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— Pretend? Oh, brother, I don't have to pretend. — Retrucou em segundos. — Weren't you the one who left? — Cuspiu venenosamente. Ele guardava muito rancor de seu irmão por tê-lo deixado sozinho naquela casa, tendo que lidar com seus pais por conta própria. Era fato que o mais novo conseguia manejar a família mais tranquilamente que o mais velho, porém Regulus era muito facilmente afetado por eles, permitindo que invadissem seu espaço muito mais do que Sirius permitia.
— Well, how about you just forget about me then? — Em um ato ríspido e bruto, o rapaz bateu seu copo em cima de uma mesa, sem querer quebrando-no em sua mão. Segurou o ferimento com sua outra mão e, com raiva e sem vontade alguma de continuar ali, deu meia volta indo para o mais longe possível.
Por um momento, Sirius não conseguiu dizer nada. Foi como se todas as palavras simplesmente evaporassem. Ele piscou, uma, duas vezes, tentando processar o que acabara de ouvir. "Weren't you the one who left?". A culpa, sempre presente no fundo da mente, agora escancarada, jogada na sua cara sem qualquer aviso. Ele queria negar, queria cuspir de volta alguma provocação, qualquer coisa que o mantivesse no controle da conversa. Mas nada saiu. Então, o vidro quebrou.
O barulho trouxe Sirius de volta ao presente, e ele viu o sangue escorrendo da mão de Regulus. Por instinto, deu um passo à frente, mas Regulus já estava indo embora, furioso, determinado a se afastar. — Reggie.— o restante morreu na garganta. Sirius apenas o vir ir embora. Ele podia deixá-lo ir. Podia fingir que não se importava. Era isso que faziam, não era? Machucavam um ao outro e depois fingiam que estava tudo bem.
— Don't even bloody try convincing me you're not! — Regulus ergueu um dedo e cambaleou na direção do irmão. — Have you forgotten I know you, areshole? — Continuou, sem tirar o olhar de Sirius nem por um instante. — Always gotta have the upper hand, be the bloody star of the show.
Com os braços cruzados, Sirius soltou uma risada incrédula, balançando a cabeça. — You know me? — ele repetiu, a voz carregada de sarcasmo. — That’s rich, Regulus. You don’t know a damn thing about me. — descruzou os braços e apontou para o irmão, os olhos brilhando com algo entre irritação e decepção. — You see what you want to see. Always have. Makes it easier to hate me, doesn’t it? Makes it easier to pretend I’m just some selfish bastard who only does things for attention. — Sirius respirou fundo e passou a mão pelo cabelo, tentando conter a frustração antes de encarar Regulus de novo. — And, please, Regulus, don’t flatter yourself. — ele rebateu, agora com a voz corregada de desdenho. — If I wanted to be the star of the show, I wouldn’t be wasting my time on some drunk, paranoid conspiracy theory of yours.
Com seu sorriso usual no rosto, James esperou até que o melhor amigo se sentisse pronto para falar sobre o que quer que tivesse acontecido na noite passada. — You this is bullshit. My mom loves me the most. — Brincou. Euphemia era a melhor mãe do universo e amava muito seus filhos, mas a conexão que tinha com James estava acima de qualquer coisa. Se ele era uma boa pessoa e um bom homem, ela tinha 95% de responsabilidade nisso. Os sorrisos e as brincadeiras logo deram lugar ao elefante na sala rapidamente, sem rodeios, como se estivessem tirando um bandaid. — Can you tell me what happened? I wasn't there so Remus told me his version, but I would very much like to hear yours. — James estava tentando não se culpar por ter escolhido justamente aquele momento específico para lidar com problemas da organização da festa. Dizia a si mesmo que teria sido capaz de evitar que a briga entre os irmãos acontecesse, mesmo sabendo que isso impossível.
Sirius bufou uma risada sem humor, balançando a cabeça. — Yeah, well, Moony has probably given you a more realistic version than I can give you. He's centred like that. — revirou os olhos, mas logo sentiu um calor subir pelo pescoço ao lembrar do tempo que passara com Remus antes de ter encontrado Regulus. Isto era problema para outra hora, ou melhor, para nunca. Levou a caneca aos lábios outra vez, prolongando o gole como se isso fosse ajudá-lo a organizar os pensamentos. Por um momento, considerou dizer que não importava, que não valia a pena reviver tudo aquilo logo pela manhã. Mas era James. Ele não precisava fingir. — Well, apparently, me punching that asshole was the worst thing I could’ve done. — disse com sarcasmo, revirando os olhos. — Regulus came to me already drunk, already pissed off, telling me I had no right to get involved. That he didn’t ask for my help. Like I just made things worse or something. — olhou para a caneca lembrando de diversas outras vezes que Sirius de fato tinha deixado as coisas piores por se meter.
— I kinda snapped because I wouldn't let anyone talk like that about anyone. Does he think he's the centre of the universe? That everything revolves around him? Self-centred little thing, that's what he is. — bufou em indigninação. — And even if it had been for him, what did he expect me to do? That I would just stand there and let that arsehole say those things about him? — a mandíbula travou ao lembrar das palavras mais uma vez, os dedos apertando a caneca. — Other things were said, but it was more of the same, as always. — deu de ombros, sem sentir a necessidade de repetir os mesmo argumentos que ouvira por anos. — And then he left, I guess to throw up or something. Well deserved for spoiling my evening. —sabia que era um comentário mesquinho, mas era melhor do que os outros sentimentos que reviravam em seu peito. O silêncio se instalou no quarto por um momento, denso e cheio de coisas não ditas.
James entrou no quarto com duas canecas grandes de café, já prevendo o pedido de Sirius. Eles eram assim, dividiam o mesmo humor travesso e o único neurônio disponível. — Your coffee, madam. — Ofereceu uma das canecas ao amigo que, pelo estado do seu cabelo e rosto, estava realmente precisando de um incentivo para começar aquele dia. — Well, about the family thing, you know my parents already adopted you, right? — Ao ponto de James saber em seus ossos que Sirius era o filho favorito de Fleamont, mas isso não era uma grande coisa entre eles. Sentou-se na beirada da cama, cruzando as pernas e se acomodando para o que ele sentia que seria uma conversa difícil.
Sirius sentou-se na cama e pegou a caneca — Thank you, kind sir. — respondeu sarcástico ao aparente inabalável bom humor de James. O que mudou rapidamente após o primeiro gole de café — Fuck, I needed it. — comentou para si mesmo e lançou um olhar que dizia "você é um anjo e eu nunca poderei te retribuir por isso" sem precisar de palavras. Tomou mais um gole longo, deixando o calor do café acordá-lo um pouco, antes de soltar um riso curto pelo nariz. — I know. I think your mum likes me better than you. — provocou, mesmo que todos ali soubessem que James era o maior mommy's boy a existir na face da Terra, de uma forma saudável claro.
Mas a tentativa de manter o tom leve durou pouco. A realidade da noite passada ainda pesava sobre ele como uma ressaca emocional que nem todo o café do mundo poderia curar. — He still hates me. — falou quase que em sussurro, indo direto ao ponto, mas com medo de chegar lá.

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@prettieststar-black — Pads? — James abriu uma fresta da porta do quarto de Sirius, esperando que ele lhe desse qualquer indicativo de que podia entrar. — Are you okay? Can I get you anything?— Perguntou, sabendo muito bem que a resposta seria "não" depois dos acontecimentos da noite passada.
— No. I’m fine. — a voz saiu abafada, mas sem nenhuma convicção. Ele sabia que James não cairia nessa, porque James nunca caía. Sirius estava acordado há horas, mas sem vontade de levantar. Estava ali, deitado na cama, encarando o teto do quarto e se arrependendo de não ter se livrado do cheiro persistente de cigarro e whisky barato, misturado ao perfume amadeirado que ele usava na noite anterior. Suspirou pesadamente antes olhar para o melhor amigo. — But if you insist… coffee. And a new family, if you can manage that. — forçou um sorriso cansado, que sumiu rápido demais.
— Scared? Of course I am. — Remus não tinha a menor vergonha ou receio de admitir que dança, ou qualquer exercício físico que não fosse pilates, não era sua praia. Na verdade, ele não gostava de se sentir ridicularizado e gostava de manter seu ego o mais intacto possível. Já tinha muitos defeitos que não era capaz de mudar ou controlar, jamais ia se colocar naquela posição voluntariamente. Exceto por Sirius. Ele sempre era a exceção de todas as suas regras e Remus às vezes se odiava um pouco por isso. Bastava um olhar, um sorriso e uma dose de álcool para que ele cedesse às vontades do amigo. Naquela noite não seria diferente e quando se deu conta, estava gargalhando da performance exagerada e caricata de Sirius. As pessoas ao redor os olhavam de tempos em tempos, mas todos já os conheciam bem o suficiente para não se surpreender com a cena. — A tragedy indeed. You know I can't ignore you being ridiculous. — Comentou entre risadas e observando fixamente os movimentos de Sirius.
E antes que se desse conta, estava se juntando a ele, acompanhando o melhor que podia os movimentos exagerados. Aproveitou sua fantasia e tentou imitar todos os movimentos de dança country que conseguia se lembrar, falhando miseravelmente em manter o ritmo da música que tocava. Em um dado momento, fosse pela euforia ou pela bebida, Remus se atreveu a tomar o Sirius pela cintura e levá-lo numa dança à dois desajeitada e nada envolvente. Tinha se despido de qualquer vergonha ou seriedade naquele momento, entregue à diversão e ao momento que estava vivendo. Sentia o calor da pele do amigo nas suas mãos e, por mais que tentasse não prestar muita atenção nisso, estava ficando cada vez mais difícil. Remus podia jurar que conseguia sentir a eletricidade entre seus corpos, tão próximos por conta da dança desajeitada, esperando levar um choque a qualquer momento. A música parou por um minuto e era possível ouvir James discutindo com o DJ antes de começar a tocar uma música mais calma. — Satisfied? — Perguntou, soltando Sirius e respirando fundo para recuperar o fôlego. — You can never say I don't do what you want.
Sirius riu baixinho, observando Remus se juntar à dança com uma hesitação inicial que logo foi substituída por risadas e movimentos desajeitados, mas encantadores. Era impossível desviar o olhar. O jeito como Remus se movia, tentando acompanhar o ritmo, e até mesmo a tentativa falha de emular passos country, era ao mesmo tempo hilário e incrivelmente cativante. Sirius sentia o coração bater um pouco mais rápido, um calor espalhado pelo corpo que não podia culpar inteiramente pela dança ou pelo firewhiskey. E então Remus o segurou pela cintura. O gesto era completamente inocente, uma extensão da brincadeira que estavam compartilhando, mas Sirius sentiu como se o mundo ao redor tivesse ficado em silêncio por um instante. O calor das mãos de Remus contra sua pele através do fino tecido da sua blusa chamo sua atenção de uma forma que não devia enquanto dançavam mais em brincadeira do que numa tentativa de seguir o ritmo da música. Quando a música parou, Remus o soltou mas não se afastou muito, provavelmente eram os shots de firewhiskey fazendo efeito, mas Sirus não iria reclamar. Ao último comentário de Remus, a mente de Sirius automaticamente respondeu and what if I asked for a kiss? pegando ele próprio de surpresa.
Agora, ao contrário do que muito pensam, Sirius Black tem a capacidade de pensar antes de falar - não é sempre que ele usa essa habilidade, mas agradeceu à Merlin que aquele foi um dos momentos que seu filtro funcionou. Isso porque, a ideia que surgiu podia ser apenas mais uma brincadeira entre amigos que tem intimidade até demais, mas ao encontrar os olhos do mais alto seguida dela uma realização o atingiu como um raio: ele queria beijar Remus. Não como uma piada, não como uma provocação, mas como uma vontade genuína e profunda que o assustou mais do que qualquer coisa. O pânico se instalou imediatamente. Ele sentiu o peito apertar, o ar ao seu redor parecer mais pesado, como se o simples fato de pensar nisso tivesse quebrado alguma regra invisível entre eles. Remus era um de seus melhores amigos. Como ele podia sequer considerar algo assim? Era perigoso, era errado - e, acima de tudo, era algo que ele não sabia se seria capaz de lidar se as coisas dessem errado.
Quando a música mudou para um ritmo mais lento e Remus sorria satisfeito e sem fôlego, Sirius percebeu que precisava de espaço. — You did great, Moony. Truly a cowboy at heart. — Sirius forçou um sorriso travesso, mas sua voz carregava uma nota que ele esperava que Remus não notasse. — But I think I need a refill. All this dancing is exhausting. Be right back, yeah? — sem esperar por uma resposta, ele se afastou rapidamente, atravessando a multidão em direção ao bar. Precisava de um momento para recuperar o controle sobre seus pensamentos e emoções. Com as mãos trêmulas, pegou um copo de firewhiskey e o virou de uma vez, ignorando a queimação na garganta. Get it together, Sirius, pensou, tentando se convencer de que podia ignorar o que acabara de acontecer. Afinal, era apenas Remus. Apenas seu melhor amigo. E nada mais, certo?
— Ugh, as if. — Respondeu o elogio de Sirius com seu sarcasmo usual. A essa altura do campeonato, ele tinha mais cicatrizes do que era capaz de contar dos dez dedos das mãos. Era magro e alto, com um total de zero músculos no corpo e branco o suficiente para nunca conseguir se bronzear - apenas ficar vermelho como um pimentão. Remus sabia que ele não era exatamente bonito, muito menos em comparação com James e Sirius, mas deixou o assunto morrer para evitar uma discussão longa demais para aquela ocasião. A proposta do amigo era uma das piores possíveis, visto que Remus não tinha ritmo algum e era incapaz de acompanhar Sirius, mas acabou cedendo para evitar aquela tensão que apenas crescia entre eles. Sem dizer nada, pegou o amigo pelos ombros e deixou que ele o guiasse pela pista de dança até encontrarem um espaço aberto onde, obviamente, James Potter chamava a atenção e conversava com alguns amigos do time de quadribol.
— I don't think he's available right now, but we can wait here while he's doing his thing. — Disse ao pé do ouvido de Sirius, tentando se comunicar no meio das pessoas e da música alta. Não sabia o que estava tocando, mas reconhecia vagamente o ritmo da música, provavelmente de ouvi-la tocando no banheiro enquanto Prongs tomava banho. Se já era difícil para ele dançar qualquer música de pop, ritmos latinos eram o seu pesadelo. A música pedia uma malemolência e sensualidade que Remus simplesmente não tinha, mas ele ficava feliz de estar ali participando com seus amigos. Pegou mais um firewhiskey numa bandeja flutuante enquanto olhava ao redor, apenas para encontrar o olhar de Sirius fixo em si. — What? Do you really expect me to dance this? C'mon you know I'm not capable of such thing, Pads. — A bebida desceu queimando a garganta, uma sensação que já não tolerava tão bem, mas que era familiar o suficiente para que Remus aguentasse sem fazer careta.
Sirius soltou uma risada nasal com o comentário autodepreciativo de Remus, em discordância. Podia passar horas falando de todas as qualidades do amigo, mas sabia que o mais alto não recebia bem esse tipo de atenção. Ele conhecia bem o jeito de Remus, sempre diminuindo a si mesmo em comparação aos outros e odiava que ainda não tinha encontrado uma maneira de fazer o amigo ver que suas inseguranças se tornavam nulas quando postas sob a luz de todas as qualidades que ele tinha. Remus era fascinante de um jeito que ele nem sempre percebia, mas Sirius percebia – talvez até demais. Escolheu engolir seu desgosto com o comentário e considerar uma vitória que Remus aceitou ir para a pista de dança com ele.
Enquanto Remus falava ao seu ouvido, Sirius sentiu o calor familiar daquela proximidade. O toque das mãos de Remus em seus ombros e a música alta ao redor criavam um contraste perfeito entre caos e intimidade. Sirius inclinou a cabeça, um sorriso travesso surgindo em seus lábios enquanto olhava para o amigo. — What, Moony? Scared of a little reggaeton? — provocou, inclinando-se para perto o suficiente para que apenas Remus o ouvisse, sua voz baixa e carregada de um tom brincalhão, mas com uma faísca de desafio. — I don't buy it. You’re just too stubborn to try. Let me guess, you’re afraid you might actually enjoy it. — Sirius deu um passo para trás e segurou a mão de Remus, os olhos brilhando com aquele misto de provocação e encorajamento que ele sempre usava para convencer os outros a fazerem coisas. — Besides, if you don't dance, you'll miss the chance to see me embarrassing myself. And that, my dear Moony, would be a tragedy. — riu, já começando a mover os quadris ao ritmo da música, exagerando nos movimentos para parecer o mais ridículo possível e arrancar ao menos uma risada de Remus. Ainda que ritmos latinos estivessem não estivessem no topo do seu gosto musical, anos de amizade com James o fizeram acostumado o suficiente com a batida envolvente para que conseguisse pelo menos seguir o seu ritmo - nada comparado à Prongs, que merecidamente dominava a pista de dança nesse quesito.
E Sirius podia dançar, sabia que atrairia olhares facilmente se realmente quisesse, qualquer fosse a música tocando, mas esse não era o objetivo naquela noite. Não, Sirius apenas queria se divertir com Remus. No fundo, Sirius sabia que havia algo mais ali, mas escolhia inconscientemente ignorar. Era algo que não se atrevia a nomear, mas que sentia cada vez que seus olhares se cruzavam ou que a proximidade dos dois parecia eletrificar o ar entre eles. Ele não esperava que Remus dançasse de verdade, mas queria que ele se soltasse, que visse o quanto era incrível só por estar ali, sendo quem era. E, se dançar exageradamente ajudasse nisso, Sirius estava disposto a guiá-lo pela noite inteira. — C'mon, Moony, just one dance. For me? — pediu, com um sorriso esperançoso que sabia que Remus raramente conseguia recusar.
A mente de Regulus estava operando a mil por hora, pulando de um ponto para outro sem lhe fornecer descanso, cruzando informações e o deixando ainda mais tonto. Como Sirius não sabia do que ele estava falando? Havia sido algo tão pequeno assim para ele?
— I wish it was the alcohol, you fucking prick. — O mais novo apontou o indicador em direção ao irmão, um tanto cambaleante. — You thought I wouldn't know about you trying to "defend my honor"? — Questionou em um tom mais alto, fuzilando Sirius com seus olhos; ou ao menos tentou, provavelmente seu olhar parecia apenas um grande vazio.
Sirius deixou escapar uma risada seca, como se aquilo fosse absurdo. Mas o brilho de irritação nos olhos dele denunciava que a situação era mais séria do que ele queria deixar transparecer. — Defend your honor? — ele repetiu, cruzando os braços e encarando Regulus com um olhar desafiador. — You know what, little brother? It wasn’t about your honor. That prick deserved it for opening his mouth like that. — Sirius deu um passo para trás, com uma expressão que misturava exasperação e uma ponta de frustração. Ele tentava manter o tom controlado, mas a raiva pelas palavras transfóbicas que tinha ouvido naquela dia ainda fervilhava sob a superfície. — And I don’t expect you to get it. You think I’m just meddling, as always, don’t you? — o mais velha teria regido à transfobia de qualquer maneira, há muito que Sirius havia deixado de ficar calado nesse tipo de situação, mas o quão rápido e forte foi sua reação estava sim conectada à menção do seu irmão.
Remus sorriu consigo mesmo com o elogio implícito sobre o seu estilo, principalmente porque com frequência notava que seus suéteres favoritos sumiam e reapareciam no seu armário de tempos em tempos. Suspeitava que Sirius fosse o principal responsável por isso, mas não duvidava que James também estivesse envolvido. O que ele poderia fazer? Realmente, suas roupas eram extremamente confortáveis. Já sentia dor o suficiente com sua condição para escolher voluntariamente se vestir de formar desconfortável. — Oh, let us get this out of our way than... Save a horse, ride a cowboy. — Disse ele mesmo a piada que ambos estavam pensando, com um sorriso tímido e zombeteiro nos lábios, que normalmente guardava apenas para Sirius. Aquilo certamente era o efeito rápido do álcool em seu corpo, já que não tinha mais o hábito de beber com tanta frequência. — I think he might have used the invisibility cloak, seems like something he would do. But who knows? He's capable of crazy things when he's focused enough. — Já lidavam com a neurodivergência de James há um tempo. Quando foi diagnosticado, muita coisa passou a fazer sentido para Remus e agora ele tenta ajudar o amigo como consegue, principalmente nos estudos. O elogio de Sirius tirou sua atenção das pessoas dançando ao seu redor e pôde identificar com clareza aquela linha tênue onde já tinham se encontrado tantas vezes. As palavras não ditas, a tensão - que agora ele já sabia que vivia apenas na cabeça dele - e aquela maldita faísca que teimava em acender o fogo em seu peito. Tentou desviar sua própria atenção brindando com Sirius e silenciando suas próprias palavras, com medo do que poderia falar a seguir.
Sirius sentiu uma pequena onda de calor subir por seu abdômen com a piada de Remus. A mente de Sirius era um lugar bastante perigoso, mas a ideia provocativa que começou a tomar forma em sua mente com o comentário do amigo o pegou de surpresa e mais do que rapidamente Sirius a ignorou, rindo e focando na familiaridade e a leveza da conversa que tornava a noite ainda mais especial. — Oh my, is this a proposal, Mr. Moony? How indecent of you. — ele balançou a cabeça em falsa desaprovação. Quando Remus mencionou James e o uso da capa da invisibilidade, Sirius riu. — Nah, I think he must have annoyed the DJ until he couldn't stand it any longer and gave in. — ambas as opções discutidas eram possíveis para James e Sirius amava isso sobre o seu melhor amigo.
Sirius notou a mudança na expressão de Remus e, por um momento, o ar entre eles parecia mais carregado. Isso costumava ser uma ocorrência comum quando eles estavam sozinhos e de bom humor, as piadas começavam leves e acabavam como um desafio de quem fazia o outro mudar o curso da conversa primeiro. Sirius sempre gostava da provocação, mas havia um tempo que sentia que esta era uma brincadeira cada vez mais perigosa. Assim, ele decidiu quebrar a tensão com mais humor. – But really, don’t sell yourself short, Moony. You’ve got that effortless charm that no costume can replicate. Annoying, really. – comentou, acompanhado de um revirar de olhos divertido, já que não era segredo para os amigos que Sirius colocava esforça na sua aparência. – Now, unlike you, James doesn't miss a chance to be the center of attention and is probably shaking his booty in front of everyone right now. Shall we go to the dance floor and see if his hips don't lie? – rir de James parecia uma boa distração naquele momento.

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O brilho nos olhos de Sirius não escondia o quanto ele estava em seu elemento naquela noite e isso aquecia o seu coração. Com o perdão do clichê, vê-lo triste era ver uma estrela se apagar e isso não era bom para ninguém. Ele e James sempre foram o centro de gravidade de todas as festas, com todos orbitando ao redor deles, e Remus geralmente dava espaço para que ambos os amigos brilhassem como era da sua natureza. Gostava de assisti-los muito mais do que participar, como sempre fora durante os seus muitos anos de amizade. Ao ouvir o elogio de Sirius, Remus tirou o chapéu num cumprimento caricato, sorrindo timidamente. — This is all Lily and Mary. I wasn't planning to dress up, but they got too caried away on this costume thing. You know I can't say no to them. — O que era engraçado, pois estava mais do que acostumado a negar e se retirar das situações absurdas que os amigos queriam lhe enfiar. No fim, ele sempre ajudava com os planos mirabolantes, desde que pudesse ficar no backstage e se divertir enquanto tudo se desenrolava.
— And I was here thinking that you would love my costume choice... I should go back home and put something boring. — Suspirou, fingindo derrota, mas desistindo de sustentar a cena quando viu uma bandeja passando com shots de fire whiskey. — What can I say? I can't deny how mediocre I am as a man. It's barbie world, I'm just living on it. — Deu de ombros antes de mandar o a bebida goela abaixo. Ele precisaria de mais doses para lidar com aquela noite, mas por enquanto era o suficiente para lhe relaxar. — Where's James? — Ele perguntou no mesmo momento quando a playlist mudou drasticamente para uma seleção de reggaeton. — Never mind. — Riu consigo mesmo, imaginando que o amigo estava usurpando o controle da playlist da festa.
Sirius sorriu com a resposta de Remus, sabendo bem o que ele queria dizer com aquele “não consigo dizer não para elas.” Era uma piada recorrente entre eles, a resistência seletiva de Remus aos absurdos dos amigos. Sirius ergueu uma sobrancelha divertida quando ele comentou sobre “voltar para casa e colocar algo entediante.” — Oh, please. You already dress like a teacher all week. Which, by the way, suits you fine, but I think you deserve a little spice for a party like this. — Sirius respondeu, um sorriso astuto nos lábios. — Besides, I never said I didn't like your costume choice, mon petit cowboy. The fringes and buckle suit you well, you're just lucky that I'm holding back all my jokes about rides and horses. — ele piscou, rindo ao ver Remus pegar o shot e virá-lo em um gole só. Remus estava de bom humor e mais leve esta noite, o que deixava Sirius ainda mais contente.
Quando Remus mencionou James e, logo em seguida, o novo som reggaeton invadiu o salão, Sirius soltou uma gargalhada. — Of course that’s him. You know, for a guy who can’t sit still, he’s impressively skilled at hijacking a playlist. — ele olhou ao redor, vendo as pessoas dançando e aproveitando a energia de James no comando da música, antes de voltar o olhar para Remus. — Anyway, don’t start with the whole ‘mediocre man’ routine, Moony. You may be living in a Barbie world, but you’re the most interesting Ken here. — ele murmurou, um brilho sincero nos olhos. E, talvez para disfarçar o elogio genuíno, Sirius pegou outro shot da bandeja e levantou o copo em direção ao amigo. — To boring costumes never making it out the door. — copiou a ação de Remus e virou o shot, sentindo o liquido quente descer pela garganta satisfatoriamente.
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Não estava nos planos de Regulus interagir com Sirius naquela noite. Muito pelo contrário, planejava evitar o irmão mais velho o quanto conseguisse. Não foi uma nem duas vezes que viu o rapaz falando alto e rindo pela festa, com uma fantasia ridícula fazendo par com o seu ridículo amigo. Talvez o álcool fosse uma ferramenta que o Black mais novo usasse para tornar suportável ter o irmão em sua vista, mesmo que pela visão periférica.
No entanto, enquanto seu eu embriagado flertava perigosamente com o fogo - vulgo James Potter -, um calouro sem noção abordou o capitão do time de quadribol muito entusiasmado, comemorando o quão foda tinha sido Sirius ao vencer uma briga contra um aluno mais velho. Naturalmente, a curiosidade de Regulus levou o seu melhor, e assim que o calouro se entreteve com outra coisa, o apanhador arrancou do artilheiro mais informações sobre a situação. Imediatamente, o Black mais novo virou seu drink e saiu enfurecido em busca de seu irmão.
Assim que viu o rapaz, o puxou pelo braço para que ele se afastasse de uma conversa. — What do you think I am, Sirius? Some defenseless little boy? — Ele questionou, fuzilando o rapaz com o olhar. — I don't fucking need your help. Never have. Never will
Sirius estava prestes a responder uma piada no meio da conversa com uma amiga, mas a interrupção repentina de Regulus — e o puxão agressivo no braço — o deixou momentaneamente sem palavras. Havia meses que Sirius e Regulus sabiam da presença um do outro no campus e ambos faziam o máximo para não se cruzarem ou ignorarem um ao outro quando tinham que dividir o mesmo espaço. A conversa com Remus havia deixado claro para Sirius que uma hora teria que falar com irmão, mas ele estava aguardando o momento certo para isso e não a festa que acontecia ao redor deles certamente não era este momento.
Porém, se era assim que Regulus queria fazer as coisas, não seria Sirius a dar para trás. Em um segundo, ele estava se recuperando com aquele sorriso irônico e levemente afetado, do tipo que escondia tudo o que sentia de verdade. Ele afastou a mão do irmão com calma, ajustando a asa de sua fantasia enquanto arqueava uma sobrancelha. — Hello to you too, brother. — respondeu com sarcasmo, mas logo percebeu que não ia adiantar ser cordial com Regulus. As bochechas rosadas, o cabelo levemente bagunçado e a movimentação contínua de suas mãos deixaram claro que o irmão estava, no mínimo, levemente embriagado. — And what the fuck are you talking about, Regulus? — Sirius respondeu, a voz carregada de ironia. — The last time I checked, we didn't meddle in each other's business. Or did you have a drink too many and forget that? — ele cruzou os braços e lançou um olhar desinteressado, mas havia algo de tenso nos ombros dele. Por dentro, Sirius estava confuso e um pouco preocupado, mas nada no tom de voz demonstrava isso; ele já estava acostumado a esconder qualquer vulnerabilidade, especialmente de Regulus.
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Halloween. Diversão. Jovens bruxos e bruxas bêbados vestidos das coisas mais bobas e/ou obscenas possíveis. Antigamente, Remus cedia à pressão dos amigos para participar de festas, mas com o tempo ele aprendeu a encontrar seu lugar naqueles ambientes e até se divertia depois de uma bebida ou duas. Como sempre, Sirius e James vinham falando daquela festa há semanas - planejando os mínimos detalhes, desde a decoração até as suas fantasias. Obviamente tentaram envolvê-lo, e ele até ajudou bastante com os feitiços no refeitório, mas se recusou a se vestir como um personagem de um dos piores filmes daquele ano. Ano passado tinha sido ousado e sádico, se vestindo de lobo. Not in a furry way, more like a male version of mean girls way. Dessa vez, tinha dispensado a insistência de Sirius em vesti-lo de qualquer que fosse a sua visão perfeita de fantasia, mas recorreu à Lily e Mary. Depois de muito discutirem, cedeu à pressão de se vestir da versão cowboy do Ken, no filme da Barbie. Seu cabelo estava mais claro, as amigas tinham se superado nas roupas e acessórios e Remus tinha que admitir que estava numa posição confortável. Se não conhecessem o filme, para os outros ele seria apenas um cowboy platinado.
Como tinha se arrumado junto com Mary e Lily, não tinha visto as fantasias dos amigos ainda e aquilo tinha sido um erro de principante. Quando os olhos de Remus pousaram nas asas douradas que Sirius usava, sabia que estava em apuros. A fantasia era simples, nada demais, porém quem a vestia fazia com que jeans e regata se parecessem com uma fantasia erótica. Respirou fundo e se aproximou do melhor amigo, decidido a arrancar aquele band-aid o quanto antes. — Looking good, Pads. Only you could pull off a pair of jeans and a tank top, and still look like a rockstar. — Era a verdade, porém mascarada de um elogio amigável, do tipo que Remus estava habituado a oferecer aos amigos próximos.
Sirius se sentia radiante naquela noite – quase renascido depois de semanas meio apagado. Planejar a festa e as fantasias com James, ambos inspirados em Saltburn, tinha sido um projeto divertido, e agora ver o resultado só aumentava sua empolgação. Ao ouvir o elogio de Remus, ele abriu um sorriso travesso, inclinando-se dramaticamente para ajeitar as asas douradas. – Own, merci, petit loup. I'd say it's nice to have my hard work recognised, but we both know that it's not that difficult for me to look hot. – respondeu jogando o cabelo para trás. Sirius nunca havia sido reconhecido pela sua humildade e seus amigos estavam mais do que acostumados com suas falas sem rodeios ou contemplações. Sirius sentiu seu sorriso se tornar mais genuíno ao olhar para Remus, analisando como aquele visual de cowboy platinado estranhamente combinava com o amigo e reconhecendo um detalhe que sempre o deixava intrigado: Remus nunca era o tipo que saía do próprio caminho para parecer mais bonito ou sexy. Ele era charmoso sem esforço, uma beleza natural e descontraída que contrastava com a própria busca de Sirius pelo impacto. De alguma forma, aquele jeito de "não estar nem aí" só tornava Remus ainda mais atraente - e Sirius suspeitava que o amigo não fazia ideia desse efeito. – You’re not bad yourself, cowboy. – ele murmurou, mantendo o olhar fixo, um brilho de diversão nos olhos.
Sirius estava num frenesi contido desde o início da festa, sentindo a energia pulsar ao redor enquanto observava os outros amigos, mas quando estava com Remus, sua atenção ficava nele – Sirius já estava acostumado com esse tipo de resposta, havia anos que seu foco havia aprendido a responder a Remus. Ainda que o amigo estivesse muito bem naquela fantasia, Sirius tinha de admitir que a escolha do tom do cabelo era questionável; ele adorava o tom natural de Remus, e trocá-lo parecia um crime. Mas, bem, para o resto do visual, ele não tinha do que reclamar. – Gotta say, Moony, I'm surprised. Ken? Really? – ele arqueou uma sobrancelha, um sorriso desafiador dançando nos lábios. – I mean, come on, you were way more Oppenheimer in the whole barbenheimer debate. Thought you’d go with something dark and brooding, but… here you are, all dressed up like the dreamiest Ken at the rodeo. – ele riu, tomando mais um gole da bebida que tinha nas mãos enquanto o observava.
Era particularmente difícil para Remus lidar com a confusão emocional de Sirius sem se envolver emocionalmente. Cada fibra do seu ser gostaria de estender a mão e tocá-lo, envolvê-lo em seus braços para lhe dar algum conforto. Porém ele sabia onde isso iria acabar e já tinha aprendido a sua lição anos atrás. Na maior parte do tempo, Remus conseguia ser apenas um dos melhores amigos, conseguia amá-lo de forma fraternal, mas de tempos em tempos -sob o estímulo ideal - uma fagulha acendia em seu peito e ele voltava a se questionar sobre o que era aquele sentimento de verdade e o que ele mascarava. Já que a emoção estava fora de cogitação, lhe bastava confiar na sua boa e velha razão para fazer Sirius enxergar a situação com mais clareza, mesmo que esta fosse uma tarefa praticamente impossível quando o mesmo estava mergulhado em tanto ódio e rancor. Pela reação do amigo ao seu comentário, Remus fez uma nota mental para evitar falar sobre Regulus de qualquer forma que não fosse meramente informacional. — Pads, I'll never really know how hard is for you to deal with this shitty situation. — Começou, ponderando bem as suas próximas palavras porque poderiam causar um estrago ainda maior. — However, Regulus is not going anywhere... He's here and he'll be here for a while. Do you think that, just maybe, you guys could try to talk or fight or anything? — Na cabeça de Remus, se Sirius conseguisse extravasar sua raiva de alguma forma, ele acabaria lidando melhor com a situação. — I worry that you'll be suffering for a long time. — E essa era a maior verdade. Sirius sofreria em silêncio ao ver o irmão todos os dias, uma tempestade de emoções confinadas no coração que ele tanto queria ter e proteger.
O chá em suas mãos já estava morno e a noite caía do lado de fora. Ele tinha uma pilha de trabalhos para fazer, mas jamais deixaria Sirius preso em seus próprios pensamentos. — C'mon let it out. Tell me what's in your head when you see Regulus on the campus. — Talvez colocar para fora fosse algo que ajudasse Sirius a elaborar os próprios sentimentos e pensamentos. Talvez fosse terapêutico de alguma forma e Remus ouviria o quanto fosse necessário para que o amigo se acalmasse.
Sirius soltou uma risada amarga, quase rindo de si mesmo ao ouvir Remus pedir para que ele contasse o que sentia ao ver Regulus. Ele queria desabafar, mas as palavras pareciam se embolar em sua garganta, a dor misturada ao medo de admitir a verdade. Ele deixou a xícara sobre a mesa, os dedos apertando a borda da porcelana. Ele sabia que o Remus estava tentando fazer - era longo o histórico de decisões ruins tomadas por Sirius Black como resultado da sua falta de capacidade de expressar-se. O bruxo tinha noção das suas tendências explosivas quando suas emoções não eram direcionadas corretamente - ele gostava de acreditar que havia melhorado seus mecanismos de cópia nos últimos anos, mas estava longe de naturalmente responder de forma saudável, ainda mais quando se tratava de Regulus. — What do I feel? It's...— ele começou, hesitante. — I feel angry, Remus. Not at him, not exactly, but... at everything. That he's just... here. Going on with his life like nothing happened. — ele respirou fundo, tentando encontrar as palavras certas. — When I see him, I feel like... maybe I was wrong to leave. He looks okay and put together and I wonder if it would have been the same for me if I had stayed, if I'd just held out a little longer. — Sirius sabia que essa possibilidade nunca poderia ter sido real e que se ele tivesse continuado naquela casa, era capaz de não ter sobrevivido tempo o suficiente para fazer sua própria vida, mas seu cérebro insistia em pintar esse universo paralelo onde ele o irmão poderia ter se livrado dos pais juntos. — I know that was impossible but… I don't know, if that had happened, maybe we'd at least speak to each other now. It's like... we're ghosts in each other's lives, passing by but never really... existing together, you know? — Sirius respirou fundo, tentando ordenar a confusão na própria mente, as palavras saindo devagar, quase se arrastando. — But I guess... more than anything, I’m afraid of facing him. Afraid that if I really try, if I talk to him or fight with him, I’ll see that… nothing’s changed. That he doesn’t even care. — ele balançou a cabeça com uma risada fraca, quase triste. — Imagine, Remus, facing him and realizing he doesn’t feel a damn thing about me or... us. Like I’m just a stranger to him. — Sirius sentia uma pressão no peito ao admitir aquilo, como se o medo de encarar o irmão fosse uma espécie de covardia que ele sempre tentava esconder. Ele se recusava a olhar para Remus, com vergonha de mostrar essa fraqueza, essa falha em lidar com algo que ele próprio sabia que não podia controlar. Remus era a epítome do controle e certamente não merecia ficar ouvindo Sirius reclamar de seus problemas que continuam os mesmos após todos os anos de amizade.

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Remus respirou fundo pelo que parecia a quinta vez desde que chegara em casa. Tinha perdido a fome, por isso se recostou na cadeira e cruzou os braços, ouvindo Sirius colocar para fora tudo o que o consumia naquele momento. Não era sua intenção parecer impaciente ou pouco acolhedor, mas James sempre fora melhor em acalmar Sirius naqueles momentos do que ele. O relacionamento entre eles não era exatamente afetuoso, com toque físico e tudo mais, principalmente depois dos tropeços que tiveram no passado, então tudo o que restava a Remus era dar espaço e tentar costurar uma linha de racionalidade com os pensamentos explosivos e caóticos do amigo. Ao ver a xícara de chá fumegante a sua frente, o coração de Remus amoleceu, porque mesmo no momento de embate, Sirius ainda encontrava espaço para lhe oferecer algum conforto. — Thanks, you're too kind. — Agradeceu enquanto envolvia a xícara quente com as mãos, suspirando de prazer com calor entre as palmas. — Pads, it's not like that. Yes, we talk, but only because our teacher thought we should work together. And we only talk about our subject, never about anything else. To be honest, I think he hates me a little. — Remus não considerava que ele e Regulus sequer tinham alguma relação. Tinham sido vítimas da circunstância de terem temas parecidos para o projeto final da aula que faziam juntos. — I don't know about making it worse or not... You've been pretty quiet about Regulus since you saw him on campus. So I didn't know how to approach this with you. James probably doesn't know either. Please don't blame us for trying to protect you from your shitty family. — Remus tinha presenciado diversas crises de Sirius com o irmão e a família ao longo dos anos que tinham de amizade, nenhuma tinha sido tranquila. O amigo sentia tudo com muita intensidade e era difícil para Remus se conectar com o mar tempestuoso que Sirius navegava todas as vezes que descia a espiral da tristeza. — Please, tell me how can I help you? How do you want me to deal with this weird thing with your brother? — Sabia que essa era uma pergunta que o amigo provavelmente não saberia responder. Aquela situação toda tinha lhe feito perder o apetite e Remus sentia o início de uma dor de cabeça vindo, mas ele não deixaria Sirius sozinho no meio daquela discussão, não antes dele se acalmar e conseguirem chegar do outro lado.
Era engraçado ouvir o amigo dizer que ele estava sendo generoso, logo ele, Sirius, que era o menos generoso dos quatro amigos - dos três, se não contar Peter que pouco mandava notícias. Sirius observou Remus recostar-se na cadeira, vendo a mistura de exaustão e resignação no rosto dele. A maneira como Remus cruzou os braços e tentou racionalizar a situação fez Sirius se sentir ainda mais distante. Embora Remus estivesse ali, presente na conversa, parecia que havia uma barreira entre eles, como se o amigo estivesse se segurando, se afastando um pouco, talvez para não se envolver demais nas emoções intensas de Sirius. Isso sempre incomodava Sirius - a sensação de que Remus nunca estava completamente ali com ele, especialmente em discussões como essa. Não foi sempre assim, mas desde que saíram de Hogwarts as coisas tinham mudado com… Bem, tudo, mas com Remus agora parecia mais delicado. O comentário sobre Regulus o odiar um pouco fez Sirius soltar uma risada curta e amarga. — Hates you? Regulus isn't capable of such emotion since he can feels anything. — as palavras saíram antes que Sirius conseguisse se segurar. Remus estava tentando ajudar, ele sabia disso e sua alfinetada era um exagero, obviamente, mas não tinha como negar que o mais novo demonstrava ser apático a tudo e a todos. A verdade é que a mágoa que carregava em relação a Regulus era tão profunda que qualquer interação entre eles parecia uma cicatriz aberta, e vê-lo agora se envolvendo, mesmo que indiretamente, com Remus... aquilo era demais para Sirius.
Quando Remus mencionou que James talvez nem soubesse e pediu para Sirius não culpá-los por tentar protegê-lo, Sirius passou uma mão pelo rosto, tentando conter a sua frustração. Ele sabia que eles estavam tentando cuidar dele, e odiava o fato de que isso só o fazia sentir-se mais frágil. — You can’t protect me from my own family, Moony. They’re always going to be there, like a ghost, no matter how much you try to hide it. — começou, a voz saindo um pouco mais calma, mas ainda tensa. — And I’ve been quiet about Regulus because… Honestly? I don’t know what to say. I don’t know what to think when I see him living his life. — Sirius respirou fundo e olhou para o chá, o vapor subindo da xícara em espirais suaves. Era um misto de emoções que Sirius não sabia lidar - dor ao ver o irmão tão perto e não poder falar com ele; contentamento por finalmente Reggie ter uma vida longe dos seus progenitores; decepção dele não ter vindo o procurar. A pergunta de Remus de como ele poderia ajudar ecoava na mente de Sirius. Era uma pergunta sem resposta fácil. Sirius sabia que Remus estava disposto a fazer o que fosse preciso, mas a verdade é que ele mesmo não sabia o que queria ou precisava naquele momento. Ele levou a xícara aos lábios e tomou um gole do líquido ainda quente e se concentrou na queimação que ele lhe causava enquanto percorria seu caminho. — I don’t know, Remus. You can’t really help me with this. I know it’s not about you. Just... tell me things when they happen, ok? — ele deu de ombros, sentindo-se um pouco mais derrotado, mas aliviado por estar sendo honesto.
Aquele estava sendo um longo dia para Remus. Teve que substituir uma professora que estava doente, então além das suas usuais crianças, teve que dar conta das dela também. Sabia desde o início que os caos seria instaurado e que não valeria a pena tentar lutar contra vinte crianças cheias de energia, então jogou seu planejamento pela janela e apostou em uma aula do lado de fora. Seu objetivo era tentar cobrir alguns tópicos de ciências naturais, e ele até conseguiu por um tempo, mas depois de uma hora acabou se dando por vencido e deixando as crianças brincarem livremente. Seu corpo ainda estava se recuperando da última lua cheia, então escolheu respeitar os próprios limites em vez de desafiá-los. Chegou em casa desejando um banho, um chá quente e silêncio para se recuperar, mas assim que Sirius começou a falar, Remus soube que não teria paz tão cedo. Respirou fundo, fechando a geladeira e levando os potes de geleia e pasta de amendoim para a mesa, se preparando mentalmente para ter uma conversa que estava adiando. — Well, I wasn't exactly planning to tell you now, but since you asked... — Falava evitando contato visual, focando na tarefa a sua frente de fazer um sanduíche. — Regulus is on one of my classes and we're stating a project together. It shouldn't be a big deal, but yeah, we see eachother twice a week or so. — Remus respirou fundo e encarou Sirius do outro lado da mesa, reconhecendo a tempestade naqueles olhos que conhecia tão bem. Ele estava evitando o assunto justamente porque preferia que James fizesse o trabalho de contenção de danos, mas pelo visto Sirius também não sabia que o Black mais novo estava jogando no time de quadribol da universidade. — Sirius, I... I'm sorry for not telling you sooner. But I didn't want you to get hurt. — Regulus era sempre um tópico sensível naquela casa, mas agora não havia mais como ignorar o elefante na sala.
Sirius ficou em silêncio enquanto Remus falava, observando cada movimento. O modo como ele evitava o olhar e se concentrava em fazer o sanduíche, o jeito calmo que só Remus conseguia manter, mesmo quando a tensão no ar estava densa. Mas dessa vez, a calma de Remus não ajudava a dissipar o turbilhão de emoções dentro de Sirius. A cada palavra que ouvia - Regulus está na minha aula, projeto juntos, duas vezes por semana -, ele sentia uma mistura de traição e impotência, pois mais do que ele havia imaginado. O Black mais velho sabia que o irmão estava no time de Quadribol - acompanhar o esporte do melhor amigo significava estar por dentro das notícias sobre o seu time - e a presença de James na mesma equipe significava que ele, inevitavelmente, também estava tendo contato com Regulus e havia optado por emitir essa informação. Isso só intensificava o sentimento de ser o último a saber de algo que todos ao seu redor já tinham aceitado. James seria o próximo a dar explicações, mas agora Sirius precisava focar no amigo à sua frente. — You two have a project together? Like, you two talk? You meet twice a week?! What the hell, Remus! — Sirius estava mais surpreso do que qualquer outra coisa, pois estava esperando que o amigo comentasse que via o irmão nas aulas e ouvia responder algumas perguntas, não que eles estavam se encontrando regularmente.
Porém, mesmo enquanto a irritação queimava em seu peito, Sirius se forçou a lembrar de conversas passadas com Remus. Já tinham falado sobre isso antes - sobre como ele precisava parar de projetar sua dor nos outros, especialmente em Remus, que sempre tentava resolver as coisas de maneira calma e racional. Ele respirou fundo, olhando para o sanduíche que Remus preparava. Remus estava cansado - dava para ver pela maneira como ele movia os ombros, o peso do dia estampado em sua postura. Era o tipo de cansaço que apenas Sirius e James conseguiam notar, depois de anos compartilhando o mesmo teto. Com um suspiro alto, Sirius se levantou da mesa e se afastou, cruzando a pequena cozinha e indo direto até o fogão. Sem dizer nada, começou a preparar um chá para Remus, um gesto simples, mas que havia se tornado um hábito entre eles. Era uma forma de cuidar do outro sem precisar usar palavras, algo que ele sabia que Remus apreciava, especialmente depois de dias longos como aquele. E para Sirius, era uma forma de manter as mãos ocupadas, de desviar sua mente do confronto que inevitavelmente ainda estava à sua frente.
Enquanto a água fervia, ele se voltou para Remus, o tom mais controlado, mas ainda com o peso da mágoa que não conseguia - nem queria - esconder totalmente. — You're not stupid, Remus, you know waiting to tell me about Regulus would only make things worse. Did you and James expect me to never find out he's around? — o breve olhar de surpresa em Remus deu um certa sensação de vitória para Sirius. — Yeah, I know they're on the Quidditch team together. That fucker will have to give some explanations later. — as palavras escaparam de forma amarga. A água borbulhou e Sirius pegou as xícaras com familiaridade, despejando o chá sem precisar pensar. Colocou uma delas diante de Remus, um gesto que significava mais do que as palavras que ele lutava para encontrar. — You know I hate being left in the dark. Especially about my precious family. — finalizou um pouco mais sério e um pouco mais baixo, sentando-se na frente de Remus novamente.