pelos deuses! aquele ali passeando na praia é MOROS? ah, não, é só LYSANDER “XANDER” AMADEO MORETTI-SIDERIS, um DONO DE UMA REDE DE FUNERARIA/AFILIAÇÃO CRIMINAL nos agraciando com sua beleza nos halls do aletheia hotel. as moiras avisaram: mesmo com os TRINTA E OITO anos nesse novo corpo, segue tão DETALHISTA e FRIO quanto na antiguidade. repararam também que ele lembra muito THEO JAMES? a maldição levou tudo, menos sua beleza. que prazer tê-lo como HÓSPEDE do nosso hotel!
Biography:
Nem tudo o que se está destinado a acontecer é funcional. Andromeda era grega — olhos de mar e lábios com o sorriso de quem aprendeu cedo a costurar silêncio. Casou-se cedo demais para perceber a violência de Maximiliano: italiano de velha escola, família, domingos de missa e um porão cheio de pecados. Eles se conheceram numa noite de verão que prometia ser só isso — um encontro bonito e fugaz —, e ela não sabia (ainda) que o homem que lhe segurava o queixo com ternura guardava um segredo sombrio. Apaixonou-se pela versão que coube no campo de visão. Casaram-se antes que a poeira baixasse. Mudaram-se para a Itália porque “família” precisava de raízes, dizia ele; na tradução particular dos Moretti, raízes significavam endereços que a polícia não encontrava e vizinhos que não faziam perguntas.
Xander nasceu com duas pátrias no sobrenome e uma sentença entalhada na pele; antes mesmo de vir ao mundo, como primogênito, já tinha o destino traçado. Era o mais velho de quatro, chamado pelo segundo nome quando o pai estava irritado. A mãe tentava pará-lo na porta quando a voz do marido subia de tom; ele, menino, aprendeu cedo a burla do medo: caber debaixo da saia, inventar refúgios, decorar o mapa dos passos do pai no corredor. Mais tarde, entendeu que refúgios não duram para sempre. Aos doze, viu o primeiro corpo de perto, e aquilo não foi um choque, foi um ajuste. Os Moretti tinham funerária há gerações: um negócio limpo por fora, impecável, quase comovente. No subsolo, outra pedagogia — logística, rotas que não existiam, nomes que não deveriam ser ditos, cifras que lavavam culpas. O pai dizia que homens de verdade sabem terminar histórias. Xander memorizou a lição, mas redigiu uma nota de rodapé que nunca mostrou ao pai: jamais seria igual a ele.
Xander foi ensinado — melhor, condicionado — a obedecer sem questionar; mesmo adulto, temia o patriarca da família. Sem qualquer outra escolha, assumiu seu lugar “por direito” nos negócios. A verdade que mais o feria era a do espelho: toda vez que se olhava, via o reflexo do próprio pai, um homem vil, frio e perverso — uma besta que precisava ser contida. Os pesadelos vieram primeiro; depois, as drogas pesadas na tentativa de aliviá-los. Nada era suficiente. A gota d’água foi reviver a infância: entrar, sem querer, no meio de uma briga dos pais — a mãe caída, o pai desferindo golpe após golpe. Agora, como adulto, não podia mais permitir. O julgamento de Xander foi sumário, e a sentença do pai, culpado. A condenação? Quase morrer pelas mãos do filho. Lysander roubou uma quantia absurda de dinheiro e viajou com a mãe para um lugar onde pudesse mantê-la segura: Santorini, um recomeço para os dois.
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“Woah, someone drank too much egg nog.” // @ericbouvier
— Eggnog? — Ele negou levemente com a cabeça. Embora apreciasse uma boa eggnog, era difícil encontrá-lo com algo no copo que não fosse álcool ou água. Seus dois melhores amigos: usava o álcool para acalmar os nervos da hipervigilância, e a água para tentar amenizar os efeitos colaterais, a fala arrastada e as ressacas. Embora, contanto que continuasse bebendo, nem sempre chegasse a ter ressaca. — Passou perto, mas eu precisei adicionar um pouco de vodka, então acredito que o termo correto é gemada alcoólica. — completou, erguendo o copo com um meio sorriso.
the disappearance of xander moretti - p.o.v. xander
tw: stripclub, menção de assuntos adultos, linguagem baixa, drogas.
ultimos dias na excursão do egito
Tinha prometido à mãe que voltaria cedo para o hotel onde estavam hospedados. Ultimamente, por alguma razão, ele sentia a progenitora mais ansiosa; alguns minutos que passava desatento ao celular eram suficientes para levá-la a um surto, com dezenas de notificações, centenas de mensagens e chamadas perdidas. Ele entendia o pânico. Ele, mais do que até mesmo ela, sabia exatamente com quem estava lidando. E, quanto mais o tempo passava e não chegava nenhuma notícia de seu pai, mais tinha certeza de que, seja lá o que o patriarca estivesse tramando, seria algo nefasto e vil.
Ninguém, absolutamente ninguém, batia de frente com Maxi e vivia tempo suficiente para celebrar.
Talvez por isso, nos últimos meses, Xander estivesse vivendo como se cada segundo fosse o último. Os anos vivendo controlado pelo medo também não ajudavam. Ele havia perdido tanto na vida: a infância, a adolescência, qualquer ideia de normalidade, a confiança nas pessoas… o Sideris foi privado de tudo. Meses após não pisar no porão fedorento da funerária, o cheiro de podridão ainda parecia impregnado em seu nariz. Cheiro de morte, era como chamava quando criança. Dizia que o pai cheirava a morte e, de alguma maneira perturbadora, sempre soube que, no fim das contas, o homem que lhe dera a vida provavelmente seria o mesmo a tirá-la.
Quebrou a promessa. Noite adentro, Lysander foi de bar em bar, até todos se fecharem e ele precisar procurar lugares mais problemáticos: casas noturnas, mulheres peladas, expostas, lutando pelo dinheiro e pela atenção de qualquer um que pudesse pagar. Entre todos os velhos fedidos, ele era a melhor opção, o mais jovem, o mais inteiro. Nada, no entanto, o fazia se sentir melhor. Nem as bebidas, nem as mulheres, tampouco a dançarina em seu colo, rebolando e friccionando o corpo desnudo sobre o dele. Nada tinha valor, nada lhe trazia o mínimo de felicidade.
Frustrado, deixou a cabeça cair para trás, os olhos fechados por um instante, até ouvir a voz feminina muito perto de si. — Here, baby, I brought this for you, a gift to make you feel better...— O olhar lascivo da mulher segurou a atenção do italiano. Xander enfiou a mão no bolso, pagou a dançarina que estava em seu colo antes de dispensá-la com um gesto curto, agora fitando apenas a loira à sua frente.
— Não bebo álcool barato, mas posso comprar uma rodada pra gente… — respondeu, seco, porque a última coisa que queria era acordar no dia seguinte com uma ressaca miserável. Já sabia que a mãe passaria a manhã inteira gritando sobre a sua falta de cuidado.
— You wouldn’t do me that dirty, would you? — o sorriso sacana nos lábios dela cresceu. Ela se sentou no colo do homem de frente, acomodando-se sem qualquer pudor, colocando o shot misterioso entre os seios enquanto o quadril se roçava devagar contra o dele.
— You seem very convincing. — a voz dele saiu quase num gemido, rouca, enquanto as mãos firmes subiam pelas coxas dela e se aventuravam pelo corpo, brincando com o decote farto.
— Are you scared of a little drink? — provocou a loira, um sorriso quase diabólico desenhando-se em sua boca.
— I am not scared of anything. — rebateu, antes de inclinar a cabeça, levar a boca ao peito dela, abocanhar o copinho e beber o shot de uma vez só. Fez uma pequena careta ao engolir; era álcool de péssima qualidade, descia rasgando a garganta.
— That’s a good boy. — ela ronronou, satisfeita, antes de se virar de costas e voltar a dançar para ele, enquanto as mãos de Xander ainda passeavam pelo seu corpo. Se tivesse qualquer pingo de moral, sequer teria entrado naquele bordel.
Não sabia dizer exatamente quanto tempo depois começou a não se sentir bem. Só percebeu que, quando o efeito o atingiu, veio forte demais para ser uma simples bebedeira. O estômago embrulhava, a visão começou a ficar turva; fechou os olhos por alguns segundos, tentando respirar fundo, até notar que já não conseguia sequer entender o que a música dizia. Os sons pareciam distantes, embolados. Empurrou a mulher do colo com cuidado, jogando algumas notas de cem em direção a ela para pagar pelos serviços, mas, ao se levantar, a sensação piorou de maneira brutal. O que quer que estivesse acontecendo progredia rápido, rápido demais, e ele mal conseguia fazer mais do que balbuciar algumas palavras soltas.
Cambaleando, começou a se dirigir até a porta do estabelecimento, tentando ao menos chegar na rua para chamar um táxi. Porém, assim que alcançou a saída, as pernas falharam de vez. Caiu no chão com um estrondo, o corpo pesado, sem qualquer chance de se erguer novamente. A visão escurecia a cada piscada, e todos os pensamentos se tornavam um borrão confuso.
— Dove credi di andare, ragazzone? — foi a última coisa que ouviu antes de sentir o corpo ser carregado para dentro de um carro, a porta batendo com força e os pneus cantando no asfalto, instantes antes de perder a consciência.
[xander]: mi manchi tanto
[xander]: você ta vindo aqui na cabine?
[xander]: daddy wants you
[xander]: foto sem camisa
[xander]: puta que pariu
[xander]: quanto eu posso te pagar pra gente fingir que isso nunca aconteceu? Hayden errada rs
🤝 HANDSHAKE — do family or platonic relationships mean more to you? or do they mean different things to you?
❤️🔥 HEART ON FIRE — what angers you the most? what triggers this anger, and how do you cope with it? what does this anger feel like, if you had to describe it?
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Como qualquer italiano que se preze, para Xander família sempre vem em primeiro lugar. Se for falar a verdade, ele não valoriza muito relações amorosas; é bastante egoísta e não vê por que gastar seu tempo em qualquer coisa que não traga algum tipo de benefício direto para si.
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Xander odeia qualquer tipo de injustiça ou algo que ele considere injusto. Embora sua moral seja bastante duvidosa em muitos aspectos, há certas coisas nas quais ele acha que todos deveriam concordar: proteger crianças, idosos e mulheres em geral é um dos poucos valores sólidos que sua mãe conseguiu incutir nele e que ele leva a sério.
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[ Witch ] - What is your muse's element? Do they have one of the big four (earth, wind, fire, water) or an outlier?
[ Familiar ] - Who would your muse pledge themselves to with no question?
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Não que ele acredite em qualquer coisa do tipo, mas, se tivesse que escolher, provavelmente diria fogo. Pode ser quente e acolhedor ou completamente destrutivo; tudo depende de quem está lidando e de como se aproxima. Há algo de intenso, impulsivo e perigoso em Xander que queima tudo ao redor ou aquece quem ele ama.
[ Familiar ] - Who would your muse pledge themselves to with no question?
Muitos diriam que a seu pai, mas a lealdade a ele nunca foi uma escolha, e sim um condicionamento moldado por medo e anos de abuso. Quem realmente tem a lealdade total e cega de Xander são suas irmãs caçulas e sua mãe. Por elas, ele não mede esforços: mente, corre riscos, faz alianças improváveis e compra brigas que não pode vencer. Por elas, Xander faria absolutamente tudo, sem pensar duas vezes e sem questionar.
[ 🕊️ ]ㅤ.ㅤwhen did they feel the safest ? [ 💤 ]ㅤ.ㅤhow do they sleep ? curled up, sprawled, holding onto something ?
[ 🕊️ ]ㅤ.ㅤwhen did they feel the safest ?
O sentimento de segurança é praticamente desconhecido para Xander. Os anos de abuso sofridos na infância, nas mãos do próprio pai, destruíram qualquer possibilidade real de ter um porto seguro. O medo moldou tudo na vida dele: sua profissão, as perversidades que cometeu, a forma desalmada com que aprendeu a se apresentar ao mundo. Ele se convenceu de que, se fingisse bem o suficiente, ninguém desconfiaria que, em alguns momentos, ainda é o mesmo garoto ferido, só tentando sobreviver. A verdade é que ele nunca chegou a se sentir totalmente seguro; no máximo, menos em perigo.
[ 💤 ]ㅤ.ㅤhow do they sleep ? curled up, sprawled, holding onto something ?
Xander tem um sono absurdamente leve. Dorme sempre de lado, de preferência com as costas viradas para a porta, como se isso lhe desse alguma vantagem caso algo aconteça. Mantém um canivete debaixo do travesseiro e qualquer som mínimo é suficiente para acordá-lo num estado de fight or flight imediato.
Quase nunca se permite relaxar por completo; mesmo dormindo, o corpo continua armado, como se o perigo pudesse atravessar a porta a qualquer instante.
"'Tá olhando o que hein?" perguntou pro rapaz quando percebeu que os olhos dele estavam há muito tempo em sua direção. Claro, talvez fosse uma oportunidade de flerte? Sim. Mas Cecile definitivamente não era boa nisso e gostava de falar que não tinha tempo para tal. Porém, quando percebeu que na verdade o rapaz não estava olhando para ela, as bochechas queimaram de constrangimento e ela acabou rindo, tentando disfarçar. "Cara, mas a sua mãe é a maior gata hein! Deixa ela curtir a vida, o cara nem parece tão ruim assim." olhou para ele por mais alguns segundos e depois percebeu a quantidade de rugas no rosto do homem. É, mais ou menos. "Na real ele tá meio acabadinho perto dela, mas nada que um acido hialurônico não resolva." ponderou e de de ombros "Acho que ela é grandinha pra ter um babá né?" olhou pro rapaz, percebendo que ele já havia sido hóspede do hotel. Maldito mundo pequeno.
Lysander levantou as mãos em sinal de rendição e, embora talvez não fosse muito apropriado ser tão sincero, soltou, meio rindo. — Se eu tivesse olhando pra você com tanta frequência, eu já teria te mandado um drink, minha querida. Hoje eu sou apenas um filho preocupado. — Bufou, os olhos presos no casal — se é que podia chamá-los assim. Estava bastante incomodado, isso era verdade, o maxilar levemente travado denunciando mais do que ele dizia. Foi só quando ouviu a frase dela que sua atenção voltou totalmente para a companhia ao lado; ele coçou a sobrancelha, visivelmente pasmo. — Você chamou a minha mãe de gata? Hm… obrigado? — comentou, ainda tentando processar. — Ela é uma senhora admirável, criou quatro filhos...
— Meio? — repetiu, incrédulo. — Ele parece um mendigo perto dela, e ela tá agindo como uma adolescente tola. Como se já não me bastassem as meninas...— Soltou o ar com força e negou com a cabeça, decidido. — Não, claramente não. Eu não confio por um segundo na habilidade daquela mulher de julgar caráter, então eu vou julgar o caráter dele por mim mesmo. O que tem demais?
Lysander estava adorando os momentos de paz que tinha no cruzeiro, justamente porque sabia que, quando atracasse de volta em Santorini, muita coisa iria mudar. O aviso do pai ainda lhe estremecia a alma; Lysander não era um homem de muitos medos, mas fingir que não reconhecia a ameaça do próprio progenitor só o levaria mais rápido pra cova. Levou a bebida alcoólica adoçada aos lábios, deixando o gosto açucarado e o leve ardor do álcool se espalharem pela boca antes de olhar para a mulher ao seu lado e comentar, em tom de fofoca despretensiosa. — Ouvi dizer que o sujeito decidiu trazer a esposa e a amante aqui no navio. O desenrolar foi o maior quebra-pau. Se você tivesse chegado uns dez minutinhos antes, tinha visto. Coisa assim, nível MTV.
Os Moretti eram tantos que às vezes parecia que metade da cidade tinha o sobrenome da família. A casa do patriarca enchia em qualquer data: jantarzão de sexta com mesa comprida, crianças correndo entre as cadeiras, café da tarde às terças para as tias que não sabiam ficar sozinhas, aniversário de alguém praticamente toda semana. De fora, pareciam um daqueles clãs italianos que nunca deixaram morrer a tradição: muito barulho, muita comida, discussões acaloradas que terminavam em abraço. No centro de tudo isso, havia uma outra tradição, esta mantida à base de sussurros e olhares de canto: a funerária. O negócio começara com o tataravô de Maximiliano, passara de geração em geração, como se fosse uma espécie de relíquia sagrada. Só que, em algum ponto da história, a morte de que cuidavam deixou de ser apenas a morte que vinha sozinha. Uma geração inteira de homens Moretti — tios, primos, irmãos — acabou presa ou morta por causa dos negócios paralelos ligados à máfia.
Quando a poeira daquela tragédia baixou, a família decidiu reinventar a própria sobrevivência. Ficou combinado, sem ata, sem documento, apenas como lei de sangue: de cada núcleo Moretti, só o filho homem mais velho carregaria o fardo. Um para caminhar na lama, vários para viverem limpos, estudando, casando, mantendo o sobrenome circulando em fotografias de formatura e casamentos. Era assim com todos: primos que sumiam nos bastidores do negócio enquanto os irmãos seguiam vida “normal”. Nos almoços de domingo, porém, todos se sentavam à mesma mesa — riam, bebiam vinho, jogavam conversa fora — e só os primogênitos trocavam, de vez em quando, um olhar mais pesado, como veteranos de uma guerra que o resto da família fingia que não existia.
Maximiliano Moretti
Na sala principal, Maximiliano era o patriarca que falava alto, ria quando queria, calava qualquer conversa com um levantar de sobrancelha. Um italiano de velha escola, que jamais perdia a missa de domingo mas escolhia a dedo quais mandamentos seguir durante a semana. Aos olhos dos parentes, era o sucessor perfeito do pai: manteve o negócio em pé, deu empregos a meio clã, garantiu que as mesas de sexta e domingo estivessem sempre cheias. Aos olhos de quem o conhecia de perto, era um homem de temperamento curto, mãos firmes e olhar que media pessoas como se fossem cifras.
A herança que recebeu — funerária e máfia num mesmo pacote — ele devolveu ao mundo com juros. Manteve a regra: um filho para carregar o fardo. O resto, ele protegia com a mesma dureza com que mandava matar. Enxergava em Lysander a continuidade de tudo o que o tornava necessário, e não aceitava a ideia de que alguém pudesse querer partir. Quando o próprio primogênito quase lhe arrancou a vida, não se viu como homem que merecia aquele destino, mas como mártir traído pelo sucessor. E é com esse orgulho ferido que ele segue respirando: planejando sua vingança.
Andromeda Sideris-Moretti
Andromeda chegou à família como um sopro de mar em meio ao cheiro de vela e terra úmida. Grega, olhos azuis da cor do mar, sorriso tímido, parecia à primeira vista um corpo estranho entre tantos italianos que falavam alto e gesticulavam demais. Foi engolida com uma facilidade assustadora: em pouco tempo, já se dividia entre os jantares barulhentos de sexta, o almoço de domingo na casa dos sogros, o café da tarde nas terças com as tias que queriam saber de tudo. Aprendeu rápido a natureza dupla dos Moretti: a família numerosa, calorosa, engraçada; e a outra coisa, aquela que ninguém nomeava, mas todos pareciam respeitar em silêncio.
Com o tempo, Andromeda passou a entender o que significava, na prática, ser esposa do primogênito encarregado do porão. Viu maximiliano voltar tarde com o cheiro de fumaça, viu a sombra de culpa que nunca se confessava no confessionário, sentiu na pele o impacto do gênio curto dele. Fez o que conseguiu para blindar os filhos. À mesa, falava de escola, projetos, viagens, e desviava qualquer conversa que se aproximasse demais da palavra “negócio”. No íntimo, sabia que havia uma diferença cruel entre Lysander e o resto: ele era o único que não tinha para onde correr. Os planos de Andrômeda de se libertar do casamento abusivo faliram quando Xander decidiu fugir ao invés de matar a Maximilliano, secretamente se sente horrível em ter armado uma situação para conseguir o que queria já que sabe que seu marido jamais lhe concederia um divórcio.
Leander Matteo Moretti
Leander, o filho do meio, sempre se viu como figurante naquele teatro de sobrenome barulhento. Tinha muitos primos, muitos tios, muitas histórias, mas ninguém verdadeiramente lhe via. Desde criança, ouviu elogios por ser estudioso, responsável, cabeça boa para livros. A família orgulhava-se de ter um futuro médico à mesa; era bonito para a narrativa coletiva que, enquanto alguns cuidavam dos mortos, outros cuidassem dos vivos. O dinheiro que pagava sua faculdade chegava fácil demais, e ele se agarrava à versão confortável de que vinha de contratos lícitos, velórios bem pagos, uma funerária de renome.
Quando Lysander desapareceu com Andromeda e a cadeira do primogênito ficou vazia, o olhar de Maximiliano mudou de eixo e repousou sobre ele. Leander sentiu na pele o que é ser puxado, tarde demais, para uma posição que nunca foi sua por destino, mas que agora se torna inevitável. Contra sua vontade passou a acompanhar o pai em reuniões, a assinar documentos que não entende totalmente, a ouvir, aqui e ali, frases que cheiram a ameaça. A tradição que deveria protegê-lo — “apenas o filho mais velho se suja” — é quebrada sem cerimônia em nome da sobrevivência do império.
Lenora Marcella Moretti
No grande mosaico Moretti, Lenora é a peça que nunca encaixa direito. Sempre achou que havia algo de errado na forma como os adultos mudavam de assunto, no jeito como certas pessoas eram tratadas com respeito excessivo e distância controlada, nas histórias que começavam com “naquela época” e terminavam rápido demais. Estudando psicologia, ganhou vocabulário para nomear aquilo que já sentia: negação coletiva, lealdade familiar tóxica, trauma transmitido feito herança. Nos jantares de sexta e almoços de domingo, é a que faz perguntas incômodas. Brinca que o sobrenome deles daria uma ótima tese, mas no fundo não vê graça nenhuma. Observa os primogênitos dos outros ramos com curiosidade — aqueles primos silenciosos, que às vezes chegam com um cansaço no olhar que ninguém comenta. Sabe que existe um segredo ali, só não conhece a forma. Lysander sempre foi, para ela, metade irmão, metade guardião de algo que ele se recusava a contar. Quando ele sumiu, levando sua mãe, Lenora sentiu como se alguém tivesse arrancado uma peça importante do quebra-cabeça e deixado para ela apenas a moldura torta.
Lorellai Alexandra Moretti
Lorellai é o cartão de visitas da nova geração: cabelo impecável, sorriso fotogênico, feed de rede social sempre atualizado com viagens, roupas, festas. É a caçula, a que nasceu quando o clã já tinha dinheiro suficiente para que ninguém precisasse olhar de perto o balanço do que estava sendo pago em troca. Filhinha declarada de Maximiliano, aprendeu desde cedo que bastava pedir com a entonação certa para que o mundo se ajustasse aos seus caprichos. Ganhou vestidos, cursos de moda, viagens a Milão, guardas-costas que ela tratava como figurantes pessoais.
Nos almoços de domingo, Lorellai era a que fazia o patriarca rir de verdade; talvez por isso nunca tivesse visto o lado mais escuro dele com toda a nitidez. Quando as discussões passavam do ponto, alguém sempre lhe pedia que fosse buscar algo na cozinha, que subisse, que ligasse a música. As cenas mais pesadas eram editadas antes de chegarem aos seus olhos. O resultado é uma menina-mulher com personalidade forte, mas ao mesmo tempo não faz ideia do tamanho do abismo sobre o qual vive andando de salto alto.
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Xander tinha alugado uma cabine para si e outra para a mãe, com varanda e tudo, e ainda assim fazia questão de sempre saber onde ela estava. Naquele momento, ele a observava a poucos metros de distância, sentada perto do bar da piscina, rindo e conversando com um rapaz da idade dela. A visão não lhe agradava nem um pouco, um incômodo discreto apertava seu peito, mas, ao mesmo tempo, havia um certo orgulho silencioso em vê-la leve, se permitindo aproveitar. Ela merecia. Encostado na grade, mojito na mão, Xander fingia estar mais interessado na paisagem do que realmente estava, mas seus olhos sempre voltavam para ela. Proteção, ciúmes? — Eu? Não, na verdade eu tô só de babá da minha mãe hoje. Não tava tentando incomodar. Pode até parecer que eu estava te encarando mas na verdade eu to encarando ela, me certificando de que ele não vai tentar nenhuma gracinha...
Para quem tinha tantos problemas, Xander agia como se não tivesse problema nenhum. Estava esticado na espreguiçadeira, tomando sol à beira da piscina, um mojito na mão. O italiano não queria guerra com ninguém — com ninguém além do próprio progenitor, claro. Enquanto não encontrava as respostas que precisava, aproveitava o que podia muito bem ser seu último resquício de liberdade. — Eu aposto vinte que aquela ali vai ser a última a cair. Ou um drink, o que você prefere? — perguntou, fitando o outro com um meio sorriso, ao se referir às garotas na piscina, prontas para derrubar umas às outras dos ombros de seus adversários.
as cenas do último encontro ainda estavam muito claros em sua mente. xander sempre dava um jeito de ficar impresso em sua memória, mais marcante que qualquer outro tipo de relação que poderia ter. parecia... saber mexer diretamente com os seus fios mais internos, cabeamento confuso. por isso o arrepio quando o ouviu, a pele exposta. piranha não sente frio, e muito menos cobra... então lá estava ela... belíssima, envolta em vinil negro. o corset reluzia refletindo em cada curva a ideia perigosa de controle; as meias arrastão subiam pelas pernas até serem presas por ligas escuras, e o som grave das botas de couro só pioravam estado de qualquer observador. dispensou qualquer um com quem falava, o olhar já fixo no homem que acabara de cruzar sua órbita. estava ali para negócios, mas... poderia adiá-los para outra hora. havia encontrado um jogo mais interessante para ocupar a mente. os olhos vagaram por ele com lenta precisão. “então já decidiu, se confia em mim ou não?... não me parece que sentiu saudades o suficiente. onde está meu presente?”
Devia admitir: o gosto de Aspen ainda permanecia na boca de Xander, como os resquícios teimosos de uma droga que se recusava a deixar seu sistema. O sorriso abriu caminho em seus lábios — escancarado, presunçoso, exatamente como ela lembrava. Como se o mundo estivesse ali apenas para ele. — Você sabe que eu preciso de tempo pra considerar todas as possibilidades, docinho. — provocou, o sorriso não vacilando nem por um segundo. A mão dele subiu até o rosto da mulher, segurando-o com uma ternura que contrastava com o fogo evidente em seu olhar. Ele não confiava nela. Nem um pouco. Mas isso nunca foi obstáculo para desejar alguém — e Aspen sempre fora veneno doce demais para evitar. — Amor, você ainda não aprendeu que pedir presente é feio? — inclinou a cabeça, a voz baixa, debochada. — Tacky, baby.— A mão escorregou até o bolso. Xander puxou o cartão metálico negro, brilhando sob a luz, e o exibiu entre dois dedos com um sorriso que sabia muito bem o efeito que tinha. — Me diga por que você merece um presente… — ele aproximou o corpo. — …e talvez eu compre um. O que acha?
_ Na verrdade você parrece um chuchussinho. - deu um sorriso travesso pra ele enquanto os dedos ligeiramente pegavam o baralho de tarô. - Não tem golpe nenhum, mas o pagamento é adiantado. - agora sim seu sotaque era completamente brasileiro, as cartas dançando entre os dígitos como se flutuassem. - Deixo escolher o sotaque também. Vai querer descobrir o que?
— E você parece estar me olhando demais. — ele bufou, torcendo o nariz com desdém. — Quer tirar uma foto?— Revirou os olhos. O famoso macho man. Parte do problema, admitia, vinha daquela criação italiana tradicional demais para o próprio bem. — Ah, entendi. — a voz dele baixou, cortante, carregada de ironia. — Então você vai me oferecer um serviço que eu não quero, e eu ainda tenho que pagar adiantado? Claro, não tem cara de golpe nenhum. — Xander inclinou a cabeça, medindo o outro de cima a baixo, o ar de ameaça tão discreto quanto óbvio. — Faz assim… quanto de troco você tem aí pra me dar? — o sorriso apareceu, lento, perigoso. — Só pra eu saber quanto eu posso te pagar. — Aquela não era só uma provocação. Era um aviso desfarçado.
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Tinha prometido tanto a sua editora quanto a Phinneas que tentaria ser um pouco mais sociável enquanto no hotel, afinal ela não podia passar o tempo todo dentro de seu quarto só escrevendo e ignorando o restante do mundo. Ouviu alguns hospedes comentando que o bar ainda estaria aberto apesar de toda questão com a tempestade e falta de eletricidade, então, juntando todo o carisma que lhe restava Diana decidiu que assumiria sua outra skin, uma digna das personagens que escrevia, se arrumou e seguiu para o bar. Sentada ali sozinha, desfrutando de um bom drink, ela apenas absorvia as conversas que aconteciam a sua volta, e talvez por isso a aproximação masculina lhe passou despercebida, então, quando a mão alcançou sua cintura e desceu para suas coxas ela agiu por puro instinto, e deu uma cotovelada acertando as costelas de quem quer que fosse. E ao tempo que a voz chegou ao seu ouvido, ela teve certeza que aquela cotovelada fora mais do que merecida. “ você pretende perder a mão agora ou depois de levar um tapa Xander? “ as palavras saiam no mesmo tom da dele, quase um sussurro, para evitar chamar atenção das outras pessoas ali.
Xander precisava admitir: tomava péssimas decisões. Mas o que podia fazer? Mudar? Não, definitivamente não. Não era o tipo que acreditava em terapia — preferia anestesiar a mente com prazer e sarcasmo. Cada cicatriz, cada deslize, era apenas mais um lembrete de que ele lidava com seus demônios de um jeito… particular. Fora moldado assim — disciplinado até a exaustão, criado para obedecer, não para sentir. Seu pai chamava isso de força. Xander chamava de condicionamento. E, embora tivesse herdado dele o gosto por controle e perigo, a mãe deixara uma fagulha de compaixão que insistia em não morrer — mínima, quase imperceptível, mas suficiente para traçar limites que nem ele ousava ultrapassar. A cotovelada, no entanto, não deveria tê-lo pego de surpresa. Ele havia se aproximado demais, é claro que pagaria por isso. O golpe o acertou no abdômen, arrancando-lhe o ar dos pulmões, mas não o afastou. Apenas recuou a mão, erguendo-a num gesto rendido, o sorriso ainda estampado nos lábios. — Quando você preferir, amor. — murmurou, a voz arrastada, quase divertida. — Não vai me dizer que não sentiu saudades de mim? — Deu um passo mais perto, o olhar provocante. — Posso ao menos escolher onde levo o tapa? — perguntou, inclinando levemente a cabeça. — Eu, particularmente, prefiro no rosto. — Riu baixo, o som rouco e insolente ecoando entre eles. — Ah… essa noite está me saindo melhor do que imaginei. — completou, saboreando cada palavra como quem brinda à própria ruína.
"tudo bem." deu de ombros, só não se incomodando com isso pelo lugar estar meio cheio. era previsível que as pessoas fossem ficar próximas umas das outras, e para sua sorte, o mais velho não era um dos bêbados sem noção da festa. ficou feliz dele não levar a sério o que disse, achando graça também na possibilidade. não notou a travessura em seu sorriso, olhando para a mulher enquanto tentava entender para quem ela olhava. "acho que vou apontar..." começou a dizer, se interrompendo ao notar as luzes e música do lugar cessarem abruptamente. "caiu a energia?!"
O uísque desceu queimando-lhe a garganta — uma sensação que, por mais contraditória que fosse, sempre lhe trazia conforto. A pedra de gelo tilintava contra o vidro conforme ele girava o copo distraidamente. Ia dizer algo quando as luzes se apagaram de repente. Por um instante, ficou completamente cego, o breu engolindo o salão. Seus olhos levaram alguns segundos para se adaptar, e, quando o fizeram, o ambiente já estava tomado por murmúrios crescentes. — Eu acho que isso é definitivamente um sinal. — comentou, com ironia, arqueando uma sobrancelha. — Vai que, na verdade, ela queria era sequestrar a gente? — O tom era brincalhão, mas o caos ao redor não ajudava. As vozes se sobrepunham, algumas pessoas riam nervosamente, outras começavam a reclamar alto. Xander suspirou, já irritado com o exagero coletivo, e virou o resto do uísque num só gole. — Acho que sim… outro apagão. — resmungou, pousando o copo no balcão com um som seco. — Esse hotel não tem um gerador que preste? Vamos, eu te ajudo a sair daqui antes que todo mundo comece a surtar. — disse, num tom prático e sereno. — Bêbados e apagão… não é das melhores combinações.