In-Versos !!
No mês de Janeiro, a Niteroscene publicou uma matéria relativa as 38 bandas que saíram do anonimato no cenário musical de San Francisco nos anos 60, para conseguir reconhecimento e ajudar a transformar a cidade no centro musical da época. Houve uma votação com o intuito de encontrar as 38 bandas niteroenses que, na opinião de vocês, poderiam ter o mesmo destino. Pra refrescar a memória : http://niteroscene.tumblr.com/post/41745893898/a-velha-campanha-de-sanfran-niteroscene Após dias de votação tivemos o nome da banda que conquistou o primeiro lugar. A In-Versos é uma banda autoral e cover de Hard e Classic rock que esta junta desde 2009. Tocaram em lugares como o falecido Dragon Jack, o Convés, Box 35, Maestrina, e em eventos como o Festival de Música de Niterói, e edições do Concurso de NiteroiShopping de Bandas. Outro ponto a se destacar, foi uma das bandas que abriu um show do Matanza em São Gonçalo.O repertório da banda vai de Beatles a Black Sabbath, além das músicas autorais. O estilo da banda segue a linha do hard rock com tudo que tem direito. Os meninos já possuem algumas de suas músicas autorais gravadas e, em uma recente entrevista com a Niteroscene, disseram que não param por ai.
Conversamos com a banda e, tivemos também, uma entrevista exclusiva via skype com 3 dos integrantes (João, Augusto e Muti). Eles conversaram com a gente sobre os planos da banda para esse ano, rock no cenário internacional e seus objetivos como banda.
NITEROSCENE: Quais são os integrantes da banda?
IN-VERSOS: Augusto França - Vocalista
Frederico Fernandes - Baixista
João Vitor Cupolillo - Baterista
Matheus “Muti” - Guitarrista
Pedro Azeredo – Guitarrista
NITEROSCENE: Como se conheceram e de onde surgiu a ideia de formarem uma banda?
IN-VERSOS: Nos conhecemos por meio do Pedro, nosso guitarrista. Ele resolveu marcar uma reunião em sua casa e reunir o pessoal (Muti, Augusto e João). Apesar de não termos muita intimidade uns com os outros, ao final do dia, já estávamos bastante enturmados. Nas semanas seguintes, voltamos a nos encontrar e começamos a colocar em prática a idéia da banda. Os primeiros ensaios, inclusive, foram realizados por lá.
No ano seguinte, Fred – nosso baixista - entrou pra banda e Augusto assumiu, definitivamente, os vocais da banda. Assim, surgiu a formação atual da In-Versos.
NITEROSCENE: Como surgiu o nome “In-Versos”? O que quer dizer?
IN-VERSOS: Muti surgiu com a idéia de “In-Versos”. O nome remete a algo contrário ao cenário do Rock nacional - na época com bandas como Cine, Hori e Restart sendo consideradas representantes do estilo. O hífen, além de dar certa originalidade, faz referência à palavra “in” (dentro, em inglês) para remeter ao nosso “compromisso” com nossas canções. Procuramos colocar sentimentos dentro de nossas composições.
NITEROSCENE: Quais são as maiores influências da banda?
IN-VERSOS: No caso da banda, o filme “Escola de Rock” foi, sem dúvidas, muito importante para a nossa formação. O filme nos apresentou um mundo novo, um novo estilo de vida, um novo hobby... Sem ele é bastante provável que não tivéssemos desenvolvido toda essa idéia de formação de uma banda. Em relação aos integrantes, as diferentes influências atingem determinados extremos do Rock N’ Roll, e acabam sendo transmitidos – mesmo que alguns de forma mais suave – por meio do som da banda.
NITEROSCENE: Como é o processo de criação de vocês?
IN-VERSOS: Procuramos tratar de assuntos cotidianos, realidades vividas. Augusto, Pedro e/ou João começam a compôr (individualmente ou não). As idéias, então, são compartilhadas com os demais ao longo dos ensaios ou das reuniões marcadas. Assim costuma trabalhar a In-Versos.
NITEROSCENE: A In-Versos tem um grande número de fãs, e que só vem aumentando, como vocês explicam essa fidelidade dos fãs?
IN-VERSOS: Nossa proposta de uma abordagem mais pessoal e direta com todos aqueles que tiverem interesse em seguir e conhecer nosso trabalho, talvez seja a explicação. Além disso, as pessoas acabam se identificando ao interpretar nossas músicas. Acaba ocorrendo uma verdadeira troca de sentimentos.
NITEROSCENE: Vocês têm em mente gravar um EP?
IN-VERSOS: Sim, pretendemos. Temos um número interessante de músicas autorais e temos planos de lançá-las e compartilhá-las o mais breve possível.
NITEROSCENE: Além das que vocês tocam em shows, existem músicas originas que estejam engavetadas?
IN-VERSOS: Existem sim, aproximadamente, 1 ou 2 músicas. Optamos por não tocá-las mais em nossos shows, pois acreditarmos que estas composições antigas não se encontram no mesmo nível que as demais composições. Além destas, recentemente, começamos a trabalhar com novo material. É provável que tenhamos uma nova composição para ainda este semestre.
NITEROSCENE: Quais projetos vocês tem para 2013?
IN-VERSOS: A expectativa para 2013 é dar uma atenção maior ao nosso material autoral, mas trazendo, também, algumas surpresas. Novas composições estão encaminhadas e devem ser mostradas em breve. Outras novidades poderão surgir ao longo do percurso, quem sabe...
Devemos dar também uma atenção bastante especial às atividades extras da banda, tais como os novos episódios da Rotina In-Versa e à In-Versos FC (time de futebol da banda). Ao longo do ano, devemos realizar algumas atividades visando a integração do público com a banda.
NITEROSCENE: Algumas bandas podem ser caracterizadas como bandas com letras críticas, divertidas ou sentimentais. A In-Versos escreve um pouco sobre cada. Qual a opinião de vocês sobre isso? É um ponto positivo?
IN-VERSOS: Podemos levar essa postura como um ponto positivo, sim. Assim, pelo menos, não limitamos nossa criatividade e buscarmos explorar diversas questões ou diferentes situações – ao invés de apenas abordarmos uma temática específica. Isso talvez torne nosso trabalho um pouco mais pessoal. Nós somos assim, gostamos de falar um pouco de tudo e de tudo um pouco! Estamos apenas colocando isso em nossas canções.
NITEROSCENE: A letra de “Quase fui num show de rock” é baseada em uma história real?
IN-VERSOS: É sim, é baseada na vez em que um dos integrantes foi ao show do Guns e o palco desabou por causa da chuva. Foi uma historia engraçada. Mas claro, a letra também pode ser interpretada de várias maneiras, assim dependendo da pessoa ela dá a sua própria interpretação.
Tivemos uma conversa com alguns membros da banda via Skype. Durante a conversa os meninos se mostraram não só simpáticos como muito bem humorados. Provando que, risadas e brincadeiras não são simples elementos de palco.
Perguntei a eles sobre o significado da letra da canção “Em Quem Confiar”. Os meninos comentaram a semelhança da música com uma passagem de “Mais Uma Vez” do Legião Urbana ( Se você quiser alguém em quem confiar confie em si mesmo). “Lembra um pouco, mas é uma visão diferente. Dá a ideia de confiar em mais alguém alem de em si mesmo, de não estar sozinho” disseram. Ainda falando sobre a música Augusto comentou sobre o objetivo da canção “é uma música com o intuito de dar esperança, mostrar que mesmo a vida sendo difícil existe sempre alguém pra confiar... Uma mensagem de esperança e força pra quem precisa.” João ainda completou dizendo “ é uma música positiva. Traz uma outra visão pra quem estiver precisando. Pode ser uma música que seja só pra ajudar alguém ou pra embalar um casal de namorados. É uma música mensageira, cada um cria uma historia em relação a música. A gente quer trazer o bem pra quem ouvir. Cada um leva de um jeito.” Falando agora de outra música de vocês, “Uma só Nação”. Pode ser considerada uma música socialista?O que acham de unir música e política? “Ninguém na banda é socialista, ninguém pensou em escrever uma musica louvando o comunismo. Mas se pararmos pra pensar, não é exatamente um apoio ao socialismo e sim uma critica ao capitalismo exagerado e a mudança de comportamento que isso traz. A gente não pensava nisso na época, a gente não criticava o capitalismo, a gente criticava o que a gente achava ruim na sociedade. O que a música tenta passar é um sonho, uma utopia. Não tivemos intenção de falar diretamente dessas visões políticas. Tipo banda de heavy metal com negocio de capeta (haha), é um pensamento exagerado, algumas letras não são diretamente apologias. Misturar musica e política é uma forma de mostrar que política é uma coisa importante que deve ser estudada pelas pessoas. Ultraje faz isso, Capital,Legião...muitas bandas fazem e é uma forma de mostrar ao povo sobre o que realmente importa e deve ser mudado e considerado. Nos temos essa influencia do rock brasileiro e tivemos um contato com a política, não só pela a idade, mas também pelo rock”
Conforme a conversa corria os meninos se mostravam mais simpáticos e extrovertidos, começamos a falar sobre os shows deles. O que se espera de um show da In-Versos ? O que difere um show da In-Versos de qualquer outro? Qual é o objetivo da banda em relação aos shows, e aos fãs? “É um show de rock. A gente tenta manter o mesmo clima, nas devidas proporções. O objetivo é emocionar, deixar animado, fazer valer o dinheiro do ingresso. A gente vai dar o máximo pra que alguém saia de lá diferente de como entrou.” Tem muitas pessoas que vão ao show por acaso, acabam conhecendo a banda na hora e entram no clima. “Claro” continuou Augusto “Tem esse cara também que pensa “po, não conheço a banda”, é uma energia maravilhosa fazer com que esse cara sinta de tudo em 45 minutos de show.” João ainda completou dizendo que tudo que eles pretendem é serem eles mesmos no palco. “Um show animado, que divirta e faça palhaçada. Eles esperam que a gente seja original, mas é exatamente o que somos, se do lado de fora somos brincalhões e animados, a gente traz isso pro palco. O pessoal quer se divertir. Tentamos ser sinceros, nos mesmos.” É muito legal essa ligação que vocês tem com os fãs, essa proximidade. Acaba que sempre traz gente nova também né? “A ideia é tentar alcançar quem já conhece a gente e quem ta conhecendo agora e quer mais, saber mais da gente. A gente não se bota em posição de ídolo, não tem essa de pódio. Somos só 5 caras que nunca tinham se visto e se divertem tocando,jogando bola,falando besteira. A gente não tem essa barreira de público e palco, quem quiser ir ao ensaio vai. A gente gosta da presença no ensaio,num jogo de futebol...Nego despenca do Rio pra ver a gente. Nesse meio conhecemos muita gente,muitas amizades, é o que acaba acontecendo. Tudo proporcionado ela música,pela banda...Isso sim é bacana,vale todo o empenho,trabalho...é o diferencial. “
Já que é um blog de Niterói, vamos falar um pouco do lugar, o que vocês acham do cenário musical daqui? “Niterói tem espaço, mas falta melhor divulgação, incentivo”, começa Augusto “Niterói tem muita banda promissora, uma das que eu acho legal falar é o Rivotrio, os caras fazem um ótimo som e merecem o reconhecimento.” “Eu por outro lado sou fã dos Besouros” disse João “Uma das primeiras demos a gente tocou com o guitarrista deles (Leandro) e só depois a gente descobriu que era o guitarrista do Besouros. Também gosto de Kapitu e tive a oportunidade de tocar com o baterista deles. Facção,Besouros,Teresa,Kapitu...São bandas com um potencial enorme, e eu, particularmente, torço muito por eles. Mas sim, é um cenário rico que sofre com falta de investimento, atenção, espaço... tudo.”E internacionalmente ? O rock precisa ser salvo? Ou só perdeu algumas forças? Augusto: “O rock ta perdendo forças mesmo. O pop ta por ai, ficando mais popular. Ta perdendo aquela mensagem, essência, ta tudo muito enfraquecido. Ultimamente qualquer mensagem idiota é recebida e o povo adora, é a música comercial ou gastronômica. A pessoa vai ingerir a música, ouvir, consumir, e não assimilar nada, não ganhar nada. Porque não tem nada pra ser tomado. Precisamos de força e energia, se for pra criticar, criticar botando a cara a tapa, se for falar de amor, falar de amor MESMO, fazer de coração. Um solo fala muito mais do que muita música que ta bombando por ai. Muita música por ai merecia um reconhecimento maior mas ta esquecida.” Muti: “faz sucesso o que dá ibope, e porcaria infelizmente dá ibope. Porque não sei, nego aceita e tamos ai. Toca toda hora, na rua, na TV e ta nego andando e cantando junto. Eu não me lembro de uma música que tenha estourado que tenha tido uma mensagem.Seja rock pop...”. João: “O rock não é forte como o pop e o que a gente tem como rock hoje, são as antigas bandas dos 60 e 70 tentando se manter em turnês e tudo mais.Lógico que são imensas influencias e continuarão sendo. Você pode ver, as bandas que vem são as antigas, o Paul,Iron Maiden...As mais recentes, que eu gostaria de destacar são o Pearl Jam, o Foo Fihgters e o Green Day, pra mim eles representam o rock internacional. Continuam criando, mas não fazendo lixo pra ganhar dinheiro,aprimorando e crescendo. Dizer que ta morto eu acho errado, dizer que vem perdendo forças sim. Se precisa ser salvo, ai a gente volta até pro caso de Niterói, precisa de atenção.As gravadoras monopolizam isso, o que estoura é lixo por causa disso. Lady Gaga, Katy Perry...Que lançam milhões de músicas e clipes, no quarto você já se confunde porque é tudo igual.”
Pra fechar, eu queria falar do canal de vocês no youtube,não só vídeos de shows, mas vocês também tem um quadro chamado Rotina In-Versa. Qual o objetivo desse quadro? Como surgiu a ideia? “Foi um negocio espontâneo, foi acontecendo. É uma área paralela a parte musical, tentando atingir a parte do entretenimento, pra descontrair, com besteira, coisa sem graça e engraçada, o que vier a mente a gente faz. O objetivo foi meio mostrar o que gente de banda costuma fazer antes,depois,durante os ensaios. O legal foi que o pessoal se identificou. Era pra ser uma extensão, fugir um pouco dessa linha show,ensaio, música... Mostrar que a gente tem um lado divertido que talvez não fique tão a mostra num vídeo de musica. Acho que vem da nossa personalidade, todo mundo ali é um pouco idiota e gosta de fazer essas coisas. A gente não ficou só lá tocando por 2 anos. É pra arrumar uma proximidade. Entra também na parte de marketing, pro pessoal que já ta cansado da parte de show e quer mais sabe? Lógico que vai ter gente que não gosta, que não vai com a nossa cara, mas é normal. Tem gente que acha que o que a gente faz é bobeira e tem gente que se diverte. A gente se diverte revendo os vídeos. Fora a rotina tem o In versos FC, o time de futebol da banda que a gente montou e que de vez em quando joga contra os fãs.” É um jeito legal de se aproximar. “Com certeza, é como a gente disse, não somos nenhum tipo de ídolo, longe disso. Queremos quebrar essa barreira de palco e nos divertir. Nos divertir como uma banda.”
Os três membros da In-Versos( Augusto,Muti e João) vão fazer um show acústico no Convés no dia 6 de Abril. E como sempre, eles prometem um show divertido, original, extrovertido e que vá além das barreiras plateia e banda. Pra quem gostou e quer dar uma olhada no som dos meninos o link do canal deles no youtube e da página do facebook segue embaixo. Pra quem quer fazer o dinheiro do fim de semana valer a pena, dá uma passada no convés dia 6.
Canal no Youtube: http://www.youtube.com/user/bandainversos?feature=watch
Rotina In-Versa no Facebook: https://www.facebook.com/RotinaInVersa?group_id=284640758251560
Banda In-Versos: https://www.facebook.com/banda.inversos?fref=ts Matéria por Carool Canelas















