Passando pra divulgar essa histĂłria MARAVILHOSA que eu estou tendo a honra de betar e que vai ser estreiada ano wattpad no dia 9 do mĂȘs que vem. Nem acredito que faltam sĂł duas semanas, que orgulhinho dessa escritora sensacional â€ïžâ€ïž
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viu, li 10 capĂtulos da tua web KDEWJSKJ nĂŁo tive tempo d ler o resto q meu sobrinho tĂĄ ali pra ser parido -qq. mas sĂł queria dizer: tua escrita tem um toque tĂŁo elegante e simples, mas rebuscado e bem-pensado ao mesmo tempo. eu 100% imagino posso usar uma metĂĄfora sendo um livro um dia, e eu 100% espero que vocĂȘ tente tornĂĄ-lo em um. eu sinto que possa encontrar um sucesso inesperado :c aaaa mas historinha miserenta d boa T__T
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Continuei indo ao GAP por alguns dias. Na segunda, fiquei parada no lugar de sempre, ao lado da cadeira vazia de Iraque. Petrificada, esperei que ele entrasse na sala atrasado, como na primeira vez. Isso nĂŁo aconteceu. Quando ele nĂŁo apareceu na sexta, esperei todos irem embora para explodir.
âOnde ele estĂĄ?â Explodi para Fidel, sem me preocupar em ser educada. Eu nĂŁo o havia perdoado por me fazer deixar o hospital no dia em que quase vi o Caribe. E ele sabia disso.
âEle foi embora.â
Balancei a cabeça. Era verdade. Ele me manteve distante de Caribe por quase um mĂȘs e, em retribuição, recebeu alta. Estava livre.
âEle engoliu comprimidos.â
âEle jurou que nĂŁo foi intencional. Ele sempre teve os pesadelos e nĂłs nunca soubemos como consertar.â
âE agora vocĂȘs sabem? Agora vocĂȘs podem simplesmente mandĂĄ-lo embora?â
âNĂŁo o mandamos embora, Australia. Ele estĂĄ medicado com o antidepressivo que funcionou melhor nos Ășltimos trĂȘs meses e um novo medicamento para ansiedade que deve combater os pesadelos. Ele foi monitorado em casa por uma semana e garantiu que nĂŁo teve mais nenhum sonho.â
âMonitorado em casa? EntĂŁo, ele estĂĄ em casa?â
âSuponho que sim.â
Joguei a minha mochila sobre o ombro esquerdo e dei as costas.
âAllie.â Suspirei, olhando para ele. âSe nĂŁo conseguir encontrĂĄ-lo, deixe ele ir.â Foi tudo o que disse.
Atravessei a sala de estar e comecei a subir a escada de mårmore. Estava ficando acostumada, pensei, enquanto me dirigia para o seu quarto. A porta estava aberta, e eu enfiei a cabeça para dentro.
O quarto estava completamente diferente de como era antes. Os livros haviam sido colocados na estante, havia um violĂŁo posicionado no canto, ainda que eu nem soubesse que ele tocava violĂŁo.
Todas as paredes estavam cobertas por pÎsteres de bandas e filmes dos anos oitenta. Cada um deles tinha um aspecto meio gasto, como se houvessem sido arrancados das paredes azuis e então colados outra vez. Não era uma decoração nova. Era apenas recente.
A persiana estava aberta e a luz solar dava um aspecto muito mais vivo ao quarto.
Levei um susto e, por pouco, nĂŁo caĂ lĂĄ embaixo. Me virei, dando de cara com um Sr. West bem vestido, como no dia em que Iraque foi pego fora do hospital. Contudo, o terno estava desabotoado, a camisa amassada e o nĂł da gravata frouxo, como se ele tivesse se vestido para trabalhar, mas mudou de ideia e voltou para a cama.
âPara onde ele foi?â
âEu nĂŁo sei.â
âEle vai voltar?â
âEu nĂŁo sei.â
Deixei meu corpo cair sentado na cama macia. O edredom estava quente devido ao sol, e percebi que era o que usamos para nos cobrir naquele dia, no sĂłtĂŁo.
âOntem. Quando cheguei do trabalho, ele tinha desaparecido.â
Soltei uma risada amargurada. Um dia. Eu estava um dia atrasada.
âEu acho que nĂŁo tenho mais nada para fazer aqui.â
Comecei a me levantar. Finalmente, isso estava acabando. NĂŁo do jeito que eu esperava. Mas era bom colocar um ponto final em toda essa histĂłria. Eu sĂł queria seguir em frente.
âEspere.â Tiberius enfiou a mĂŁo no bolso da calça. âEle deixou uma carta.â
âVocĂȘ se importa se eu der uma olhada no seu sĂłtĂŁo? NĂŁo vou demorar.â
âVĂĄ em frente.â
Passei pelo homem aos tropeços, puxando a escada e subindo o mais rĂĄpido que consegui. O lençol sobre o qual havĂamos dormido ainda estava estendido no mesmo lugar. Quando olhei para ele, eu soube.
O empurrei para longe e vi, no chĂŁo de madeira, um X pintado de tinta vermelha.
Me agachei, posicionando as unhas nas extremidades da tĂĄbua e a puxando para cima. Estava meio solta, exatamente como deveria estar. A puxei. LĂĄ embaixo, suja de terra, estava uma caixa de papelĂŁo retangular. Era a caixa da fita de Cinderela que nĂłs havĂamos assistido.
Abri com delicadeza. NĂŁo queria estragar nada. Despejei as coisas no piso devagar. A primeira coisa que caiu foi a nossa caneta. Depois, vieram as fotos presas por um grampo de papel na Ășltima pĂĄgina do livro.
Observei os itens concluĂdos, todos riscados com a caneta verde. Os riscos ficavam cada vez mais claros Ă medida que a tinta acabava.
Reparei que sĂł havia quatro fotografias: a que ele tirou enquanto eu pulava na ĂĄgua, a da ponte de Elizabeth Newtton, a minha foto vestindo o vestido vermelho e Iraque nadando com as estrelas.
O nosso beijo havia desaparecido.
Foi quando outra coisa caiu de dentro da caixa. O pedaço de papel havia sido dobrado em quatro pedaços e desfiz a dobradura com cuidado. Era uma pågina de um livro do Charles Bukowski. O poema se chamava Confissão.
 Passei o indicador em cima das Ășltimas palavras. A tinta estava tĂŁo fraca que era como se a caneta verde acabasse ali. Mas eu a via. Espremendo os olhos marejados, eu vi. Esteve sempre ali.
E, de alguma forma, isso me fez ter certeza de que ele nĂŁo iria voltar. Coloquei tudo dentro da caixa da Cinderela e apertei contra o meu peito.
Se eu pudesse usar uma metĂĄfora, eu diria que o meu coração era uma janela e que, lendo as Ășltimas palavras que Iraque nunca me disse, ela foi aberta de repente.
Agora, o vento expulsava tudo para fora. Expulsava todas as coisas boas, todas as coisas ruins e, de vez em quando trazia algumas folhas secas ou gravetos que sĂł faziam com que eu me sentisse ainda mais vazia. Mas tudo que foi embora, jĂĄ esteve aqui um dia.
E a esperança, que foi hå tanto, iria voltar.
 Dum spiro, spero. (Enquanto respiro, terei esperanças.)
Ai meu Deus. Ai. Meu. Deus. AI MEU DEUS. Ă tĂŁo emocionante pra mim postar esse capĂtulo. Fico feliz e triste ao mesmo tempo de pensar que a histĂłria da Australia, do Russ, do Caribe e do Iraque estĂĄ finalmente chegando ao fim. Os Ășltimos meses foram absolutamente incrĂveis para mim, cada comentĂĄrio, cada voto, cada notificação e cada leiturazinha significou um mundo inteiro. Fez meu coração bater rapidinho. SĂł posso dizer obrigada. Muito muito muito obrigada por fazer parte dessa histĂłria. Parece que foi ontem que eu peguei o globo terrestre da prateleira e anotei os meus nomes de paĂses favoritos, que acabariam se tornando algo tĂŁo importante.  Ai, meu Deus. Todo mundo pronto? Eu nĂŁo estou.
P.S. Quero ver esse capĂtulo entupido de comentĂĄrios, hein? Quero saber o que vocĂȘs acharam desse mundinho <333
Eu sĂł queria dizer a ele que o amava e, agora, estĂĄvamos ambos na emergĂȘncia do hospital.
Romeu e Julieta sentiriam inveja de nĂłs.
Fitei o relĂłgio na parede. O sol nasceria em breve. Tirei alguns cochilos na cadeira desconfortĂĄvel, mas nĂŁo dormi bem. Apavorada, sequer pensei em ligar para o meu pai de um telefone pĂșblico e dizer a ele que nĂŁo chegaria a tempo para jantar. O deixei sozinho outra vez.
Ouvi passos e pensei que fosse Russ. Mas era o pai de Iraque. Ele me fitou por algum tempo, e entĂŁo se sentou na cadeira opaca ao meu lado. Havia um vaso com uma flor ao lado de seu assento, mas era de plĂĄstico. Uma violeta de plĂĄstico.
O sol recente da manhĂŁ ia na direção dos meus olhos, e os fechei por um instante. âQuando as violetas rugirem para o sol, elas nos libertarĂŁo.â
"O que houve?" Ele perguntou, ligeiramente sem fĂŽlego.
Nesse momento, a enfermeira de plantĂŁo passou por nĂłs. Ao ver Tiberius ao meu lado, parou de andar. Eu jĂĄ havia falado com ela tantas vezes que sabia que seu nome era Jeanine.
Tiberius me olhou, surpreso, e acho que sequer ouviu a mulher dizer que ela precisava ir e que um profissional entraria em contato em breve com novas informaçÔes. Ela me encarou com desprezo e resisti ao impulso de mostrar-lhe a lĂngua como uma criança. Dei de ombros.
"VocĂȘ decorou?"
"Eu pedi para ela repetir tantas vezes que, se eu abrir a boca mais uma vez, acho que ela dĂĄ um tiro na minha testa."
O pai de Iraque ajeitou a gravata feia e pigarreou.
Balancei a cabeça em negativa, com um sorriso pequeno nos låbios.
NĂŁo fomos apresentados? Sorri maliciosamente. Era como se eu estivesse bĂȘbada. Mas nĂŁo me lembrava de ter bebido.
"Oh, querido!" Exclamei na velha voz aguda e hedionda daquela noite. Ri secamente pelo nariz e, entĂŁo, revirei os olhos. "Somos amigos. Iraque e eu, claro. VocĂȘ e eu nĂŁo somos nada."
O silĂȘncio do hospital nunca era silencioso. Apenas silencioso o suficiente para ouvir os aparelhos que mantinham as pessoas vivas.
JĂĄ era sete horas da manhĂŁ. Russ surtou quando eu liguei para ele. Disse que chegaria em alguns minutos.
âVocĂȘ acha que ele me odeia?â Pensei em voz alta.
Eu te odeio. Essa foi a Ășltima coisa que eu disse a ele.
Tentei empurrar o pensamento perturbador para longe e olhei para Tiberius, intrigada.
Iraque sempre fez questĂŁo de deixar claro que detestava o pai e este, por sua vez, nunca pareceu se importar. Mas seus olhos estavam hesitantes, diferentes de quando eu usava os saltos finos e a voz aguda e hedionda daquela noite, diferente de quando agarrou os ombros de Iraque e diferente de alguns dias atrĂĄs, quando me encharcou com a ĂĄgua da chuva e me perguntou se eu era louca. Franzi o cenho.
Passei os dedos pelos cabelos com força, como se fosse arrancar todos eles. Ah, meu Deus. E se eu pudesse ter evitado? E se eu o houvesse impedido de tomar todos aqueles comprimidos? No dia anterior Ă noite que passamos no sĂłtĂŁo, foram trĂȘs.
Tiberius se sentou novamente, esperando que eu fizesse alguma coisa. Fiquei imĂłvel, sem ação. NĂŁo tinha voz para agradecer. Eu nunca entenderia aquela famĂlia.
Minha coragem deixou meu corpo lentamente quando me vi em frente ao quarto 444. Engoli em seco, fitando a porta entreaberta. Bati duas vezes e, alguns segundos depois, a empurrei. ApĂłs abrir uma fresta de uns quinze centĂmetros, a beirada da porta se chocou com algo dentro do quarto.
"Iraque?"
AtrĂĄs da porta, Iraque fechava o zĂper da calça. Ele nĂŁo estava usando uma camisa e sĂł olhou para mim quando entrei pela fresta e fechei a porta.
"Ah. Oi." Iraque atravessou o quarto. "VocĂȘ viu a minha camiseta?"
"O que vocĂȘ estĂĄ fazendo?"
"Indo embora." Falou, mas soou como uma pergunta.
"VocĂȘ nĂŁo pode ir embora. VocĂȘ acabou de passar por uma lavagem de estĂŽmago."
"Eles enfiaram uma sonda pela minha garganta, mas eu estava apagado e não vi nada. Estou legal agora." Ele revirou os lençóis do leito no canto do quarto, irritado. "Porra, eu não consigo encontrar."
De repente, me senti completamente traĂda. Foi como uma facada. Ele nĂŁo estava nem aĂ. Eu estava morrendo, e ele nĂŁo estava nem aĂ.
Havia mesmo sido um acidente? Mesmo que tenha sido, ele nĂŁo podia ter deixado acontecer. Ele nĂŁo tinha o direito de deixar acontecer. Ele nĂŁo poderia ter deixado aquilo acontecer por mim. Porque faltava apenas uma gota dâĂĄgua para eu transbordar, e esse momento parecia ser agora. Meus olhos começaram a lacrimejar.
âPor que foi que vocĂȘ fez isso?â Eu perguntei, inconformada. âQue bosta, por que fez isso comigo?â
Iraque parou o que estava fazendo e soltou uma rouca risada sarcĂĄstica.
âĂ isso? NĂŁo vai sequer perguntar como eu estou?â
âPara quĂȘ? Para pedir para usar uma metĂĄfora? Ătimo, Iraque, use quantas metĂĄforas quiser. NĂŁo me importa. VocĂȘ nĂŁo devia ter feito isso! VocĂȘ quase morreu!â
âNa verdade, eu posso. JĂĄ se esqueceu? Eu disse a vocĂȘ antes de tudo. Disse que eu iria ferir seus sentimentos, disse que iria partir seu coração. Talvez agora, que a merda toda jĂĄ foi feita, vocĂȘ nĂŁo cometa mais erros como esse. Mais erros como eu.â
Toquei a região de seu braço pouco acima de seu cotovelo. Reparei que havia tinta verde mal lavada no seu pulso. Ele recuou e eu balancei a cabeça.
âA que ponto chegamos? Brigando pela sua vida?â Eu disse calma.
âEu nunca pedi para se importar com a minha vida.â
âVocĂȘ nunca pediu para sua mĂŁe morrer, e veja o que aconteceu.â
âPare!â Urrou.
âNĂŁo! Pare vocĂȘ! Pare de afastar todo mundo!â Segurei seu queixo, porque o garoto se recusa a olhar nos meus olhos. âIraque, eu amo vocĂȘ. Por favor, nĂŁo me faça chorar por vocĂȘ.â
Ambos congelamos. Em voz alta, era como uma sentença de vida.
âVocĂȘ nĂŁo me ama."
âEu amo vocĂȘ. Ab imo pectore.â (Do fundo do meu coração)
âCale a boca, vocĂȘ nĂŁo sabe o que estĂĄ dizendo." Iraque riu. Riu da minha cara. "O amor vai destruir vocĂȘ."
Seu riso se transformou em uma grande gargalhada. Ele se afastou para segurar a barriga e eu apenas o encarava, segurando as lågrimas. Eu estava despedaçada.
Fechei os olhos. NĂŁo podia acreditar no que estava acontecendo. Quem era o idiota? Ele ou eu?
âIraque. Por favor.â Antes que dissesse qualquer coisa, agarrei sua mĂŁo e a posicionei sobre onde deveria estar meu coração. Um monte de mĂșsculo e sangue. NĂŁo parece tanta coisa assim. âEstĂĄ vendo isso?â
Ele balançou a cabeça e suspirou. Seus dedos se mexeram sobre minha blusa, mas ele não removeu a mão.
âĂ o seu coração.â Falou, em tom levemente vociferado. Foi a minha vez de rir.
Iraque se aproximou e pensei que eu havia ganhado. Era isso. Uma guerra. Eu contra ele. Australia contra Iraque e vice-versa. Havia algo errado nesse romance.
Ele estava perto demais. Seu nariz tocava o meu, sua testa tocava a minha, seus lĂĄbios quase tocavam os meus. Fechei os olhos. Aquela seria a Ășltima vez que eu tentaria honrar a minha dignidade, preservar aquele estoque estĂșpido de lĂĄgrimas.
Meu rosto queimou como se eu estivesse sendo estapeada.
"Como assim?"
"Dr. Thomas conhece as pessoas. Ele sabia que eu faria de tudo para ir embora e que vocĂȘ faria de tudo para falar com Caribe. Mas vocĂȘ nĂŁo podia falar com ele."
"Ă, sim. Dr. Thomas sabia disso e disse que, se eu impedisse vocĂȘ de entrar em contato com ele, eu receberia alta."
Eu nĂŁo conseguia respirar. Era demais para mim. Era como se eu fosse Atlas, o titĂŁ da mitologia grega que precisava carregar o peso do mundo.
O mundo estava me destruindo. Esmagando meu corpo.
"VocĂȘ nĂŁo fez isso." Sussurrei, e soltei uma risada fraca. "VocĂȘ nĂŁo faria isso comigo. EstĂĄ mentindo. Por que estĂĄ mentindo para mim?"
Ele balançou a cabeça, me olhando com pena. Então, enfiou o braço no fundo da mochila e tirou um envelope marrom feito com papel reciclado e um grampeador com grampos prateados enferrujados.
Abri o envelope, ainda que jĂĄ soubesse o que havia lĂĄ dentro. Tiro a metade da fotografia que eu e Caribe tiramos quando fugimos para ver as estrelas. A fotografia que Iraque jurou para mim que chegou ao meu irmĂŁo.
Limpei a primeira lĂĄgrima da bochecha antes que ela caĂsse e sobre o meio retrato.
Reprimi um soluço, e isso fez com que a minha garganta começasse a doer.
"Odeio vocĂȘ." Empurrei o envelope contra o seu peito com força. Deve ter doĂdo, mas ele nĂŁo se afastou. Acho que ele sabia que merecia, entĂŁo bati nele de novo. "Eu odeio vocĂȘ!"
"VocĂȘ sabia?" Vociferei. "Como vocĂȘs puderam fazer isso comigo?"
"Allie." Ele tentou tocar em mim, mas fugi de seus braços.
"Por favor, me deixa em paz."
Minha visão estava embaçada pelo estoque de lågrimas que vazava pelas minhas pålpebras. Eu estava fugindo. De novo.
Eu me sentia tão frågil quanto Iraque dizia que eu era. Meus pedaços lutavam para correr, mas cada passo fazia com que eles se distanciassem ainda mais uns dos outros e isso me dava a sensação de que eu nunca seria consertada.
Deixar tudo ir embora, chorar toda a dor que se acumulava no meu coração desde que a minha mãe foi embora. Eu nunca tinha chorado tanto na minha vida.
Desejei nunca ter conhecido Iraque, e me perguntei como as coisas poderiam ter sido diferentes se eu houvesse dito nĂŁo quando ele propĂŽs que vivĂȘssemos experiĂȘncias juntos em troca de comunicação com Caribe.
Eu daria qualquer coisa para voltar no tempo e fugir dessa rede egoĂsta de mentiras.
Respirei fundo, a ĂĄgua dos olhos parando de escorrer aos poucos. Em algum momento, tudo o que restou foram soluços vazios. Contra a parede, meus ombros se mexiam sem parar. Respirei fundo, decidindo que eu devia parecer ridĂcula, chorando no meio da rua. Era hora de abrir os olhos, engolir o choro e encontrar um jeito de entrar em casa.
âPor que vocĂȘ estĂĄ chorando?â
Ao ouvir as palavras, senti vontade de começar tudo de novo.
"Russ, eu quero ficar sozinha." Disse, pressionando a testa contra a porta de casa.
"Uau." Disse ele, e franzi o cenho, porque a voz soava mais aguda que a de Russ. "Eu fico fora por menos de trinta dias e vocĂȘ esquece o tom da minha voz?" Me virei em sua direção, chocada.
Dizem que as lĂĄgrimas de alegria sĂŁo doces, e as de tristeza, salgadas. Se fosse verdade, eu era um recipiente de molho agridoce. Eu o apertava tĂŁo forte que talvez ele precisasse voltar para o hospital e conseguir um cilindro de oxigĂȘnio. Mas nĂŁo agora. Estava inteiro, eu podia tocĂĄ-lo.
Estava bem ali.
âDesculpe.â Eu balbuciei. âDesculpe, desculpe.â
âAllie, vocĂȘ vai ter de escolher entre falar ou chorar.â
Ri um riso abafado em seu ombro. Eu me permitia acreditar que tudo ficaria bem. Eu precisava acreditar. E eu nĂŁo precisava acreditar nisso sozinha. NĂŁo hoje. E nĂŁo amanhĂŁ.
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