Estou sozinha, na mesa de um bar, rodeada de perfume masculino e cheiro de testosterona no ar. Claro que ouvi diversas cantadas, mas foram apenas meros ruídos que não entraram na minha mente conturbada. Meu copo permanece cheio a maior parte do tempo, mas por dentro do meu corpo eu permaneço vazia, a procura de mim mesma em meio ao breu da minha mente. Procuro sentimentos que ainda poderiam ser salvos, que ainda pudessem ser encontrados antes que o monstro que habita em mim os esmagassem como uma pessoa esmaga uma formiga ao pisá-la. Sentimentos como a esperança ou o otimismo foram os primeiros a terem seu fim trágico. Costumo ouvir que essa sensação (o monstro) é apenas exagero e que no mais tardar irá sumir, é apenas estresse do dia-a-dia. Mas não. Só quem possui ele dentro de si sabe como é viver cada dia pedindo por paz e silêncio. Não estou me referindo à transtornos psíquicos, mas sim a algo comum e que já entra em casa sem bater na porta. O meu monstro é ansiedade, e ele é real. Não é como nas historinhas para coloca medo nas crianças bagunceiras. Meu monstro rouba o meu fôlego, se alimenta do meu otimismo (o que restou dele), bebe da minha esperança, sobrevive do meu cansaço mental, se diverte me tirando o sono e sorri quando consegue fazer com que eu me sinta louca e grite internamente. Meu monstro vai e volta. Quando me dá descanso é apenas para recuperar as forças para que ele venha roubá-las novamente. E aqui, sentada nessa mesa de bar, a única coisa que consigo pensar é que meu monstro está assistindo todo esse show de camarote, contendo como atração principal eu e o enredo minha tentativa frustada de tentar fugir do que já se apossou de mim.
O monstro que vive em mim nunca dorme. Nadificar





















