“ tudo bem, rowena, ” é mais forte do que si o anseio de continuar testando o nome dela em voz alta, a pronúncia ímpar, como se houvesse acabado de descobrir uma nova palavra bonita e não quer tirar da ponta da língua, “ nesse acordo de… privacidade fantasmagórica, ” divaga quando a distância se torna menor, por um segundo há o temor de seu olho adoentado acabar o traindo quando sentir que precisa desviar o olhar como sempre fazia, mas logo notou que era uma preocupação em vão, porque não sentiu a necessidade de olhar em nenhum outro lugar além dos olhos dela. o sorriso cresce em seus lábios com a assertividade do elogio e tem a mais plena certeza que o mesmo tom rosado que tinge suas orelhas começa a serpentear pelo seu pescoço — mas não se trata de vergonha, apenas… fulgor, algo que não sabe explicar e nem sabe se quer. “ tem alguma cláusula sobre uso de imagem na minha memória? porque eu… não conseguir esquecer nenhum detalhe dos dois olhos, uma boca, um nariz… ” cada nuance é observada e agregada às memórias agradáveis daquele dia, o jeito que seu nariz franze com o roçar um reflexo doce da surpresa do toque iniciado por ela, é preciso que agarre os bolsos de seu moletom para se impedir de tocá-la e, por infortúnio, quebrar o feitiço da proximidade cultivada por ela, “ você é linda. ” por fim devolve o elogio com franqueza e um certo… alívio, algo que parecia estar preso na garganta há algum tempo.
com os braços enlaçados, foi fácil usar do empurrão que recebeu como desculpa para puxá-la sutilmente para mais perto com um risinho arteiro ante o ataque brincalhão, “ sou, mas… ‘tô bem confortável também. mais do que o normal. ” há uma leveza em seu tom que difere de como geralmente se porta, não há fingimento, sem ato, está contente e isso transparece em cada sorriso que alcança seus olhos, genuíno. “ meu deus! quem me dera! eu ajudo o cara que… produz as coisas, a gente revê roteiros, bola os cenários, a direção… essas coisas, mas ainda sou pouco merda. ainda. ” o indicador para o ar sinaliza uma ambição que começa a desabrochar aos poucos, não sabe se será algo que vai… preenchê-lo, mas também não é como se ele fosse descobrir sem tentar. “ posso marcar o dia? ” não era sua intenção soar como um filhotinho animado, mas é exatamente a sua reação com a resposta neutra dela — que ele não teve problema algum em olhar como um copo meio cheio e não meio vazio! “ eu quero te ver outra vez. ” se a sinceridade falhou no convite implícito, dessa ver surge e sem nenhum arrependimento.
“ fotos do papagaio e talvez do dono dele. só do rosto! ” ousa ser atrevido, mas não sustenta por muitos segundos antes de fazer o complemento com um risinho travesso. nota se perceber, a maneira que os olhos dela acompanham a curva bonita do sorriso, se lembrando de instantes antes enquanto a fita, dessa vez sem a vergonha de todo seu fiasco do papagaio, o olhar agora conhece o trajeto: dois olhos, um nariz, uma boca bonita cuja risada harmoniosa o fez estremecer sutilmente. a repreensão que faz consigo mesmo é mental, aproveitando do fato de ter sido pego corando para esconder o rosto entre as palmas, o frio da derme finalmente servindo para algo, alivia o calor intenso da vermelhidão e esfria a cabeça, como um verdadeiro tolo, “ suspeito? ah, sei lá! eu prefiro pensar numa palavra mais bonita tipo… rendido? ” ah, era como se nem precisasse mais agir como um tolo, pois acaba se tornando a sua segunda pele, age antes de pensar — apenas faz o que seu cerne anseia, o que no momento acabou sendo o descansar delicado da sua testa na dela quando tem sua palma roubando o calor do rosto esculpido.
não deveria ser ele a arrepiar ali quando o frio era tudo culpa sua, mas é o que acontece e é preciso que prenda o lábio inferior entre os dentes para se impedir de cruzar um limite que talvez ela não tivesse dado permissão, mas não contêm o instinto de acariciar a maçã do rosto dela com movimentos cautelosos de seu polegar, “ oh, ” é quase como se saísse de um transe, deixa escapar um suspiro que nem sabia que estava segurando quando o passo dela restaura a distância, é quase imperceptível a maneira que seus pés deslizam para irem em direção a ela novamente, minimamente, mas mais perto do que antes, “ quer ver uma coisa engraçada? ” mais uma vez age antes de pensar e cobre seus olhos, não sabe o que o possuí para mostrar aquilo, mas ele faz e não se sente… mal com isso, como disse, era para ser algo engraçado… se mostrar completamente estrábico! o olho direito, o que o obedece com mais frequência, paira no canto externo do olho como se tentasse espiar alguma coisa do lado deles, enquanto o esquerdo permanece… inerte, os danos musculares que tomaram sua visão também levaram boa parte do seu controle perante aquele olho, “ ok, isso foi. aaaah, fiquei nervoso. ”
“ podemos mesmo? marcar os dois, visitar o teatro e ver o filme… acho que consigo roubar um projetor e fazer os dois no mesmo dia, mas tem que ser segredo. ” sussurra seu plano contíguo à audição alheia, suas vogais banhadas pelo sorriso insistente que não deixa seus lábios, quando se afasta — apenas um pouco —, lhe lança uma piscadela para selar o acordo sigiloso. “ eu tenho fé! que você não vai odiar… é uma comida boa, eu juro! ” talvez faltasse um pouco de confiança, uma vez que optou pela variedade para ter mais chances de acertar, mas não admitiria isso tão cedo. quando a perna dela se choca contra a sua, prende as pernas dela entre seus joelhos em uma leve brincadeira que não dura muito, mas mesmo quando a solta, mantém seus tornozelos ali próximos ao dela, sutilmente entrelaçados. nenhuma microexpressão dela passaria despercebida do olhar analítico de noah, mas o toque passou e o fez arregalar os olhos em uma boa surpresa… arriscou outra vez, virando sua mão para ter a sua palma contra a dela; suave. “ não vai, não! para. eu peguei mais só ‘pra tentar adivinhar qual ia ser seu favorito… ” e… bem, acaba admitindo mais cedo do que ele próprio previa e isso tira de si uma risadinha.
“ a gente pode pegar seu segundo doce favorito depois, o que acha? quando a gente for caminhar. ” parece como a desculpa perfeita para algar ainda mais a noite, se ela ainda quisesse sua companhia. “ fico feliz, ah. que ‘cê gostou. ” e com a maneira que havia ficado perdido a observando, provável que teria esquecido de comer, da modo que acaba se surpreendendo quando nota que ela percebeu, sobretudo seu olhar, o que o faz baixar os olhos para a mesa por alguns instantes. quase morde o ar quando ela lhe oferece o bolinho e logo depois tira de seu alcance, um bico formando em seus lábios antes de soltar um risinho abafado, agora pelo pedaço de baozi que tirou na mordida, resfriado! “ obrigado… ah! é tão macio quanto eu lembro… prova esse de vegetais. ” como um ritual, pega mais um bolinho para esfriar e só depois entregar para ela.