Eu me sentia um lixo, talvez de fato, eu fosse um. Um sábado qualquer, assim como os tantos que já viverá, similar. Nada de extraordinário acontecerá, a velha amiga me chamava pra uma briga, e como de costume, apanhei, na cara, até me ajoelhar diante dela. Cuspia-me. INÚTIL, ela gritava. Eu já sem forças e não nego dizer, sem vontade alguma de contradizê-la, aceitei tudo, normalmente, calada. Como de costume. A vida virava um eterno costume, a sensação de invalidez, a velha melancolia junto com as náuseas, o nó na garganta, e no peito, a do peito era pior. Lembrava do céu que um dia perdia, por culpa minha? INÚTIL, ela gritava. Sinceramente, eu já concordará com ela.
Naira Vitoria













