Blue Blood || Jin&Bia || AU
“Jinnie… Jinnie, acorda” alguém cutucou seu ombro, ele abriu os olhos, piscando confuso, levando um tempo para se situar no espaço. Sunhee o encarava com os olhos grandes e castanhos, um sorriso fraco delineava os lábios rosados, ela cutucava o joelho do irmão “Você babou na própria roupa” riu, exibindo os dentes incisivos proeminentes, como os dele. Vozes baixas soavam pelo ambiente, abafadas pelo barulho do motor, se calaram quando o aviso para que os cintos de segurança fossem colocados, apareceu em um painel mais a frente, Sun ocupou a poltrona em frente a sua, apoiando as mãos sobre a mesa e entrelaçando os dedos aos de YoungJin, num gesto tranquilizador. O frio na barriga apenas aumentou quando o avião fez a primeira curva, inclinando em direção ao solo de maneira delicada, o rapaz olhou pela janela, podia ver o mar, as praias e consequentemente a cidade, era um dos poucos países que nunca havia conhecido, e não pôde deixar de se deslumbrar com a beleza digna de um cartão postal.
Não demorou para que a aterrissagem completa acontecesse, e logo eles desciam as escadas do jato, tendo os funcionários curvando os corpos de maneira respeitosa a medida que passavam, em direção aos carros, blindados, que os aguardavam. Acabaram por ir em dois veículos, seus pais e sua irmã caçula em um, enquanto os mais velhos e as do meio iam no outro, todos estavam em silêncio, a tensão era palpável, como se a briga de alguns dias antes, durante o café da manhã, ainda estivesse acontecendo. Jin estava psicologicamente esgotado. Encostando a cabeça no vidro escuro do veículo, ele soltou um suspiro longo, preferia mil vezes estar na universidade naquele instante, uma aula de Econômia Regional era menos massante que ter de se apresentar para completos estranhos. Mas não desconhecidos quaisquer, e sim seus futuros sogros. Quando, há cerca de um mês foi informado sobre aquele casamento, quase tivera uma síncope nervosa, principalmente ao descobrir que os preparativos estavam quase prontos, só precisavam enviar os convites e, é claro, os noivos precisavam se conhecer, “Foi tudo arranjado por mim” papai dissera “São parceiros econômicos importantes nossos, a união entre você e a primogênita deles será um grande marco para nossos laços se estreitarem”. Obviamente não comentara nada a respeito daquilo, o silêncio era importante caso quisesse preservar sua integridade física e mental, porém com sua mãe não precisava engolir tudo calado, e ao questiona-la naquele mesmo dia mais tarde, a resposta não foi uma das melhores. “Ela é uma moça bonita, tem a sua idade, já está passando do tempo de se casar. Conhecemos aquela família há anos, são de confiança e educam os filhos muito bem, ela será uma ótima rainha, tenho certeza.” E a medida que os dias se passavam, quanto mais ele tentava contestar a decisão de seus pais, mais tensão surgia, era uma briga atrás de outra, discussões sem fim, um mau humor constante entre todos os envolvidos, e ali, sentado a poucos minutos de estar cara a cara com a mulher que faria parte de um dos momentos mais importantes de sua vida, o príncipe herdeiro teve certeza mais do que absoluta de que não poderiam voltar, já era tarde, toda sua luta fora em vão, ele iria se casar com uma completa desconhecida e eles teriam de, juntos, trazer descendentes para o reino. Pouco menos de vinte minutos mais tarde, a família cruzou os enormes portões de ferro que cercavam o palácio. Mesmo tendo crescido naquele meio e num lugar absurdamente grande, o jovem Lee não podia deixar de se impressionar muitas vezes, como lá, com os jardins enormes e bem cuidados, as diversas estruturas no melhor estilo neoclássico, entrando em um contraste absurdo com a paisagem urbana que os recebera assim que pousaram. A guarda real se mantinha a postos, alguns funcionários que trabalhavam no terreno, viraram o rosto para encarar os carros com a bandeira coreana tremulando acima do vidro, a escolta policial desligou o giroflex, estavam em segurança. Um homem muito bem vestido, claramente um funcionário, abriu a porta da limosine “Vossa alteza” ele curvou o corpo, pronunciando as palavras num inglês enrolado, com sotaque forte, e o primeiro impulso do jovem Lee foi o de pedir para que se levantasse, odiava quando os empregados quase beijavam o chão quando passava, era o príncipe herdeiro, não um deus. Porém recordou que não estava em seu reino, e seu pai estava próximo, tinha de manter o papel que ele construira para si. Aquele mesmo funcionário foi quem os guiou para o interior do palácio. Os monarcas esperavam logo no hall, não eram velhos, usavam roupas sociais, assim como os visitantes, e tinham uma postura impecável. Seu pai foi o primeiro a se aproximar, sorrindo para o amigo de longa data e trocando um aperto de mão com o homem, repetindo o gesto com a rainha, e então sua mãe fez o mesmo, até que, por fim, foi a vez dos primogênitos se aproximarem, ambos curvando os corpos de maneira respeitosa, ainda estavam em posição inferior na hierarquia. -Majestade - disse em tom firme.
Quando o "grande dia" finalmente chegou não podia se sentir mais irritada e triste com aquilo tudo. Sabia que naquele ponto não havia o que poderia fazer, havia tentado acabar com aquilo de diversas formas. Claro que seus protestos de nada adiantavam perante ao que haviam decidido sobre seu futuro. No dia do casamento sentia-se sem chão, não havia o que pudesse fazer naquele ponto. Pela manhã recebeu a visita de seu pai e seu irmão por breves momentos, estava tão exausta de discutir com eles sobre aquilo que decidiu que não se daria o trabalho. Ouviu enquanto o pai falava sobre sentir sua falta e mais algumas baboseiras que não prestou atenção. Foi reconfortante dar um abraço longo e demorado nele antes dos preparativos.
Se casaria com um dos vestidos tradicionais da realeza, junto com uma tiara que havia sido um presente de algum monarca para sua mãe. Foi necessário alguns ajustes no vestido, mas nada o deixou menos pesado. As pedrarias ainda iriam lhe matar, tinha certeza. Eram 15 kg de vestido e anáguas que não poderia tirar por pelo menos sete horas consecutivas.
Os momentos finais antes de realmente sair de casa para o local do casamento foram os piores. Não pode evitar chorar se despedindo das suas damas de companhia, que mais eram suas amigas. Estava nervosa desde o momento que saiu de casa até o que entrou na igreja acompanhada de seu pai. Queria fugir de tudo aquilo, sumir se possível. Mas logo se viu ajoelhada no altar com o seu futuro marido Ao final da cerimônia ainda teria o almoço e mal se aguentava em pé com aquele maldito vestido, ao menos não foi uma mentira quando disse que estava com dores nos pés como uma gracinha para os reportes, quem dera fosse apenas os pés.
Finalmente a mesa, ao menos agora sentada, começou a refeição. Não estava tento tanto sucesso em manter uma feição levemente amigável, apenas podia pensar em quanto o vestido arranhava e suas costas doíam. Não conseguiu falar muito, uma das poucas vezes foi quando seu irmão veio perto de si apenas para tirar um pouco de sua paciência com algum comentário bobo sobre estar parecendo realmente uma princesa pela primeira vez ao invés de um bicho do mato. Limitou-se a revirar os olhos e reclamar algo sobre Inácio ser inconveniente e apenas isso.
Quando finalmente tudo acabou estavam a caminho do hotel em que ficariam. Mal esperou entrarem dentro do carro para retirar os sapatos. — Na próxima vez que me colocarem em uma roupa que pesa tanto eu juro que não saio da cama. — Comentou mais para si mesma do que para o noivo/esposo.













