A Representação das "Nornas Gregas"
Não Deixe que Sonhos Deixem de Existir por Não Serem Reais Ainda
Quando se sonha, a sensação que se têm ao acordar é a de que vivenciamos um pedaço de vida em uma outra realidade onde tudo aquilo era possível, onde tudo aquilo sonhado poderia acontecer sem restrições. Para uma outra pessoa, esses sonhos não passam de resquícios que antes foram informações na sua mente, mas em um pesadelo se sente medo, em um sonho contente se sente alegria... Os sentimentos e acima de tudo as experiências que se vivem nos sonhos são reais, ainda que o sonho não. Concluo que ainda irreal, o sonho foi uma experiência que aconteceu de fato, ou seja, existente e válida, ao contrário todas as outras realidades que diferem da sua seriam irreais e inválidas, mas não é assim que o indivíduo tece sua realidade. O indivíduo é social.
Todo conceito que se faz real hoje, pode ontem ter sido uma noção inexistente, ou melhor, ainda não transformada. Como então representar visualmente uma ideia que uma vez foi irreal?
O inexistente é só uma ideia ainda não descoberta. Algumas jdeias ainda que não existam são possíveis, só não fazem parte de uma determinada realidade. Uma religião de uma sociedade eclesiástica específica por exemplo, imposta em uma outra cultura de aspecto oposto à primeira, é uma ideia ainda não descoberta pela segunda, ainda não existe, mas assim que a religião em questão for apresentada de forma à segunda cultura, passa a ser uma ideia existente, ainda que irreal.
As metáforas e principalmente analogias são bastante usadas na escrita para exemplificar ou explicar com outras palavras o que te dificulta passar, seja qual for a informação adiante. Particularmente gosto da simplicidade de um conto por exemplo, que exprime em estórias minhas paixões (ódio, amor, desejo) e ideias das quais consigo transformar em informação real, que exista tempo o bastante pra me manter também real o bastante por alguns minutos a mais.
Não a maioria, mas também são obras rabiscadas muito do que antes foi paixão ou uma ideia retraída, portanto fica claro ao entender a ocorrência destas ações que ideias próprias são mais fáceis de sublimar. Porém nem todas as ideias do mundo são transformações suas, pois cada ideia vem de uma realidade diferente o que nos trás de volta à mesma pergunta, mas com um pequeno adendo que carece atenção. Como representar visualmente uma ideia e/ou conceito ancestral, ou seja, como representar uma ideia que venha de antes, que não tenha sido uma transformação da própria realidade daquele que deseja a representar?
Em minha realidade, minhas obras ínfimas em profissionalismo e conhecimento carecem das minhas paixões e fascínios, como indiferenças e injustiças, o sangue jorrado de vítimas, como também beleza em detalhes grandes o bastante para passar despercebida como a das estrelas ou da estrela Sol ao se por, a da doçura que esbanja a infância de uma criança e até mesmo a velhice daquele que apreciou ou não a passagem pela sua vida. O toque dos dedos dos apaixonados na rua, onde o frio carece um abraço dos protagonistas ou o muito simples para alguns e desafiantes para outros olhar fixo nos olhos, onde estes se conversam melhor que a garganta ou as mãos.
Para representar portanto ideias que não temos certeza de que vemos ao pensar nelas, devemos antes entender qual a sua função na realidade. Cloto, Laquesis e Átropo me perguntam o que são, antes de eu entendê-las. A mim não existem, depois se tornam um conceito existente, mas irreal, todavia não explicam nem descrevem ainda suas aparências ou suas aparentes ações e como eu que não tinha conhecimento poderia representá-las visualmente.
Portanto tenho que entender antes, qual exatamente é o papel destas figuras greco-mitológicas.
Cloto tece, Laquesis sorteia e Átropo corta. O que essa informação me diz? De início tenho a impressão de que são seres inventivos criados para explicar a própria existência. Senão fosse esse o objetivos de todas as criações humanas, isso lhes tornaria espetaculares, mas a forma simples da qual podemos descrevê-las não faz delas ou da representação delas de mínima beleza.
Dito o que foi dito, ao tecer a minha realidade (ou seja, como eu as representaria) Cloto faz nascer, dá a chance de vida àquele que à acredita. Sabendo disso, não seria menos justo dá-la a aparência da beleza de uma mulher grávida. O cordão umbilical, a última ligação física entre o bebê e a mãe é a ligação que liga o começo ao fim, que tece o destino, este que se faz essencial na crença de deusas que tecem a realidade. Ao sortear as possibilidades e oportunidades da trajetória de vida, Laquesis é representada por uma criança, cujo seus cabelos ondulados e longos balançam ao brincar de pular corda, um fio, o destino, trazendo esperança de prosperidade antes da chegada de Átropo, desejada por alguns e temida por outros, representada pela morte, que com a famosa e afiada foice corta o fio, o destino, terminando com o propósito já cumprido com o nascimento.
Assim temos uma das infinitas maneiras que podemos digerir ideias e como eu a faria de primeiro contato.
Toda experiência vivida é real, ainda que não tenha de fato acontecido. Não deixe que sonhos deixem de existir por não serem reais.