Por que é tão importante a criação da &Walsh?
Ontem o assunto tomou as redes sociais de todos os designers. Hoje a resenha do Brand New foi o primeiro link compartilhado nos meus grupos de WhatsApp.
A saída de Sagmeister da Sagmeister & Walsh e o novo nome e direção criativa da agência causaram grande comoção no mundo do design. E não é pra menos, como a própria Walsh falou no blog da agência, apenas 0,1% das agências criativas tem mulheres como donas. Enquanto nas faculdades, 70% das estudantes são mulheres, apenas 5-11% de direções criativas são femininas. E, mesmo assim, as mulheres são responsáveis por 80% das compras de bens de consumo.
Essa nova direção criativa dá às mulheres um novo espelho. A Jessica Walsh já é uma das designers mais admiradas e bem sucedidas do mundo, mas todo posicionamento e divulgação da &Walsh motiva, dá gosto de ver e inspira toda uma geração de meninas que sofrem em agências em times recheados de homens e sem lideranças femininas na criação.
Além do espelho que a Walsh cria pra todas nós, ela possui um time recheado de mulheres talentosas (inclusive brasileiras). E é uma liderança representativa que, além de feminista, é consciente de sua posição privilegiada de mulher branca, cis e numa relação heteronormativa. Mas deixa claro que, essa posição foi alcançada com muito esforço. Esse orgulho de si mesma, essa confiança e auto estima são essenciais pra essa posição.
E mesmo em posição privilegiada, ela continua lutando por mais diversidade. Eu sou fã da Walsh há muito tempo. Eu estive no primeiro Ladies, Wine and Design brasileiro e fiquei encantada com a iniciativa. Esse olhar social, criativo e ousado que ela traz pra &Walsh é forte e, ao mesmo tempo, traz um novo approach pro design. O approach mais feminino. O cartaz “Trusting our instincts” me marcou muito porque o instinto feminino é algo que muitas vezes vira piada. Ela apostar numa frase dessa pra divulgação da nova agência é nos empoderar ainda mais! “Celebrating emoticons & Believing in Risk” é outro exemplo sensacional do posicionamento ousado e que traduz tudo que eu sempre achei do trabalho da Walsh. E não tem como não se identificar com “Embrace Discomfort. No time for B*S”. A verdade é que nosso trabalho como designer é estar o tempo todo fora da nossa zona de conforto. Abraçar isso é abraçar todo nosso universo do design.
Outro ponto que ela cita no texto do site é que entende que nem todo mundo quer um cargo de liderança. Que existem pessoas querem se concentrar em habilidades individuais e se tornarem especialistas. Hoje o nosso mercado é recheado de gestores ruins porque essa é a única maneira de ganhar mais dinheiro e, consequentemente, crescer dentro da profissão. O sucesso profissional do designer está diretamente atrelado à uma posição de liderança onde ele deixa de produzir e passa a gerir equipes. E sabemos que, nem sempre um bom designer é um bom gestor. Essa lucidez que a Walsh traz pro nosso mercado é essencial para que a gente repense os nossos modelos e a forma como trabalhamos.
E por último, mas não menos importante, a resenha do Brand New classifica as fotos que promovem a nova agência como too much. Que se assemelha a uma revista de moda e não a uma agência criativa. Mas acho que, além de mostrar a ousadia exuberante e confiante de sua liderança criativa, ela traz o fashion como asset de design, confere relevância à área e dá um toque feminino importante pro nosso mercado.
Eu ainda poderia falar por muitas linhas o quanto eu amo o &. O quanto as aplicações vão se tornando cada vez mais adoráveis a cada visualização. O quanto eu gosto da ousadia do 3D, o quanto os objetos físicos são incríveis e os mise-sen-scène me encantam. E claro, “a” do logo me incomoda. Mas eu acho que, além de um trabalho incrível da criativa, do empoderamento do time de criação (e das minas!) e da construção de marca e divulgação, a &Walsh vem pra nos inspirar: como mulher, como designer e como pessoa.













