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Me encontre por aĂ, ou melhor, me encontrei bem aqui.
Confesso que de tanto pensar em salvar os outros acabei ficando por aĂ entre um devaneio e outro.
Olhe bem pra mim, serå que alguém consegue ver se realmente ainda estou aqui?
Meus pulmÔes inflam enquanto meus olhos congelam qualquer expressão de dor ou afeto, por fora eu sou puro concreto. Como serå que me mantenho assim?
Respirando sinto o gosto amargo das lĂĄgrimas que insistem em ficar presas em mim se misturando com todos os sentimentos que insisto em reprimir para que nem eu mesma possa me encontrar em mim. Pra que diabos eu insisto em ficar assim?
Oi, cĂȘ tĂĄ olhando bem pra mim?
Sozinha, respirando, tentando entender por onde foi que deixei tantos pedaços de mim, me pergunto se ainda hå alguém no mundo que possa me reconhecer assim ou serå que eu simplesmente deixei de existir no momento em que esqueci como é amar a mim?
Perguntas, perguntas e mais perguntas de uma mulher que se perdeu de si e se descobriu menina em busca de qualquer coisa que possa apropriar pra si. Perguntas de uma mulher que se quer, mas não sabe mais como permitir sem se ferir. Perguntas de um alguém que sempre se sentiu só sem nunca realmente estar, alguém que agora enfim despiu tudo de si e não sabe mais como se encontrar.
SerĂĄ que o problema Ă© decidir impor qual o lugar que me sinto a vontade em ocupar ou seria simplesmente o fato de uma mulher que se descobriu menina existir?
Angustiada, sigo refletindo em busca de que alguém possa me reencontrar e me apontar pra mim.
Querido, eu te odeio.
Te odeio em detalhes e sinto que deveria te contar.
Eu odeio como seus lĂĄbios faĂscam ao se conectarem com os meus, mesmo apĂłs tanto tempo.
Odeio como seu sorriso espreme seus olhos e faz com que, o que deveria ser uma maçã se forme.
Odeio como seus olhos parecem se iluminar ao encontrar os meus - parecem porque pode ser que essa parte eu esteja a inventar.
Odeio como nossos corpos se conectam como um quebra cabeça milenar que parece que foi ensaiado para sempre se encaixar.
Odeio como e o quanto suas palavras mexem comigo sem saber ao certo até que ponto posso confiar nelas.
Odeio cada gesto de gentileza que me amarra mais a vocĂȘ como um nĂł sem hora para se desfazer.
Querido, existe tanto que eu odeio em vocĂȘ. As vezes eu queria poder te dizer: a verdade Ă© que preciso me esforçar para nĂŁo gostar de vocĂȘ.
Dos seus olhos, do seu sorriso, da sua fala mansa, da calmaria, da eletricidade que me percorre - ainda que de uma maneira mais natural quando estou ao seu lado. . .
Eu te odeio porque Ă© difĂcil nĂŁo me entregar a vocĂȘ, por isso insisto em dizer: por favor, diga que sĂł quer me comer.
Se eu pudesse voltar no tempo,
eu te diria para nunca deixar de acreditar no amor. Ele realmente existe, vocĂȘ sĂł... Teve medo de aceitĂĄ-lo?
NĂŁo sei responder, mas posso te dizer que vocĂȘ foi afortunada na roleta russa do amor. VocĂȘ foi selecionada duas vezes - atĂ© onde foi informada. Mas muita calma, eu jĂĄ chego lĂĄ.
Essa vida tem muitos caminhos e muitas alternativas para se viver e aprender; gostaria de dizer que vocĂȘ viveu todas as possibilidades em uma infinita intensidade. AliĂĄs, todas nĂŁo, mas aquelas cujo julgou seguro se arriscar - spoiler: vocĂȘ nĂŁo se sente digna de ser amada, mas isso nem no auge dos meus 27 anos e bacharelada em psicologia eu consigo te explicar com exatidĂŁo o porquĂȘ (traumas, traumas e mais traumas, enfim).
Pelo caminho houveram serenatas, poemas publicados em livros, mĂșsicas escritas te tendo como inspiração, desenhos e muito Do It Yourself - alĂ©m de muitas, muitas, muitas declaraçÔes. Pelo caminho houveram muitas falhas e muitos encontros, em alguns o choque foi tĂŁo grande que a intensidade do amor te fez recuar, em todas elas na verdade (e quando nĂŁo era vocĂȘ quem recuava, era a pessoa na qual vocĂȘ sentia que seria possĂvel um amor real fomentar. NĂŁo era pra ser, nĂ©?).
VocĂȘ vai fugir de relacionamentos a sua vida inteira ou eles fugirĂŁo de vocĂȘ (mesmo estando morando com alguĂ©m), mas sempre haverĂŁo pessoas interessadas em trilhar uma vida de partilha ao teu lado, sempre.
Neste momento eu me encontro susspirando, se fosse um vĂdeo vocĂȘ poderia ver. A vida Ă© muito doida e nĂłs seguimos tendo as pessoas como aeroportos e nĂŁo como um lugar seguro, continuamos acreditando que as pessoas foram feitas para chegarem e partirem - nĂŁo sei dizer se esta tudo bem com isso, mas te asseguro que continuamos crendo nisso.
Lendo e relendo o que escrevo para mim mesma me perdi em devaneios de onde gostaria de chegar, sĂł... NĂŁo esquece que o amor existe, tĂĄ? Todas as escolhas te levaram a um caminho - nĂŁo que ele seja o caminho de paz e conforto que vocĂȘ nunca sonhou (e, ironicamente, almeja tanto na vida adulta), mas te trouxeram ao amor mais puro que pode existir: o amor de mĂŁe.
Hoje vocĂȘ tem um filho, lindo, de verdade, ele Ă© incrĂvel mesmo e te salva nos piores dias sĂł por existir. O amor pode ser confuso e nĂŁo faz com que as pessoas fiquem juntas "para todo o sempre", mas nos marca de uma maneira inexplicĂĄvel. Sobre as duas vezes em que vocĂȘ encontrarĂĄ o amor: nenhuma delas terĂĄ um final feliz como casal para vocĂȘs, mas a vida de vocĂȘs ficarĂĄ entrelaçada atĂ© o fim de alguma maneira.
Hoje uma garotinha de um ano, ou seria dois?, recebeu seu nome. Em homenagem ao amor que alguĂ©m sentiu por ti, ao que vocĂȘ representou para ele, ao que ensinaram um para o outro e para lembrĂĄ-lo, sempre, sobre a forma mais genuĂna de se amar alguĂ©m. VocĂȘs se reencontrarĂŁo virtualmente apĂłs muitos anos e vocĂȘ ficarĂĄ surpresa com a notĂcia, embora tambĂ©m fique feliz. VocĂȘ sempre disse que ele foi o amor da sua vida - e passou a desacreditar no amor quando vocĂȘs terminaram. Pouco tempo depois vocĂȘ conheceu outra pessoa, na realidade vocĂȘ jĂĄ o conhecia enquanto namorava o anterior, mas... Como as coisas acontecerĂŁo, vocĂȘ descobrirĂĄ. Acontece que hoje, mais de dez anos depois, ela se mantĂ©m a disposição para te acolher e te amparar, nunca te virou as costas e sempre te faz lembrar como as coisas sĂŁo mais fluĂdas quando alguĂ©m realmente quer estar contigo independente de todas as divergĂȘncias. Essa Ă© uma histĂłria engraçada e triste, hoje, se ele nĂŁo fosse ela, vocĂȘs poderiam ter construĂdo a famĂlia de vocĂȘs. Mas as coisas sĂŁo como tem de ser. Os outros quase amores, vocĂȘ nĂŁo se esqueceu, mas eles nĂŁo te amaram, vocĂȘ os amou sozinha e mal sabe explicar o porquĂȘ embora pense neles com carinho, sempre.
Dizem que quem vive de passado Ă© museu e eu ouso dizer que nĂłs nos tornaremos um museu de amores que poderiam ter acontecido, mas nunca aconteceram.
Eu ainda quero conhecer o amor que då certo, que constrói, reconstrói, batalha, luta, conhece cada pedaço e ainda assim fica. O amor que zela, cuida, propÔe afeto e te deseja com todas as oscilaçÔes dos dias. Eu ainda sou uma sonhadora mesmo que mentindo todos os dias que não acredito mais no amor.
VocĂȘ verĂĄ, vocĂȘ tambĂ©m jamais deixarĂĄ de acreditar. Por mais que doa.

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eu sĂł queria gritar e tirar todo esse sentimento de dentro de mim.
PERMANENTE, adjetivo de dois gĂȘneros
1. que permanece no tempo; duradouro, estĂĄvel.
2. constante, frequente, continuado.
Sua memĂłria permanece viva em mim, mesmo sem intenção ou percepção, te revivo por aĂ. NĂłs fomos infinitos enquanto estĂĄvamos ali, mas acontece que mesmo depois, vocĂȘ permaneceu em mim.
Com o tempo afastei vocĂȘ do meu consciente embora vocĂȘ se fizesse sempre presente ali, te guardei em uma caixinha porque nĂłs nĂŁo devĂamos mais prosseguir.
O tempo passou, tanta coisa paralela nos aconteceu e olha sĂł, vocĂȘ continua aqui.
Jurei ter esquecido seu cheiro, seu toque, a energia que me percorre quando seus olhos encontravam os meus ou atĂ© mesmo a sensação gostosa que sintia ao ouvir vocĂȘ falar nesse tom de voz que sĂł vocĂȘ tem. Jurei. Bloqueei na minha memĂłria o quanto nos encaixĂĄvamos, o quanto um simples e Ăntimo beijo se tornava poderoso se vindo dos seus lĂĄbios. Acreditei ter te deixado no passado onde jurei que seria o seu lugar.
Eu falhei.
Vez ou outra algo que prefiro dizer ser desejo me percorre, mas eu sei que isso nĂŁo Ă© sobre desejo. NĂłs fomos intensos, infinitos e inteiros no momento das nossas trocas. VocĂȘ sempre tĂŁo reservado nĂŁo me permitiu adentrar seu mundo, eu... Sempre tĂŁo cautelosa, nĂŁo te permiti conhecer os meus monstros. Hoje me pergunto se Ăamos querer um ao outro caso nos conhecessemos no Ăntimo na mesma proporção em que me pergunto: por que nĂŁo estamos juntos? Eu realmente quis escrever a minha histĂłria com vocĂȘ.
O toque da sua pele eletriza minha alma, o cheiro que sĂł vocĂȘ tem entorpece minhas narinas e me traz uma sensação de ĂȘxtase e paz - nĂŁo, vocĂȘ nunca soube ou saberĂĄ disso. NĂŁo Ă© a toa que quando tudo tĂĄ colapsando eu penso repetidas vezes em te encontrar sĂł pra poder voltar pro lugar de paz que conheci ao te cheirar... Nossos lĂĄbios conversam sem conversar, dançam em um ritmo tĂŁo prĂłprio que nĂŁo hĂĄ tempo de pensar, apenas sentir e me deixar levar. Seus lĂĄbios me dominam, o melhor beijo que experimentei na minha vida. Que quĂmica maluca.
Ă engraçado, homens respeitadores sempre perderam muitas oportunidades comigo, mas quando vocĂȘ Ă© respeitoso comigo... Isso me acende ainda mais.
Os seus olhos continuam os mesmos, seu cheiro, seu toque... VocĂȘ permaneceu em mim de um jeito diferente do qual eu gostaria, mas independente vocĂȘ fez um bom trabalho. Uma palavrinha tĂŁo besta dita em meio a uma conversa alheia, marcante ao ponte de te definir pra mim. Provavelmente eu nunca te esqueça assim como vocĂȘ nunca saĂa da minha cabeça e no fundo eu gosto que as coisas sejam assim.
Eu sei, vocĂȘ tambĂ©m se lembra
houve uma época em que nós realmente éramos felizes um com o outro,
 ao menos, era assim que nos sentĂamos...
Uma Ă©poca em que vocĂȘ sorria ao me ver,Â
uma Ă©poca em que nossos lĂĄbios se encontravam sem muito sacrĂficio,Â
uma época em que o sexo não era somente orgùnico, era algo a mais... Algo que realmente parecia amor.
Houveram dias interminĂĄveis de conexĂŁo, humores que se desencontravam e esse desencontro se tornava motivo de piada. TesĂ”es que se esbarravam e se tornavam uma explosĂŁo.Â
Eu sei, vocĂȘ lembra tambĂ©m.Â
NĂłs Ă©ramos muito mais, nĂłs Ă©ramos quase herĂłis.Â
VocĂȘ me salvava todos os dias sem perceber e quando eu menos esperava, lĂĄ estava eu, erguendo a mĂŁo para vocĂȘ. Ăramos um time quase inseparĂĄvel, mas ainda assim separĂĄveis.Â
VocĂȘ tinha o seu mundo e eu tinha o meu, embora vivĂȘssemos juntos nada se tornou realmente nosso, exceto o desencontro.Â
Os dias e as noites eram incrĂveis quando vocĂȘ me via ali, quando me permitia te observar tambĂ©m.Â
Tantas sĂŁo as lembranças do seu olhar sob a luz rosada do abajur de unicĂłrnio, do seu olhar cansado me admirando enquanto eu tambĂ©m te admirava.Â
Era gostoso demais, sabia? Aquela Ă©poca pouco antes de tudo se perder, pouco antes de morarmos juntos. A Ă©poca em que vocĂȘ despretenciosamente me contemplava via SMS ou via whatsapp, a Ă©poca em que eu era alguĂ©m admirĂĄvel para e por vocĂȘ. A Ă©poca que nos precedeu antes de morarmos juntos.Â
VocĂȘ lembra, eu sei.Â
Lembra tĂŁo bem que tambĂ©m percebe que algo se perdeu naquele exato momento em que decidimos partilhar o mesmo teto. A partir dali tudo foi gradualmente definhando...Â
23:O2, tĂŽ respirando, com choro contido e tesĂŁo. Olhando as redes sociais e respirando tentando conter meus pensamentos. Ă difĂcil, mas eu juro que sĂł queria voltar no tempo, aproveitar um pouco mais enquanto podĂamos e dar o basta onde nĂłs dois percebemos que nĂŁo tinha mais para onde ir.Â
NĂłs Ă©ramos bons, mas nĂŁo somos mais assim.Â
Hoje toda essa histĂłria realmente dĂłi em mim. TambĂ©m dĂłi em vocĂȘ, mas vocĂȘ insiste em seguir. Eu jĂĄ nĂŁo sei mais para onde ir, vocĂȘ vive insistindo em algo cujo estancou pela raĂz, nĂŁo existe mais amor. Nem aĂ, nem aqui. NĂŁo existe mais nada, alĂ©m do que nĂŁo se pode fugir.Â
NĂłs seguimos os dias como tantos outros casais por ai, emburrando o Ăłbvio com o comodismo - nem mais com a barriga Ă© - Ă© sĂł o comodismo de que nĂŁo improta o quanto eu te diga que nĂŁoq uero mais, vocĂȘ insiste em nĂŁo aceitar o fim e eu insisto em acreditar que nĂłs ainda podemos, quem sabe um dia, nos resgatar. Mesmo sabendo que nada vai mudar, estamos tentanto por tempo demais e tudo sĂł segue o mesmo rumo: definhar.Â
O meu corpo responde a vocĂȘ ainda que a distĂąncia, minhas cĂ©lulas se eletrizam apenas imaginando um reencontro com as suas. Minha respiração se altera, meus pensamentos fogem ao controle, nĂłs devemos ter sido meu melhor erro-acerto.
Em silĂȘncio, meus dedos percorrem meu corpo, imaginando nĂłs dois de novo.
Meu lĂĄbios expressam o desejo reprimido, minha pele arrepiada tambĂ©m. Os mamilos marcam a roupa como quem sinaliza o estado de alerta e desejo, vocĂȘ estĂĄ em meus pensamentos.
Suas visitas me sĂŁo recorrentes, meu corpo nĂŁo te esquece.
Tento te evitar, mas vocĂȘ continua em cada fantasia, em cada arrepio. Ignoro meus dedos que me exploram na esperança de assim, tambĂ©m, te ignorar. Nada feito. O gozo nĂŁo vem, mas vocĂȘ tambĂ©m nĂŁo vai embora.
Confronto e desejo, louca - totalmente louca - por um beijo. Uma risada suave e um flerte que sĂł poderia ter acontecido entre nĂłs.
Meu corpo segue manifestando desejo.
Carta aberta Ă quele que se tornou permanente:
VocĂȘ nem lembra mais, nĂŁo Ă© mesmo?Â
PERMANENTE.Â
Uma palavra dita em um encontro vĂŁo, sem a menor das pretensĂ”es.Â
PERMANENTE.Â
Uma palavra escrita em uma agenda usada, dada de presente, em sua Ășltima pĂĄgina.
PERMANENTE.
Ă o seu estado em minha mente.Â
Ă difĂcil explicar, querer entender ou decifrar.Â
Ă difĂcil (nos) imaginar, mas algo em mim insiste em idealizar.Â
Eu queria te dizer: desculpa, vocĂȘ insiste em me assombrar.Â
HĂĄ dias tranquilos em que eu nem me lembro de nĂłs, na verdade, de vocĂȘ. Nunca houve um ânĂłsâ para que eu possa me lembrar. Mas houve muito vocĂȘ. Eu andava pela cidade e te via em cada canto, cada detalhe, cada letra cifrada em meus fones, cada poesia havistada por meus olhos no cĂ©u.Â
Havia muito de vocĂȘ em mim. Muito do que eu idealizei, muito do que eu desejei.Â
NĂłs, infelizmente, nĂŁo existiu.
NĂłs fomos uma desventura passageira que permaneceu em mim, em minhas cĂ©lulas, ĂłrgĂŁos, memĂłrias e sentidos. Uma desventura daquelas muito boas que vale a pena ser vivida.Â
Sim, eu sei, vocĂȘ jamais lidaria com o caos que habita em mim. Jamais.Â
VocĂȘ nĂŁo me tornaria sua primeira opção ou me trataria como eu sinto que mereço ser tratada... Mas ainda assim, meu corpo insiste em se recordar de vocĂȘ, da quĂmica que percorria meu corpo sempre que pensava em vocĂȘ.Â
Tive que te cortar âdaquiâ. Evitar te apreciar para que eu nĂŁo fuja da moralidade que habita em mim. Encontrar vocĂȘ em devaneios jĂĄ Ă© embaraçoso demais. NĂłs nos encontramos em meus sonhos, sabia?
NĂŁo, vocĂȘ nĂŁo sabe. Provavelmente se quer pensa em mim.Â
A vida caminhou de maneira a parecer que estamos seguindo felizes, mas ainda que estejamos seguindo... Eu ainda lembro, com frequencia, de vocĂȘ.
PERMANENTE, foi assim que uma vez vocĂȘ nos descreveu e ironicamente foi vocĂȘ quem permaneceu.Â
Racionalmente sei que ânĂłsâ jamais acontecerĂamos ou serĂamos, mas nos contos de fadas nos idealizado: como serĂĄ que terĂamos sido? SerĂĄ que nos alinharĂamos?Â
Bobagem. Eu sei. Mas eu imagino e ainda sobre imaginar fico alimentando minha imaginação sonhando com a probabilidade de ter permanecido em vocĂȘ - embora seja evidente que nĂŁo. E tudo bem.Â
A vida aconteceu, mas por mais estranho que pareça, em mim vocĂȘ permaneceu.Â
Assinado, aquela que nĂŁo deveria, mas ainda deseja vocĂȘ.

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ninguĂ©m vai entender o que Ă©, de fato, ter ansiedade. ninguĂ©m vai entender o que Ă© sentir nĂĄuseas, taquicardia, falta de ar, cansaço extremo e ter que agir como se nada estivesse acontecendo. ninguĂ©m vai entender o que Ă© precisar faltar um compromisso por causa da ansiedade e, depois, ter que inventar uma justificativa para a ausĂȘncia porque sabe que, se falar que foi por causa da ansiedade, as pessoas nĂŁo levarĂŁo a sĂ©rio. ninguĂ©m vai entender a insegurança patolĂłgica de um ansioso. ninguĂ©m vai entender as noites insones, a aversĂŁo por mudanças, os choros contidos, o medo avassalador, os pensamentos catastrĂłficos. ninguĂ©m, exceto aqueles que sofrem com a doença. a verdade Ă© que, nessa vida, todos querem ser compreendidos, mas ninguĂ©m quer compreender o prĂłximo. assim, o ansioso segue travando batalhas homĂ©ricas silenciosamente, dia apĂłs dia, porque sabe que, se externalizar suas dores, serĂĄ taxado de fresco.
perguntei pro teu eu guardado em mim por onde tens andado por quais outros lugares tu tens deixado memórias por quais outros lugares tu tens te deixado e quais outros lugares tem a ti cantado a mesma canção saudosa.
VocĂȘ Ă© a ferida que insiste em nĂŁo fechar, a pessoa na qual meus pensamentos nĂŁo conseguem se despedir.
NĂłs nos despedimos, como deveria ser, mas algo em mim tende a recair sempre encontrando vocĂȘ.
O tempo passou e eu ainda penso no que poderĂamos ser embora seja claro que jamais serĂamos nada - mas nĂłs Ă©ramos o suficiente quando estĂĄvamos juntos (pelo menos, pra mim) e isso (ainda) me basta.
Nos dias ruins vocĂȘ Ă© a recaĂda que eu quero ter, o frio no estĂŽmago e o desejo que sĂł vocĂȘ me fez viver.
Engraçado, eu nĂŁo significo nada para vocĂȘ, mas vocĂȘ insiste em significar para mim como um fantasma que nunca deixarĂĄ de existir.
Normalmente Ă© fĂĄcil te ignorar, esquecer que vocĂȘ ainda estĂĄ aqui, mas nos dias ruins... Ah, nos dias ruins... Fica difĂcil te ignorar tĂŁo presente em mim. A saudade nostĂĄlgica do desejo que sĂł vocĂȘ me fez sentir, do tesĂŁo que arrepiava tudo em mim (embora nunca transbordasse). Algo em vocĂȘ era profundamente encantador e tentador para mim. Era nĂŁo, ainda Ă©.
Eu ainda admiro seus lĂĄbios, seus olhos, suas expressĂ”es. Nos dias ruins procuro por pequenas brechas e me controlo para nĂŁo recair embora tudo o que meu corpo queira Ă© encontrar um espaço para flertar, sem compromisso, com vocĂȘ, por aĂ. Nada demais, sĂł pra alimentar essa faĂsca que ainda nĂŁo morreu (e, talvez, sentir alĂvio ao saber que vocĂȘ tambĂ©m possa se sentir assim).
As vezes Ă© difĂcil perceber que o tempo passou, mas vocĂȘ segue tĂŁo vivo em mim.
Um dia, vocĂȘ foi tudo o que eu se quer havia ousado em sonhar. Um dia, vocĂȘ foi muito mais. VocĂȘ era incrĂvel, sabia? Me nocauteava a cada sorriso, brincadeira boba ou dancinha desconexa. Me preenchia somente por estar aqui, vocĂȘ era, realmente, divino.
Por muito tempo foi vocĂȘ quem eliciou o que hĂĄ muito havia adormecido em mim: o meu melhor. Mas como toda boa e irĂŽnica histĂłria de amor, vocĂȘ foi o responsĂĄvel, tambĂ©m, por eliciar o meu pior. Agora estou aqui, perdida pelos dias e em mim, tropeçando em sorrisos amarelos e dias incontĂĄveis.
Ă dolorido, mas essa parte, ninguĂ©m te conta. Nunca. DĂłi olhar pra mim e nĂŁo me ver aqui, dĂłi olhar pra vocĂȘ e te ver constantemente assim: tĂŁo distante de mim.
Quanto tempo faz desde que nos deliciamos em uma gargalhada espontĂąnea e maravilhada? Desde que nos olhamos nos olhos e nos apreciamos como casal, nos encantamos? Quanto tempo faz que as coisas nĂŁo andam iguais? JĂĄ nem sei mais.
Suspiro. Isso dói.
DĂłi na carne, no mĂșsculo, na alma. Machuca aquilo que nĂŁo se vĂȘ e nĂŁo se toca enquanto espero que possa ser restaurado. A respiração profunda penetra o buraco em meu peito e se encaminha, diretamente, a ferida aberta que insiste em nĂŁo cicatrizar.Â
Trabalho de formiguinha, eles disseram, mas essas formigas parecem nĂŁo querer trabalhar. Os dias passam, as falsas expectativas nos atingem e nada acontece. Somente o tempo que insiste em passar sem nada modificar. VocĂȘ continua aqui, fingindo gostar de mim e eu continuo aqui tentando nĂŁo gostar tanto assim de vocĂȘ.Â
SerĂĄ que algum dia isso deixa de doer? Esconder meus sentimentos e emoçÔes em um baĂș parece nĂŁo resolver e, mais uma vez te pergunto: serĂĄ que nĂłs vamos sobreviver?Â
Eu nunca substitui ninguém, cada pessoa que fez parte da minha vida ocupou um espaço diferente no meu coração.

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Eu quis sorrir e dizer que estava tudo bem, mas nĂŁo estava.
Involuntus. (via quoteografa)
A gente se perde por dentro corpo pede descanso, a mente clama por desligamento. Não queremos mais ficar, nem estar no ambiente, em nós.. Desejamos tanto virar fumaça, evaporar tem dias que também não queremos ficar
Nanda Marques.