Hoje eu quis morrer. Quis mesmo, sem piada da geração Z. Quis morrer pela segunda vez em 30 dias, o que é um recorde até pra mim. Quis morrer porque não via mais razões pra ficar. Olhei ao redor e quis gritar o mais alto que meus pulmões permitissem, queria gritar pro céu e entender o que faltou. O que deixei de fazer, onde eu errei. Entender porque parece que num mundo desse tamanho não existe amor pra mim. Queria implorar por uma resposta que me explicasse onde era o meu lugar e porque eu vim parar aqui. Deve ter existido amor pra mim em algum outro lugar, em algum tempo. Talvez se eu tivesse chegado antes - no mundo, na vida de quem devia me amar, no convívio de quem diz que ama. Talvez se eu tivesse chegado antes eu teria algo meu e não o resto que ficou sem lugar e parou em mim. Talvez eu pudesse ter sido mais. pudesse ter significado mais. Talvez eu pudesse dormir sem medo de ser esquecida pela manhã. Talvez eu não precisasse viver na sombra de todo mundo que veio antes. Hoje eu quis morrer mas antes eu queria saber porque. O que eu fiz e onde eu virei pra chegar tão atrasada? Como eu podia ter feito diferente? Eu podia ter mudado isso de algum jeito? O tempo acabou mesmo? Eu quis morrer porque senti que o tempo acabou. E quero morrer toda vez que lembro disso. Parar de lutar contra o que é meu e parar de tentar puxar o relógio pra trás. Calar o tic, tac, tic, tac, na minha cabeça e aceitar que o tempo acabou. Aceitar que eu tentei e procurei e não achei. Escrever minhas desculpas a quem ficasse e rezar pra que eu estivesse certa e ninguém me amasse, pra eu não estar cometendo um erro. Me libertar da busca. De novo, eu quis tudo isso. mas, como da última vez, eu não fiz. E o maldito relógio não para de tocar.