Eu sonho com ela toda vez que olho para o lado e não vejo nada além de um corpo. Corpo esse que é vazio, sem vida, nem alma ou interesse, ou interessante... Espírito vibrante esse meu que ousa sonhar com um corpo quente e rosa brilhante, verde transcende e o preto acorrentado, amarrado e convencionado.
O corpo vazio, no entanto, tem forma, tem momento e cor. Cor essa que não posso enxergar, é inconcebível, incognoscível imaginar, bem como inadmissível recordar o antes, passado este que tenho e que passou, como quem ou o que não voltará novamente a regir meu mundo, universo ou vida, como queira chamar.
E novamente meu inconsciente começa a beber da fonte inesgotável rosa e verde, no topo escurecido que não é mal, mas incomum e indecifrável, bom.
[Eu jorro a fonte sonífera e quero uma gota, mas quando acordo, ainda tenho sede.]
Minha garganta corrói aquilo que chamo de alma e é corroída pelos átomos vazios que formam o líquido espesso que se converte na palavra que finjo não sair de mim, vez ou outra, quando me escapa da boca, quando não consigo engolir e fingir, como sempre que posso e faço, e acabo tentando disfarçar meio a outras. Mas, por fim e começo, escrevo aqui o recado: agora me deixe, suplico, apodrecer e depois, outra vez, fingir que não sonho com você.












