Mãe,
Eu te amei naquela noite em que você policiou o meu comportamento e disse verdades que eu não entendia mas com o tempo, aprendi a compreender.
Eu te amei quando chorou comigo, enquanto me abraçava, dizendo que vovó estava em um bom lugar e que a vida precisava continuar.
Eu te amei quando puxou minha orelha e me proibiu de sair para um lugar que eu achava importante até entender com o tempo, que não era.
Eu te amei quando me deu o que eu precisava, mesmo ficando sem nada. Quando abdicou seu sono, seus sonhos pelo meu conforto e pela minha segurança.
Eu te amei nas tuas renúncias, nas tuas pequenas mortes diárias que eu só aprendi a nomear depois que te perdi.
Eu te amei todos os dias, nos seus conselhos, nas suas broncas, no seu silêncio que dizia mais do que qualquer discurso.
Eu te amei quando não entendeu a minha orientação, mas me amou mesmo assim.
Eu te amei quando disse que o que importava era eu ser feliz. Me abraçou, me compreendeu e acima de tudo me amou.
Eu te amei quando a doença te roubava aos poucos, quando a vida te pesava e você já não queria atender minhas ligações.
Eu te amei quando te abracei pela última vez, sem saber que aquele abraço seria o último com vida.
Eu te amei quando voltei, um mês depois, e beijei sua testa gelada no caixão. O mesmo beijo, mãe, só que agora sem calor e sem riso.
Eu te amei por todos os dias em que você existiu. E te amo por todos os dias em que você não está mais aqui.
Eu te amei por todos esses quatro anos que se passaram com sua ausência.
Eu te amei e amo as lembranças que apertam o peito mas me fazem agradecer pelo privilégio de ter você como exemplo e como mãe.
Estou com saudades, mãe.
São quatro anos e ainda morro de saudades.
__ Evillin Ribeiro.












