Fora a voz doce e animada de Jessie que acordara Tabitha naquela manhã. Sentiu o corpo todo dolorido enquanto levantava-se da poltrona em um pulo devido ao susto. Ainda estava com a mesma roupa do dia anterior e encarava assustada o quarto da pequena que a observava com seus olhos brilhantes enquanto tinha em mãos uma bandeja com o que deveria ser cereal? Franziu o cenho ainda sem entender. Por que estava no quarto de Jessie a não no seu próprio? Fora quando ouviu @oberonward acordar ao seu lado que se lembrou. O que começou com um pedido inocente da pequena, terminou com Oberon e Tabitha interpretando uma história de ninar bastante elaborada. A ideia era que ele a deixasse em casa após a filha dormir, mas os dois acabaram adormecendo de maneira desconfortável no quarto da mesma sem sequer perceber. Céus. “Bom dia?” Riu levemente, virando-se para Oberon por um segundo. “Como está o pescoço? Eu acho que apagamos depois da história… Dá muito trabalho ser uma princesa.” Brincou, fazendo referência ao enredo que haviam criado. “O que é isso Jessie, meu amor? Você fez o café para a gente?”
O movimentos das pernas femininas junto ao tom animado e infantil o acordaram num susto, inundado de imediato pela dor cercando toda coluna até alcançar a nuca tensa e agora as têmporas graças ao cenho franzido vendo a bandeja segurada pelas pequenas mãos da filha. Tentou não resmungar nenhum palavrão, apenas grunhindo confuso enquanto as perguntas devoravam a mente ainda inebriada pelo champanhe e erguia o tronco do chão, apoiado na poltrona ocupada por Tabitha que, aparentemente, não havia levado para a casa. Ela subira as escadas segurando aquilo? Que perigo. Abriu os armários e mexeu na cozinha sem ser supervisionada? —— Bom dia, eu acho. —— Uma ruga criou-se entre as sobrancelhas ao mesmo tempo que os cantos dos lábios se curvaram, em dúvida se devia agradecer ou repreendê-la. —— Nunca mais vou conseguir mexer, aparentemente. —— Riu nasalmente e o tocou com a palma grande, prevendo precisar tomar alguns analgésicos. —— Mas tenho quase certeza de que invadiram minha casa e acertaram nossas cabeças pra termos dormido assim. Desculpe. —— Os olhos carregavam certa culpa, imaginando que ela tinha planos de relaxar numa cama macia após a noite extensa ao invés de despertar num quarto cor-de-rosa cheio de bonecas os encarando. Ele então finalmente olhou para Jessie novamente, já mastigando alguns dos cereais enquanto balançava a cabeça e assistia a cena como se achasse graça e tentasse recompensá-los. —— Meu amor, fez tudo isso sem ajuda? —— Ela assentiu orgulhosa e percebeu que não poderia começar um sermão, roubando duas torradas e repassando uma para a castanha. Abocanhou um pedaço generoso, mastigando antes de arregalar os olhos. —— Essas são as melhores torradas do mundo inteiro! —— O tom animado fez o rostinho brilhar, apertando o nariz pequeno entre o polegar e indicador, a parabenizando para logo em seguida assumir um tom mais sério apesar de orgulhoso. —— Mas da próxima vez me chame pra eu te ajudar, ok? —— A menina não pareceu magoada, o que era bom, principalmente no que o filhote de cachorro adentrou o cômodo balançando o rabinho animado. —— Já deu comida para o Poe hoje? —— Ousou oferecer um pedaço minúsculo do pão, orientando encher o pote de ração do animal faminto. Com a pequena deixando o quarto, um suspiro farto abandonou os lábios, encarando Tabitha para rir em negação. —— Nem quero imaginar o estado da cozinha.