Morrer de Amor...
Morrer de amor não é fechar os olhos
nem apagar a chama num sopro de vento —
é arder inteiro,
é incendiar o peito
num fogo que não cessa,
num querer que não passa.
Morrer de amor é ver o outro
nas pequenas horas,
no silêncio da casa,
no espelho da solidão,
e não poder tocá-lo —
é vê-lo nos olhos do tempo
e saber que é tarde demais.
É morrer sem morrer,
viver sem viver,
carregar no peito
um jardim seco de rosas
que um dia floresceram
num riso de primavera.
Morrer de amor
é ter saudade
até do que não foi,
até do que não se disse,
é chorar na curva da noite
um nome que não se apaga,
e ainda assim chamá-lo,
mesmo sabendo que não vem.
Morrer de amor
é sobreviver à ausência
com a memória da pele,
é ser cativo do perfume,
do gosto,
do som de uma voz
que o vento levou.
É morrer e não morrer —
é morrer e ainda amar.
- mortodeamor






















