Algumas lágrimas se formaram no canto de seus olhos ao ver a forma como o loiro reagiu, seu coração se apertou em uma questão de instantes e ele desviou o olhar para o chão, sentindo um nó se formar na garganta. Jungwoo queria tanto conseguir permitir que o outro se aproximasse, ninguém nunca agiu daquela forma consigo, não sabia a definição de amor e amizade mas imaginava que era aquilo e doía em seu íntimo não conseguir se abrir, não conseguir confiar naquele que estava ao seu lado, que estava se esforçando tanto para respeitá-lo. Por que não conseguia? A voz do pai ecoou em sua mente, incompetente, esse era o motivo. Estava apenas tomando o tempo de alguém como Shin, este que poderia estar aproveitando o feriado com quem realmente era digno de sua presença, e não consigo. E como uma cachoeira de pensamentos que sempre o levavam para a solução de sua calmaria, ele sabia o que fazer. "E-eu... Desculpa... Preciso ir.. P-preciso ir ao banheiro." Sem sequer deixar o lufano responder, fugiu para o banheiro. Escondido em um local estratégico que ele já havia deixado para momentos de emergência, pegou a navalha e puxou a manga de seu casaco. Seriam apenas para se acalmar e estava tudo bem, conseguiria voltar para o dormitório e não ser um completo idiota. Ou era a intenção; depois do terceiro corte, as perguntas de Shin voltaram em sua mente e a culpa invadiu sua consciência novamente. Ele sentiu uma forte dor em seu peito e a necessidade de continuar se fez presente, aquela dor emocional só iria embora quando a física se tornasse maior. Idiota, pensou consigo, era tão imbecil que chegava a ser cômico, por que não conseguia agir como um ser humano normal quando, pela primeira vez, alguém estava tentando ser gentil consigo? Minho de fato não merecia isso, passar por algo assim por causa de um fracassado? A quem Jungwoo queria enganar? Eles nunca poderiam ser amigos. E depois de uns cinco minutos, quando sentiu que estava pronto, enfaixou o braço e escondeu a navalha, voltando para o quarto. Seu olhar cruzou com a face angelical e dócil do lufano e toda a coragem que reuniu para pedir que se afastasse e fosse embora, se esvaiu. "Me perdoa, Minho.." Sua voz saiu baixinho, enquanto fitava o nada. As pernas fraquejaram e ele sentiu o chão antes que pudesse continuar a frase, caindo de joelhos no chão. "Me pe-perdoa, e-eu.. não sei como fazer isso.. Nã-não sei c-como é ter... Não sei co-como ser seu a-ami..." O choro tornou a importuná-lo de novo, impedindo-o de concluir a frase. Os olhos escuros, agora marejados, encararam a figura do loiro antes de ficar completamente embaçado pelas lágrimas que desciam violentamente, sem cessar. Erguendo sua mão até o rosto, tirou a máscara e deixou-a cair em seu lado, em seguida, retirou o casaco e as faixas de seus antebraços. "Não sei o que.. O que quer de mim, porque não posso.. Eu não tenho nada a oferecer.." Em algum canto de sua mente, conseguiu formular palavras para falar e naquele instante, completamente vulnerável, sentiu que seu coração quebrou mais um pouco. Não havia conforto naquilo, era apenas angústia, dor e mágoa, e ele não sabia se havia feito a escolha certa. "Eu sou feito de retalhos, Minho.." A face estava inexpressiva, ainda que sentisse um peso enorme em si, seus olhos não carregavam nada além de um vazio imenso enquanto encarava Minho mas não era Minho que via ali, era como se enxergasse através deste, uma escuridão total.