“outro dia ouvi dizer que o amor machuca.
como se o pobre sentimento tivesse qualquer culpa das irresponsabilidades humanas.
eu não posso dizer para você, por exemplo, que já superei Pedro completamente, da mesma forma que não posso culpar o amor pelo que deu errado na nossa história, ou nas incontáveis versões dela.
abraçar a responsabilidade dos nossos atos é um caminhar diário que, pelo menos eu, já estou praticando ao longo da vida, para quem sabe, um dia, eu seja capaz de olhar para trás em um lapso de saudade e entenda que, tudo bem, acabou. foi bom enquanto pôde, e acabou.
ainda me prendo mais frequentemente do que meu ego gostaria de admitir em um texto, nas memórias passadas. nas vezes que fomos no BK do final da rua e pedimos um milkshake de chocolate, mesmo que ele fosse alérgico a lactose e tínhamos que correr para o hospital enquanto ele gargalhava da situação.
ele nos faz passar por situações bobas, e talvez até um pouco inconsequentes., mas não é ele que nos causa dor.
enquanto escrevo esse texto sou capaz de lembrar das várias noites que fui adormecer chorando por um término ou briga, e sou capaz de sentir as lágrimas ainda caindo pelo meu rosto., mas sou incapaz de condenar o amor por isso.
nós não demos certo porque nós.
porque o desgaste, a dor, o tempo que deixou de ser saudável e não foi mais, porque as histórias mal resolvidas. tudo graças a nós, e não graças ao sentimento.
então, que a partir de hoje tenhamos mais coragem.
coragem para amar, sabendo que a possibilidade de não dar certo depois, existe, mas a de dar certo também.