Mausa Entrevista: Vinnie Corvo
Na 9º edição da Mausoléu Zine, trouxemos novamente Vinnie Corvo para nossa entrevista! Vinnie foi o primeiro entrevistado da zine e muita coisa mudou de lá para cá, nada mais pertinente do que conferir as mudanças, a percepção atual da cena, batalhas e novos objetivos de alguém que foi muito importante para a formação do coletivo Mausoléu.
Vinnie Corvo é gótico, ator formado e DJ. É o fundador do Nigravis e atualmente organiza o Nigravis Goth Night nas noites curitibanas. O maior fã de Nicolas Cage de todo o Brasil, dono de um estilo irreverente e uma das pessoas mais simpáticas para ter ao seu lado e trocar ideia, um grande amigo que apresentou o rolê gótico para o Sr. Mausoléu (Moledo) e Thyago.
M: Como você saiu do caixão?
Vinnie: Desde criança tive uma fascinação por terror e vampiros, o primeiro livro que li foi o drácula, quando pre adolescente comecei a frequentar Lan house e vendo as comunidades no Orkut e blogs comecei a descobrir o que era a subcultura por nome, mas só comecei a frequentar de fato em meados de 2018.
M: O que é a sub pra você?
V: Acredito que a subcultura gótica acima de tudo, se trata de comunidade, um conjunto de pessoas que possuem os mesmos gostos e posicionamentos. Um lugar onde pessoas como nós podemos ter liberdade de nós expressar sem julgamentos.
M: Como foi começar a discotecar?
V: Aconteceu bem por acaso, sempre que tinha os encontros no passeio público o pessoal sempre buscava um "after" é uma festa própria do encontro, então um dia resolvi proporcionar o evento pra galera, aí que fui aprendendo a discotecar e desde então não parei mais.
M: Pode usar este espaço para divulgar seu trabalho!
V: @nigravis_cwb (instagram) é onde público sobre as festas que realizamos além de divulgar outros eventos góticos na cidade.
M: Com o passar do tempo, o que mudou na sua percepção da cena gótica?
V: Nos últimos anos com a popularização da subcultura na internet, aumentou muito o número de pessoas frequentando os eventos e por consequência surgiu uma demanda maior de eventos focados na subcultura gótica. No entanto é uma faca de dois gumes, por mais que as redes sociais proporcionaram uma fonte de informação e popularização mais rápida, também é preciso uma constante manutenção da cena, para que não acabe sendo descaracterizada.
M: Você sabe que o Nigravis inspirou a Mausoléu, pensando no começo dos nossos eventos, qual sua opinião sobre a criação do Nigravis, o que ele se tornou e as mudanças que ele promoveu?
V: A intenção do Nigravis inicialmente foi proporcionar um evento gratuito para que seja possível fortalecer o senso de comunidade na cena, pois quando eu era adolescente não tinha quase nada que fosse muito acessível, acredito que isso eu consegui, pois vejo que do Nigravis saiu muitas amizades duradouras, parcerias de negócios e até relacionamentos, várias relações que duram até hoje. No entanto com o tempo e devido questões de saúde mental e a minha relação tóxica com o alcoolismo acabou ficando difícil de administrar um evento com muita gente e confesso que as vezes saia um pouco do meu controle, onde foi necessário uma mudança não só no Nigravis, mas na minha vida pessoal, onde além de eu largar o alcolismo foi preciso eu ajustar o rumo do evento para dar lugar algo mais "family friendly", que acabou sendo o pic nic da Mausoléu, e com isso focar nas partes onde eu mais gosto, que é a discotecagem, curadoria de música gótica e a divulgação de eventos no geral. Hoje sinto que tudo está alinhado como deveria ser, e estou mais satisfeito do que nunca com a direção que estamos tomando com os eventos.
M: Sabemos que nos ambientes noturnos o álcool está muito presente, como é para você ser DJ, agora, com a sobriedade?
V: No início da minha jornada na sobriedade foi desafiador trabalhar em locais onde o consumo de álcool é a principal atividade, mas como levo a discotecagem a tão a sério quanto qualquer emprego, minha ética de trabalho foi evoluindo, então mesmo que eu continuasse a beber, acredito que nos dias de eventos, não consumiria nada para direcionar meu foco total no trabalho de discotecagens. Mas estar sóbrio e atento ao evento me ajuda muito a ter um foco redobrado e proporcionar a melhor experiência possível para os frequentadores.
M: Quais seus planos para o futuro como DJ?
V: Atualmente tenho planos de conhecer a cena gótica de outras cidades, tocando fora de Curitiba, se tudo seguir como planejado talvez eu toque em uma festa em Londrina ainda esse ano, mas o plano é rodar o Brasil inteiro e ver em primeira mão a diversidade da subcultura nas cidades do Brasil e se possível até de outros países.
M: Qual seu estilo gótico favorito de discotecar e qual você nunca tocou, mas gostaria?
V: Gosto muito de tocar darkwave no geral, músicas com uma pegada mais eletrônica são um pouco mais satisfatórias de mixar, no entanto colocar músicas de Gothic Rock menos conhecidas sempre é muito divertido pra mim. Acredito que não tenha um gênero do gótico especificamente que eu não tenha tocado, mas eu gostaria muito de fazer um set ou evento mais voltado para o synthwave, que é um subgênero que aprecio bastante.
M: Tem algum lugar ou alguma festa que gostaria de tocar um dia?
V: Como pretendo rodar Brasil a fora pra conhecer outras casas e eventos, seria incrível poder tocar no madame um dia, no entanto indo um pouco mais além sempre vejo que no dia de los muertos no México, tem muitos eventos góticos sensacionais, seria incrível poder tocar em qualquer evento no México também.
M: Pergunta bônus: qual o melhor filme do Nicolas Cage, e por que?
V: Difícil escolher somente um! Tem vários filmes dele que gosto por motivos diferentes. Mandy pelo visual e atmosfera, Con Air pela ação, Pig pela atuação e roteiro, 8mm pela trama enfim, da pra ir longe.
Mas se fosse pra eu fazer um top 3 seria: Mandy, Bringing Out the Dead e Bad lieutenant.







