Which side of the fine lines do you want me? || Fralice
franklonghal:
Frank ergueu a sobrancelha num gesto de surpresa, não estava esperando que ela fosse ser tão direta assim, pelo menos não dessa forma. Um pouco desconcertado com a situação, o rapaz coçou a barba de forma nervosa e soltou um leve suspiro. - Alice, vou ser muito sincero com você, está bem? - se ajeitando no sofá, encarou a menina nos olhos antes de continuar. - Eu não acho, e na verdade nunca achei, que você queria reatar nosso namoro… Até porque já faz cinco anos, Alice, eu não sou a mesma pessoa e dificilmente você é também. Digo, eu nem te conheço mais, entende? E não estou falando isso de uma forma negativa, mas como disse já faz um bom tempo desde tudo e nem acho que seria certo reatarmos algo que, parando para analisar hoje, realmente não deu certo. - Esperava não estar sendo muito direto, mas não queria que Alice entendesse algo que nunca havia sido sequer uma dúvida na cabeça de Frank. De fato, ele só queria realmente entender o motivo da reaproximação por parte da menina. - Eu só queria entender o que te levou a me chamar aqui, se tinha algo que você queria que não deixou claro. Não sou bobo, Alice, faz tempo que não e seria completamente errado da minha parte dizer que não percebi que tem alguma coisa acontecendo aqui, entre nós. Eu não sei se é alguma nostalgia da época que namoramos, se é uma atração física, se é uma vontade de se conhecer novamente ou se é tudo junto. - Frank esperou um pouco antes de finalizar, olhando pra Alice para ter certeza que ela estava acompanhando. - O que eu to tentando falar, é que não me importo de você inventar mil e uma coisas pra me ver e nem que queira se aproximar novamente. É algo que me agrada também, só peço que você seja sincera comigo sobre suas intenções.
Apesar de não ter sido a intenção inicial quando chegou ali, Frank ficava mais aliviado de ter deixado as coisas claras, ele só esperava que Alice não levasse suas palavras para um lado ruim ou interpretasse de forma pessoal demais. No fim das contas, não era mentira nada daquilo que havia dito. Eles não se conheciam mais e a relação dos dois há muito havia ficado no passado. Demorou um certo tempo, isso era óbvio, mas Frank hoje conseguia entender a decisão dela e tinha a consciência muito tranquila de que as coisas estavam melhores assim. Ele esperava que pudessem ter uma relação de respeito e amizade e sabia que deveria ser assim no momento. Não descartava que algo pudesse existir entre os dois novamente, mas sabia ser necessário viver outras coisas primeiro.
Negando o chocolate oferecido por Alice, Frank sorriu com a surpresa da garota. - Na verdade, o nome do cantor dessa música também é Frank. Mas ele é muito mais legal e interessante que eu além, é claro, de cantar mil vezes melhor. - apesar da sua criação ter sido muito mais voltada para a realidade do mundo bruxo, Longbottom muito aprendeu sobre o mundo trouxa com Sturgis e, especialmente, com Mary. Obviamente, a menina passara maior parte da amizade deles cantando músicas em espanhol, mas isso não impediu que o garoto se interessasse por diversos outros estilos musicais trouxas. Imaginava que Alice não fosse entender algumas coisas, uma vez que a família da mesma sempre havia sido estritamente purista e alguns costumes eram difíceis de mudar. - É, ficou mais adulto mesmo. Mas você nunca pareceu com sua mãe tanto assim… quer dizer, talvez um pouquinho, mas acho que todo mundo na sua família só é muito parecido mesmo. - Lembrar da mãe de Alice era um tanto quanto engraçado, Frank a havia visto poucas vezes, mas ainda conseguia se lembrar do olhar duro que ela sempre lhe dirigia e da expressão completamente fingida em seu rosto, o que o menino sempre atribuiu a família inteira da ex namorada, se fosse sincero, eles eram muito bons em mostrarem exatamente aquilo que queriam. - Ah, obrigado. Demorei um pouco pra me acostumar, mas hoje em dia se tiro a barba fico me sentindo muito criança. - confessou com um sorriso de lado, passando sua mão direita por seus pelos no queixo. - Você se mudou pra cá faz muito tempo? Se precisar de ajuda com alguma caixa ou algo assim pode aproveitar que estou aqui se quiser.
Alice não desviou seu olhar nem uma vez enquanto ouvia o ex-gryffindor falar, mas cruzou os braços adotando uma postura que demonstrava seu total desconforto com o tom empregado por Longbottom. Apesar de estar incomodada, não poderia nem sequer por um momento discordar das coisas que estavam sendo ditas. Havia sido infantil, insegura e controladora. Ao mentir para Frank sobre seus motivos para se aproximar havia retirado dele a oportunidade de decidir sobre o que ele queria ou não em relação a ela, sendo assim não esperava que a fala dele acabasse para que ela pudesse emendar um contra argumento ou uma tentativa de absolvição. Alice estava errada. Enquanto ouvia-o falar notou que ela esperava que ele ainda tivesse esperanças, o que se mostrou um tanto quanto egoísta de sua parte afinal ela não o queria de volta. Sabia naquele momento, assim como soube por todos aqueles anos, que não deveria reatar aquele namoro. Ela terminou a relação dos dois por um motivo que era concreto. Sim, havia passado alguma parte daquele tempo se sentindo culpada por deixar que sua família se intrometesse tanto em seu relacionamento, mas a simples ideia de retornar para o relacionamento sério que eles tinham fazia com que a Nott quisesse sair correndo, fugindo de qualquer coisa que pudesse ameaçar sua liberdade recém conquistada. Sabia que havia ali a atração física de sempre e não negava para si mesma sua vontade de se deitar ao lado de Longbottom, mas também sabia que seu desejo era um desejo e não uma necessidade. Se a situação nunca viesse a acontecer, Alice seguiria sua vida sem arrependimentos. Quando o auror terminou de falar, ela desfez o cruzamento de seus braços e esticou sua direita para encostar na mão dele. – Você está certo. – em outros tempos talvez fosse difícil para a garota admitir seus erros, tamanha era sua necessidade de ser perfeita, mas ela não estava disposta a manter seu orgulho se isso significava perder a amizade que eles poderiam construir. – Desculpe por não ter sido honesta. Não vou fazer de novo. Eu fico feliz de saber que estamos na mesma e que queremos ser amigos. Você é um bruxo incrível e uma pessoa maravilhosa. Gosto de ter você na minha vida. – desprovida de seu medo bobo de ser mal compreendida, Alice não temia mais elogiar o colega e abriu um sorriso satisfeito para ele.
Terminava de comer seu pedaço de chocolate enquanto ouvia a explicação de Frank sobre o autor da música que ele cantava. Pendeu a cabeça para o lado, prestando total atenção no que ele lhe falava. Qualquer coisa que fosse relacionada à cultura trouxa gerava interesse na bruxa. – E você gosta dele? – perguntou curiosa, servindo-se mais um doce. – Sabe, eu preciso começar a conhecer mais essas coisas. – admitiu pensativa levando sua comida a boca. – Não tem porque não conhecer mais né? Eu sei que tem todo esse medo de que a gente vai perder nossa cultura pra eles, mas... Que mal um Frank cantor pode fazer? – indagou Alice. Sabia muito bem sobre o temor da sociedade pura de ver o mundo como eles conheciam ir embora, sendo substituído pelos adereços trouxa, mas para ela aquilo pouco fazia sentido e estava começando a se interessar ainda mais pelo mundo ao lado.
Mexeu novamente no cabelo enquanto a conversa sobre ele continuava. – Vou tentar não ficar ofendida. – brincou. Sabia que seus pais eram fechados, duros e que possuíam olhares secos para aqueles que desgostavam, mas por uma grande felicidade do universo, Alice nasceu com olhos acolhedores e com um sorriso fácil no rosto. – Ok, eu pareço o Alex. Principalmente quando eu ‘tava loira. – admitiu a contra gosto enquanto pegava mais um dos docinhos que ele havia trazido. – Sério, você deveria experimentar. Isso ‘tá muito bom e se você não comer eu vou comer tudo. – comentou antes de focar seu olhar novamente na barba do garoto. – Hm... – ela pendeu novamente a cabeça para o lado tentando se recordar de como ele era antigamente. – Alguém me disse que a barba é tipo a maquiagem de vocês. Deve ser isso. – Alice deu de ombros, observando a própria casa assim que ele comentou sobre ela. – Faz alguns meses. – preferiu esconder que havia conseguido um apartamento grande por um preço baixo graças ao medo de outras famílias bruxas de competirem com algum Nott. Ela poderia ter insistido para a outra família não retirar a proposta, afinal estava falida e sem um galeão no bolso, mas preferiu se calar e viver feliz no apartamento novo. – Ah não, eu já arrumei tudinho no lugar. Ivy me ajudou a decorar. – com isso lançou um olhar raivoso a cortina ridícula que havia comprado sozinha, mas ela logo passou a ignora-la novamente. – Então... – começou assim que terminou de comer. – O que vamos fazer? Os bares devem estar abrindo e você me prometeu uma cerveja. – cobrou Alice. Afinal, sair para comemorar não era o que amigos deveriam fazer?














