“ah, eu sou idiota?” massageou as têmporas, exausto de uma conversa que sequer havia começado. encarava a mulher enquanto ela falava, sem expressão aparente, além do cansaço estampado em seu rosto. sabia bem que pansy lhe diria tudo que quisesse, no fundo talvez estivesse certa, afinal ele havia agido tão somente por impulso. “você poderia ter lidado?” perguntou, sarcástico como de costume nas ocasiões em que conversava com a parkinson sobre esse tópico. “lidado com o que, exatamente?” se jogou no sofá atrás de si, agradecendo a própria consciência por pensar em trazê-los para sua casa naquela confusão. “o que o seu noivinho de merda te contou?” draco provavelmente odiaria qualquer um que a fizesse vender sua vida aquela causa. mas ele sabia muito bem o que era não ter opção também. “e com qual dos…” a pausa era proposital, fingindo tentar lembrar a informação que queria dizer, o malfoy sabia ser rude quando queria. “hmm, dois feitiços defensivos que você sabe?” riu pelo nariz, consciente que ela ficaria mais irritada com aquilo, mas não se importava. também tinha o direito de falar, afinal. “você acha o quê? que não tem gente boa o suficiente do lado de lá também? gente muito mais forte que você? que eu?” draco a encarava sério enquanto perguntava e, por um segundo, se deu conta que durante todo o tempo de amizade dos dois não lembrava-se de um momento em que havia agido assim, inexpressivo. eram tempos diferentes, de qualquer forma. “pansy, você não tem a menor ideia de onde está se metendo, pode ouvir o que eu digo uma vez nessa sua vida? não se trata de cumprir papel, de dar conta.” ver a cena da amiga frustrada por não ter participado do ataque, com toda certeza, o irritava ainda a mais. “você tá se enfiando na sua própria cova!” disse ríspido, já não se importava mais em manter o tom neutro com a amiga, ela precisava saber o que estava acontecendo, para enfim parar de agir como uma idiota. “eu só não queria que você morresse na merda da minha frente, mas se quiser, pode voltar.” e deu de ombros, encarando-a.
“Sim, sim você é idiota. Idiota pra cacete, porque você acha que pode escolher qualquer coisa por mim. Eu te disse que faço parte disso agora, eu preciso estar lá. Eu ia finalmente me provar, caralho.” sempre fora assim, competitiva, queria se provar melhor, maior. Talvez fosse um complexo de superioridade afetado pela sua baixa estatura. Talvez fosse a forma que havia sido criada, em que ela teria de mostrar o mundo que ela era perfeitamente poderosa e capaz. “Ter lidado com aquilo. A primeria de muitas. Isso não vai acabar ali, você acha o quê? Que eu vou me esconder em todas as oportunidades? Que vou fugir de todas as batalhas? Eu tenho que defender o meu lado. Se você não tem um, fuja e pronto, só não decida por mim.” ela preferiu não responder sobre Matthew. Não era como se ele tivesse falado muito sobre aquele assunto para ela, pelo que sabia, era seu irmão o grande devoto ao lorde das trevas. Mas ela teria de dar apoio, era o que os pais haviam dito. Portanto, ela daria. Não entendia qual era o grande problema que Malfoy estava demonstrando ter com o casamento, mas toda vez voltava a isso. E ela não continuaria a discutir. Estava prestes a falar qualquer merda sobre os Burke, quando a fala seguinte veio, e o riso irônico acompanhou. “Dois feitiços de defesa” ela balançou a cabeça. E por um segundo, conforme ele ia falando, perguntou-se se ele acreditava em seu potencial. Claro, Pansy não via o cenário completo, não sabia o que significava apoiar de fato o Lorde das Trevas e ser uma comensal da morte. Não sabia tudo que estava abdicando e no que estava entrando. Mas ouvir ele dizendo aquilo lhe incomodava mais do que deveria - provavelmente porque se importava com a opinião dele, com o que ele pensava, com o que ele achava de si. “Se me acha tão incapaz assim, devia ter me deixado pra morrer, ao menos estaria fazendo o que eu acredito” Pansy era uma máquina de reproduzir falas feitas, mas nunca havia refletido de fato, no que acreditava. Era mais fácil levantar uma bandeira que todos esperavam que ela levantasse, ao invés de pensar por si só. “Ah não? Se trata do que então? De fugir ou morrer? São as duas únicas opções?” ela perguntou com os olhos chegando a brilhar - quase marejavam. Ele realmente não achava que ela fosse capaz? Será que mais pessoas achavam isso? Será que era uma piada nacional? Deu uma risada, dessa vez sem qualquer humor nela. Virou-se de costas caminhando ate um móvel na mansão e apoiou as mãos ali. “Ótimo, bom saber que a questão era na sua frente” ela assentiu e balançou a cabeça “Você faz com que as coisas pareçam sempre exageradas. Você faz parecer como se eu fosse uma idiota que não sei me cuidar.”