Eu não sei se você acredita em astros, no destino ou na força do universo. Durante este ano eu desacreditei um milhão de vezes. Mas faltam exatos 38 dias para o ano de 2025 acabar e a única coisa que eu consigo fazer é colocar a culpa no mercurio retrogrado. A diferença é que para mim, o mercurio retrogrado durou o ano todo. Começou com uma mudança de país, que veio acompanhada de um trabalho novo, uma cidade nova, uma cultura diferente e um idioma similar e ao mesmo tempo tão particular. E o frio. Não posso me esquecer do frio. Eu queria poder dizer que foi a escolha mais acertada da minha vida. Mas ainda não deu tempo de me certificar. O que eu sei é que mudou tudo de lugar. No lugar da coragem, o medo. No lugar do conhecido, o desconhecido. No lugar da segurança, a ilusão. No lugar do comodo, o incomodo gritante de não pertencer. No lugar da presença, a ausncia, acompanhada da distancia. Que sempre parece não ter fim. No lugar das palavras, o silêncio, com uma dose de introspecção. No lugar das respostas, perguntas e mais perguntas. No lugar da expectativa, a dura (e fria) realidade. No lugar do controle, o temido descontrole. Foi assim que eu me senti durante os últimos 365 dias. Eu queria chegar no final deste texto dizendo que o ano foi exatamente como eu planejei, como eu idealizei. Mas sinto dizer que foi exatamente o contrario. 2025 foi tudo, menos o que eu esperava. Logo eu, que sempre me movimentei para que o esperar fosse só a distancia entre desejar e o fazer acontecer. Inclusive que perto dos 20 e tantos anos, ela estivesse "resolvida", como se a colheita fosse permanente. Que ingenuidade da minha parte. Síntese em processo.
















