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@odstiinta

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{ when words cannot be held in our mouths • delilah&stelian;;
firemeetdelilah:
odstiinta
O caminho até a enfermaria, assim como o restante de seu dia, havia sido uma tortura. Não sabia se a sensação atual era pior, ou se seria ainda pior no dia seguinte. Quando todos já teriam se recuperado do choque e olhariam para ela como a coitadinha. Oh, como ela odiava a sensação de pena. E isto, só considerando. Se ela realmente encontrar algum olhar caridoso mirando-a, não sabe o que é capaz de fazer; na verdade, ela sabe: nada. Repreendeu-se, enquanto era medicada. Nada, sempre fora tudo o que ela sempre fizera. Revoltava-se com as coisas, e nada fazia. Odiava as pessoas, e não se manifestava. Achava graça das coisas, mas não ria. Opinião própria sempre lhe fora muito subjetivo e agora que tinha controle sobre a tal, não considerava isso uma coisa boa. Afinal, estava no castelo. O lugar onde sua opinião própria deve ser mantida entre ninguém mais ninguém menos do que ela. Se não quisesse que tivessem pena dela, teria que fazer por merecer e só de pensar nisso, a cabeça lhe doía ainda mais. Não estava com paciência para preparar-se para o dia seguinte, como fazia sempre, tampouco tinha paciência para aguentar o segundo seguinte com uma expressão neutra no rosto. A vontade de gritar seria malvista? As lágrimas, já cansadas de correr sobre seu rosto, seriam vistas como fraqueza? Chamar alguém, seria visto como uma preferência pessoal? A propriedade de Illéa podia agir como queria naquele momento? Não. Se pudesse, sairia dali e trancaria-se em seu quarto, dispensaria todas as criadas e se embriagaria com memórias — estas lhe serviriam como calmantes.
Por todas estas questões sem resposta e todas as respostas que não encontravam a pergunta correta para agregarem-se, que a selecionada agradeceu mentalmente pela prescrição recebida: remédios para dormir e outros que tinha preguiça demais para ler o rótulo. Ela realmente dormiria naquela noite! Não teria… Algum tipo de perseguição mental pelas memórias, que poderia prever que lhe atormentariam por um bom tempo — quem sabe para sempre? Tempo é algo surpreendente, como seu pai uma vez lhe dissera.
Confusa, era sua mente naquele momento. Não sabia se era o choque dos acontecimentos anteriores, ou se eram os medicamentos; não importava. Uma vez na vida, ela conseguia ficar completamente aleatória a qualquer que fosse o assunto, e não prestava atenção em nada por muito tempo. Não podia mentir, era uma sensação um tanto libertadora. Os olhos, desta vez não tão ávidos e observadores como o usual, corriam pelo local, mas com preguiça demais para analisá-lo. Não era analisar e entender o seu trabalho primordial? “Não hoje”, suspirou. Merecia esta folga, Delilah concluiu. As pessoas ali lhe dariam nos nervos — não gostava de ver ninguém machucado —, mas naquele dia? Estava ocupada demais divertindo-se com a expressão de algum funcionário, com algum detalhe no papel de parede ou até mesmo com a frequência em que piscava os olhos. Céus, como a sensação era boa. Não teriam destas pílulas para lhe oferecer muito antes? Vinte e um anos atrás, talvez?
— Lobos! — Delilah exclamou, olhando para o homem deitado na maca ao seu lado. Se não estivesse tão cansada, ou tão alterada, teria reparado que tratava-se do Príncipe Stelian. Sinceridade a mesa, ainda não tinha muita certeza da razão por trás de sua fala. Apenas era algo que lhe viera a cabeça, e a Lilah espontânea de alguns anos atrás falava tudo aquilo que vinha a cabeça. — Os lobos atacaram hoje. Eles me pegaram, com garras afiadas. Uivaram desafinadamente… E agora foram calados. E, agora, eu tenho medo de lobos. Você tem? Medo, deles? Eu teria se fosse você. Ouvi dizer que os uivos podem ser ouvidos… Durante, noites… Tristes como esta.
ᴀssɪᴍ ᴄᴏᴍᴏ ᴅᴇʟɪʟᴀʜ, sᴛᴇʟɪᴀɴ ᴛᴀᴍʙᴇᴍ ᴏᴅɪᴀᴠᴀ ᴀ sᴇɴsᴀçᴀᴏ ᴅᴇ ᴘᴇɴᴀ. Aquele era um dos motivos do porquê tanto detestar enfermarias e hospitais, por mais que sempre acabasse voltando para lá, de uma maneira ou de outra -- era um garoto-problema incorrigível. Segundo a sua mente deturpada e distorcida, a pena mostrava sinais de fraquezas que ele jamais poderia admitir ter. Afinal, ele era um aspirante a rei e praticamente herdeiro único (não sabia se poderia considerar seu irmão de pouco mais de seis anos de vida como o próximo rei, e seu irmão bastardo... Bem, ele sequer se dava chegava a pensar na existência de Simon em momentos como aquele), e fraquezas dignas de pena eram simplesmente humilhantes.
Entretanto, lá estava o príncipe, futuro rei da Romênia, terra das histórias mais fantasiosas e tenebrosas de vampiros de todos os tempos -- essa fama insistia em persegui-lo --, descendente direto do povo romano... Deitado em uma maca estúpida, em uma enfermaria estúpida, por conta de uma estúpida faca atravessada em seu estômago por um rebelde igualmente estúpido. Sentia ódio por ter sido tão facilmente desarmado e derrotado da forma que fora, mesmo com uma pistola em mãos, posto em segundos naquela condição deplorável. Não poderia crer que um de seus únicos atos de coragem em toda a sua vida fora retribuído com aquele vexame. Era simplesmente patético, ridículo. Se recordaria daquela experiência durante toda a sua vida, em um lembrete doloroso de nunca mais pensar em bancar o herói, mesmo que um herói egocêntrico (afinal, quando tivera a mirabolante ideia de invadir a sala de armas e roubar aquele revólver, suas intenções não eram nada mais nada menos do que manter-se a salvo). E toda aquela comoção que a nação sentia por ele e por todos os outros mortos e feridos somada à sua cólera pelo fracasso de sua tentativa de defesa, fizeram com que Stelian tentasse um segundo ato de loucura: Fugir da enfermaria e descansar em seu quarto, de onde não deveria ter saído desde quando os ataques tiveram início.
O seu plano fracassara, porém: Quando tentou escapar daquele lugar esterilizado e branco demais para seu gosto, estava sob o efeito de algumas drogas que lhe deram para que não sentisse qualquer desconforto da cirurgia recém-feita, e, por seu raciocínio estar muito mais lento que o normal, fora facilmente descoberto por ninguém mais ninguém menos que o próprio Spencer Illéa. E para a enfermaria assim retornara, recebendo uma dose mais forte daquela mesma droga anterior.
Foi aí que as alucinações mais graves começaram a acontecer.
No momento, estava em um estado de torpor tão grande que sequer havia notado que virara um temporário companheiro de quarto da Selecionada Delilah. Não a reconhecera nem por um momento, nem quando ela gritou, na cama ao lado da sua, alertando-o de lobos que iriam pegá-los naquela noite triste, como haviam feito anteriormente com ela mesma. Achando graça, o príncipe bastou-se a rir, e sua risada saiu muito mais embargada e arrastada do que o normal (não que ele ou a loura pudessem perceber alguma diferença, tendo em vista a situação em que se encontravam). ❛❛Eu não tenho medo de lobos.❜❜ afirmou, com veracidade. ❛❛Eles só vêm em noites tristes, e minhas noites não são tristes. Tu também não podes ficar triste, senão eles acabam vindo te pegar. Estás tendo uma noite triste?❜❜ perguntou, erguendo uma sobrancelha, curioso. E, sem esperar de fato uma resposta, continuou: ❛❛Podemos deixar essa noite mais alegre, e então eles não virão.❜❜ depois disso, abriu um largo sorriso, como se fosse uma criança que acabara de ganhar um doce. ❛❛Podemos nadar no mar...! Eu gosto do mar. O mar te deixaria alegre?❜❜
F E V E R - [steliana]
albescx:
Sua cabeça pesava, como se estivesse cheia de água, movendo-se de um lado para o outro dentro de sua cabeça. Tentou se acostumar com aquela sensação, de puro desconforto, e esperou alguns minutos até abrir os olhos. Sabia que estava deitada em algum lugar, mas não sabia como tinha chego até lá, e tentou puxar pela memória qual tinha sido a última coisa a lhe acontecer. Sabia que estava com Stelian - afinal de contas, quase sempre estava na presença do Príncipe. Ele estava preocupado, e estava próximo. Ah, disso ela se lembrava. Cada detalhe de seu rosto. Sua pele, seus cílios, seus olhos castanhos, suas sobrancelhas grossas, o nariz, os lábios finos, o queixo, a barba.
Ele era a memória mais vívida em sua mente. E ela sabia que, depois daquilo, tudo tinha escurecido. Provavelmente seu corpo não aguentou mais toda a pressão. Provavelmente estava na enfermaria. Liliana piscou diversas vezes para abrir os olhos completamente e consegui focar sua visão. As coisas ainda estavam um pouco embaçadas, mas ela se acostumaria logo com a luz do local. Ouviu uma respiração pesada e olhou para o lado. Seu coração praticamente parou. Ali estava ele, adormecido, sentado em uma cadeira qualquer, desconfortável, com a cabeça apoiada na maca onde ela descansava. Seu primeiro instinto foi de se sentir culpada por colocá-lo naquela situação, mas imediatamente depois ela se sentiu feliz. Feliz por tê-lo ali, só para ela. Por poder observá-lo daquela forma, por apenas alguns segundos, sem que ninguém notasse o que seu olhar expressava, sem que ele mesmo pudesse perceber o que ela sentia com aquele olhar.
Somente depois de alguns segundos que ela notou que a mão dele estava descansando sob a mão dela. Tentou mexer os dedos como se quisesse sentir mais o toque dele, talvez segurar sua mão, mas o menor movimento fez com que ele despertasse e, rapidamente, Liliana desvencilhou sua mão da dele para que o Príncipe não notasse sua verdadeira intenção e assim que seus olhos a encontraram, ela sorriu. “Stelian, eu estou bem.” Foi a primeira coisa que fez questão de dizer, vendo como estava preocupado. Mesmo assim, ele saltou de sua cadeira e gentilmente tocou seu rosto. Mais gentilmente do que merecia depois de tê-lo feito passar por tudo aquilo.
“Não precisava ter se preocupado comigo, eu estou bem. Olhe pra você, está todo amassado.” Liliana olhou para a janela do aposento e notou que já estava bem escuro. Não queria nem imaginar quantas horas tinha feito o Príncipe perder ali com ela. “Não me diga, pelo amor de Deus, que esteve aqui comigo durante todo o tempo em que fiquei desacordada. Vossa Alteza, eu teria ficado bem aqui sozinha na enfermaria.”
ᴍᴀɪs ᴜᴍᴀ ᴠᴇᴢ, ᴇʟᴀ ᴛᴇɪᴍᴀᴠᴀ ᴇᴍ ᴅɪᴢᴇʀ ǫᴜᴇ ᴇsᴛᴀᴠᴀ ʙᴇᴍ. Era irônico dizer isso, sendo que o desmaio havia acontecido há tão pouco tempo atrás e era Liliana quem estava na maca – era mais irônico ainda pensar que fora o príncipe quem passara alguns bons dias naquele lugar em que a ruiva agora se encontrava, mas não queria perturbá-la mais do que já havia com as notícias de ter se machucado algumas vezes (era um garoto problema, mesmo longe de casa). Mesmo um tanto quanto irritado com a frase tão repetida pela romena, não parou de acariciar o rosto dela, seus olhos castanhos perdidos nos azuis que pensou, mesmo por um único segundo imerso em desespero, que jamais veria de novo.
O que o tirou de seus pensamentos foram os pronomes de tratamento que Liliana utilizou. Inicialmente, seu primeiro nome -- como ele a havia instruído para chamá-lo --, o que fez que seu sorriso aumentasse ainda mais, satisfeito com o fato da ruiva finalmente chamá-lo da maneira correta para alguém com tamanha intimidade que ela tinha. Mas depois usara Vossa Alteza, e, após estralar a língua no céu da boca, seu sorriso murchou novamente. Talvez algumas coisas nunca mudassem, de fato. ❛❛Tarde demais. Eu fiquei.❜❜ retrucou-a, e sua mão foi do rosto aos fios alaranjados da garota, gostando da sensação deles enrolando em seus dedos finos. ❛❛Oras, Lils, eu não “estou amassado”, pare com isso. Quem precisava de atenção eras tu, e eu não simplesmente poderia abandonar-te aqui. Como sabes, eu mesmo já estive nesse mesmo lugar algumas vezes no último mês, então sei como é solitário.❜❜ nesse momento, sentou no espaço vago entre a ponta da maca e a garota, para que pudesse inclinar-se melhor sobre ela. ❛❛Eu jamais me perdoaria se eu te deixasse aqui…❜❜
Nesse momento, sua frase foi interrompida por uma enfermeira que ouvira a conversa dos dois e fora chamar o médico por Liliana, avisando-o que a garota ruiva havia acordado, por fim. Stelian, vendo os dois adentrarem a pequena sala lado a lado, afastou-se da menor delicadamente, indo até a dupla de branco com um olhar ansioso no rosto, esperando respostas. Ela está bem, Vossa Alteza, começou o senhor de cabelos grisalhos. Não é nada muito grave, e o desmaio foi ocasionado por uma queda de pressão. Terá que ficar de repouso por alguns dias. O príncipe assentiu obedientemente, e, para completar, lançou um olhar por cima do próprio ombro para a garota teimosa, dizendo-a, só com um olhar: É bom ouvir o que o médico está dizendo.
Feito isso, o romeno apertou a mão de ambos os técnicos, agradecendo-os, e voltou rapidamente para a maca da ruiva, onde tomou uma de suas mãos e depositou um beijo rápido nas costas desta. ❛❛Ouviste os doutores. Vais ficar de repouso até segunda ordem.❜❜ ele murmurou, soltando a mão dela e indo em direção à porta. Não era uma sensação agradável, aquela de ter que abandoná-la de uma maneira tão brusca, mas tinha consciência de que ficara muito mais tempo ao lado de Liliana do que o permitido. Já no batente da porta, antes do médico poder fechá-la, Stelian ainda teve tempo para dar um último aceno para ela, em uma silenciosa promessa de que voltaria mais tarde -- aquela sendo uma promessa que teria certeza de que cumpriria.
there is always another secret. || Stelian&Sofia
sofia-borbon:
Parecia impossível dormir depois de tudo que havia acontecido naquele dia. Não apenas com ela, mas com o castelo em geral. Tudo estava quieto, morto ─ assim como os espíritos das pessoas que antes passeavam alegremente pelo corredor. Não era só a seleção que levantava os espíritos do país, mas convidar as realezas de outros países deu uma oportunidade perfeita de juntar todas as pessoas que ela conheciam em um único lugar. E aquilo era algo raro de acontecer. Porém, os rebeldes haviam acertado em cheio ao atacá-los. Eles haviam dado um golpe não apenas físico, mas psicológico, nos membros da nobreza e no resto do país. Se ela sentisse alguma curiosidade com relação aquele momento político de Illéa, seria para saber como eles iriam sair daquele estado de choque e comoção nacional.
Mas não era o clima político de Illéa que não a deixava dormir. As imagens dos homens assombravam-na todas as vezes que fechava os olhos. Parecia que sua única alternativa era ir buscar as pílulas que prometiam fazê-la dormir. Assim, Sofia suspirou e se deu por vencida, indo para a enfermaria.
Um nome se destacou enquanto ela passava pelos quartos da ala hospitalar.
Roumaine.
Sofia ficou tentada a virar e sair, afinal, o que Stelian faria por ela? Algo que provavelmente a irritaria. Porém, eles tinha uma história antiga e, por alguma razão, ela precisava saber se ele estava bem, ao menos vivo, com seus próprios olhos. Ela tinha ouvido falar que Stelian tinha sido machucado durante o combate. Parecia-lhe ridículo. De todas as pessoas no mundo, talvez Stelian e Louis eram pessoas que ela não acreditavam que podiam se machucar. Algo que ela atribuía ao Diablo. Uma tolice acreditar que ambos eram nada além de humanos, mas algo no olhar deles a fazia questionar suas crenças. Empurrou a porta do quarto com delicadeza, ficando parada na moldura da porta por um instante. Ela riu baixo, antes de caminhar em direção ao príncipe. “Então quer dizer que quando você alucina com uma mulher, dentre todas no mundo──” ela disse, rodeando a cama, com um sorriso fraco no rosto. Por mais que tentasse imitar seu sorriso malicioso usual, era difícil continuar com o que parecia uma farsa. Sofia colocou as mãos no pé da cama antes de completar a frase, “quer dizer que é comigo que você alucina?”
ᴀ ʀᴇsᴘᴏsᴛᴀ ᴅᴇʟᴀ ғᴇᴢ ᴏ ʀᴏᴍᴇɴᴏ sᴏʟᴛᴀʀ ᴜᴍᴀ ʀɪsᴀᴅᴀ ᴅᴇ ᴇsᴄᴀʀɴɪᴏ, ᴛᴀʟᴠᴇᴢ ᴅᴇ sɪ ᴍᴇsᴍᴏ. Por um momento, fora um riso tão natural que parecera que Stelian estava tendo um de seus momentos de lucidez em meio a todas aquelas drogas que lhe deram para que pudesse se acalmar e não tentar fugir da enfermaria (como teimara em fazer uma vez antes de dobrarem a dose dos remédios que o acalmariam) – e o fariam ter alucinações tão absurdas quanto o cientista, morto há séculos, voltasse à vida para conversar justo com um mísero doente (nos dois sentidos de enfermo e de louco mental). Era Sofia, sem dúvida alguma, agindo sobre ele, mais uma vez. E estava feliz por finalmente poder conversar alguém que sabia ser de carne e osso, que tinha, ao menos algum laço emocional com ele para que pudesse manter-se minimamente consciente.
❛❛O que posso fazer?❜❜, perguntou, mas, mesmo com a voz embargada, seu sorriso maldoso ainda permanecia em seu rosto, sendo a cereja do bolo da tão comum característica aparência do moreno. Inconscientemente, esperava que aquilo pudesse mostrar à loura que, debaixo de todos os efeitos colaterais dos remédios prescritos, Stelian ainda era ele mesmo, afinal. ❛❛Aparentemente a tua imagem gosta de ficar fixada na minha cabeça…❜❜
Quando disse aquilo, porém, a imagem da princesa espanhola realmente voltou a fixar-se em sua mente: E, nela, a garota sorria alegremente, suas falas de duplo sentindo conquistando o romeno em um jogo implacável e interminável, seu andar sendo extremamente sensual, como se estivesse rebolando, capaz de conquistar qualquer um que fosse com uma simples jogada de cabelo ou uma piscadela. Aquela era a Sofia que conhecia. Se não estivesse ébrio, com certeza teria notado a tristeza no olhar da garota no instante em que ela adentrara a porta ou puxara um dos cantos dos lábios em uma terrível imitação do próprio sorriso malicioso. Entretanto, aquele não era o caso, e Stelian viu-se confuso, mais uma vez. ❛❛Espere…❜❜ disse, sua voz carregada de desconfiança e inocência (algo raríssimo para o príncipe). Olhou-a por mais alguns momentos, os olhos semicerrados, julgadores. As imagens das duas Sofias – a de sua mente e a que estava em sua frente – não coincidindo, não fazendo sentindo algum.
Só devia haver, então, uma única explicação.
❛❛… É, tu deves mesmo ser outra alucinação.❜❜ e negou com a cabeça, desapontado e triste por pensar, por um momento, que a loura de verdade poderia ter visitado-o ali. ❛❛A Sofia que conheço tem um sorriso muito, muito mais bonito.❜❜ completou, sem nem pensar em filtrar as palavras que saíam de sua boca.
we always hit on each other in the worst moments. || Stelian&Spencer
illeaspencer:
Havia se tornado uma rotina, não apenas para Spencer, mas para Damon também, ir diariamente até a enfermaria para saber como estavam todos os feridos. O herdeiro geralmente apenas checava as selecionadas, no máximo algum outro nobre; Spencer, por outro lado, falava com cada um dos que estavam lá dentro. Damon estava se sentindo mal por pensar ser o culpado pela facilidade que os rebeldes tiveram para entrar no castelo. O loiro sabia que o irmão não tinha nada a ver com isso. Fora ele quem dera todas as dicas, explicara cada um dos movimentos e então se viu traído pelo próprio grupo.
É comum de se escutar por aí que o poder corrompe, o que poucos percebiam era que a pobreza também. Ter muito, ou ter pouco. Ambos nos pedem medidas extremas. Spencer sempre fizera parte do primeiro grupo, e ao mesmo tempo tentava se encaixar no segundo. Uma ideia idiota, imprudente aos olhos do pai. Aonde pensava que chegaria jogando nos dois times? Quanto tempo demoraria para perceber que não pertencia a nenhum deles? Menos do que ele esperava.
E foi enquanto dobrava a última esquina para finalmente alcançar a enfermaria que avistou Stelian. Os dois já se conheciam há muitos anos, porém a visão de Spencer sobre o moreno havia mudado brutalmente nos últimas dias, desde o ataque. O vira na enfermaria e os tão usuais flertes que costumava direcionar a ele, agora mais pareciam uma infantilidade. O olhar do príncipe estava mais sério do que estivera desde que abdicara o trono… E o de Stelian mais aleatório do que nunca. “Que tipo de medicamente deram para você?” perguntou ao outro, porém não sabia se deveria esperar uma resposta. Pela maneira como andava, certamente havia sido algo forte.
Seu olhar então se desviou para um pequeno machucado na pele do príncipe e o loiro logo soube que o romeno havia, na verdade, fugido da enfermaria e não sido dispensado. “Hora de voltar para dentro, Stelian.” murmurou, e então passou a guiá-lo de volta para a maca onde antes estivera. Não demorou muito até que uma enfermeira finalmente aparecesse e lhe sedasse, o olhar enuviado de Stelian ainda fazendo Spencer rir baixinho.
□□□
Algumas horas mais tarde, depois que a enfermeira avisara a Spencer que o romeno estava em melhores condições, o príncipe decidira voltar ao quarto deste. Porém, ao chegar lá se perguntou imediatamente o que a mulher quisera dizer com “melhor”. Stelian não parecia em melhores condições, apenas mais grogue… e talvez incomumente risonho. O que acabara fazendo o loiro rir também e se aproximar da maca.
“Realmente acredita que está em condições para ficar andando pelo castelo?” tentava falar devagar, sabendo que o outro demoraria para compreender suas palavras de qualquer forma. “Você está sendo medicado, Stelian, então o fato de você não entender não me surpreende.” E Spencer, dentre todas as outras pessoas no castelo, possivelmente era a única que realmente tinha o direito de dizer isso.
Afinal, os rumores ainda corriam por aí. Quem não desconfiava que o príncipe era um viciado? Não tinham provas sobre isso, jamais daria esse prazer aos funcionários, mas desde que Gregory descobrira, esse segredo se tornou algo mais fácil de guardar. Ele era comumente encontrado em cenas ainda piores que Stelian… E talvez por isso soubesse lidar tão bem com a situação.
ᴛɪʀᴏᴜ ᴏs ᴏʟʜᴏs ᴅᴏ ᴛᴇᴛᴏ, ᴅᴇsᴠɪᴀɴᴅᴏ-ᴏs ᴘᴀʀᴀ ᴏ ʟᴏᴜʀᴏ. As orbes castanhas não chegavam a estar vidradas, como se estivesse paralisado ou morto; muito pelo contrário, elas estavam mais vívidas que nunca. Entretanto, a vividez destas deixavam o moreno um tanto quanto psicótico: As pupilas estavam dilatadas demais, o que fazia com que suas íris, já escuras, se misturassem com as pupilas e a mescla das duas dava a impressão de que seus olhos eram dois poços profundos da mais completa escuridão, o único brilho verdadeiro sendo o da iluminação do quarto que o cristalino do órgão refletia. Em uma metáfora, era como se tivessem olhando para dentro da mente do príncipe -- afinal, o que poderia ser toda aquela escuridão, se não um reflexo da própria psique conturbada e distorcida do moreno?
Stelian percebeu, quando seus poços de escuridão encontraram os mares infinitos de Spencer, que este ria claramente de seu estado risonho demais, e, se este estivesse totalmente sóbrio, muito provavelmente teria mudado o assunto, pois não era de seu agrado ter alguém rindo de sua situação. Entretanto, o sorriso do louro o fazia rir também; sob o efeito das drogas, era como se tudo parecesse mais divertido, inclusive o fato do príncipe de Illéa, ex-sucessor ao trono, viesse visitá-lo, mesmo depois de tê-lo encontrado em uma tentativa de fuga da enfermaria há não muitas horas atrás. De qualquer forma, não era como se o romeno estivesse com capacidade de poder argumentar com o outro -- se tentasse, muito provavelmente ia acabar confundindo a si mesmo e iria se constranger no meio das palavras embaraçadas e das justificativas contraditórias e emboladas. Por conta disso, bastou-se a sorrir um sorriso de escárnio para o outro, achando graça na pergunta feita.
❛❛E eu não estou em condições? Eu poderia sair daqui agora mesmo e poder fazer qualquer coisa... Foi só uma facada...❜❜ retrucou, seus olhos percorrendo o corpo do rapaz, estranhando o fato de sua voz estar mais lenta que o normal -- seria efeito da medicação, ou Spencer estaria tentando fazer com que entendesse o que dizia com mais facilidade? Ah, não importava, tudo estava tão confuso, mesmo. A última frase do louro, no entanto, não passou batida pela cabeça já desalinhada do romeno. Poderia ter quilos e quilos de droga em seu organismo, mas boatos eram sua especialidade, e aquela era a chance perfeita de provar alguma coisa... Mesmo que, eventualmente, não se lembrasse de nada quando o efeito passasse.
Sem pensar direito no que fazia, levou, de súbito, uma de suas mãos -- a mais perto do louro, obviamente -- até o casaco do outro, puxando-o para perto de si e forçando-o a encarar a vastidão negra de suas orbes e seu sorriso maldoso. ❛❛Por que a minha condição não te surpreende, Spencer...?❜❜ e teria continuado com as ameaças, mas o contato físico e a proximidade, ambos tão repentinos, fez com que a linha de raciocínio do moreno fosse cortada ao meio. Malditos remédios. Malditos, malditos remédios. ❛❛... Uau.❜❜ murmurou, seu sorriso maldoso aumentando um pouco mais. ❛❛... Você de perto é muito mais bonito, já te disse isso? Porque eu deveria.❜❜ e, sendo a cena não constrangedora o suficiente, ergueu as sobrancelhas e mordiscou o canto do lábio inferior (como se tivesse alguma chance de sedução naquele estado, claro).
Agora não sabia se estaria mais agradecido ou frustrado por não se lembrar daquela conversa depois.

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Play the part || Louis & Stelian || Flashback
schweiz-furst:
Ele o deixara desconfortável. Toda a linguagem corporal que Stelian adotou desde que começou a falar deixava em evidência o que Louis já imaginava que fosse acontecer. Era óbvio, ninguém gostava de ter seus erros apontados da forma como ele o fez, minutos atrás, mas sentia que precisava pôr ao menos um pouco de racionalidade na mente de Stelian – racionalidade essa que, ao que tudo indicava, estava adormecida em meio a sua personalidade narcisista e egocêntrica. Louis negou lentamente, assentindo uma única vez quando o moreno finalmente decidiu abrir a boca. Por segundos, deixou um sorriso pintalgar seus lábios apenas com a resposta do amigo, levantando uma das sobrancelhas como se o estivesse desafiando. Um desafio que, ele sabia, não seria levado a sério, tampouco ser cobrado mais tarde, evidentemente – não era como se estivessem na Suíça ou Romênia e pudessem pegar qualquer um nas ruas de Angeles para servirem como suas distrações particulares por alguns dias; não, as coisas em Illea eram muito mais difíceis para Louis, pelo menos. Talvez fosse a hora de ele aprender mais com os métodos de Stelian, mas não via sentido em destruir a mente de uma pessoa se não poderia ver os resultados tão imediatamente quanto aqueles que obtinha quando destruía seus corpos.
Assentiu uma última vez antes de despejar mais um pouco de café em sua xícara e leva-la aos lábios. Antes que pudesse saborear da iguaria, entretanto, voltou os olhos para o moreno à sua frente, um meio sorriso intrincado em seus lábios, praticamente os deformando. “Sabe que o convite sempre estará de pé, Stelian.” Antes que o amigo pudesse responder, Louis engoliu o conteúdo da xícara com toda a elegância que tinha – o que não dizia muito, já que ele nunca fora muito ligado a parte concernente às etiquetas nobiliárquicas. Ele já o vira em uma de suas sessões de tortura, sabia como Louis libertava toda a violência que há muito encarcerara dentro de si para que não machucasse pessoas minimamente inocentes – ainda era difícil se controlar; controlar a urgência que sentia desde que acordava até a hora de ir dormir, mas devia manter as aparências. O povo suíço não desejava mais um rei impiedoso e cruel como Viktor fora, mas sim um rei tão digno quanto o pai, misericordioso. Louis sabia que jamais conseguiria se portar como Sebastian, mas manter-se longe do arquétipo que Viktor seguia deveria ser uma das maiores prioridades para ele, ao menos publicamente.
Stelian começou a falar, e Louis o ouviu atentamente, tomando notas mentais conforme ele continuava a discorrer sobre suas ações, sobre os motivos que o levaram a tal e, por que não? Sobre a própria inveja que sentia do tratamento que o bastardo recebia. Ele sabia de tudo aquilo, especialmente da repulsa do romeno pelo seu irmão. Por isso ele o aconselhara a deixa-lo de lado ou simplesmente acabar com sua vida, para que finalmente pudesse se ver livre daquela sina, daquele peso que parecia carregar sempre que não encontrava algo a seu favor. Por um momento, Louis se esqueceu dos próprios problemas, do fato dela ter dormido em sua cama na noite anterior e de seu comportamento impulsivo quando perto dela – era natural que algo assim acontecesse perto do romeno, ele fazia com que se esquecesse de seus problemas, ou ao menos desse as ferramentas para solucioná-lo, quando o esquecimento não era possível. Levantou uma das sobrancelhas, cruzando os braços em frente ao corpo, como se aquilo lhe trouxesse uma mínima posição de autoridade. “Parece-me que está travando uma luta entre o bem e o mal, Estrelinha.” Debochou, revirando os olhos teatralmente. “Devo lembra-lo de que até mesmo o mais bondoso dos homens tem seu cerne de maldade? Teria explorado isso, se fosse você.” Voltou os olhos para o moreno, sabendo que não havia muito mais a ser dito sobre o assunto. Se Stelian o tinha dado por encerrado – ou ao menos estava em um tipo de purgatório para que voltasse a lidar com ele assim que voltasse para a Romênia –, não seria ele a continuar naquele assunto, apesar de sua vontade, de sua necessidade. Quanto mais tempo tomassem travando uma conversa sobre a Estrelinha, por menos tempo o amigo o analisaria. Assentiu uma única vez, levantando a xícara de café como se estivesse brindando ao sucesso do romeno, mas seu rosto demonstrava algo diferente. Louis estava zombando de McAteer.
“Nenhum plano é perfeito, Stelian. Todos têm abertura para algo dar errado.” Deu de ombros, tentando não pensar sobre as vezes em que seus sequestros deram errado, as vezes em que ele deixara os rebeldes suíços escaparem – os tinha capturado meses depois, mas seu orgulho simplesmente não permitia que ele se gabasse por conta daquilo. Todos os planos, por mais detalhistas, por mais que considerassem todas as variáveis eram passíveis de erros, ele sabia. Stelian, por outro lado, não parecia ter essa consciência. “Sempre tenha um plano B, C, D – a quem estou querendo enganar? Tenha planos de suporte para o caso do primeiro, segundo, terceiro e assim por diante darem errado, mas creio que saiba isso, então não há muito a ser dito sobre.” Gesticulou, pretendendo fincar uma falta de importância ao que dissera, mas, intimamente, Louis desejava que Stelian o escutasse, que tivesse o senso para saber que Louis simplesmente desejava que ele não se afundasse em meio a um ímpeto quase tão impulsivo quanto os que o assolaram desde a chegada das selecionadas a Angeles.
Quando o moreno à sua frente sorriu, Louis conteve a vontade de suspirar, sabendo o que viria em seguida. Dera o assunto por encerrado, ao menos por ora, e o suíço não podia fazer nada que não fosse suspeito para tornar a pôr os holofotes sobre a Estrelinha. Permitiu-se sorrir debochado enquanto apoiava as costas no encosto da cadeira, cruzando as pernas de forma displicente. “E pensar que a Romênia tivesse mais formas de distrair um aspirante a rei.” Sorriu, cruzando as mãos sobre seu colo. Revirou os olhos ao escutar o apelido, todavia, certo de que o romeno tinha mais criatividade do que aquilo. “Nos conhecemos há quanto tempo, Stalinho? Mais de cinco anos, talvez?” Tentou adivinhar, a careta incrédula posta em sua face enquanto um sorriso insistia em se formar, mas era impedido pelo orgulho de Louis – o que apenas contribuía para formar algo disforme na região dos lábios, um misto entre divertimento e irritação. Negou, dando de ombros depois de algum tempo o encarando. “Pensei que o mestre dos planos, da criatividade e da perfeição já tivesse inventado algo mais original do que piadas relacionadas a queijo.” Revirou os olhos, descruzando as mãos e levando uma a sua testa apenas para que escondesse a vontade que tinha de rir daquela situação toda. “Francamente, Stalin. Pensei que fosse melhor do que isso.” Deu de ombros uma última vez, desviando a mão para a gola da blusa social – há quanto tempo não usava algo do tipo?
ɴᴀᴏ ᴇʀᴀᴍ sᴏ ᴀs ᴘᴀʟᴀᴠʀᴀs ᴅᴏ ᴍᴇʟʜᴏʀ ᴀᴍɪɢᴏ ǫᴜᴇ ᴍᴏsᴛʀᴀᴠᴀᴍ ᴏ ᴅᴇsᴀᴘᴏɴᴛᴀᴍᴇɴᴛᴏ ᴅᴇsᴛᴇ ᴘᴀʀᴀ ᴄᴏᴍ ᴇʟᴇ. A maneira como seus olhos se mexiam, olhando-o de cima a baixo de maneira julgadora, a forma como sorria, o brilho de desprezo nas orbes. Tudo isso incrementado à entonação de voz que Louis tinha nas palavras fazia com que o orgulho de Stelian fosse sendo esmagado cada vez mais. Por mais que já esperasse que o outro iria fazer isso com ele caso o assunto chegasse na obsessão frenética do romeno, o encontro não deixava de tornar-se doloroso, mesmo que em tão pouco tempo. Mas, bem, fora ele mesmo quem trouxera o assunto para poder sentir a dura realidade jogada em sua cara, não é? Também não desviara o foco da conversa para ele mesmo no intuito de flagrar a história que Louis escondia de uma forma esdrúxula? Oras, agora que aguentasse o que ouvia.
O maniqueísmo atribuído inicialmente fora a informação que menos ferira sua soberbia. Isso era algo que ele mesmo poderia admitir em voz alta, pois, de uma certa forma, era, sim, uma luta de bem contra o mal. A questão era que Stelian era mau por natureza, e apenas queria provar que, naquela batalha, no mundo real fora de histórias fantasiosas, o mal poderia sim, vencer o bem -- coisa que aconteceu depois de um tempo consideravelmente tortuoso. Contudo, o fato de Louis tê-lo lembrado do óbvio (o fato que todos os homens têm um cerne de maldade) fez o romeno soltar uma fraca risada incrédula. O que ele pensou que estivesse fazendo durante todos aqueles incansáveis meses? ❛❛A questão, brânzos, é que Simon não deixava as pessoas se aproximarem por natureza própria. Talvez por ele ter crescido fora dos portões do palácio, a realeza o incomodava. Tanto que apenas consegui vencê-lo no momento em que ele caiu de amores por uma outra criada.❜❜ no momento em que encerrara a sua fala, Louis levantou o copo de café, em um brinde. Stelian bastou-se a revirar os olhos, mudando-se mais uma vez de posição na cadeira. Odiava ser motivo de chacota, e o tenente sabia disso mais do que ninguém. Deveria ser por isso que costumava fazê-lo em todas as oportunidades possíveis.
O que realmente parecera como uma faca sendo atravessada em seu orgulho fora a questão dos planos de reserva. Afinal, poderia ser considerado, sem exageros, um dos homens mais cultos e inteligentes de todo o mundo por causa de seu tempo absurdo dedicado aos livros e ao conhecimento; entretanto, do que valia tudo isso quando a sociopatia afetava-lhe o cérebro, deixando com que um erro sequer não passasse despercebido, mas que usaria sempre a mesma técnica para tentar repará-lo? Ele era louco, obcecado, e ele simplesmente não aceitava que um plano seu, tão detalhado durante meses incansáveis, pudesse ter falhas que, depois de ocorrerem, tornavam-se tão óbvias. Antes de seu meio-irmão, aquilo nunca havia acontecido com nenhum outro de seus alvos, então por que se importar de fazer outros planos, “caso o primeiro dê errado”? O primeiro nunca dava errado. Às vezes não corria como o planejado, claro, mas eram apenas variáveis que poderiam serem consertadas com facilidade, nada drástico demais a ponto de um outro plano inteiramente complexo ser necessário. Se fosse assim a sua estratégia de combate, então jamais teria tantas vitórias -- nem teria tempo para tê-las, já que criar um único plano suficiente e prever todas as suas possíveis variáveis tomava um período considerável de seus dias. Não conseguia entender como os estrategistas faziam planos rápidos com tantas falhas para pensar em outros com o mesmo número de falhas. Todavia, por mais que o distúrbio de Louis fosse parecidíssimo com o seu (a ponto de leigos confundirem a sociopatia com a psicopatia), aquela característica não era comum nos dois. Queria rebater o amigo e expor todos os números e argumentos sobre como a sua técnica tinha dado certo, mas do que aquilo adiantava sendo que o último erro estava tão próximo? Uniu os lábios, nervoso. Às vezes se perguntava do porquê ainda queria manter conversas daquele tipo com alguém tão pretensioso e sádico quanto ele próprio -- masoquismo, quem sabe? ❛❛É claro que eu sei.❜❜ foi sua única resposta, seguida de uma jogada de ombros, como se não se importasse com a informação dada -- e nunca agradeceu tanto ao fato de ser ótimo escondendo as próprias emoções.
Mas o assunto sobre si havia acabado, certo? Stelian tinha deixado isso bem claro com a última frase. Contudo, a ansiedade do suíço em querer continuar distraindo o amigo fora como um estimulante (outra diferença entre os dois era o tipo de sofrimento que os alimentava; e, ah, como o romeno estava tão subitamente relaxado no momento!), fazendo com que um sorriso travesso brincasse em seus lábios. Os elogios foram a cereja do bolo para acariciar o ego do romeno, há poucos segundos tão maltratados pela mesma boca que agora o consolava. ❛❛A Romênia tem, mas é como estávamos conversando até agora: Eu estive um pouco ocupado para pensar em outras diversões, que posso desfrutar à vontade em Illéa.❜❜ e a forma raivosa a como o adjetivo fora proferido, apesar do sorriso ainda presente, deixava bem claro como o último assunto era para ser deixado de lado. Entretanto, fora a última frase de Louis que dera, finalmente, a oportunidade do príncipe contra-atacar. E foi com deleite que Stelian inclinou-se sobre a mesa, pegando o próprio copo de café e dizendo, com naturalidade: ❛❛Não, Fondue, minha criatividade é muito inferior à sua.❜❜ disse, e seu sorriso travesso transformou-se em um maldoso em menos de um segundo -- até suas orbes pareceram mudar, agora com o foco subitamente mudado. ❛❛Afinal de contas, eu não tenho a capacidade de manter a minha mente presa em dois lugares ao mesmo tempo como tens. Sabe, por acaso eu já comentei como é incrível o fato de você poder se manter em dois mundos ao mesmo tempo? Estou me referindo ao dos pensamentos e ao real, é claro.❜❜ seu tom de voz era completamente cínico, e sua postura ameaçadora, como um dos grandes felinos preparados para dar o bote na presa.
❛❛Então, diga-me: O que tem te atormentado tanto ultimamente? perguntou, jogando as cartas que tanto esperou para jogar na mesa. Não adianta me ignorar e dizer que não é nada, Lou. Sabes que eu sei quando alguém esconde algo de mim.❜❜ e ergueu as sobrancelhas, levando o copo de café aos lábios, encarando o suíço por cima da porcelana, o olhar ainda completamente maldoso.
F E V E R - [stelian&liliana]
albescx:
Ainda que Liliana tentasse, constantemente, lembrar-se de qual era seu lugar naquela grande sociedade cheia de regras e burocracias, para ela, era uma tarefa que se tornava cada vez mais difícil com relação a Stelian. Ele não era qualquer um. Não era somente um nobre importante ou um Príncipe qualquer ao qual ela tinha que se curvar, reverenciar e baixar a cabeça. Stelian era seu herói. Desde que se lembrava por gente, Stelian esteve por perto, ainda que muito longe de seu alcance. Quando pequena, Liliana achava que era ela que passava um tempo o observando, mas mais tarde, descobriu que era ele quem gostava de observar os outros, e nada lhe passava despercebido.
E desde que ele a salvou naquela fatídica noite e Liliana se tornou sua criada pessoal, ele a observou com ainda mais precisão. Ela sabia disso, e por mais que não devesse, ela sentia certa satisfação naquele fato. É claro que, ele jamais iria sentir por ela a admiração e o carinho que ela sentia por ele - pelo menos na cabeça dela. Ela tentava, de todas as formas, ser o mais perfeita possível para ele, ser digna de estar ao seu lado, de servi-lo. Somente com isso, ela já estava feliz. E a forma que ela usava para não se deixar levar a querer mais e acabar se decepcionando, era a previamente mencionada: ela tinha que se colocar em seu lugar. Era uma mera serva. Uma criada da Casta Seis. Ele era um Príncipe. E por mais que fossem próximos, nunca passariam daquilo, e Liliana tinha que fingir que aquilo não a incomodava.
Porém, não se importar com os fatos era uma missão praticamente impossível quando ele demonstrava que estava preocupado com ela, que se importava de verdade. Ela tentava se convencer de que não estava sentindo nada de diferente, mas assim que sentiu os dedos do rapaz tocando-lhe o queixo, exigindo que seu olhar o confrontasse, ela foi lembrada de forma brusca quem realmente era a órbita de seu mundo. Mal tinha terminado de arrumar a mesa para o chá, quando se encontrou de costas para a mesma, esquecendo completamente do que estava fazendo. “Eu estou bem.” Respondeu automaticamente, ao ouvi-lo reclamar de seu estado físico. Sua voz, no entanto, a traía. Estava fraca, ofegante. E com ele tão próximo, a ponto dela conseguir sentir a respiração de seu Príncipe em sua pele, Liliana mal conseguia conter-se. Seu mundo estava literalmente girando. “E-eu…” Se ele não tivesse se aproximado, talvez ela tivesse conseguido manter aquela fachada, mas naquela hora foi impossível continuar. Sua visão começou a escurecer e, hesitante, Liliana agarrou o braço de Stelian, antes que sua mente mergulhasse na escuridão e ela perdesse completamente as forças.
E então, nada.
sᴛᴇʟɪᴀɴ ɴᴀᴏ ᴇʀᴀ ɪᴅɪᴏᴛᴀ. Se tinha alguém que sabia disso mais do que qualquer outra pessoa no mundo, essa pessoa era, de fato, Liliana. As expressões preocupadas do moreno agravaram-se, sendo adicionadas à ela um pouco de irritação. Ele não sabia porque a ruiva teimava em esconder seu estado físico, mesmo depois dele já tê-la dito milhões e milhões e milhões de vezes que não se importava em protegê-la e cuidar dela, como uma vez há anos atrás fizera -- e como constantemente faria, se ela permitisse isso. Sem tirar a mão do rosto dela, ousou aproximar o rosto dos dois para observá-la mais de perto, e ver se, com uma certa proximidade relativamente incômoda, Liliana falasse alguma coisa. Os resultados, entretanto, foram mais efetivos do que o esperado.
A mão hesitante da garota segurando seu braço já foi o suficiente para Stelian saber que alguma coisa de errado estava para acontecer -- afinal, contato físico desnecessário não era do feitio de Liliana, ao menos com ele --, mas não pode deixar de receber a surpresa como um tapa no rosto quando ela foi em direção ao chão, revirando os tão lindos olhos claros que já passara tanto tempo observando. Segurara-a em seus braços, porém, e quando a cabeça dela pendeu para o lado, seu corpo completamente mole, o tão metódico príncipe da Romênia sentiu uma desconsolação enorme tomando conta de si. Sem pensar duas vezes, usou o outro braço livre para pegá-la em seu colo e, cuidadosamente, como se ela fosse uma boneca de porcelana, correu até a enfermaria -- lugar onde ele havia visitado mais do que gostaria nos últimos dias. Realista do jeito que era, forçava-se a não levar-se por um imaginário pessimista, onde, seja lá o que estivesse acontecendo com Liliana pudesse piorar e fazer um estrago maior do que apenas um desmaio. Não, não, ela ficaria bem.
Ele a protegeria a qualquer custo.
□□□
Passou o resto da tarde mais a noite na enfermaria com a assistente pessoal, satisfeito com a notícia de que não havia sido nada muito grave. Em uma certa hora da noite, porém, o romeno admitiu para si mesmo que estava cansado demais para ficar horas e horas seguidas esperando que a ruiva desse sinal de que estaria acordando. Portanto, dormiu em uma cadeira que tinha disposta lá mesmo, usando a maca da garota como travesseiro; e, para que pudesse acordar junto à ela, segurou-lhe a mão dela com a sua própria.
Não teve muito tempo para sonhos, também: Liliana acordara não muito tempo depois. Agradeceu ao fato de ter um sono levíssimo pois, no momento em que a menor conseguira desvincilhar a mão dela da sua, despertou do cochilo, seus olhos abrindo-se preguiçosamente. Entretanto, foi no mesmo instante em que conseguira focalizar o rosto da outra, vendo as orbes azuis dela olhando para si mais uma vez, pôs-se em pé como um raio, um sorriso trêmulo brincando em seus lábios. ❛❛Lils. L-Lils!❜❜ exclamou, completamente encantado ao vê-la bem mais uma vez. Ergueu-se da cadeira, andando até ela e esticando uma mãos para uma das bochechas alvas da garota. ❛❛Meu Deus, Lils, como me preocupaste.❜❜ murmurou, fazendo carinho no rosto dela com o polegar, as íris escuras tingidas de ternura. ❛❛Como estás se sentindo?❜❜
an accident won’t arrive with a bell on its neck. || Stelian&Angel || flashback
butterback-angel:
Inteligente, mas nunca suficiente. Inocente, fácil de ser enganada. Frases que poderiam definir Angeline da maneira mais rápida existente. Sua inteligencia e paixão pelos livros sempre a deixavam querendo mais, percebendo que existem cada vez mais coisas a serem aprendidas, porém a sua bondade a deixa fraca, expondo-a sempre facilmente. Muitas vezes foi enganada pelas pessoas por causa da sua inocência, principalmente na faculdade, mas fora algo que nunca a incomodou, sabia que no final aquilo, se fosse tomado como magoa, só faria mal a uma pessoa: ela mesma. Porém o seu vasto conhecimento na literatura a abriu muitas portas também, coisas das quais nunca teria feito sem um empurrão, coisas das quais a aumentaram de forma inexplicável.
Mas ela tinha outras qualidades também, como sua simpatia. Mesmo que muitas vezes fosse uma das pessoas mais envergonhadas do local onde estivesse, Angeline sempre foi uma garota com o dom de fazer amizade fácil, ou até mesmo só fazer com que as pessoas a adorassem com um piscar de olhos. E como todas as outras selecionadas, ela também havia feito amizades no palácio, não somente com as outras meninas que disputavam a mão do príncipe como também com os empregados e a realeza de fora, sendo essa ultima sua favorita.
Poder conhecer novas culturas e enriquecer-se cada vez mais a deixava delirando, conversar com pessoas tão influentes mais ainda, e as duas coisas juntas em uma só… bem, outra coisa que seria inexplicável para ela. Eram incontáveis nos dedos das mãos o tanto de pessoas assim que ela havia encontrado pelos corredores e a morena sentia-se encantada com isso.
Dentre todos aqueles que ela havia conseguido alguns minutos, Stelian fora com quem mais havia passado um tempo, talvez vencesse até de Damon. Várias noites a garota havia sido convidada para ir ao observatório conhecer alguma nova constelação. O príncipe romeno parecia nunca fazer cerimonias para ensina-la e ela gostava disso, via a paixão que o moreno sentia ao falar daquilo.
Todo aquele conhecimento compartilhado veio de uma tarde, apos os dois pegarem o mesmo livro sobre planetas para além do sistema solar. Ela por querer saber um pouco sobre o assunto, ele apenas para engrandecer seus conhecimentos. Se deram bem logo de cara, Angeline e seu carisma e Stelian com sua gentileza em ensina-la um pouco de todas as coisas que ele sabia.
O convite que recebera naquela tarde deixou-a mais do que feliz. Já fazia um par de dias que o moreno estava sumido, provavelmente ocupado com seus afazeres de príncipe, e Angeline já estava sentindo falta de ir ao observatório.
Sendo assim, no horário marcado ela já estava pronta na porta do quarto, ansiosa para mais uma noite de astronomia. Dispensou suas criadas mais cedo, assim quando as mesmas terminaram de arruma-la e ficou sentada na cama lendo. Mas mal conseguira absorver o que lia com a ansiedade. Os corredores estávamos quietos naquela noite, o que era de costume já, uma vez que quase todos iam dormir às dez da noite ou um pouco mais que isso. Por isso ela andou silenciosamente até o andar mais alto, passando por outra escada não a principal, e chegando lá pelo outro lado, ainda que o caminho mais longo até o observatório, o melhor.
Assim que chegou no ultimo andar, pôde relaxar, já que ali de cima era quase impossível se ouvir qualquer barulho. Caminhou distraidamente, mexendo na barra do vestido até chegar a porta que dava acesso ao local de fato. Porém, ao chegar perto da enorme porta de vidro, alguns cacos foram aparecendo em seus pés - protegidos pelos salto - e o desespero surgiu na morena naquele momento.
Ao esticar o olhar, encontrou o príncipe romeno no chão, com cacos de vidro em várias partes do corpo. Sua expressão mostrada ao certo o que ela sentia por dentro, angustia e desespero. Não conseguia entender como o moreno ainda conseguir fazer piada com o assunto. Pôs-se a ajoelhar-se do seu lado, afastando os cacos maiores do local onde estava. - Meu Deus Alteza, o que aconteceu? - Falou mexendo as mãos freneticamente em cima de Stelian, sem saber o que fazer. - É claro que ele está certo, você mesmo já me provou isso outro dia. - Falou, arrependendo-se de ser tão dura com o homem ainda machucado no chão. - Me perdoe! Devíamos ir para a enfermaria, mas talvez eu também devesse tentar tirar um pouco desse vidro de você. - Colocou as mãos sobre o peitoral do outro levemente, procurando por onde começar a tirar aqueles pequenos pedaços enfiados em sua pele, pensando se deveria ou não mexer nele. - Meu santo Deus Alteza. Como isso foi acontecer? - Perguntou, sentindo-se impotente diante da situação e odiando-se por isso, chegando a ter vontade de chorar. - Está doendo em algum lugar? - Perguntou olhando nos olhos do outro, sabia que devia estar doendo. - Ah, é claro que está Angeline estupida. - Sussurrou para si mesma antes de começar a tirar um dos vidros do braço de Stelian.
ᴀɢʀᴀᴅᴇᴄᴇᴜ ᴀᴏ ғᴀᴛᴏ ᴅᴇ ᴛᴇʀ ғᴇɪᴛᴏ ᴀ ᴘɪᴀᴅᴀ ɪɴᴄᴏɴᴠᴇɴɪᴇɴᴛᴇ: sᴇ ɴᴀᴏ ᴀ ᴛɪᴠᴇssᴇ ғᴇɪᴛᴏ, ᴏ sᴏʀʀɪsᴏ ǫᴜᴇ ᴀɢᴏʀᴀ ɴᴀᴏ ᴄᴏɴsᴇɢᴜɪᴀ sᴇɢᴜʀᴀʀ ᴛᴇʀɪᴀ sɪᴅᴏ sᴜsᴘᴇɪᴛᴏ. Do chão, olhava o seu anjo salvador completamente desesperado, as mãos trêmulas e as orbes perdidas na cena catastrófica, e um prazer impossível de ser posto em palavras tomou conta de si. Estava sentindo falta de alimentar-se propriamente da agonia alheia, e, ah, como aquilo lhe fazia bem -- principalmente depois de tanto tempo. Deleitou-se com cada músculo facial que ela contorcia por causa da surpresa, cada gesto que poderia ver. Sinceramente, aquela fora a melhor ideia que tivera desde que chegara à Iléa.
Entretanto, sabia que se continuasse sorrindo feito um louco, seu disfarce eventualmente seria descoberto -- afinal, sua brincadeira inoportuna não fizera a morena rir (o que era algo extremamente plausível, dada às circunstâncias), e seria ridículo se seu sorriso permanecesse por lá. Com um enorme esforço, rolou no chão, virando-se de barriga para cima e desfazendo quaisquer expressões felícias naquele instante -- e não sabia se seu esforço maior tinha sido para rolar ou para manter-se sério e com expressões dolorosas dali em diante.
A respiração pesada, acentuada depois que mudara de posição, porém, não fazia parte de seu pequeno teatro. Sabia que o terno caríssimo de tecido pesado havia segurado uma boa parte do impacto dos vidros, mas estes ainda haviam lhe cortado dos pés à cabeça, e, sim, houveram cacos que passaram pela sua blusa e estavam encrustados em sua pele -- e, sinceramente, aquilo doía como o inferno. Fechou os olhos por um instante, mordendo o lábio inferior com força para poder aguentar a dor (segurar o sorriso também; mas a dor, que o pegara de súbito, já que estava até então anestesiado por causa da preocupação alheia, estava fazendo isso por ele), deixando com que Angel se preocupasse com ele propriamente.
Abriu um dos olhos, e as mãos da garota mexendo-se em cima de seu corpo, sem nada realmente fazer, fez uma nova onda de anestésicos preenchê-lo. Claro, não sorriu mais depois da “piada”, mas era bom lembrar-se do porquê tinha feito aquela loucura, e como os resultados haviam sido impressionantemente bons. Abriu a boca para contá-la a história, mas o desespero da morena tomara conta até de suas palavras -- até mesmo sua entonação de voz diferenciada por conta do acidente era extremamente deliciosa! --, fazendo com que estas saíssem atropeladas. Deixou com que ela continuasse a falar sem a interromper uma única vez, apenas cortando-a quando, ao fim da frase dela, a garota puxou, com delicadeza, um dos pedaços de vidro que haviam perfurado seu braço. Cerrou os dentes e mais uma vez os olhos com força, um gemido de dor excruciante escapando-lhe pelos lábios. A respiração pareceu piorar, mas não por Angel estar fazendo algo errado -- era apenas a dor falando por meio de suas ações.
Entretanto, sabia que se nada dissesse, a garota poderia acabar surtando, milhões de pensamentos sobre o estado do romeno percorrendo-lhe a cabeça, um pior do que o outro. Além do mais, se ela continuasse tirando todos os cacos, no escuro, a situação poderia levar a um prejuízo maior ainda. Portanto, Stelian novamente abriu os olhos, mesmo que devagar, para encará-la profundamente, com ternura. ❛❛Angel.❜❜ o nome dela saiu como um sussurro, e ele torcia para que aquele volume de voz fosse o suficiente para que ela a ouvisse. ❛❛Me leve para a enfermaria. Chame alguém. E-Eu prometo que te conto tudo o que quiser assim que eu estiver melhor.❜❜ e, na imensidão de seus olhos escuros, apenas o desespero poderia ser visto -- desespero esse que era somente uma cortina para esconder o seu imenso júbilo de ter seu plano realizado com destreza e precisão cirúrgica. ❛❛P-Por favor.❜❜
trust everybody, but cut the cards. || Stelian&Bridget || flashback
bridgetbitche:
- Claro que gosta. – Dei um sorrisinho travesso. Não com maldade ou malícia que parecia ser o tipo favorito de sorrisos do príncipe. Mas um tanto divertido, afinal ele não poderia gostar romances, ou poesias, ou ficção cientifica como a maioria dos meros mortais que habitavam o planeta. Não! Ele tinha que gostar de enciclopédias.
Sua resposta para seus jogos favoritos durou bem menos tempo que a sobre livros. Mas não encarei aquilo como menos paixão pelos jogos do que pela literatura, as vezes nessa categoria havia apenas menos opções que o agradassem tanto. - Ótimas escolhas! – Aprovei sinceramente deixando escapar um sorriso agradável.
Ele parecia de alguma forma contente por eu gostar de jogos. E isso era um tanto estranho, afinal existia alguém que não gostava? E de novo aquela vozinha em meu ombro sussurrava dizendo que minha resposta na verdade tinha agradado a aquela pergunta implícita, da qual eu não tinha noção sobre o que se tratava, mas que pelo menos estava agradando ao príncipe. Tentei me convencer de que aquilo era bom, certo? E por algum motivo não conseguia descobrir a resposta para aquilo.
O convite para que explorássemos a sessão de jogos do palácio veio junto com um jeito todo particular de Stelian usar minha palavra com aquela entonação cheia de significados ocultos, e então sorri, estarrecida. – Okay eu jogo. Mas só se parar de fazer isso. – Apontei para a atitude do príncipe, com os olhos semicerrados mas sem conseguir esconder o sorriso divertido que marcava meus lábios sem minha permissão. – Sempre usa as respostas das pessoas contra elas? – Perguntei divertida. Suspirei exasperada, balançando a cabeça negativamente, mas sabia que era apenas pose, afinal eu não conseguia de deixar de achar graça no comportamento do romeno. Mesmo que fosse misterioso demais, e cheio de intensões nada claras, eu simplesmente reagia rindo e ficando morbidamente sem graça.
- Okay. – Mordi os lábios olhando para o baralho e para o tabuleiro de xadrez. Sabia que eu não teria a menor chance de ganhar o príncipe numa partida de xadrez, mas que pôquer poderia haver algum tipo de diversão incluída, em ambos os lados, afinal eu era uma atriz, e tinha que acreditar que anos de teatro conseguiria pelo menos camuflar se eu tinha ou não uma boa mão de cartas. – Pôquer será. – Disse decidida, não querendo dar pelo menos um pouco de dificuldade para o jogo, afinal xadrez seria completamente desinteressante se ele soubesse que iria ganhar desde o começo. E esse era exatamente o caso. – Mas vou logo alertando que eu estava completamente bêbada da ultima vez que joguei e talvez você terá que me explicar uma coisinha ou outra. – Disse com modéstia. Ta bem admito.. Falsa modéstia. Stelian nem por um segundo se mostrava um oponente fácil nas cartas. Mas eu não era tão má quanto deixava transparecer.
ᴀ ᴀᴘʀᴏᴠᴀçᴀᴏ ᴅᴀ ɢᴀʀᴏᴛᴀ sᴏʙʀᴇ sᴜᴀ ᴇsᴄᴏʟʜᴀ ᴅᴇ ᴊᴏɢᴏs ғᴇ-ʟᴏ sᴏʟᴛᴀʀ ᴜᴍᴀ ʀɪsᴀᴅᴀ ᴀᴍɪɢᴀᴠᴇʟ, ᴄᴏᴍᴏ sᴇ ᴇsᴛɪᴠᴇssᴇ ᴄᴏɴᴛᴇɴᴛᴇ ᴅᴇ ᴇʟᴀ ɴᴀᴏ ᴛᴇ-ʟᴏ ᴀᴄʜᴀᴅᴏ ᴄᴀʀᴇᴛᴀ ᴏᴜ ᴄʜᴀᴛᴏ ᴅᴇᴍᴀɪs. Porém, por dentro, estava radiante por outro motivo: Bridget gostar de sua escolha de jogos significava que, afinal, ela poderia aceitar o desafio proposto por ele, e assim Stelian poderia observá-la e coletar as reações dela sobre como ela ficaria sob pressão. A Selecionada estava sendo conduzida diretamente para onde Stelian queria que ela estivesse sendo, e até mais rápido do que ele previa, e aquilo era bom, muito bom. Ela sentia receio dele, mas ia na direção da armadilha como um ratinho que ia em direção à ratoeira -- e o príncipe achava aquilo tão ridiculamente adorável que
A resposta presumidamente positiva fez o rapaz sorrir, mais uma vez. Entretanto, quando Bridget pediu para que parece com “isso”, Stelian ergueu uma sobrancelha, confuso com o pedido da outra. Contudo, no momento em que ela explicara sobre as palavras dela mesma que o romeno jogara como resposta, colocou uma das mãos na boca, abafando uma risada -- afinal, ainda estavam na biblioteca, e tinha consciência de quanto barulhos em um ambiente onde o silêncio era tão sagrado eram inoportunos. ❛❛Só quando me convêm. Mas eu posso tentar parar, se isso lhe incomoda.❜❜ disse, abrindo um sorriso simpático para ela, em um intuito de mostrar que não era um ser assustador quanto ela pensava que era -- quer dizer, na verdade, era, e Bridget tinha um mínimo de inteligência para saber que Stelian não era flor que se cheirasse, mas uma tentativa de criar uma boa impressão era sempre bem-vinda.
Quando ela escolheu pôquer, Stelian sorriu um pouco mais; ele sabia que as chances dela preferir aquele jogo eram muito maiores do que o xadrez -- e, modéstia à parte, a partida de xadrez teria terminado tão rápido que sequer teria graça; no pôquer, ao menos, a partida seria muito mais divertida. ❛❛Pôquer então será.❜❜ afirmou, assentindo com a cabeça, erguendo as sobrancelhas, ligeiramente surpreso, quando Bridget comentou sobre seu estado de embriaguez em sua última partida de cartas -- ela não parecia alguém com aquele tipo de comportamento (bem, era algo a mais para se aprender sobre ela). Por fim, ofereceu um de seus braços à ela. ❛❛Bem, vamos até a sala de jogos, então, firmar o nosso desafio.❜❜ e sorriu, provocante. ❛❛Agora não terás mais volta.❜❜
F E V E R - [stelian&liliana]
albescx:
Liliana tentou concentrar-se no som de sua própria respiração, e não na sensação de completo desconforto que estava sentindo. Já tinha três dias que a jovem se sentia daquela forma, e a cada hora parecia piorar. Náuseas, tonturas, dores de cabeça, dores pelo corpo… Àquela altura do campeonato era prudente presumir que estava febril, mas não tinha tempo para checar.
Naquele estado, demorava muito mais do que o normal para realizar suas tarefas diárias, e isso não tinha passado despercebido por Príncipe Stelian - e ela não tinha ilusão nenhuma de que iria passar. Mas sempre que ele perguntava, ela sorria e dizia que estava bem, para que não se preocupasse a toa, ou que simplesmente estava com fome e que assim que comesse algo iria passar.
Naquela hora, Liliana estava parada na frente dos aposentos de seu Príncipe, segurando uma bandeja que continha um bule de chá, uma xícara, um potinho de porcelana com cubos de açúcar e os talheres necessários para tomar o chá. Estava há dez minutos ali, no mesmo lugar, observando suas mãos tremerem e, consequentemente, todo o conteúdo da bandeja tremer também. Talvez se ela fosse rápida e colocasse tudo na mesa sem cerimônia, ele não notaria. E definitivamente tinha que pensar numa maneira de melhorar. Habilidosamente, Liliana abriu a porta do quarto e adentrou o local, fechando-a novamente atrás de si. Sem encarar Stelian, colocou a bandeja com o chá na mesa no canto do quarto e arrumou aquela área para que ele pudesse ficar confortável.
“Stelian? Eu lhe trouxe o chá. Desculpe a demora, o… Lugar é tão grande. Eu acabo me perdendo.”
ᴅᴇ ᴛᴏᴅᴀs ᴀs ᴘᴇssᴏᴀs ǫᴜᴇ ᴊᴀ ᴄᴏʟᴇᴛᴀʀᴀ ʀᴇᴀçᴏᴇs, ʟɪʟɪᴀɴᴀ ᴇʀᴀ ᴀ ǫᴜᴇᴍ ᴛɪɴʜᴀ ᴏ ᴍᴀɪᴏʀ ʟᴇǫᴜᴇ ᴅᴇ ᴛᴏᴅᴏs. Por conviverem por tantos anos juntos, o moreno ousava dizer conhecer todos os pontos da garota, podendo prevê-la e manipulá-la, se quisesse, com uma facilidade enorme. Entretanto, não o fazia – e ele teimava em convencer-se de que era por causa de Liliana representar seu memento de fidelidade e confiança (provando que ainda existiam as pessoas que estariam cegamente ao seu lado), e não por algo a mais, que o moreno não bem sabia o que era –, ao menos, pelo seu bel prazer. Utilizava todo o conhecimento que tinha sobre a ruiva mais para ela mesma do que para ele; afinal, por mais que Stelian insistisse que ela não era mais uma vassala comum, ela ainda teimava em esconder suas fraquezas – fraquezas as quais o romeno tentava conhecer para ajudá-la –, sejam elas quais forem.
No caso daquela semana, entretanto, as fraquezas eram físicas. O príncipe, metódico e detalhista do jeito que era, não demorou a perceber os atrasos que suas ordens eram cumpridas e a fragilidade em que se encontrava a mulher. Com qualquer outro criado, simplesmente perguntaria o que estava acontecendo com sua saúde, e, se ele não o respondesse, o encaminharia à enfermaria do palácio imediatamente para que pudesse ter total certeza de seu estado. A ruiva, no entanto, era diferente: As ordens frias que normalmente sairiam de seus lábios com tanta naturalidade travavam na garganta, formando um nó da mais pura preocupação. E não conseguia parar de imaginar as diversas possibilidades do que poderia estar acontecendo com Liliana – seria algo que a tivesse atormentando? Seriam saudades da Romênia (ele lembrava de ela ter comentado algo do tipo com ele)? Seriam memórias tristes invadindo-lhe à cabeça, trazidas de volta à tona por causa de algo em específico em Illéa?
Seus pensamentos sobre ela foram interrompidos pela própria entrando em seu quarto sem fazer cerimônia. Ergueu as sobrancelhas olhando para o chá trazido pela outra, lembrando, depois de alguns segundos, que ele havia pedido para que ela o trouxesse – estava tão preocupado com Liliana que sequer se recordara das ordens que a dissera. Agradeceu-a em um murmúrio, seus olhos fixos na postura dela enquanto esta arrumava o canto do quarto para que seu conforto fosse maior: Ela passara reto por ele, sem nem olhá-lo nos olhos (algo incomum vindo dela), sua voz estava mais fraca que o normal, e as pausas para pegar o ar eram demoradas. Comprimiu os lábios e cruzou os braços, andando na direção da ruiva com passos vagarosos, não deixando qualquer detalhe passar. ❛❛Não se preocupe…❜❜ ele dizia, aproximando-se mais e mais. ❛❛… Eu também demorei um bom tempo para poder andar nesse castelo sem grandes dificuldades.❜❜ e, enquanto ia falando com ela, seu semblante de preocupação ia ficando cada vez mais acentuado: Afinal, a garota estava piorando desde a primeira vez em que perguntara se ela estava bem, há três dias atrás. E, ah, caramba, como aquilo o corroía por dentro.
De súbito, mas com delicadeza, não se importando se Liliana ainda estava arrumando a mesa ou não, levou uma de suas mãos ao queixo da menor quando por fim a distância entre eles estava curta o suficiente para que pudesse fazê-lo, examinando o rosto dela com uma das sobrancelhas erguidas em desconfiança. ❛❛Você está pálida.❜❜ constatou, repousando os olhos nos lábios da outra, vendo que até estes estavam perdendo a coloração. Seu olhar ficou extremamente sério, e fez questão de olhá-la bem no fundo de seus olhos claros para poder fazer a próxima pergunta, tão repetida nos últimos dias: ❛❛Tens certeza de que estás bem?❜❜

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albescx:
“Stelian. Eu sei que Vos-… Você me pede constantemente para que te chame pelo nome, mas… Não sei, eu sempre sinto que estou ultrapassando meus limites. Mas, já que insiste, prometo me esforçar para chamá-lo da forma que preferir. Ah, sim? Já tem um tempo… Mas acho que compreendo porque quer ficar. Muitas coisas acontecem aqui, não?”
Limites? Ah, já quebraste eles há muito, muito tempo. Sério, não se incomode em me chamar pelo nome, eu juro que, sendo você, eu não me importo. ... E, sim, muitas coisas acontecem por aqui. Não posso fazer nada se Illéa é um país tão interessante e atraente aos meus olhos.
albescx:
“Mas Vossa Alteza está acostumado com lugares grandiosos como esse. Eu acho que devo lhe agradecer. Eu nem estaria aqui se não fosse por você, não é mesmo?”
Lils, repita comigo: Stelian. Não precisas me chamar de “Vossa Alteza”, sabes que tem esse direito. E não me agradeça, sabes que eu te levaria para qualquer lugar. Mas fico feliz que tenha gostado de Illéa, porque acho que vamos ficar aqui mais tempo do que eu tinha inicialmente pensado...
albescx:
“Esse lugar é realmente magnífico. Mal posso acreditar que eu estou aqui.”
Sei bem como se sente, Lils. Essa também foi minha primeira impressão quando cheguei.
we always hit on each other in the worst moments. || Stelian&Spencer
illeaspencer
sᴛᴇʟɪᴀɴ ᴏᴅɪᴀᴠᴀ ᴇɴғᴇʀᴍᴀʀɪᴀs. Quer dizer, não o fato destas existirem, mas, sim, o fato de estar em uma sendo tratado como paciente. Os olhares de pena em sua direção eram praticamente insuportáveis, e ainda mais a dor dos pontos que tinha acabado de ganhar na cirurgia feita recentemente -- afinal, a faca do rebelde que lhe cortara a barriga podia não ter pego nenhum órgão vital, mas ainda fora um estrago razoável. Não importava quantas vezes o romeno dizia que ele poderia muito bem poder ficar em seu quarto, deitado em sua própria cama e dormindo com suas próprias roupas ao invés daqueles trapos de hospitais. Ah, e, claro, a fraqueza pelo simples fato de não estar completamente bem já era, por si só, horrível.
Obviamente, não iria ficar lá por muito tempo, por mais que os médicos teoricamente o obrigassem a isso; seu lugar não era ali. Se fosse para ser tratado, que o fosse longe daquele ambiente literalmente doentio. Era por isso que, na primeira noite em que o veredicto de sua internação fora dado, Stelian arrancou o cateter do braço com os dentes, e saiu, de fininho, pela porta da enfermaria (falando dessa maneira, pareceu que foi uma tarefa simples, mas, na verdade, o romeno ficara horas nesse processo, além da dor absurda de ter tirado a agulha do seu braço com pouca delicadeza, rasgando um pouco de sua pele enquanto o fazia). Por um segundo, sua mente cansada e atordoada do ataque e da cirurgia pareceram fazê-lo acreditar que estava bem, que poderia realmente chegar ao quarto sem que ninguém o visse. Entretanto, bastou apenas virar o segundo corredor para deparar-se com ninguém mais ninguém menos que Spencer Illéa.
Ah, não. De todas as pessoas...!
E viu-se de volta à enfermaria em menos de cinco minutos, sendo posto para dormir com um líquido esbranquiçado que, de repente, fez todas as suas dores desaparecerem completamente...
□□□
Quando despertou de seu sono, uma enfermeira que não estava muito longe pareceu surpresa e foi chamar o médico responsável pelo romeno. Os dois voltaram pouquíssimo tempo depois, mas a vista do príncipe estava tão embaçada que sequer conseguia distinguir o rosto dos dois profissionais. Tentava semicerrar os olhos em um intuito de focalizá-los, mas aquilo lhe consumia um esforço tremendo, e, depois da terceira tentativa, desistiu daquilo. As vozes pareciam estar ligeiramente distorcidas e mais arrastadas do que deveriam ser, tornando-se consequentemente mais cômicas apesar de ele conseguir entender o que diziam (eles diziam que agora estaria tudo bem, que era para que descansasse, etc, etc, etc). Completamente mole, não pestanejou sequer quando o médico ajustou a sua maca em uma posição para que ficasse praticamente sentado -- Stelian preferia quando estava deitado, mas quando abriu a boca para poder dizê-lo, a sua voz parecia muito mais embargada e arrastada que a dos outros, e isso fê-lo rir para si mesmo por muitos segundos a mais do que o necessário. Por fim, o médico e a enfermeira deixaram-no em paz, indo atender aos outros pacientes.
Ele não sabe quanto tempo se passou até que sua visão pudesse clarear parcialmente e a voz das pessoas ficar menos engraçada, mas tinha quase certeza que não havia sido menos do que duas horas. De qualquer forma, por mais que agora pudesse olhar para as pessoas e escutá-las sem que essas parecessem algumas das alucinações bizarras que incomodaram-lhe durante aquela uma hora de confusão e falta de distinção da realidade com o mundo real, as palavras e atitudes do romeno não condiziam com seu estado normal quando o louro entrou em seu quarto para visitá-lo.
Stelian reconheceria a figura mesmo se ele tivesse entrado na sala quando tudo estava distorcido: Afinal de contas, Spencer Illéa não era uma de suas figuras conhecidas que permitiria esquecer-se tão facilmente -- e, com seu rosto, as atitudes recentemente feitas por este. Mal ele entrou no aposento e sentou-se de fronte à maca do outro príncipe, Stelian abriu-lhe um sorriso maroto, indicando, somente com isso, que não estava em seu estado normal. ❛❛Spencer.❜❜ cumprimentou-o, a voz embargada. ❛❛Por que me trouxe para cá... De novo...?❜❜ piscou, e seus olhos demoraram tanto para fecharem quanto para abrirem, e de repente sua frase não fez mais sentido. Oras, se aquela era uma segunda vez que estava na enfermaria, então qual fora a primeira? ❛❛... Eu não entendo...❜❜ e olhou para o teto, confuso, a última fala sendo mais para ele mesmo do que para o próprio Spencer.
there is always another secret. || Stelian&Sofia
sofia-borbon
ᴊᴀ ғᴀᴢɪᴀᴍ sᴇɪs ʜᴏʀᴀs ǫᴜᴇ sᴛᴇʟɪᴀɴ ʜᴀᴠɪᴀ sɪᴅᴏ ᴏᴘᴇʀᴀᴅᴏ. O corte profundo causado pela faca do rebelde já havia sido recuperado, e agora o romeno passava bem. A cirurgia de costura dos tecidos rompidos (tendo o feliz laudo que nenhum órgão importante havia sido atingido) foi tranquilíssima, já que todos os médicos do lugar estavam à postos para qualquer erro, que felizmente não aconteceram. Quando o moreno finalmente acordou, algumas horas depois dos pontos terem sido fechados, porém, a última coisa que ele queria era ficar em uma enfermaria, trancado. Queria saber como estavam as pessoas com que se importava (das diversas maneiras as quais Stelian poderia se importar com alguém), e não era possível fazê-lo dali. A curiosidade e ansiedade trabalharam juntas ao fazerem o cientista louco fugir da enfermaria, mas é óbvio que não fora muito longe: E, como precaução para que outra fuga não acontecesse, uma quantidade razoável de morfina fora injetada no corpo do moreno, para também poupá-lo das dores absurdas que sentiu ao sequer tentar ficar de pé.
Foi daquele jeito -- completamente dopado -- que Stelian passou as próximas horas na enfermaria. Não que tivesse sido tedioso, porém: Sua mente brilhante somada às alucinações causadas pelo remédio (se estivesse sóbrio, suspeitaria se teria sido apenas morfina que tivesse sido colocada no seu organismo) tratou de diverti-lo muito bem. Ria sozinho, conversava teoricamente sozinho -- afinal, “recebera” diversas visitas interessantes durante aquelas horas (Galileu Galilei incluso!) --, dormia por alguns minutos antes de poder voltar à conversar com alguma outra pessoa.
Foi em uma dessas conversas que a porta de seu quarto onde estava instalado se abriu, revelando uma figura loura e de olhos claros que conhecia tão bem. Um sorriso torto abriu-se nos lábios do romeno, que demorou os próprios olhos na silhueta da outra, um tanto embaçada. Mas, mesmo pelos efeitos de dezenas de remédios, Stelian jamais seria capaz de esquecer Sofia -- tudo nela lhe era tão comum que era sequer imaginável acabar deslembrar da garota. ❛❛Sofia...❜❜ murmurou, olhando-a pelo canto dos olhos castanhos. ... ❛❛Espere. Por acaso não és mais alguma alucinação minha...?❜❜ perguntou, desconfiado -- afinal, depois de ter conversando com Galileu, qualquer um que abrisse a porta do quarto já era considerado um suspeito.

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emmacharbonneau:
Como eu ouso? Você é engraçado. Viu? Não são só drogas e álcool que podem te deixar chapado. Acredite, eu fiquei internada por um tempo, e quase nem me lembro de nada daqueles dias.
Eu sou engraçado? Obrigado, mas eu não contei nenhuma... Nenhuma piada... Ou contei? E eu não tomei nada com álcool e não usei drogas, então não tem jeito de eu estar chapado... Acho.
don’t thinks i’ve seen you smile at me for quite a while❖ priya and stelian || flashback
survivorpriya:
Oh, Illéa. Terra de muitas lembranças, muitas delas memoráveis para a loira. Lembrava-se quando seu pai a levava para o castelo para mostrar como eram os países com os quais negociavam, fazendo quase literalmente um tour pelo mundo. Era uma criança quando isso ocorreu; deveria ter, no máximo, dez anos de idade. Lembrava quando as criadas corriam atrás dela, falando para que não se aventurasse em lugares muito sujos ou espinhosos, para que seu vestido não fosse rasgado. Sendo a menina travessa que era, sempre se aventurava pelos tais lugares proibidos e as criadas passavam sermões consideravelmente longos quando ela aparecia com várias manchas nos tecidos claros, assim como rasgados. Falavam que era uma menina muito rebelde, que precisava ser controlada; tudo aquilo era um exagero. Priya só precisava de espaço e liberdade, conseguindo aquilo geralmente, afinal seu pai nunca colocou muitos limites na vida dela. Como as criadas costumavam defini-la? “De enlouquecer qualquer um”! Aquilo era realmente divertido e ela sempre ria quando elas lhe falavam isso, mesmo que muitas vezes fosse sério.
Era tão inacreditável pensar que, após tantos anos, estava lá novamente, sentindo a brisa refrescante em seu rosto, algo que quase nunca tinha em Nova Índia. Um sorriso minúsculo aparecia em seus lábios, enquanto olhava pela janela dos seus aposentos provisórios a paisagem ou, pelo menos, o que tinha. Seria difícil dormir em um lugar que não estava acostumada, mas era o menor sacrifício que teria que fazer em nome de seu pai. Havia dispensado as criadas há alguns minutos atrás, pedindo um pouco de privacidade para que pudesse se acomodar sem uma plateia. Priya precisava ficar um pouco isolada, relaxar sem que tivessem pessoas acompanhando-a por onde ela fosse. Um suspiro escapou dela, enquanto pensava em tudo e em nada, deixando sua mente vagar para lugares desconhecidos e que ela esqueceria segundos depois. Levantou-se da cadeira onde estava sentada, sabendo que não poderia passar o dia inteiro lá. Talvez pudesse explorar um pouco o castelo; fazia anos que não visitava o lugar e, com a mais pura sinceridade, havia esquecido a maioria do castelo. De qualquer maneira, tudo ali estava mudado ou, talvez, fosse ela que tivesse mudado – a segunda opção parecia ser a mais provável, considerando a situação. Priya era apenas uma criança e, sendo uma adulta, tinha mais coisas para fazer do que ficar correndo por aí com um cabelo bagunçado.
Assim que saiu dos seus aposentos, a princesa percebeu que não fazia a menor ideia de para onde ir. Tinha grandes chances de ficar perdida e não ter noção de como voltar para os próprios aposentos, mas aquele seria um risco que deveria tomar para si. Pegando o caminho da direita e levantando o vestido com uma das mãos, começou a caminhar tranquilamente, sem nenhum resquício de pressa. Avaliava cada canto com deveras curiosidade, tentando lembrar-se de cada detalhe. Esperava saber o caminho de volta, afinal ficar presa em um castelo desconhecido não parecia ser uma boa ideia. Seus devaneios foram quebrados quando uma figura entrou em seu campo de visão, de costas para Priya. Os passos não cessaram, mesmo que tenham desacelerado consideravelmente. Ela automaticamente reconheceu a figura; como não reconheceria? Crescera ao seu lado, sempre se divertindo na presença daquela pessoa. Sorrateiramente se aproximou, os lábios apertados tentando abafar a risada que sairia mais cedo ou mais tarde. Pulou suavemente nas costas do outro, ainda tentando controlar a gargalhada. Sua boca aproximou da orelha dele, pretendendo alterar a sua voz para que ele sequer desconfiasse de quem era.
– Muito bem, senhor. – A voz mais fina dava um ar mais infantil, uma característica que, com certeza, não era um dos traços de Priya. – Dica número um: é de Nova Índia. Dica número dois: perfeição personificada. – complementou com um sorriso largo no rosto que dificilmente se desmancharia naquele momento.
sᴛᴇʟɪᴀɴ ɴᴀᴏ ᴘᴏᴅɪᴀ ᴀᴄʀᴇᴅɪᴛᴀʀ ɴᴏ ɴᴜᴍᴇʀᴏ ᴅᴇ ᴘᴇssᴏᴀs ǫᴜᴇ ᴇsᴛᴀᴠᴀ ʀᴇᴇɴᴄᴏɴᴛʀᴀɴᴅᴏ ᴘᴏʀ ᴄᴀᴜsᴀ ᴅᴀ sᴇʟᴇçᴀᴏ. Desde que chegara ao palácio, mais e mais conhecidos pareciam surgir de quaisquer cantos, trazendo-lhe memórias de todos os tipos. Sinceramente, aquele lugar mais parecia um poço de nostalgia do que qualquer outra coisa -- e o moreno não sabia dizer se sua estadia em Illéa estava fazendo-o mais mal ou bem. Das pessoas de seu passado, havia encontrado Louis, seu melhor amigo (o único que realmente o entendia; o único com o qual poderia compartilhar seus pensamentos mais sombrios e saber que ele o compreenderia; o único que tem a chance de levantar a voz para o romeno e sair sem a vida despedaçada), Katherine, um caso -- que nunca chegou a dar certo de fato -- de sua adolescência conturbada (uma das únicas pessoas que conseguia puxar o resto de seu lado mais humano que ainda restava dentro de si), e alguns outros rostos familiares que sempre via em reuniões formais ou pela televisão -- estes, porém, salvas raras exceções, não lhe eram tão fascinantes.
De qualquer forma, cada rosto provocava diferentes sensações no moreno dependendo do que significavam para ele, e aquilo (experimentar tantos sentimentos de uma só vez em tão pouco tempo e espaço) era incomum, estranho. Olhava para um lado e via o seu lado maquiavélico, sua ansiedade em testar todos ao seu redor e transformá-los em seus ratos de laboratório, corrompendo suas mentes pouco a pouco e assisti-los sucumbindo vagarosamente, crescendo. Porém, bastava desviar o olhar apenas alguns metros para poder sentir-se amolecendo, mementos e mais mementos de suas antigas lembranças do príncipe puro que uma vez já fora perseguindo-o, tentando arrastá-lo para sua humanidade de novo -- por mais que essa tarefa, àquela altura, era impossível. Mesmo assim, sabia que as sensações antagônicas estavam deixando-o confuso e desesperado, mas igualmente curioso.
Sempre curioso. E ainda sabendo o que aconteceu com o gato...
Aquela tarde, entretanto, nada teria de antagônica, turbulenta, profunda ou existencial. Stelian tinha planejado ficar o dia todo em seu quarto, lendo alguns livros que pegara emprestado da biblioteca para poder treinar o seu inglês -- mesmo sabendo que, com um pouco de sotaque, este já beirava à perfeição. Contudo, depois de algumas horas sentado na comodade de seu quarto, cercado por colocações de palavras, advérbios e tempos verbais, percebeu que aquilo não o entreteria por muito mais tempo, e, caso quisesse o resto de seu dia enterrado nas páginas de um livro, precisaria de algo mais divertido -- um romance aventuresco, talvez? Pulou da cama, pegando todas as três gramáticas pesadas que o haviam distraído por pouco menos de três horas e enfiando-as embaixo do braço. Feito isso, passou a andar na direção da biblioteca, os pensamentos longínquos dali.
Estava nem na metade do caminho (ainda passava pelos corredores dos hóspedes) quando sentiu os braços ao redor de seu pescoço e os lábios suaves encostados contra seu ouvido. Abriu um sorriso ao reconhecer a dona da voz (”como não reconheceria? Crescera ao seu lado, sempre se divertindo na presença daquela pessoa”), rindo por alguns segundos. Não poderia acreditar que até ela estava por ali. Girou o corpo de uma maneira desconfortável, mas o suficiente para poder passar o braço livre ao redor da cintura da loura, abraçando-a desajeitadamente por conta dos livros, mas ainda sim, de uma maneira carinhosa. ❛❛Priya! Como é bom te ver!❜❜ ele disse, sorridente, para depois ele próprio encostar os lábios no ouvido da outra, e sussurrar: ❛❛Sabe, se não fosse a primeira dica, eu teria pensado que teria sido eu mesmo.❜❜