❥ 〰 ❛ A veia flertadora do mais velho era de conhecimento público, mas Candice não se importava, ela estava vacinada contra aquele tipo de comentário e apenas sorriu vitoriosa. Havia conseguido o que queria, ele concordara e de quebra, ainda havia ganho um elogio. — — Assim está bem melhor. — — Ela comentou em meio ao sorriso e dianta da pergunta alheia ela riu gostosamente, porque a pergunta dele podia muito bem ter a mesma entonação de “a terra é redonda?”. — — Errgh, você não sabia. Desculpe ser a portadora das mais notícias, mas você é a pessoa mais fácil que eu conheço. E é de mim que estamos falando. — — Podia ser o sujo falando do mal lavado, mas nenhum dos dois era um santo e ela não estava julgando, na verdade, achava certa graça na tentativa insondável do amigo em encontrar uma parceira perfeita. Romântica, ela também procurava um amor arrebatador, daqueles que fazia seu pé subir em um beijo a luz do luar, mas ela sabia que nada seria perfeito. Nada era. — — E o que seria da minha reputação? Achei que você fosse um principe, sir! — — Era a vez dela de fingir certa ofensa, afinal, não era a primeira vez que dividiam a cama e ela apostava que não seria a última. Quando ele a aninhou contra ela, depositando beijos em sua nuca, Candy sentiu-se acolhida, confortável e protegida. Era uma sensação estranha de se ter perto de um vampiro, principalmente porque em um pouco mais de empolgação e ela nunca mais acordaria da sensação prazerosa e intorpecente de sua mordida, mas ainda assim, ali estava ela, sentindo-se em casa nos braços do moreno. — — Sem graça! — — Ela desferiu um tapa no braço alheio, algo que não devia ter feito sequer cócegas em Draco, ela supunha. — — Nada… Sabe que não podemos falar sobre isso. — — Para ele a pena seria a perda da coroa, para ela a perda da vida, ainda que em Verdare frequentemente as duas coisas tivessem o mesmo peso, Candice, assim como toda adolecente achava que sua situação era pior. — — Eu só queria não sentir medo. Ser mais destemida, eu acho… — — Ela olhava para o nada, divagando sozinha, perdida em seus pensamentos, sendo mais sincera do que ela conseguia se lembrar.
❝ 。✧◂ Sabia que sua fama nos corredores do colégio não era das melhores, e nada fazia para alterar aquilo, mesmo assim, ouvir da boca de Candice que era fácil, havia o pegado de surpresa. Bem humorado quando perto da mais nova, no entanto, o Gonzalez apenas dera de ombros, preferindo não responder a provocação à altura por imaginar não ser cortês de sua parte insinuar sobre a falta de seletividade da amiga. ❝—— O que posso dizer? Só tento aprimorar o meu conhecimento em novas línguas. Você precisava ouvir o sotaque libanês da dama de companhia da princesa... ❞ Ele provocou, por fim, deixando que uma risada genuína escapasse de sua garganta. Não existia libanesa alguma, no entanto, era divertido observar as reações de Candice diante seus testemunhos. O que ela diria? Detalhes desnecessários! A indagação da mais nova, por fim, o fez arquear uma de suas sobrancelhas na direção dela, suspirando então em rendição exagerada. Puera encenação. ❝—— Acho que para salvar sua honra, teremos de nos casar então. Rainha Candice, hun? O que su madre¹ diria? ❞ Questionou, sério, ainda que carregasse nos lábios um sorriso jocoso que, devido a posição de ambos, ela não tinha vislumbre. Aquela não era, no entanto, a primeira vez em que brincava com aquilo — veja, Draco já havia a pedido em casamento ao menos uma dúzia de vezes, e mesmo que todas elas tenham sido em formato de brincadeira, ele o faria se, de alguma forma, pudesse ajudar a mais nova com o evento. Tinha um bom coração, quando se tratavam de algumas pessoas as quais considerava especiais. Um riso mais leve e humorado lhe escapou ao sentir o tapa, apertando propositalmente os braços ao redor dela, como se a castigasse pelo movimento. ❝—— Estamos sozinhos aqui, mi dulce². Não há nada sobre o quê não podemos falar. Ninguém é idiota o suficiente para invadir meu quarto ❞ Ele estalou a língua, com um leve dar de ombros conforme se desvincilhava da mais nova, para poder observar o semblante em seu rosto. Não era encorajador de conversas sentimentais como aquela, no entanto, sentia-se à vontade para abordar o assunto com a vermelha. Uma mexa do cabelo escuro fora guardado atrás da orelha feminina antes de escorrer os dedos para o queixo fino, conduzindo-o em sua direção, para que ela olhasse para si. ❝—— Você já me tem como guarda-costas. Quer se sentir ainda mais protegida? O que posso fazer para que se sinta mais destemida, señorita³? ❞ Ainda que a pergunta fosse séria, Draco carregava um tom de bom humor, considerando-o seguro em todas as situações.