É interessante como gostamos de verbalizar ao outro quando visualizamos uma mudança física nele, por exemplo “ Nossa desde a última vez que te vi você está muito diferente, mudou o cabelo? Adorei! ”. Ao meu ver verbalizamos porque no fundo também gostamos que notem e elogiem quando fizemos mudanças em nós mesmos. Vejo que muitas vezes isso se vincula ao sentimento de aprovação social, o que gera a sensação de pertencimento, e que está diretamente relacionado a razão da existência das redes sociais.
Nas redes sociais queremos e nos sentimos de certa forma obrigados a mostrar que estamos vivos, fazendo algo, em movimento, de que estamos mudando, nos tornando versões melhores de nós mesmos. Queremos existir, ter nosso espaço na sociedade. Se um Instagram de alguém que você segue começa a ficar monótono, sem graça, é muito fácil sentir vontade de dar um “Unfollow”. Queremos gente que acrescente. Existem momentos em que simplesmente estagnamos ou queremos ficar em silêncio, ou ainda, as coisas que podemos acrescentar não são possíveis de ser transmitidas através de meras imagens ou frases. Existem mudanças que não podem ser verbalizadas, mudanças muito profundas que apenas podem ser sentidas, são sutilmente invisíveis.
Com o início do ano e a chegada da minha formatura me vieram pensamentos do tipo “Não fiz nada ano passado, e não faço ideia do que vou fazer esse ano.” Totalmente perdida me comparei com pessoas que conheço e achei que eu continuava a mesma. Fisicamente perdi dois quilos, minha forma de vestir mudou um pouquinho, estava tentando melhorar minha alimentação, desempregada ainda, o que eu fiz afinal? as coisas que podia mostrar visualmente aos outros eram mudanças tão pequenas que até me senti mal por isso, mas ao mesmo tempo não tinha muita vontade de alimentar essa minha imagem social, queria apenas continuar meus processos individuais.
Foi então que recebi uma fala de uma pessoa querida, que disse que eu não deveria me comparar com as pessoas e que principalmente estava usando as pessoas erradas para me comparar, as mudanças que obtive no ano passado foram muito significativas mas apenas pra mim, porque apenas pra mim elas fazem sentido, Com isso percebi que se comparar com outras pessoas é um dos grandes problemas que temos, olhar o que o outro fez ou faz e se colocar em julgamento só atrasa os nossos progressos. Minhas mudanças foram muito profundas para serem vistas. Por isso o mais importante é ser você mesmo, o julgamento como análise pode até ajudar em alguns casos, mas somente quando existe respeito a quem você realmente é.
Ilustração por Elisa Talentino.