pensou que me veria de novo, eu nem isso... preferia não ter visto, se quer saber”. Mais hostilidade, aquilo a despedaçava por dentro, por mais que ainda nutrisse mágoa e outros milhares sentimentos que, agir daquela forma não era algo que gostava, uma reação automática como se aquilo lhe desse êxito em blindar o coração.

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A pilha de papéis se acumulava à sua frente, relatórios e mais relatórios, com as notícias recentes tudo parecia pior, Miranda não demonstrava estar abalada, mas para olhos perspicazes ou que a conhecessem, poderiam facilmente identificar que a veia pulsante em seu pescoço e o aparente mau humor era resultado de que algo a incomodava. Os olhos passavam velozes pela folha de papel. “Isso deveria fazer sentido?” Murmurou concentrada, pelo que podia ver havia algumas discrepâncias naquele relatório e isso não a deixou mais feliz. Ouvir passos se aproximando a incomodou, nem se dando ao trabalho de tirar os olhos do papel. “Não tenho informações adicionais ao que está no jornal” Avisou caso fosse outra pessoa querendo verificar se ela sabia de algo, torcendo para que também não fosse mais um incomodado com sua roupa.
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Já era costume do guarda dar uma volta pelo palácio assim que o príncipe se despedia para descançar em seus aposentos. Alguns guardas noturnos permaneciam em seus postos, mas ainda assim Vescovi gostava de ir de um lado ao outro, olhando canto por canto, certificando-se de que estava tudo perfeitamente bem e pacífico o bastante para que ele mesmo pudesse deitar a cabeça no travesseiro e descançar paz. Sim, mesmo que na maioria das vezes, ao invés do sono tranquilo tudo o que conseguia eram horas de insônia, girando entre os lençóis de sua cama ou olhando para o teto. Desde o desaparecimento misterioso dos monarcas ele já não conseguia deitar com tranquilidade em sua mente, e após sua nomeação para escudo da coroa e o início da Seleção as coisas não ficaram mais fáceis, se é que ele poderia colocar daquela forma. Estava naquele momento andando pelos corredores mal iluminados por conta do horário, acenando com a cabeça quando topava com algum guarda quando visualizou de longe uma sombra. Cerrou os olhos, afinal, não era comum ver convidados e Selecionadas acordados àquela hora da noite andando pelo lugar, mas não sabia até o momento o motivo. Seus passos continuaram até que conseguiu enxergar com mais clareza a silhueta, e por fim, a mesma adquiriu certa familiaridade que arrancou um arrepio dos pés à cabeça do guarda. “Isso é loucura…” Kayden parou no meio do caminho, piscou algumas vezes e então esfregou os olhos, ciente de que provavelmente era sua mente cansada lhe pregando mais uma peça e lhe fazendo enxergar uma @punchlady-miranda mais adulta, porém com as mesmas feições das quais ele se recordava bem.
Se adaptar a uma nova rotina nunca era fácil, muitas coisas precisavam de sua atenção agora e organização era essencial, o pai doente, se preparar para o conselho e as aulas para as selecionadas. Por sorte as aulas eram na parte da tarde e apenas uma vez na semana, o que fazia com que Miranda pudesse dormir até um pouco mais tarde, visto que fatalmente trocaria o dia pela noite naqueles primeiros dias até se ajustar à nova rotina e fuso horário. Havia passado um bom par de horas cuidando do pai, começaria então a ler os relatórios e atas de reunião do conselho que sua tia tinha lhe dado, estava cansada e sem sono, um chá lhe faria bem enquanto lia aquela pilha de papéis. Ir até a cozinha pareceu uma boa ideia, só não esperava se perder em meio aos corredores do palácio, será que tinha mudado tanta coisa a ponto dela não se lembrar mais o caminho da cozinha? Tudo bem que não frequentava taaanto o palácio assim antes, mas não deveria ser tão difícil achar a cozinha, certo? Os saltos faziam um pouco de barulho no piso, começava a se arrepender de ter saído do quarto, um banho quente teria sido melhor, visto que nem tinha trocado de roupa ainda. Enquanto decidia para que lado ir, sentiu movimento atrás de si, finalmente poderia pedir ajuda para alguém. “Poderia indicar a direção da cozinha? Acabei me perdendo no escuro” Falou na medida em que se virava... dando de cara com a última pessoa do planeta que gostaria de ver. Engolir em seco foi inevitável, uma falha tentativa de eliminar o nó que se formou na garganta. “Oi Vescovi”. Se limitou a dizer, não se atreveria a chama-lo pelo nome, teria um gosto ainda mais mais amargo do que o que acabara de pronunciar.
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♔┈┈┈┈ “É, bem, infelizmente eu não consegui chegar antes, mas o que importa é que agora estou aqui, não é?” comentou com um sorriso; sabia que não era educado não chegar a tempo de um evento, e normalmente Aliyah era sempre pontual, no entanto, quando se assume as responsabilidade que ela assumira, tanto no militar quanto assessorando o seu pai, o Sultão, em questões de governo… Bem, eram questões de urgência para seu Reino e, portanto, sua responsabilidade. Ainda assim, não poderia deixar de acompanhar seu primo na escolha de uma noiva, assim como não poderia deixar de estar presente como representante do Reino da Arábia ♔┈┈┈┈ “De toda forma, o que perdi?”
“Um monte de nobres se exibindo, provavelmente foi só isso que perdeu. Não que eu tenha mesmo como saber, faz tanto tempo que não piso em Illéa que posso estar enganada, vai que alguns descobriram como evoluir em tão pouco tempo?” Não conteve o comentário sarcástico, ainda que não fosse direcionado a ela, viver na corte era algo cansativo e Miranda já não mais estava acostumava, só de saber que teria que se adaptar de novo já a deixava com um leve mal humor. “Ao menos temos algumas pessoas interessantes, principalmente realezas como vossa alteza”.
svrishv:
📚 Infelizmente, Sarisha não havia conseguido chegar a tempo para o evento — coisa que achava extremamente rude, já que estaria representando seu reino — no entanto, ela tivera seus bons motivos para que isto acontecesse, visto que precisara resolver alguns problemas diplomáticos para seu pai. Deste modo, agora ela estava tendo que lidar com algumas explicações para aqueles que encontrava pelo caminho desde a noite anterior quando chegou em Illea e foi instalada no palácio para acompanhar a Seleção.
Agora a indiana encontrava-se com um dos seus muitos livros que trouxera na mala, sentada em um dos bancos do jardim e absorta demais para perceber que havia alguém ao seu lado — que falta de educação, princesa, foi apenas o que conseguiu pensar de si mesma quando finalmente se deu conta de que alguém estava falando consigo — Mil desculpas, eu estava concentrada demais na história que estou lendo. É uma grosseria de minha parte, mas poderia repetir o que disse? — indagou educadamente, sentindo as bochechas começarem a esquentar levemente de vergonha, embora não deixasse transparecer que estava um tanto incomodada com a própria atitude.
“Eu que peço desculpas por atrapalhar sua leitura, alteza” Completou com um sorriso forçado, olhando por cima do ombro da outra, não que estivesse sendo falsa, apenas estava irritada com uma situação e não queria deixar transparecer, não tinha nada a ver com a princesa indiana. “Não é nenhum pecado se distrair e não há grosseria em pedir para repetir algo que não ouviu, não se preocupe com isso. Poderia me acompanhar um pouco, para que eu me livre de uma presença indesejável? Perdoe-me usá-la de tal forma, mas estou um pouco desesperada”. Claro que estava exagerando um pouco, não sentia-se desesperada, mas não queria de forma alguma ter que falar com o noivo que seu pai lhe arranjou, mal tinha voltado para o Illéa, não podia ter uns dias de paz antes de ter que lidar com pessoas da qual não gostava?