can’t keep loving you (with half of my heart)
w. @mike-th
Com o aniversário de um ano de namoro se aproximando, Jihye sentia o nervosismo aumentar cada vez mais, seus antigos medos e inseguranças com relação a relacionamentos amorosos reaparecendo como se Minhyun nunca tivesse mandado-os embora para longe. Muitas coisas tinham acontecido naqueles meses, sua carreira parecia estar no lugar certo, sua famĂlia estava bem e, tirando o medo de a imprensa descobrir seus segredos (esse nunca a abandonaria), todas as coisas estavam ridiculamente perfeitas. Mas e se isso fosse um presságio de que algo daria errado em breve? De vez em quando ela se pegava acordando no meio da madrugada, agoniada como sempre era, e andava o apartamento inteiro de um lado pro outro, preparando-se mentalmente para qualquer tempestade que pudesse cair sobre sua cabeça a qualquer momento. O mais estranho Ă© que a tal tempestade nunca chegava e as coisas continuavam simplesmente indo bem. Era pensando naquilo tudo que ela encarava a paisagem passando pelas janelas escuras do carro enquanto Mike dirigia. Uma mĂşsica do John Mayer tocava no rádio e ela cantarolava sem nem se dar conta, abraçando os prĂłprios joelhos enquanto apoiava os pĂ©s no prĂłprio banco onde estava sentada, mesmo sabendo que nĂŁo era a posição mais adequada para se ficar no carro. Volta e meia arriscava um olhar para o namorado e se questionava: como raios uma pessoa tĂŁo incrĂvel tinha decidido ficar justo com ela? E como continuava escolhendo estar ali, dia apĂłs dia, mesmo com suas manias chatas, inseguranças bobas e os chiliques provocados por elas? O marco de um ano era algo bastante simbĂłlico para a jovem. Tinha sido bem ali que seu Ăşltimo (e mais longo atĂ© entĂŁo) relacionamento tinha acabado. Ainda que nĂŁo fizesse sentido algum, ela tinha medo de aquilo acontecer novamente e o pensamento a aterrorizava, porque honestamente já nem saberia mais como viver sem ligar para Minhyun e contar sobre cada coisinha boa que acontecia em sua vida. Achava ridĂculo o pensamento de depender de alguĂ©m para viver, e de fato nĂŁo dependia do rapaz, mas nĂŁo queria ter que viver sem ele. Involuntariamente deixou um suspiro pesado escapar, logo se amaldiçoando por nĂŁo estar conseguindo disfarçar sua inquietação e virou o rosto para olhá-lo, o mesmo sentimento de ternura e tranquilidade de sempre tomando conta de si. “Minmin…” murmurou, nervosa como se fosse dizer algo extremamente difĂcil, embora fosse apenas mencionar o aniversário de namoro. “VocĂŞ percebeu que faz quase um ano que… VocĂŞ sabe, a gente começou a namorar?”
    O braço estava relaxado, mas a mĂŁo estava firme no volante, os olhos permaneciam focados na estrada, mas a mente vagueava longe. Geralmente sua mente estava sendo sobrecarregada com medos e preocupações, preocupação com a mĂdia, com seus membros, com os trabalhos em grupo e solos, com a reação dos fĂŁs, com sua famĂlia, era como se mesmo em seus momentos de descanso sempre havia mil e uma problemas, ou possĂveis problemas, para pensar e encontrar a solução antes que estes pudesse realmente prejudicar alguĂ©m. Mas pela primeira vez em muito tempo sua mente finalmente estava longe de tantas perturbações, o sorriso de leve no rosto focado na estrada era resultado da calmaria em sua mente, da paz que o caminho cercado por verde conseguia lhe transmitir e da alegria em ter a namorada ao seu lado. Vez por outra a mĂŁo livre alcançava a dela ou os seus cabelos com um carinho breve, quase como se quisesse realmente se certificar que ela estava ali, que nĂŁo era um sonho. Em pouco tempo faria um ano que ele e Jihye estavam namorando, um ano desde que havia feito o pedido e ainda havia momentos em que se perguntava como poderia ter tido tanta sorte? Por que ela o havia escolhido e continuava ali com ele? Provavelmente continuaria a se perguntar sempre que olhasse em seus olhos, ou que seus lábios tocassem o dela. As vezes era difĂcil acreditar que as coisas iam tĂŁo bem, tĂŁo tranquilas.Â
        O sussurro ao seu lado foi o que o tirou dos seus pensamentos, tirando seus olhos da estrada por um instante para voltar a sua atenção a namorada rapidamente retornando a estrada. O tom de voz dela foi o bastante para o deixar preocupado e fazer com que tenha remexido no banco do motorista, consertando sua postura. Um murmuro foi sua forma de incentivar que Jihye continuasse. O rosto relaxou no momento em que ouviu as palavras dela, em partes pela coincidência dos seus pensamentos. --- Um ano, tem certeza? Wow… --- Seu rosto pareceu confuso por alguns segundos, mas logo um sorriso tomou forma em suas feições, sua mão a alcançando, seu olhar se desviando por uns instantes até encontrar com os dela. --- O tempo passa diferente quando eu estou com você… --- O olhar um pouco mais demorado foi o bastante para notar que algo estava diferente. --- Está tudo bem?


















