SIM
Gosto estranho o primeiro beijo após o sim, gosto de passado mas seria melhor ao ponto, e não estaria já bem passado? O rápido pensamento de Anelise foi atropelado pela banda que começou a canção deles, que lindo. “Do you Wanna dance?” e os amantes patinando na pista, Pedro só felicidade, Anelise rindo mas querendo curtir a lembrança do gosto de passado do beijo mas Pedro rodou ela feliz, e mais uma vez lhe escorregou o plano. Estava feliz, sim, mas queria saber porque a boca do amado era presente com gosto de ontem. Gosto até bom, mas tinha notas de prazo expirado e no retrogosto algum vislumbre de deleite. Encaixou a cabeça no colo dele e disfarçou dançando seu morder de lábios se chupando atrás do sabor estranho que se auto-explicasse. Mordeu a língua até sangrar, vai que estava lá, mas não. Mais uma rodada e pausou a procura para ser feliz com Pedro, radiante. Dançando feliz pensou será que não foi parar na outra boca por engano ou teriam roubado e não percebi?, e teve a ideia da boca do marido, de repente estava lá por trás da língua, e puxou pra junto a cabeça dele que se deliciava com aquele beijo faminto em que Anelise não sentia sabor algum, sua língua frustrada nos quatro cantos da outra. Que foi meu amor Pedro a nota enfim nada cansaço Anelise enfadada. Quanto tempo sua fome aguentaria ser saciada por aquela coisa insípida que recusava já a chamar de beijo já que de beijo só tinha nome? Talvez o sim explicasse. Talvez não digeriu direito a palavra, talvez a tenha presa no esôfago e ela tirava o paladar. Sente que Pedro lhe empurrou o sim goela abaixo e tinha raiva agora mais raiva de si, embora ele a tenha convencido a ser feliz. Dançando, começa achar o marido um tolo que lhe entalou com algo que não digeria. Porém ela foi até ali, não desistiria. Pedro tinha que pagar. Então vai enumerando mentalmente todos os paus e porras que vai meter goela abaixo, esse sim vai ser socado com quantos forem precisos não importa que lhe firam a garganta. Vai passar o tempo que for arrotando o sim imposto com tudo que for resquício de homem que tiver. E ele nem vai saber, por que é feliz.


















