Heather engoliu em seco, olhando o ramalhete de flores roxas diante de seus olhos, ela conhecia tais flores e de onde elas haviam sido tiradas, ele não precisava reafirmar o óbvio. A morena mordeu o interior de sua bochecha, deixando que sua respiração escapasse por seus lábios avermelhados, nem mesmo tinha percebido que a prendia, seu coração batia em evidência pela surpresa, ela precisava admitir que amara ter recebido as flores, eram significativas. No entanto, ainda existia certa mágoa como resquício dos dois dias atrás, aquela tivera sido a primeira vez que Chris levantara sua voz e por um motivo ainda mais bobo, seu Quarterback não era assim, pelo menos não com ela. De soslaio, Heather conferiu que mais ninguém além deles pareciam prestar atenção em suas ações, ela maneou suavemente a cabeça, desfazendo sutilmente o sorriso que ela tivera direcionado ao namorado “Você gritou comigo, Christopher.” Ela constatou, erguendo o rosto quase que completamente para trás, verificando o namorado, seu pai sempre tivera sido indiferente, mas ele já ouvira seus gritos com sua mãe, o coração da morena se apertara pela lembrança, pois o pior era ter que sorrir após tal acontecido. “E eu não fiz nada para que você tivesse feito algo assim…” Ela comentou ainda baixo, quase em tom de resmungo, não pretendia soar como se não estivesse chateada, mas Chris tivera sido o melhor que tivera lhe acontecido por todos aqueles anos, ele a tratava bem, sempre tivera sido deveras atencioso e se importava com ela, não era assim que tivera funcionado? Heather voltou seus olhos azuis para as flores roxas, poderia ter sido um conhecimento inútil armazenado em seu cérebro, mas para alguém que sempre tivera vivido para impressionar qualquer pessoa, cores de flores sempre foram importantes. Por planejamento ou coincidência, presentear alguém com flores roxas era a melhor maneira de transmitir respeito, o coração de Heather dizia que deveria o perdoar, afinal, era Christopher e ele não quebraria seu coração, não fora aquilo o que ela lhe pedira quando começaram a namorar? Mas da mesma forma, ela não gostaria de ter se sentido daquele jeito outra vez, ela sempre tivera se sentido daquela forma em casa, quase alheia, mas mesmo assim em um ciclo vicioso e que ela nunca poderia escapar. No entanto, Heather também sentira falta de seu namorado, ele sempre tivera sido o melhor namorado que ela poderia ter, por um lado, Chris deveria estar apenas estressado… “Você foi um idiota…” Ela murmurou, olhando para os olhos claros do rapaz, deixando que uma pequena proeminência em seu lábio inferior se formasse. “Eu não gostaria de amar você enquanto está sendo um…” ’Amar’ e ’não amar’, tais sentimentos não eram como um interruptor que magicamente ligava e desligava, pelo menos não para ela, quiçá aquele ainda fosse seu maior problema, ela desejava conseguir amar menos, amar menos para que não encobrisse sua mãe embriagada, amar menos para que seu irmão procurasse ajuda com seu vício, amar menos seu pai e poder falar como se sentia em relação a infidelidade com sua mãe, amar menos Chris com esse período em que tudo parecia inflamável. “Não tente quebrar meu coração novamente…” ele já está bastante dilacerado, completou mentalmente, já que não esperava ter que explicar mais que o que o outro já sabia. Ela pegou com delicadeza as flores das mãos masculinas, um sorriso tão suave quanto as plantas apareceu em seus lábios, ainda eram suas flores favoritas, afinal, mesmo que não soubesse ao certo se estava satisfeita com o pedido de desculpas, o que lhe garantiria que não receberia tais flores próxima também? Heather mordeu o canto do lábio inferior, olhando mais uma vez para os lados, confirmando que não estavam sendo observados, girou nos próprios calcanhares, fazendo com que a saia quase minúscula das líderes de torcida também girasse com o movimento. Com uma das mãos, ela colocou uma das mãos no peitoral masculino, especificamente espalmada no local do coração, era reconfortante sentir seu namorado em sua pele. “Mesmo assim eu ainda amo você… Mas por que está tão irritado esses dias, Christopher?”
O sutil e esperançoso sorriso que se formou no rosto de Christopher se desmanchou assim que ouviu a primeira resposta dela. Parecia ainda estar magoada demais para perdoá-lo facilmente, e passar por cima do acontecido. Ele não passaria dessa sem conversar sobre, pelo visto. Teria de lhe dizer a verdade, e não queria tocar naquele ponto delicado, aquela ferida em aberto. Pressionou os lábios um contra o outro, numa expressão de lamento. ❛❛ Eu estava aborrecido, não era com você. Sei que eu fui um idiota. ❜❜ Se ela o conhecia tão bem quanto ele achava, perceberia que aquilo era um grande passo. Christopher estava admitindo um erro em voz alta, e chamando a si mesmo de idiota pela sua atitude. Raramente fazia isso. Erros são cometidos, casais discutem, mas os dois sempre se deram tão bem que até mesmo as brigas não eram algo visceral, não elevavam as vozes ou ficavam dias sem falar um com o outro. Suspirou ao ouvi-la dizer a palavra em voz alta, porque sabia que era verdade e merecia escutar, mas era doloroso mesmo assim. A fala a seguir o fez sorrir fraco, e tomou a liberdade de aproximar o rosto do dela um pouco mais. Com a diferença de altura, precisava olhar para baixo e curvar-se um pouco para alcançá-la. Levou uma das mãos, grandes e firmes, até a cintura dela, acariciando-a. ❛❛ Eu não vou. Posso vacilar às vezes, mas eu não vou quebrar a promessa que te fiz. ❜❜ Fez menção ao dia em que a pediu em namoro, quando lhe prometeu não quebrar o seu coração. Patterson não tinha um bom exemplo de casamento bem sucedido em sua casa, mas ao menos serviu de exemplo para ele saber como tratar uma mulher. Por mais que tivesse deixado sua irritação tomar conta e descontar em Heather, essa era uma atitude que pretendia não cometer novamente. Ao menos foi o que o prometeu a si mesmo naquele momento. Apesar de não ser um cara muito sensível, o que sentia pela jovem o fazia agir com muito cuidado, zelo, carinho, o mais gentil que era possível, dentro dos padrões do quaterback grosseirão que não tinha o costume de demonstrar sentimentos. Quando ela girou de frente para si, o jogador abriu um sorriso largo, as covinhas em evidência. Continuou com as mãos repousadas em sua cintura, aproximou o rosto ao dela e lhe depositou um beijo no nariz. ❛❛ Eu amo você. ❜❜ Repetiu a fala dela, com sinceridade em seu tom de voz. Os olhos azuis fitaram os dela, o alívio no peito por, aparentemente, estarem se acertando. A promessa interna de que não repetiria o erro. Mas ele não contava de ouvir aquela pergunta. O motivo, a razão do seu estresse contínuo. O motivo pelo qual ele havia agido grosseiramente com ela, como nunca havia feito antes. Christopher não queria falar daquilo, mas não queria mentir para a namorada. A solução foi contar a história pela metade, reduzida, sem fazer alarde. ❛❛ Sabe que meu pai sempre me pressiona a respeito do futebol, e esse ano vai ficar pior. ❜❜ Não era mentira, apenas omitiu a parte em que havia sido quase torturado durante muitos dias de suas férias a respeito desse assunto. Além da cobrança quase diária sobre suas notas, que haviam caído um pouco nas últimas provas do ano passado, o que significava que se ele piorasse, poderia ser expulso do time. ❛❛ Mas ei, que história é essa de Christopher? ❜❜ Fingiu-se de chateado, franzindo o cenho. Aproximou os lábios do ouvido dela para sussurrar. ❛❛ Para você eu sou amor, baby, ou alguma coisa assim... ❜❜ Depois lhe encheu de beijos pelo pescoço e pela bochecha, fazendo uma pequena trilha até chegar a seus lábios. As mãos em sua cintura, puxando-a um pouco mais contra si.