ANSWERS ─── flashback to a long, long time ago. princess anna & mad hatter.
“Muitos sanduíches meeesmo e──AAAAAH!” A ruiva deu um pulo no lugar quando percebeu a presença alheia, deixando cair o próprio lampião que se despedaçou no chão como se não fosse nada. O coração retumbava com muita rapidez no peito e ela podia jurar que só não desmaiara pelo susto por um milagre mágico; porque nunca tomara um tão grande quanto aquele. Levou a mão até o peito, este que subia e descia desesperadamente, numa tentativa de acalmar-se, mas o comentário do rapaz não contribuiu em nada. “Pera, quê?! Um grilo?! Você pensou que eu fosse um grilo?!” Ela levantou uma sobrancelha, questionando-se qual parte dela poderia ser comparada a de um grilo.
Anna era muitas coisas, mas um grilo?! Jamais imaginaria.
Ela deu um passo para frente, procurando observar melhor o rapaz sob o fulgor do lampião dele. Não se parecia com ninguém em Arendelle: desde os trajes ao chapéu, nada daquilo fazia parte do que Anna estava acostumada a ver em seu reino ── o quê só podia significar que ele era um viajante… e que não fazia ideia de quem ela era.
De repente, a princesa agradeceu o milagre mágico que havia tanto lhe impedido de morrer de susto quanto colocado aquele rapaz em seu caminho. Era exatamente o quê precisava, alguém para acompanhá-la na jornada sem questionamentos do porquê de Anna ter decidido fazer aquilo às custas da rainha. Alguém que sequer soubesse sobre Elsa e os poderes dela e pensasse que a viagem de Anna não passava de curiosidade, sede pelo desconhecido ou qualquer coisa do tipo. Ela sorriu, oferecendo a mão na direção dele em um cumprimento. “Bom, eu claramente não sou um grilo! Sou uma menina. E eu me chamo…” Era arriscado demais dar o próprio nome ainda no domínio de Arendelle. Se o desconhecido acabasse não topando a aventura, poderia muito bem entregá-la para a irmã. “Astrid.” Foi o primeiro nome que lhe veio à cabeça. “Eu me chamo Astrid e moro em Arendelle. A gente não tem muitos grilos, eu acho… mas temos renas! Elas são fofas.”
O Chapeleiro levou um susto tão grande com a reação da menina que deu um salto para trás, cuidando para não derrubar nenhum de seus preciosos tesouros e nem o lampião. Tão logo que a pergunta veio ele se assustou mais ainda. O que havia demais em um grilo? Para ele era um pensamento tão corriqueiro o de encontrar criaturas diferentes pelo caminho, que ele nem havia considerado a possibilidade de isso soar incomum para alguém. “É, um grilo... Ou uma cigarra, uma formiga...” enumerou, abrindo um sorriso enorme, como sempre fazia “Um conhecido conhece alguém que conhece alguém que conhece um grilo falante. E aí pensei que seria fascinante ter um por perto na minha viagem. Esse lugar é tão peculiar, seria bom ter alguém para conversar.” explicou.
Quando ela se aproximou, a primeira resposta do Chapeleiro foi se aproximar também, encarando-a com proximidade e de maneira quase desconcertante; ele frequentemente se esquecia dos modos que as pessoas usavam umas com as outras e que ditavam as distâncias entre um indivíduo e outro. Arqueou as sobrancelhas, estudando a face alheia por um momento e percebendo que nunca tinha visto alguém como ela. Suas vestimentas eram diferentes, assim como os trejeitos e o rosto. Não era alguém de Wonderland com certeza... Ele conhecia poucas pessoas de outros reinos e as achava fascinantes! Elas tinham filosofias e modos de falar tão diferentes que pareciam pertencer a outros planetas ou galáxias distantes. “Uma menina...” repetiu, descendo o olhar para a mão estendida “Eu sou um Chapeleiro!” respondeu com entusiasmo “Astrid é um bonito nome. Como os astros!” continuou, complementando seu raciocínio sobre galáxias e planetas, mesmo que não tivesse dito nada a respeito. “Sou de Wonderland. Nunca vi uma rena, mas elas devem ser interessantes... Meu melhor amigo é o Coelho, talvez ele se desse bem com elas.” sorriu. Qual seria a relação entre coelhos e renas? Não fazia ideia, tinha tanto a aprender com o mundo... Precisava se apressar antes que não tivesse mais tempo para sua grande aventura. O tempo era uma coisa traiçoeira demais para ser desperdiçada, dali a pouco nasceria mais um dia e portanto teria um dia a menos também; a cada hora a mais, uma hora a menos, não podia se dar ao luxo de perder-se nelas. “Onde você está indo, Astrid de Arendelle?” questionou “Ah, pode me chamar de Chapeleiro mesmo. É como todo mundo me conhece e como e conheço também.”