Você não sabe quem eu acabei de encontrar na Praça das sete famílias. Isso mesmo, MITHI ABAYON DELA CRUZ! Ela é uma HUMANA que atua como FAZ TUDO/MOTORISTA DE APLICATIVO aqui em Ninivae, sabia? Ouvi dizer que possui 25 anos. Os ventos sopraram que esse rostinho angelical é ESFORÇADA, mas são os rumores sobre ser INCONSEQUENTE que ameaçam a nossa paz. Será que teremos problema em lhe estender a mão?
A tragédia do nascimento de Mithi foi anunciada ainda em sonho. Por meses, imagens de um mundo deturpado atormentaram Dalisay. Uma cópia vazia, sem vida, de tudo o que conhecia. Uma terra em que cores eram acinzentadas, animais não eram vistos e magia não era sentida. No meio de tudo, prostrada em terra seca, havia um corpo feminino. A silhueta possuía uma familiaridade inquietante, mas o motivo só se revelava quando a figura erguia o rosto. O seu rosto. Embora… não exatamente.
As bochechas eram mais fundas, seus traços mais angulosos, os ossos proeminentes mesmo por baixo das roupas. A parte mais desconcertante, porém, eram seus olhos. Completamente desprovidos de cor. As orbes que antes faiscavam com poder mal contido, transbordando com a Graça divina, não continham nada. O choque da imagem sempre fazia com que a bruxa ignorasse a outra presença ali, pelo menos, até que essa se impusesse com um choro estridente.
Uma criança. Um recém-nascido. Um dos maiores milagres da criação estava à sua frente, com olhos e nariz que pareciam uma réplica minúscula dos seus. E, ao invés de sentir a energia inegável que vem com uma nova vida, Dalisay tinha a sensação de encarar um quadro esmaecido pelo tempo. A ausência de algo sobrepunha-se a qualquer outra sensação, mesmo quando a certeza da origem daquela criança se firmava em seu peito. Era sua, sabia. Assim como sabia que havia algo profundamente errado com todo o cenário.
Apesar do presságio de Dalisay ter se cumprido, Mithi não podia ser mais vivaz. Seu lema facilmente poderia ser: “Sem mãe, sem pai, sem magia — mas nunca sem graça.” O começo da sua história não fora fácil, com a mãe morrendo horas após o parto e o pai a rejeitando em seguida. Mal abrira os olhos e já havia sido condenada por algo que não tinha como mudar e relegada ao status de indigna pela falta de Graça em seu cerne.
Seu futuro não parecia brilhante; na verdade, sua miséria era quase certa. Cada dia ficava mais claro que acabaria sendo enviada para longe de Ninivae. Era uma vergonha para as bruxas, um insulto de bochechas coradas e risos inocentes, cuja existência levantava questionamentos desnecessários sobre a Graça que habitava a espécie.
Foi durante esse impasse que Amara dela Cruz, melhor amiga de Dalisay, acabou adotando Mithi. Ignorando as recomendações do próprio coven, criou sua pequena humana de forma… peculiar. Entre reuniões secretas das quais não poderia em hipótese alguma saber que existiam, passeios no parque e jantares enfeitiçados, cresceu em um ambiente surpreendentemente saudável e livre. Livre até demais.
Numa casa em que qualquer infortúnio tinha solução em forma de amuleto ou ingrediente misterioso e em que erros e acertos eram encorajados em favor da experiência, limites não passavam de sugestão. Talvez seja por isso que Mithi, apesar de responsável, tenha uma vida errática no melhor dos dias. Quer dizer… ocupada.
Materialização da expressão “se vira”, a dela Cruz raramente é vista parada. Faculdade pela manhã, empregos de meio período à tarde, motorista de app à noite, não há tempo ruim com a garota, apesar do universo testar diariamente seus limites.
HABILIDADE & ARSENAL
Chaveiro de autodefesa — Pode não ser a criatura mais forte de Ninivae, mas cresceu ciente de todas as criaturas ao seu redor. Por isso, carrega um chaveiro imenso consigo. Nele, estão coisas simples, como: spray de pimenta, spray de verbena, amuletos, um apito, um canivete de prata, uma mini lanterna, um soco inglês, um kubaton de ferro, um cortador de cinto e um gloss (óbvio).
EXTRAS
Mithi não é empresária e não tem nada em seu nome além do carro, que usa para rodar como motorista de aplicativo. Contudo, topa qualquer vaga que surja em seu caminho, seja como recepcionista, garçonete, doadora de sangue… O que você imaginar, a Dela Cruz já fez.
Tem um senso de moda quase nulo, apesar de defender suas escolhas de vestuário como provocação. De qualquer forma, você dificilmente verá Mithi fora de um bom jeans pareado com uma camiseta com dizeres duvidosos (sempre mirando uma espécie desavisada).
A essa altura, acredita piamente que a falta de Graça a transformou num chamariz para sobrenaturais, com as criaturas envolvidas em cerca de 99,9% das situações mais esdrúxulas do seu dia a dia.
Tem traumas, muitos, e faz de tudo para não pensar neles. Por isso ocupa as 24h do seu dia, se possível, e age de maneira tão errática.

















